terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Um novo lindo hóspede

desenho que Iara fez para Judite
Este deve ser o último post de 2008. Que ano bom!!!!! Reli uma carta que escrevi para Judite, na despedida de 2007, dizendo que eu gostaria que o ano que chegava fosse, no mínimo, igual a ele, pois tinha sido um ano de muitas conquistas belas, de solidificação de uma trajetória que teimava em me criar dúvidas, de amores, amizades e muita coisa boa. Não é que 2008 superou?

No âmbito coletivo sei que tivemos problemas seríssimos e que a violência, mais do que antes, nos invadiu o sofá e nos congelou, tive perdas pessoais que me entristeceram muito e pequenos aborrecimentos cotidianos, mas no que diz respeito a vitórias e trabalho, no que diz respeito ao sorriso..... ahhhhhhhhhhhhhhhh muito obrigado 2008!!!!

Tenho encarado as mudanças no calendário como um jogo virtual (na verdade não deixa de ser, né?), é um artifício que usamos para renovar as esperanças, criar projetos novos, manter os que foram bem sucedidos, confraternizar com os queridos. Por isso, trato os anos como amigos.

2007 foi um companheirão mas, como em toda relação, uma hora precisamos nos despedir e manter as sensações desejando que o próximo amigo venha com esta energia tão boa. Chegou 2008 e não quis ficar por baixo. Agora tenho certeza que 2009 não ficará humilhado e vem de arrombar!!!!

Amanhã verei pela última vez um amigo-irmão. Espero que ele tenha uma boa lembrança de mim e que quando, nos álbuns de fotografia, nos olharmos, um sorriso brote da saudade e a certeza no coração de que ele passou um lindo bastão para o companheiro seguinte.

Venha com tudo de melhor que você tiver, 2009! Para mim e para os meus.
A casa, também, é sua!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Um quase Godot

Foto de Maíra Soares. Espetáculo Joy Lab Research do coreógrafo Alito Alessi (SP-2007).
Letícia Sekito, Edu O. e Estela Lapponi
A -Quem disse que não dá? É tudo difícil, eu sei, mas dá.
B -Sozinho, não dá. É mais fácil com alguém. E a fé?
C -Assim, não dá!
B - Mas é para onde? Segura na mão...
C - E vai!
A - Vai!
C - Não vai dar.
A - Como assim? Não vai dar?
B - Dá, tenho certeza que dá!
C - Dá uma canseira! Vamos parar. Vamos desistir.
A - Nunca. Desistir, não dá.
B - É... desistir, não. Nunca!
C - Então tá. Vamos.
A - Para onde?
B - Ficar juntos. Juntinho dá.
A - Ah, é mesmo! Eu tinha esquecido que assim dá.
C - Se vocês dizem, eu acredito.
B - Confiam?
A e C - Lógico!
Todos - Vamos logo!
A - Aproveita a onda!
C - A gente não vai se afogar?
B - E se a gente se separar?
C - Assim, não dá!
A - Jamais.
B - É, eu esqueci que não dá. Somos um, não é?
A - É.
C - Nunca duvide.
B - Já esqueci o que pensei. Agora vamos de verdade...
A - Segura firme.
C - Confia em mim.
B - Confia em nós!
A - Olha lá.
Todos - Agora dá.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Sorriso!!!

Foto no momento do nascimento da pessoa mais importante em minha vida feita por seu pai.

Sempre fui uma pessoa que viveu a brincadeira. Viver para mim é brincar, sem nenhum resquício de irresponsabilidade, como podem pensar os "grandes".

Imaginar situações fictícias, pessoas, lugares, amores, dramas...

O presente sempre esteve relacionado com as ilusões que criei e me tornei o que sou contrariando as ordens da normalidade, da razão.

Que presente desejo para mim? Estou precisando calças, casa própria, livros, cds... Ah sei lá, pensemos depois! Meu presente é meu sorriso no rosto e no meu passado também.

Sempre fui descarado. Por que sorrir? Por que viver assim? Para ter a alegria de ouvir palavras tão lindas como ontem, sobre uma responsabilidade que tenho sem saber, por reverberar uma vida que apenas se vive.

Feliz natal é piegas, mas para os amigos, amados, amores, o que desejar se não a felicidade? Embora forcem lágrimas, nosso sorriso é mais!

Feliz Natal!!! Nascimento de muita esperança e alegria.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Um impulso


Para lembrar que todo vôo precisa de impulso
*Não lembro o nome do(a) fotógrafo(a), mas é na França, no espetáculo "Euphorico - Poetic Inclusive Dance" do Grupo X com a Cia Artmacadam

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Noite BACAna

Hoje assisti, junto à minha mãe, ao show "Canto Geral - Um concerto para América Latina", promovido pelo Governo do Estado da Bahia/SECULT, no TCA. Um dos melhores shows que assisti nos últimos tempos aqui nesta terra de tanta gente boa e tão musical. Essa minha cidade d'Oxum, às vezes, me emociona, porque possibilita uma noite tão bela como esta.

No palco Mercedes Sosa, Cecília Todd, Susana Baca (LINDA!!!), Carlinhos Brown, Ramiro Mussoto e Orchestra Sudaka e a Orquestra Sinfônica Juvenil 2 de Julho, coordenada pelo maestro Ricardo Castro. Tivemos ainda a linda presença do ator Ângelo Flávio, e músicos como o maravilhoso Mario Ulloa, Juan Cotito, Sergio Bensa e Mikael Mutti.

Era lindo ver a atenção do público, sem aquela euforia desatada de fãs desesperados em show de ídolos, sem o desespero das câmeras digitais... Nada! A noite era da música e ela brilhou encantadoramente.

Mercedes (Argentina), eu já falei sobre a minha admiração aqui no blog, encantadora!!!
Susana (Peru), que simpatia, voz, energia, que alma transbordante! Fiquei com vergonha da minha ignorância com a arte latinoamericana. Eu não poderia não conhecer esta mulher.
Cecilia Todd (Venezuela), tocando seu "el cuatro" nos apresentou músicas lindas, com uma suavidade, delicadeza!
Brown arrasou! Adoro!
Ramiro Musotto e Orchestra Sudaka eu adoro desde quando conheci com amigos em comum. Faz composições incríveis com berimbau e é um argentino que veio beber dessa fonte e se transformou num grande manancial. Foi absorvido e é um dos nossos.
Orquestra Sinfônica Juvenil 2 de Julho, sob a batuta de Ricardo Castro, mostrando no presente a grandiosidade já existente de grandes músicos jovens que continuarão maiores ainda num futuro belo.

Enfim, para quem contaminou o sangue com o veneno da raiva e desgosto, hoje limpou a alma com os deuses da música entrando pelos ouvidos e fazendo acreditar que "todo cambia", como já havia me dito dona Mercedes, no outro show.

*clicando no título do post ouve-se Susana Baca cantando Samba Malató.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Todo encanto

"todo encanto se alimenta, precisa de teto, telefone, internet, colchão macio, saldo positivo no banco, remédio e respeito"
Vladimir
"mas é necessário saber fazer-se propôr-se sem estar a deitar com estas instituições. o dinheiro não é o deles, é o dos impostos, por conseguinte o nosso… mas vale melhor rir, guardar as lágrimas para as pessoas que merece-as, e não cólera mas reflexão"
W
"O protesto é excelente! É justo! Mas seja bem amoroso e gentil com vc mesmo, não deixem que firam tua criança sagrada, tá bom?!"
S
"Compartilho o sentimento, a revolta e a indignação. Infelizmente pra quem tem nome tudo é muito fácil, uma vez que o nome e o dinheiro sempre andam muito próximos, até deixar de cumprimr sérios compromissos"
L
"O que sei é que jamais farei algum trabalho que não seja digno dos anseios da minha alma. E aí, ganhar dinheiro fica em suspenso... suspenso...suspenso"
A
"Tomara que eles leiam esse e-mail de alguma forma, tomara que chegue aos ouvidos deles"
C
"temos que mudar isso desde nosso lugar, nois os artistas somos os encarregados de decir, de informar, de educar, de criticar, de fazer refletir a nosso publico!!! nossa obra tem que ser um espelho da realidade!!! Mas da realidade mesma, não a realidade disenhada pelos medios de comunicação!!!não nos conformemos com ser só um mero instrumento de divertimento (o sistema quer isso!!) lutemos com nossa arte, eduquemos, critiquemos, modifiquemos, que cada pessoa que nos assista sinta que é atravessada por nois!!!"
D
*Só coloquei o nome de Vlad porque ele me autorizou. Pensei em copiar trechos de alguns emails que recebi a respeito do post anterior que já deu "babado", como esses amigos escreveram por email e não aqui no blog, não achei educado expô-los aqui, já que não foi escolha deles e eu não pedi a autorização, na pressa de blogueiro querendo falar. Se algum me autorizar, venho e modifico.
Agradeço a todos que se manisfetaram e me incentivam a continuar trabalhando e brigando mesmo.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Rir para não chorar

É engraçado como tem coisas absurdas nesse mundo de meu Deus!

Minha crise constante em ser artista, hoje percebo claramente que não é o SER. Adoro o que faço, não me iumagino outra coisa, nunca tive intimidade com a matemática, nunca fui amante de química, sempre me interessei pelas pessoas, pelo humano, mas SER artista é difícil. Esta dificuldade se dá por causa do olhar do outro em relação a você. Muitas vezes esse olhar te diminui e isso dói.

Escrevemos projetos, orçamos as despesas, trabalhamos duro para realizar o evento e chegam os gestores cortando verbas e no final, depois do trabalho concluído, não sabem dizer quando vão pagar, que a burocracia é grande e falta documentos, sendo que já foram assinados inúmeros documentos solicitados à prestação. Vamos supor que eu esteja falando da FUNCEB, vamos supor que eu estou falando mais precisamente da Diretoria de Teatro e vamos supor mais, que eu esteja falando também da PETROBRAS. Digamos que sejam exemplos fictícios, já que ninguém acreditaria em mim, nem eu, que instituições desse porte sejam capazes de coisas assim. Uma é a Fundação Cultural de um estado e a outra estatal com tantos serviços de bem estar e contribuição social. Muita consciência!!! Nem sei porque dei esses exemplos, foram os primeiros que me vieram em mente.

Não vejo ninguém não pagar consulta médica (esses podem envenenar) ou advogados (esses colocam na cadeia) ou dentistas (deixam banguelas), os engenheiros deixam a casa cair, mas ao artista só lhe resta chorar e se indignar, esperando as migalhas de um cachê mísero para empresas ou instituições tão ricas e grandes.

Costumo trabalhar de graça, mas para quem eu quero, para projetos e pessoas que eu sei que não poderiam me recompensar financeiramente, mas compensam de formas muito mais belas. Quando eu quero doar meu trabalho para alguma causa e acertamos desde o início as condições, eu faço sem problemas, mas quando o acerto é remuneração, acredito que é, no mínimo, digno se cumprir contratos, respeitar o trabalho do outro e se pagar sem fazer o outro de palhaço. Nenhum preconceito ou valor diminutivo, eu também sou palhaço, mas é que o artista de cara pintada recebe ainda menos respeito do que os de cara limpa e conta suas piadas sem um vintém no bolso.

Hoje eu queria fazer rir, para não chorar!

domingo, 14 de dezembro de 2008

Super Dina

Esta péssima montagem foi feita por mim mesmo,
com uma foto de minha mãe sobre desenho da Super Mãe de Ziraldo

Aos 13 anos eu realizava meu maior sonho de menino: conhecer o Rio de Janeiro. Eu era tão fascinado por este lugar que tinha agenda com inúmeras fotos e poesias e letras de músicas inspiradas na cidade maravilhosa. Assistia, emocionado, aos programas de televisão e me imaginava lá passeando por Copacabana, Ipanema, contemplando o mar no Arpoador, querendo ser um pouco Cazuza, talvez, ou então, artista de novela das oito.

Lembro que nesta viagem íamos conhecer inúmeros lugares: São Paulo, Curitiba, Foz do Iguaçu, Belo Horizonte, Porto Alegre... Tudo para mim seria passagem para chegar ao Rio.

Chegando lá vivi o que seria meu primeiro vôo. Minha mãe, comigo nos braços, subiu os 222 degraus do Cristo Redentor, realizando o grande sonho de seu menino. Eu não tinha ainda cadeira de rodas e andava carregado, de mão em mão, mas ali não. Havia homens no grupo da viagem, mas ela, a Super Dina, não permitiu que ninguém a ajudasse, como quem pagasse promessa subiu um por um suportando meu peso. Chorei, rezei, refleti...

No alto percebi que era aquilo o que mais queria, estar no alto o mais que pudesse. Precisei estar ali para entender que o grande sonho era o impossível: VOAR.

E eu voei nos braços de um super herói! A heroína foi recebida com palmas e prantos na volta demorada ao ônibus da excursão. Os outros viajantes esperaram, a descida, pacientemente como quem espera um milagre.

*Para muitos amigos minha mãe é a SUPER DINA ou simplemente SUPER.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

O dia em que meu avô ganhou a Telesena

Estou descansando em Vitória da Conquista e este final de semana dei uma chegada para conhecer Brumado, cidade que me lembrou muito Santo Amaro, porém com muitas ladeiras.

Como não poderia deixar de ser, lembrei muito de meu avô Ismael e minha vó Zinha. Lembrei dos sabores da fritada, doce de banana raspando o fundo do prato, doce de leite, oração às 17h no corredor, janela, infância...

Irma, era o jeito que eu o chamava e temos estória ótimas de meu avô. Ele sempre comprava Telesena na esperança de ter seu dinheirinho e comprar os sonhos de final de vida. Num desses dias em que ele conferia o resultado do jogo chegamos do colégio, eu e minha irmã, e meu avô pediu que esta o ajudasse a verificar se tinha sido o grande premiado.

Irma anotava num papel todos os números de 1 a 100 e marcava os números sorteados sublinhando-os. Minha irmã ficou com o papel dos sorteados e meu avô com a cartela da Telesena que parece bingo. Ele, então, dizia os números da cartela e ela conferia se havia saído.

- Veja ai, Popa, número 15.
- Saiu, meu avô!

20 saiu, 33 saiu, 49 saiu..... Meu deus, faltava pouco para meu avô realizar seus sonhos! "Teu carro está garantido, minha filha." Dizia meu avô à minha mãe. Todos nervosos, contentes, fazendo planos. Faltando 3 números para ele completar a cartela inteira, batem na porta. Era o moço que fazia nosso transporte. "Não falem nada a este corno porque ele tem uma língua muito grande". Meu avô já com medo de sequestro. 54 saiu. Faltavam dois números. 71 saiu. Agora era a decisão. Paloma foi atender à porta e retardar a entrada do rapaz para que pudéssemos comemorar tranquilamente com meu avô que pegou o papel que estava com Paloma e foi verificar o derradeiro número.

"Não ganhei, minha filha! Por um número..." Ele foi conferir para ver se não estava errado e verificou os outros.

"Mas o 15 não saiu. o 20 não saiu. nem 49. 33 muito menos". A neta de posse de todos os números possíveis de sorteio não percebeu os sublinhados que eram poucos, e não dariam para o carro, para a vida, não dariam para os sonhos. Meu avô ficou tão decepcionado!

Hoje alimento as mesmas esperanças dele. Toda quarta e sábado me tranformo no mais novo milionário brasileiro na expectativa de ganhar a Megasena. Já tenho todo projeto escrito. Tem dias que jogo querendo ajudar o próximo, mas Deus não quer contribuição para creche, nem velhinhos em asilo, nem desabrigados de enchente, então penso egoísticamente e jogo só planejando meu consumo, mesmo assim Deus não disse para que veio.

Não entendo qual é o jogo de Deus. Estou aqui esperando minha irmã me confirmar se ganhei a mega acumulada de sábado, mas até agora nada dela me dizer.

Será que está esperando em voltar? será que está com medo de me decepcionar ou conferiu tudo errado como fez com meu avô?

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Poeminha de nada

Um pezinho assim pequenininho
uma dorzona assim grandona
num mundinho tão pequeninho
que meus olhinhos nem alcançam

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

A festa de Eros

Foto de Edu O.
para escultura de Eros (Louvre), infelizmente sem crédito do escultor
Há quase três anos fui atingido por Eros.

Eu pensava ter amado anteriormente, mas tudo era artimanha da paixão. Esta sempre maravilhosa, mas ele, o amor, me trouxe uma experiência inédita e igualmente maravilhosa.

Hoje meu amor comemora aniversário e eu agradeço à vida por este encontro que me trouxe calma, respeito, cumplicidade, alegria e o prazer de ser amado em igualdade. Amor é troca, não doença, não é posse, não é anulação. Quanto mais sou eu, mas é possível amar e ser amado, porque o outro não quer espelho, quer complemento.

Que esta festa seja sempre junto a você, meu amor!


segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Mulher chora ao ver o Rio vermelho

Acrílica sobre tela

Porque preciso me lembrar que também sou artista plástico e não sei para que.
Esta pintura faz parte de uma série que gostei muito de ter feito quando estava na faculdade. Foi uma das minhas últimas telas, deve ser ano 2000. O melhor neste trabalho é ter feito um retrato de minha mãe sem saber que estava fazendo. Quem a conhece deve identificar algo. Não sei...

sábado, 29 de novembro de 2008

Mente quieta, espinha ereta e o coração tranquilo

Foto de Danielle Coutinho

Viver é afinar o instrumento

De dentro prá fora

De fora prá dentro
A toda hora, todo momento
trecho da música Serra do Luar de Walter Franco
Tem horas em que é preciso respirar
* o título é link para escutar esta oração na voz de Leila Pinheiro

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Priscila cansou de esperar na sala

Já passava da meia-noite e nada. Os dois pratos continuavam emborcados na mesa da sala de jantar cercados de talheres, guardanapos vermelhos, copos e coisas. Na sala da televisão, sempre ligada, o batom enfraquecido no canto direito da boca que baba, daquela cabeça encostada na almofada do sofá de dois lugares. Na mesa de centro torradinhas, gorgonzola, Camembert, peito de peru defumado, patês, azeitonas espetadas e ovos de codorna para alegrar a noite. No jarro ao lado um buquê de rosas enormes, vermelhas e no canto da sala uma comigo-ninguém-pode que ela trazia do quintal em ocasiões especiais e onde criava seu bichinho de estimação: a lagarta Judite. Meia-noite. Nenhum sinal da chegada dele, nenhum sinal de mensagem no celular. A maquiagem muito forte e os cílios postiços escondiam quem dormia esperando de salto agulha e vestido bem colado. Sonho já não tinha mais, já realizara tudo o que queria e o que queria era apenas um homem que a tirasse da noite e prometesse aquilo que acreditava ser um casamento. Neste caso, no máximo, duas visitas sempre no meio da semana. Nunca com horário de chegada, mas certamente com horário fixo de saída. O casamento era apenas uma ou duas chupadas rapidinhas e poucas metidas bem metidas depois, sem conversa. Era o tempo de tirar sua meia-calça, seu vestido, o sutiã preto com enchimento, pedir que calçasse novamente o sapato e o esfregasse no peito. Ele adorava sentir o peso do pé de um homem num salto alto. Priscila nasceu numa embalagem masculina, mas tinha recheio de mulher! Ele a comia por trás para não ver seu pênis e puxava seus cabelos, lindos, sempre escovados e de cor de mel. Gabava-se de ser a única da época da boate que não pintava o cabelo, acreditava que assim era mais natural, mais verdadeira. BIP. BIP. Ela acorda limpando a baba com o canto da mão e vê o polegar esquerdo sem a unha postiça, perdida entre as almofadas. “O carro quebrou. Amanhã jantaremos novamente”. A desculpa era sempre diferente, mas a falta constantemente igual. Priscila, proibida de ter amigas, espera aquele homem que não deixa seus filhos, nem esposa para dar-lhe o mínimo que precisa. Ela se consola com os queijos, vinhos tintos, maquiagens e a casa que ele montou para seus encontros furtivos, para seus poucos momentos de prazer. Tem poucas alegrias, Priscila. Encontrar a florista Ana é uma delas, porque a mulher escolhe as mais belas rosas para seu buquê e diz que a freguesa está sempre linda naquela manhã. Tira o sapato, pega o buquê, sobe para o quarto descabelada, sem chorar. Já estava acostumada a esperar na sala. Deita-se na cama sem roupa, masturba-se segurando o arranjo de flor, pensando na rosa do seu amado. O pênis esporra um leite que gostaria que fosse do outro. Dorme. Luz de abajur clareando aquele corpo de homem, de desejo, ornado com uma rosa na cabeça.
* Este título foi criado por Fafá Daltro para uma personagem do espetáculo "Os 3 Audíveis -Ana, Judite e Priscila" do Grupo X de Improvisação em Dança. Criei a estória a partir das idéias sobre a personagem.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Amparado


gosto de pudim e cheiro de saudade...


lembranças de meu avô, que é minha referência masculina. Ainda hoje sinto seu cheiro, os sabores de sua casa, a sensação da janela... ahhhh aquela janela!!! Lá compreendi o mundo de fora, me socializava, via o além. Até hoje me debruço sobre as janelas e é como se estivesse na Rua Amparo, como se estivesse amparado por meu avô.
* parte de um email trocado com meu amado Wagner Schwartz
** falta grave: não sei quem fez essa foto da Rua do Amparo-Santo Amaro (rua de meu avô)

Asas

Foto de Célia Aguiar. Judite tentando voar!


Deus disse ao homem:
- Tu terá duas pernas e não voarás, ainda assim sentir-se-á o dono do mundo!
a mim Deus deu duas pernas e asas para voar.
* toda vez que falo em Deus faço questão de dizer que não acredito nele. Por que será que falo nele?
Asas
(Adriana Calcanhoto/Péricles Cavalcante)
SUAS ASAS
AMOR
QUEM DEU FUI EU
PARA VER
VOCÊ CONQUISTAR O CÉU.
OBSERVE TUDO EMBAIXO SER
MENOR DO QUE
VOCÊ,
COMO TUDO É,
E ENQUANTO ARDE A CORAGEM DOS DESEJOS SEUS,
SEM VÉUS,[PROTEUS]
ABRA SEUS POROS E PAPILAS E PUPILAS
À LUZ DA MANHÃ
E MUITO ACIMA DE IPANEMA TÃO PEQUENA
TÃO VÃ
VIVA O PRAZER
O SOM
O ESTRONDO DE UMA ONDA
NA ARREBENTAÇÃO
ENQUANTO EU PIRO Á SUA ESPERA NA ESFERA
DO CHÃO.
** clicando no título ouve-se Adriana cantar essa música linda

domingo, 23 de novembro de 2008

A bonança

Hoje chegou a Salvador Gilles Pastor, diretor de teatro, francês, da companhia Kastor Agile, que me convidou para participar de seu espetáculo Tempête 14º Sud, inspirado n'A Tempestade de Shakespeare, mesclando com elementos do Candomblé. É um projeto que integrará a programação do Ano da França no Brasil e estreará em Junho do próximo ano. Agora é a primeira etapa, talvez a mais complicada porque é o momento de nos conhecermos.

Estou curiosíssimo para saber o resultado dessa mistura que me parece bastante interessante. Gilles chegou com sua equipe e todos são muito simpáticos e gentis. Acredito que o trabalho será muito prazeroso, porque o olhar de Gilles é muito bom. Confio nas pessoas com o olhar dele.

Para mim é uma oportunidade incrível. Ele viu Judite na temporada do Vila Velha ano passado e daí fez o projeto e pensou em mim. Estava aqui pesquisando o transe no Candomblé. Pessoalmente, fico muito feliz porque acaba sendo um reconhecimento ao meu trabalho e como Judite é "crescente", como me acrescentou tanta coisa. Um projeto que a princípio era para 30 pessoas, já foi visto por mais de 2500 e ainda continua emocionando tanta gente e a mim. Com lançamento de livro previsto para Junho também e tudo indica que será em Curitiba. Estou me sentindo!!!!! (Maria se programe para ir comigo)

Em 2008 estou comemorando 10 anos junto aos deuses da dança e recebo um convite como o da Tempestade como um presente, é verdadeiramente a bonança junto à tempestade. Já tenho várias coisas agendadas para 2009 e às vezes, fico sem acreditar: um aleijado em cena, lidando com a arte mais corporal. É um lindo paradoxo! Adoro rompê-los.

* clicando no título entra-se no site da companhia

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Gracias a la vida





Gracias a la vida
Que me ha dado tanto,
Me ha dado la risa
Y me ha dado el llanto,
Así yo distingo dicha
De quebrantos,
Los dos materiales
Que forman mi canto
Y el canto de todos
Que es mi propio canto.

Violeta Parra


Dia 30/11 no TCA vendo Mercedes Sosa e voltarei para casa transformado, tenho certeza. Clicando no título do post, ouve-se a lindeza de Mercedes.
Fotos:
Alessandra Nohvais
- Os 3 Audíveis - Ana, Judite e Priscila (espetáculo do grupo X de Improvisação em Dança vencedor do prêmio FUNARTE Klauss Vianna de Dança 2007 e recém selecionado pela Caixa Cultural para apresentações em Curitiba em Junho de 2009)
- Judite quer chorar, mas não consegue! (espetáculo solo, vencedor do Edital Quarta que Dança 2007 da FUNCEB e que me fez viajar muito por aí. Ontem terminamos a mais linda temporada de Ju no Museu Rodin)
Maíra Soares
- Joy lab Research (espetáculo do coreógrafo americano Alito Alessi, no SESC Santana - SP)

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Meu bloco

Fantasia Marriete Menezes vencedora do carnaval 2006
(com Pá, Fau, Zupa, Pri e Mário)


Pensei que hoje voltaria ao trabalho. Dormi com a expectativa do reencontro com os alunos, colegas, da curiosidade pelo espaço novo e desconhecido, da ansiedade em rever meus meninos e saber como estão. Uns casaram, outros tiveram outros filhos, os pequenos devem ter crescido e alguns não participam mais do projeto. Seria um recomeço!
Esperei, esperei, esperei....

Pensei, pensei, pensei....

Tive outra relação com a espera. Menos agonia e mais reflexão. Me vieram tantas imagens!

Imaginei as relações de amizade como um bloco de carnaval. Estamos todos próximos, uma só massa, às vezes nos desprendemos de um amigo porque o fluxo nos leva e segue quem está mais antenado, não pára para amarrar sapatos. Outras vezes estamos ligados a outro pela corda e mesmo distantes temos esta relação, esta certeza de que o outro está ali. Alguns se perdem na multidão e restam as lembranças da melhor coisa da vida que é a amizade. A pior imagem que tive foi dos amigos mascarados, esses que quando tiram a fantasia não sobra nada além da ilusão, é uma face desconhecida, é uma verdade que dói.

Cansado de esperar, subi o elevador, entrei em casa e tive a sensação, a maravilhosa sensação de estar entre os meus maiores amigos, esses que não são de bloco, não são de carnaval, esses que representam uma coisa só: minha família. Minha mãe estrela maior do meu carnaval e minha irmã, companheira de folia.


E o sorriso do pequeno grande mais novo amigo, meu sobrinho Rudá

domingo, 16 de novembro de 2008

A Roda

Foto do espetáculo Amor e Loucura do grupo A Roda

"Nenhuma presença é mais real do que a falta"
Miriam Fraga

Desde quinta-feira eu não escrevo aqui. Não consegui chegar e escrever nada, porque só me chegavam palavras tristes que a falta nos traz.
Quinta-feira perdi uma pessoa querida, uma amiga, e eu fiquei muito triste, sem combinar tristeza com ela, sem ter sentido não sorrir de gargalhar.
Quinta-feira ela deixou um aquário na mesa, sem tomar um gole da redondinha que combinamos tomar. Me embriaguei sozinho à espera da companhia. Chorei, chorei, chorei... mas tive que dançar. A dança limpa a dor, mas não preenche espaços. ahhhhhh estou voltando à tristeza e não quero.
Hoje fui ao Festival de Teatro de Bonecos. Que evento lindo!!! Eu quis vivenciar as coisas lá para ter algo de bom para falar dessa cidade d'Oxum, para me alegrar em estar numa cidade cultural, para alegrar minha criança chorosa.
Assisti ao espetáculo do grupo A Roda, que engrandece esta cidade, intitulado Amor e Loucura. Os bonecos de madeira lindamente manipulados num contexto poético e onírico. Estava em outro mundo, quando escutei a voz de Miriam Fraga dizer "Nenhuma presença é mais real do que a falta".
É verdade! Terça-feira volto a trabalhar e a falta dela estará lá PRESENTE.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Saudade retada


Em dia de saudade meu coração improvisa um suspiro

e eu piro com a ausência dos amores.

Encontrei esta foto fuçando minhas coisas no computador. Dei de cara com a falta que esse povo me faz lá de longe, do Velho Mundo.... Meus amores Artmacadam, meus mestres de arte e vida!

Essa foto é da nossa experiência de 2007 lá na França. Foi Fabienne Frossart quem fez e tem gente daqui também, hein.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ser um Mirabel molhado

Que delícia ser um Mirabel!

O queridíssimo Zéu me convidou para uma participação em seus ensaios de carnaval.
Pois bem, convite feito, convite aceito. Zéu é um artista incrível! Sensível, leve, com uma arte pura, uma música bem feita, com letras deliciosas de narrativas bem feitas.

Estar ao lado de um criador como este é enriquecer nosso repertório e nossas possibilidades, é ver a arte pelo prisma do prazer e de forma grandiosa. Que honra ser seu Mirabel Molhado!
Que bom estar cercado de tantos biscoitos gostosos! "Me amarro em biscoito..."

E eu nem falei nas entrevistas carnavalescas que Zéu Brito me fazia, todo ano, nos concursos de fantasia do bloco Os Mascarados quando não tinha para ninguém... Já dá para imaginar o que saía nas entrevistas, né?

EVOÉ, Zéu Brito!!!!!!!

* hoje estou cheio de exclamação, né?
** clicando no título dá para ver o vídeo da música numa versão diferente da original.


segunda-feira, 10 de novembro de 2008

A criatura

Foto de Edu O.
Sem uma bela história para essa distinta senhora, deixo para vocês criarem o que quiserem sobre ela. Só sei que estava em Paris, numa tarde fria, sendo personagem de minha imaginação fotográfica.

domingo, 9 de novembro de 2008

Se esta rua fosse minha

Foto de Edu O.

"Se esta rua
se esta rua
fosse minha
eu mandava
eu mandava
ladrilhar
com pedrinhas
com pedrinhas
de brilhante
só pro meu
só pro meu
amor
passar"



O Vale do Capão é um dos lugares mais importantes na minha vida. Em meio à natureza que me impede de desbravá-la com a cadeira de rodas e apesar de não fazer trilha alguma por isso, sempre que estou nesse lugar, vivencio experiências e emoções que em nenhum outro fui capaz de sentir.

Esta foto é à beira da fogueira de São João, ouvindo violão em companhia dos hippies que estavam no Capão nesta época.

Bem no fundo de mim eu tinha a vontade de ser hippie, mas não deu nesta encarnação.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Yes, we can!


É incrível a certeza de se viver a História.
Presenciar este momento...
A emoção me tomou desde ontem á noite e eu, que não sei rezar, só tenho em meu coração a sensação de uma oração.
Quero guardar tudo para quando Rudá crescer ouvir essa história de vitória.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Há algo dessa cidade em mim

Foto de Nei Lima



Há algo de cidade em mim.
Há algo de todas as cidades dentro de mim que forma o que eu sou.
Passarelas de percepção, mensageiras de sua gente.
Das ruas, prédios, edificações, pontes, túneis, torres e postes são os cheiros, cores, vibrações, ruídos e ares o que as determina.
O que há de diferente na massa que pula carnaval da Barra à Ondina, Campo Grande à Praça Castro Alves, da massa que percorre frenética a Avenida Paulista ou que grita pelo Impeachment ou da massa que doura ao sol de Ipanema? São “as gentes” de seu lugar, é o povo ocupando um lugar que lhe pertence e que é feito desse mesmo povo.
E se andássemos na contramão do convencional, se parássemos no meio da rua para um banho de chuva às 18 horas, se vagássemos pelos “buracos” perigosos da cidade que é nossa? O perigo não somos nós? O ermo quem determina é a ausência de gente. Terrenos baldios, pessoas vazias, valores dispersos.
Há algo bem longe que também é nosso e há tanta coisa nossa que é de lá. O mundo é um ovo de codorna, uma azeitona pequena ou uma bola de gude. Está tudo ao mesmo tempo agora em todo lugar e cada um com sua peculiaridade.
Muita coisa se apropria. O turista se apropria e recria a cidade que não é sua de origem, mas que acaba voltando na mala e ficando em seu corpo como tatuagem. Toda experiência é riqueza, é troca. O que eu trago de uma viagem é também o que deixo por lá e às vezes sou tão estrangeiro no meu lugar...
Sou feliz em ser massa.
Massa corpórea
Indivíduo
Massa de gente
Coletivo
Cidade
Coletividade
Bela rima!!!!


São Paulo me representa pela complexidade, por ser múltipla, por eu ser assim. Adoro o horizonte de São Paulo. O inverso do daqui. Ir ao Porto ver o mar, pensar na vida, pôr-do-sol... tudo lindo e tão distante! Sampa me traz o útero, me leva para dentro num horizonte concreto, perto, quase a bater na cabeça. Sempre choro quando estou lá. Desaguo tudo que o mar me sufoca. Amo a noite, a multidão, a correria... Amo os amores de lá, o daqui que se transformou em lá, as artes, o nada, a parede vermelha, a família Herculano, os brinquedos de madeira, as ladeiras, as escadas, os taxistas, o metrô...

Janaína Amado pediu para que eu escrevesse sobre meu amor por São Paulo. Um pouquinho do que consegui traduzir.
* clicando no título encontra-se o blog labcorpocidade, fonte de minhas pesquisas em Estéticas Urbanas, matéria que curso como Aluno Especial do Mestrado em Dança da UFBA.

domingo, 2 de novembro de 2008

Versinho para um amor longinho

Foto da Família Jaubert, outros amores de longe


Oh Rua do Capelão,
Juncada de rosmaninhos,
Se o meu amor vier cedinho
Eu beijo as pedras do chão
que ele pisar no caminho.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Coletivo Circo dá Samba

Cheguei terça-feira de uma viagem muito proveitosa, dois dias após comemorar meu aniversário na cidade que eu amo que é São Paulo. Nunca gosto de festejar aniversário, porque não compreendo muito esse lance do calendário determinar o tempo das pessoas.

Me vejo envelhecendo diariamente, a cada segundo e para mim não há isso de ano, é apenas mais um dia que chega e passa como os outros, mas como é hábito comemorar-se e como gosto de uma farra, resolvi este ano fazer festa, mais para fetejar os acontecimentos e alegrias ocorridos neste 2008 delicioso.

Enfim, festa lá, mas e aqui? Falei com minha amada Fau que iria ao Coletivo Circo dá Samba, que ela produz e que é um arraso. Está bombando!!! Com direito a participação de Elza Soares, Seu Jorge, Jota Veloso, Márcia Castro e tanta gente boa!

Chamei Cate e Fafá e fomos com B. Não seria festa, lógico. Eu iria para brincar a vida, sambar o sucesso. Chegando lá encontro vários amigos próximos e tios e prima e tanta gente... foi quando minha mãe apareceu e se revelou a surpresa. Que beleza de vida!!!!

Ela tinha combinado com todo mundo para ir lá me abraçar e festejarmos juntos. Achei muito apropriado tudo isso, pois nossa vida é, realmente, um circo com tanta alegria e surpresas, com tanta música e amigos, com tanto a se comemorar.

O Coletivo Circo dá Samba é um dos melhores acontecimentos que vi surgir em Salvador nos últimos tempos. Música de altíssima qualidade e para dançar, músicos e cantores de primeiríssima grandeza, gente linda, num ambiente super...

Nessas horas fico feliz em estar aqui, em poder voltar de um lugar que é uma referência cultural e encontrar pessoas unidas preenchendo um vazio que há tanto tempo se instalou aqui na cidade d'Oxum.

É festa, é alegria, é para dançar... mas com a grandeza da arte e do bem que uma música de qualidade nos faz e embala na hora de voltar para sonhar com a próxima terça-feira.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Um descanso na loucura

para meu amor que fez a foto no Museu da Língua Portuguesa e me acompanha nessa vida de loucura

Cheguei de viagem tão amado e tão amando que resolvi colocar também o link de uma música que eu adoro desde pequeno , além de achar este clip lindo, super simples.
Minnie Riperton - Loving you

Para Andréa (SUBLIME) Daltro


Oi Déa, não consegui tirar você da cabeça/ouvido/coração,

este teu show é uma das coisas mais belas que assisti ultimamente. Me tocou com uma "agudeza" tão profunda que estou emocionado até agora. A versão de Argila (uma das minhas preferidas de Brown) é a melhor de todas, forte como um Deus. Aliás, pensei muito nele(a) enquanto te via.

Ele será Deus ou Deusa? Já perguntou Chico César, mas eu via algo tão divino ali e tão forte que era Deus em voz feminina comemorando a Vida. Que coisa bela comemorar assim os 35 anos de carreira e os 60 de VIDA. Como você engrandece a nossa com tua arte. Junto a Ricardo que eu admiro como um ídolo, pela grandiosidade do coração e talento e junto aos outros músicos, você nos presenteou esta noite.

Lembrei tanto de quando você era, para mim quando criança, simplesmente, a irmã de tia Ana Rosa que cantava. Nunca havia te ouvido, não sabia quem você era... Depois cheguei em Salvador e já te considerava uma das grandes pelas Ave Marias que cantou. Um dia soube que Fernanda Montenegro iria te assistir, não consegui chegar e chorei por ter perdido esse encontro de deusas.

Hoje te tenho próxima e amiga, cantando para eu dançar, cantando para enaltecer minha existência e meu ofício.

Te agradeço pela generosidade de sempre, pela voz de Judite, pelo show cantando Vinícius que fui convidado a participar e por tantas outras coisas que não se enumera.

Me deu pena das pessoas que não têm oportunidade de te ouvir e desse mercado cultural tão pobre e podre que não aproveita os sublimes como merecem.

Queria uma saudação ao Universo para me despedir, mas como você fez no show eu mando beijos, beijos e beijos

Parabéns!!!!!! Que bom saber que teremos teu show toda quinta-feira de Novembro no Teatro do SESI-Rio Vermelho. Estarei lá.

Edu O.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Aula de Inglês

A viagem começa na primeira idéia de partir.
Daí são sucessões de acontecimentos que te empurram ao avião, ônibus, carro, charrete, sei lá e você está no outro lugar.

São Paulo é este sonho de sempre partir, voltar, sorrir....

A viagem não começa ou finda aqui, minha viagem com São Paulo é, justamente, verbo "to be".

terça-feira, 21 de outubro de 2008

A palavra pode camuflar

Há algum tempo não apareço por aqui para comunicar minhas coisas, refletir, externar sentimentos.

Acabei de chegar em São Paulo, minha cidade amada, meu lugar no mundo depois de Santo Amaro. Vim após uma passagem pelo Rio para participar, a convite do MINC e da FIOCRUZ, da Oficina Nacional de indicação de Políticas Públicas Culturais para Inclusão de de Pessoas com Deficiência. Momento importante para reflexões sobre a arte-cultura produzida por, para e com pessoas com (d)eficiência. Avançamos em alguns aspectos, mas me preocupa outros tantos em que percebo que não há avanço algum e preciso de mais tempo para articular o pensamento com as informações adquiridas.

Fiquei muito feliz pelo convite e pela minha participação no evento e pelo tamanho desse sentimento me furtarei a externar qualquer coisa, porque como disse a mestra Angel Vianna "a palavra pode camuflar" e essa frase me fez sentir a responsabilidade do encontro, onde tantas palavras foram jogadas ao universo junto a tantas intenções.

Mando um beijo especial a tia Maria, saudade desses momentos virtuais onde aprendo tanto com suas palavras-imagens.

domingo, 12 de outubro de 2008

O começo do que seria eu


"primeiro ele olhou para os cabelos molhados, depois o outro viu os olhos insistentes e meio timidamente escorregou o olho para a tatuagem que ele carrega no ombro e isso foi definitivamente o melhor encontro na vida de ambos. "
Nei Lima

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Uma poesia para curar a falta de inspiração

Foto de um momento inesquecível que a farra não me deixou lembrar quem fez


Da chegada do amor
Elisa Lucinda

"Sempre quis um amor
que falasse
que soubesse
o que sentisse.

Sempre quis uma amor
que elaborasse
Que quando dormisse
ressonasse confiança
no sopro do sono
e trouxesse beijo
no clarão da amanhecice.

Sempre quis um amor
que coubesse no que me disse.

Sempre quis uma meninice
entre menino e senhor
uma cachorrice"



quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Uma mulher como Gilda

Nunca se viu uma mulher como Gilda.

Gilda era minha amiga imaginária. Acho que foi quem me ensinou o significado da palavra amizade. Toda criança deve ter um amigo imaginário. A minha era uma mulher negra com lenço na cabeça. Linda! Até hoje tenho a imagem dela em minha memória como se visse uma fotografia.

Estranho um amigo imaginário adulto, não é? Pois é, Gilda era assim e conversava comigo e me levava para todos os lugares, até os mais improváveis como a casa de Gretchen e Sidney Magal, ídolos de uma criança pequena fascinada com a extravagância desses artistas. Acredito que isso legitima a minha amiga como imaginária, porque seria impossível eu ir à casa dessas pessoas se não fosse somente pela ilusão.

Além da amizade, Gilda teve papel fundamental na valorização das minhas criações, tenho certeza que se não existisse Gilda não existiria o eu artista, o eu sonhador, o eu que eu desejei ser.

Hoje tenho muitos, muitos mesmo, amigos reais, palpáveis, tão importantes quanto Gilda, mas ela ninguém nunca viu. Infelizmente, ninguém pôde conhecê-la. Ninguém pôde conhecer o amor.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Arca de Noé

Voltando de mais um final de semana em festa. Sim, em Santo Amaro a eleição é uma festa e este ano começou na quinta-feira. Perdi o primeiro dia de carnaval. Hoje, segunda-feira de cinzas, restou a ressaca e cansaço, além da expectativa pelo futuro de minha cidade.

Foi tão difícil votar este ano!

Me aborreci muito com as pessoas que teimam em achar que não têm nada a ver com política. Essa falta de responsabilidade beira a loucura. Não acredito que alguém não compreenda isso. Me dói ver que a maioria do eleitorado ainda votar por míseros R$ 50,00 ou promessas vazias.

Me pergunto se chegrá o tempo em que a mania de esperteza e egoísmo chegará ao fim.

Nas rodas de conversa, quando ouvia todo mundo dizer que votaria porque interesses pessoais estavam em jogo, me vinha à mente a imagem da Arca de Noé. Pensei muito nisso. A população se afogando embaixo e a gente (beneficiado) brindando a vitória na proa do barco.

Pobre povo!

Farei uma promessa a Nossa Senhora da Purificação (que já se vê rodada com tanto pedido) de subir de joelhos a escadaria da igreja caso ela abençoe os políticos de Santo Amaro e Salvador, pois eu ainda moro aqui, e que eles tenham consciência do seu papel.

Xiiii, esqueci que não consigo andar de joelhos.... Será que eles também prometeram coisas como eu?

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Voto e volto

Vou ali e volto
Vou ali votar
Meu voto em Sto Amaro
Lugar que sempre quero voltar
Essa besteirada toda é somente para dizer que estarei ausente neste fim de semana.
Bom voto para todos.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

O primeiro pedaço de bolo

Hoje é o primeiro aniversário do filho com sua mãe. Para mim é uma data importante, porque a mãe quando eu nasci já havia comemorado 2 anos, portanto estou em sua vida há tanto tempo e ela é tão responsável pela minha quanto pela vida do seu filho.

Olhando o rostinho do filho lindo, sorrindo, sapecando hoje como se soubesse da comemoração da festa de sua mãezinha, penso na festa que nossa mãe é para nós, e sempre fez para comemorar nossa vida.

Hoje a comemoração está mais completa com o pequenininho sorrindo, olhando, crescendo.... Fico emocionado em pensar que a vida de minha irmã, sua mãe, está plena e que melhor forma de comemorar a vida é exatamente assim, tendo outra vida, dando a oportunidade de outra vida surgir e seguir adiante.

No tempo em que estivermos mais velhos e o sorriso, talvez banguela como o do bebê hoje, vermos como tudo foi rápido e belo e eu, no dia de minha festa tiver que escolher o primeiro pedaço de bolo..... não saberei a quem dar. A minha mãe o bolo inteiro, a minha irmã outro e a meu pequeno, então grande, tudo. Vou comemorar numa doceria e cada um pega o quiser, escolhe suas guloseimas para que eu não sofra com as escolhas.

PS- hoje que eu pensei que não escreveria nada, fiz 3 posts. quem guenta?!!!!

Amado Sal


Hoje no restaurante Amado, das 18 às 22 horas. Comer com os olhos e coração, as delícias de tia Mabel e tia Maria.
PS- coloquei mais ou menos isso no comentário do continhos para cão dormir e achei que deveria postar aqui tb.

Para desopilar


Para amenizar as coisas por aqui, poa aí.... por não ter muito o que dizer....... esta montagem de Rafaela Mathias.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

para Fá Daltro, minha eterna gratidão

foto de edu o.

Eduuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu, não consegui colocar lá em monólogos da madrugada, la no comentario Xartmacadam, então vai por aqui. beijunda e saudadessssssssssssssssssssssssssssssss.
Ás vezes não temos a consciência imediata dos eventos nos quais fazemos parte e a importância dos seus efeitos sobre nós por serem temporais. Eles se tornam visíveis e apreenssiveis gradativamente depois de certo espaço de tempo , esse, variável e dependente do olhar de cada um. E vamos reconstruindo o nosso dia a dia com as informações sensoriais percebidas e encarnadas. O presente nos mostra a informação parcial das nossas ações, daquilo que nos envolvem, e quando o futuro se apresenta percebemos o quanto foi significante a experiência vivida, o quanto estamos carregados de influências, misturados, incorporados, contaminados pelos odores que nos abraçaram. Ficamos atordoados por sentimentos de saudades, de corpo repartido e ao mesmo tempo preenchido. Desejamos não ser estanques e imaginamos, projetamos o futuro. O distanciamento e o tempo revelam aos poucos os sentidos, e pousamos devagarinho no solo . Novos desdobramentos se expõem ao presente especifico, particular do encontro vivido alterando nosso, meu modo de pensar, viver construir dança com paixão.

Fafá Daltro

sábado, 27 de setembro de 2008

Com lágrima no estômago

No dia 30 de agosto de 2008, Sábado, por volta das 14:30, dentro da agência do Banco do Brasil – Cruzeiro de São Francisco - Pelourinho, Leonardo Augusto Luz Alcântara Silva (cliente correntista), foi preso por policiais da Delegacia de Proteção ao Turista, por supostamente ter colocado um aparelho vulgarmente conhecido como "chupa-cabra", o qual é construído criminosamente para captura de dados e posterior clonagem de cartões eletrônicos, segundo os policiais, por denúncia do vigilante da referida agência. Foi conduzido a delegacia, apanhou ao negar acusação, foi algemado e por fim "autuado em flagrante" no ART. 171 c/c 14, Inciso II.Ficou encarcerado até 01 de setembro de 2008, segunda-feira, quando foi solto, sob fiança, por volta das 11h. O inquérito ainda está em aberto.

"Respeite a Polícia!!!!!"

É com imenso pesar.... Não !!!Seria com essa nada original expressão que eu Leonardo Luz, 32 anos, negro, artista, educador, estudante, CIDADÃO, deveria iniciar este relato sobre o fato de como tive meus direitos cerceados, fui humilhado, agredido, ameaçado, acusado e por fim "Autuado em Flagrante", pela sempre por mim respeitada Polícia Civil do Estado da Bahia.Infelizmente, esse é só mais um caso, a fila é longa, e eu, só mais um. Imagino de que adiantaria gritar daqui a minha inocência, honra e moral aviltadas, se como arte-educador que sou, não refletisse sobre o que poderia ter motivado o infeliz equívoco dos policiais que me prenderam e autuaram.Inclusive, não se trata do brado individual de quem se sentiu injustiçado. Mas antes, uma busca pela consciência de uma sociedade que continua a marginalizar os seus cidadãos negros. Também não é uma ofensiva contra a instituição em questão. Muito pelo contrário é um esforço para que, em tempos de imenso descrédito das instituições públicas, possamos cada vez mais confiar nesses servidores, porque deles precisamos.Somos todos responsáveis, sejamos então empreendedores da nossa cidadania e da cidadania dos nossos semelhantes para que tenhamos que nos deparar cada vez menos com esses lastimáveis eventos que prendem e marginalizam os ignorantes e desamparados.Relendo o Profº Paulo Freire, me lembro que é necessário "Reconhecer que a História é tempo de possibilidade e não de determinismo, que o futuro, (...), é problemático e não inexorável."Como cidadãos devemos nos afastar dessa ideologia fatalista que nos imobiliza e cala. Em tempos de profundas discussões sobre o histórico preconceito sócio-racial, ainda se faz necessário salientar que este tipo de desventura ofenda na sua maioria cidadãos negros e pobres.Eu apanhei da polícia, por falar a verdade, ou seja, negar o que estavam me acusando. Esse tipo de experiência atinge os princípios pelos quais somos educados e educamos nossos filhos. Esse manifesto é um decisivo NÃO, a esta realidade de injustiça e preconceito.Convoco a todos aqueles que acreditam que podemos construir uma sociedade melhor.RESPEITO.
Leonardo Luz

É repugnante esta história.
É triste nossa História!
Leo é um amigo querido, dançarino lindo, pessoa iluminada!

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Um sonho

Foto de Nei Lima

Sonho, um dia, em ver
Que é a faca que sangra
Quando corta a carne
E são os dedos que caem
No mal-me-quer das flores
Um dia a dor dói apenas
Em quem faz doer
E cego é aquele
Que o remorso não vê
O mar secará em mim
E o seixo é o coração
De um peixe ruim

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Em tempos de Tubarão e Galinha

Recebi um email de um amigo querido e achei importante divulgar para que possamos dialogar e refletir sobre nosso voto. As eleições estão chegando e o zoológico se formando. Estou procurando a Coruja para votar, mas ela ainda não apareceu.

Ahhh o texto não estava assinado, por isso não coloco os créditos.

Se você não sabe em quem votar nas próximas eleições, vale a pena saber sobre voto BRANCO e NULO!

Os votos em BRANCO significam 'TANTO FAZ' e são acrescentados ao candidato de maior votação no último turno. Ou seja, se existem dois candidatos Tubarão e Galinha, Tubarão termina com 52% dos votos, Galinha recebe 35% dos votos, 10% são votos em branco 3% são nulos, isso significa que 3% dos eleitores não querem nem Tubarão nem Galinha no poder, mas 10% dos eleitores estão satisfeitos tanto com Tubarão como com Galinha, o que vencer está bom. Neste exemplo, Tubarão tem uma aceitação de 62% do eleitorado. (52% + 10% dos votos em branco). O voto em branco é um ato de conformismo.

Já o voto NULO é um protesto válido. Ele quer dizer que o eleitor não está satisfeito com a proposta de nenhum candidato e se recusa a votar em um ou outro. Esse tipo de voto é importante e é o que efetivamente faz a democracia, pois a existência dele permite que o eleitor manifeste a sua insatisfação.

O problema é que existe muita pressão para a escolha de um candidato e pouca explicação do que escolher significa. Explicam como votar em um candidato ou como votar em branco, mas ninguém explica como anular um voto. Pois bem, para anular um voto é preciso digitar um número inexistente no número do candidato. Se um eleitor experimenta votar em branco, o terminal eletrônico avisa 'Você está votando em branco' e então o eleitor pode confirmar, ou corrigir. Mas se o eleitor coloca um número inexistente num terminal, ele acusa 'Número incorreto, corrija seu voto'. Assim, os votos NULOS são desencorajados. Por que os votos nulos são desencorajados? Por que ninguém fala deles?

E por que eu falo deles? Porque, se na eleição entre Tubarão e Galinha, Tubarão terminasse as eleições com 42% dos votos e Galinha com 30%, 10% de brancos e 18% nulos as eleições teriam que ser repetidas e nem Tubarão e nem Galinha poderiam participar das eleições naquele ano. Ou seja, o voto nulo, do qual ninguém fala e que o terminal acusa como 'incorreto, é o único voto que pode anular uma eleição inteira e remover do cenário todos os candidatos daquela eleição de uma só vez'.

Se nenhum dos candidatos conseguir maioria (mais de 50%) no último turno, as eleições têm que ser canceladas! Os candidatos são trocados e novas eleições têm que ocorrer.

Então, contribuindo para a campanha do voto consciente, se alguém estiver votando em Tubarão ou em Galinha, mas preferia não votar em nenhum dos dois, pode optar pelo voto INCORRETO, o voto NULO.

O circo místico

Hoje lembrei da minha primeira viagem ao exterior em 2004. Viagem intensa, transformadora e compartilhada com os amigos através de um diário enviado para os emails dos queridos.
Lembrei disso e pensei no blog. Acho que sempre fiz blogs, sempre falei sobre mim, principalmente em conversas comigo mesmo.

Este blog é isso: uma conversa sozinho e que muitos queridos são convidados a escutar. Procurei alguns emails daqueles da viagem e achei este do retorno, quando já estava no Brasil para recomeçar. Me sinto um pouco assim, voltando. Meus amigos franceses foram embora, os projetos se acabam e eu fiquei como quem retorna para a vida, para a rotina.... Voltei para recomeçar.

"Já estou em Salvador. Aos poucos vão caindo as fichas, vou caindo na real. Aquela história de quando o homem entra num rio, ao sair não é mais o mesmo rio, nem o mesmo homem, agora percebo perfeitamente. Três meses se passaram e isso quase é nada, mas o aprendizado nesse curto tempo foi demais. O amor recebido maior ainda. Desde o início da viagem com minha saída de Salvador (a viagem não começa no destino apenas), em Portugal, passando pela Franca, Alemanha e no meu retorno. Fico sem entender como posso ser tão amado, como recebo tanto carinho. Cada email que recebi, uma emoção extraordinária. Cada cuidado um aconchego no meu coração. Sinto saudade de tudo o que vivi, de todas as pessoas que conheci e dos lugares que conheci. Sinto alegria em estar de volta. Uma pontinha de vontade de voltar. Minha inquietação continua, sinto-me de todos os lugares, de todo mundo. Queria poder carregar meu povo junto de mim, por aí, pelos lugares que andei e os que pretendo andar. O que me fez e faz falta são as pessoas. Agora que estou aqui queria trazer Cecile, Tony, Maik, Dorian, Will, Helene, Annie, as pessoas queridas de lá para junto de mim, aqui. Como não posso concretamente isso, carrego todos em mim, os de lá e dos daqui. Obrigado a todos, essa viagem foi melhor, porque foi compartilhada sempre com vocês. Minhas primeiras lágrimas da viagem foi ouvindo Circo Místico (Edu Lobo e Chico Buarque), na Ilha da Madeira. acabei de receber esse cd e ouvindo me despeço da viagem e começo a vida.

Não, não sei se é um truque banal, se um invisivel cordão, sustentam a vida real... não sei se é vida real................ Não.............

Beijos"

PS- clicando no título do post ouve-se O Circo místico com Zizi Possi

A mesma rosa amarela

Fotos de Nei Lima

Ontem foi o último dia do encontro com os amigos do Artmacadam (Will, Marielle, Kinga e Helene). Convivemos durante 16 dias numa troca mais do que profissional, uma troca de vida, convivência de existências.

O ruim do projeto Euphorico sempre é a despedida e o vazio que surge no aeroporto a cada partida. Meu corpo sem conseguir chorar o que gostaria respondeu imediamente e desde ontem à noite estou febril, com a garganta doendo, corpo mole, sem preenchimento.

Boneca de pano sem algodão, sem isopor, sem retalhos...
É muito difícil encontrar na vida pessoas que te transformem dessa maneira, cabeças criativas e corações afetivos na grandiosidade dessas pessoas. O Euphorico é, na verdade, uma grande metáfora da vida, das relações humanas, das inconstâncias e, mais ainda, uma postura política. Sem isso seria inútil, seria mais um projeto de dança para se pesquisar movimentos e propostas artísticas. Não, no Euphorico essas coisas são consequência da cumplicidade, do amor, da troca, do acolhimento...

Ainda bem que ficou comigo a minha mestra, amiga e cúmplice Fafá, porque sem isso não me sobraria nada a não ser o desejo de ser artista e produzir... mas como? Sozinho não se consegue seguir muito adiante. É preciso uma mão amiga e sábia que te acompanhe nas escolhas e te faça refletir/fazer a verdade, a sua verdade.

Foto de Nei Lima

O bom é saber que dentro desse processo cada um pinga no outro um pouco de si e essa gota se espalha no sangue como um pacto e pulsa no coração à espera do próximo ano, para começar tudo de novo.



Foto de Miriam


Iarinha, como pensar o Euphorico Arreta sem você? Teu olhar cuidadoso, companhia como se fosse uma Euphorica de muito tempo.

e o que é um espetáculo sem platéia? Tivemos a sorte de ter um público como o de Plataforma, com teatro cheio todos os dias e participante, dando à nossa improvisação elementos enriquecedores para uma produção das melhores que já fizemos.


Sem a produção de Cate sabemos que não teríamos o êxito que tivemos. A ela meu carinho mais do que especial, porque não me deixou sentir sozinho nesse turbilhão chamado Setembro em minha vida e pelo alimento diário.


Hugo, apesar da pouca presença, nos ensinou bastante a refletir sobre trabalho em grupo.

à Fundação Cultural, espeicalmente Lúcia Matos, meu agradecimento pelo apoio e credibilidade no nosso trabalho.


a mainha, Pá e Rudá, meu amor e agradecimento pela paciência de minha bagunça e falta de horário.


aos amigos, minha desculpa pela ausência.


A mesma rosa amarela
(Capiba / Carlos Pena Filho)
Você tem,
Quase tudo dela,
O mesmo perfume,
A mesma cor,
A mesma rosa amarela,
Só não tem o meu amor.
Mas nesses dias de carnaval,
Para mim você vai ser ela,
O mesmo perfume a mesma cor,
A mesma rosa amarela,
Mas não sei o que será,
Quando chegar a lembrança dela,
E de você apenas restar,
A mesma rosa amarela
PS- Clicando no título ouve-se esta música na voz de Junio Barreto

O que é dança contemporânea?

Adoro a explicação de uma amiga que me proibiu de colocar os créditos em sua frase e me pediu para pensarmos num pseudônimo. Morro de rir sempre que repito isso:

Você diz uma coisa e faz outra.
Isso é dança contemporânea.
Clarissa Gretchen

Aiiii como eu gostaria de "dedurar" a camaradinha!!!!

História da lágrima muda

"Ontem o ônibus de volta para casa, passou por um lugar estranho, uma cidade pequena, as ruas vazias às seis da tarde, e pensei em nós, não sei por qual motivo, mas as ruas, as casas, os poucos viventes na rua deserta, me fizeram lembrar você. Pensei em como todos os lugares onde você não está, parecem com aquela cidadezinha. Meus olhos foram se entristecendo e do coração caiu uma lágrima muda. Itatim é o nome da cidade."
Nei Lima

Uma quase história

Hoje teria uma história entalada na garganta
Uma história de uma lágrima muda
mas a história não é minha
há de se pedir permissão
há de se respeitar as lágrimas

Para lavar os pratos


Presente de Fau e Mila. Lembrança de uma das coisas mais belas: nosso encontro.
Mais um presente para Aguarrás



"A gente sempre reflete lavando os pratos

Fica ali parado mexendo com a água

A água acalma

É o que dizem"

Fleurcaosfleur


Hoje eu e Wilfrid recebemos este presente de Mahal Pita que assistiu nosso espetáculo e se inspirou a fazer esta beleza que me emocionou muito.

Hoje tive uma resposta aos meus questionamentos de artista. Deve ser para isso que produzo, para que meu trabalho possa se desdobrar em maravilhas como esta.

Brincadeira tem hora

Sempre me pergunto porque fiz esta escolha. No fundo, eu fui escolhido, a minha história me levou a isso e hoje sou artista.

Poderia ter escolhido ser advogado, médico, empresário, jamais motorista, policial ou marginal. Sempre desejei ser artista, pelo que me lembro dos meus sonhos de criança . Falava até em ser médico mesmo ou padre ou "viado". Vê se pode? Criança tem cada idéia! Mas o de ser artista ficava lá pulando, batendo palma, gritando para dizer que estava vivo, que ia vencer. E venceu. Esse me persegue a vida toda.

Nem acredito o que ele me fez agora. Estou em 3 projetos simultaneamente e isso quer dizer que em 3 espetáculos. à tarde faço um, à nopite outro e no dia seguinte já estou concentrado para o terceiro. Tenho comido mal, dormido menos do que gostaria, sem ler nada do que deveria e sem escrever minhas coisas.

Se eu não entendo meus sonhos, entendo menos ainda as pessoas que viram para mim e perguntam: Você não está trabalhando?

Fico sem saber o que responder e com o sorriso amarelo não digo nada.

Bem que tentaram me avisar que artista não serve para nada, que o ofício de criar é tão útil quanto ler Caras. Não confiei e hoje ouço esse tipo de graça. Há gente que acha engraçado não valorizar o trabalho do artista. E olhe que eu estudei, viu?

Aguarrás

Foto Uran Rodriguez




Alô! É do 102?
Eu gostaria de saber uma coisa:
Você viu meu amor? Onde ele está?
Ah! Vocês não dão esse tipo de informação!
É que eu pensei que o serviço de informações fosse para qualquer coisa.
Então tá! Desculpe!
Mas olhe, é que eu estou tão só! E não sei para onde ele foi.
Acho até que nem vai voltar!!
Me responda só isso: você acha que ele volta? O que é que eu faço, hein?
Eu estou te atrapalhando, né? Desculpe de novo, tá? Tchau!!
Simpática! Grossa!
Cavala! Estúpida!
Se não sabe trabalhar pede demissão minha filha!
O que é que é isso! É brincadeira, né?
Não sabe dizer onde uma pessoa está!
É uma questão básica!
Pelo amor de Deus! Nem que a cidade fosse gigantesca!
É não é tão pequena assim!
Mas bem que ela poderia me dizer pelo menos isso,
Não ia custar nada!
É porque ela não sabe o que é estar só!
Eu não aguento mais olhar para a cara desse relógio, dessa porta, muito menos para a cara dessa televisão!
É sempre assim: relógioportatelevisãorelógioportatelevisãorelógioportatelevisão
É uma rotina chata!
Eu até tentei diversificar um pouco fazendo bolinhas de meleca, mas não agradou muito
E no mais acabaram logo.
Estou sem saber o que fazer
Alguém com certeza diria: “Vai pegar um livro para ler!”
E eu com toda paciência do mundo iria responder: “Se fosse para ouvir era rádio!!”
Oh! Porque livro para ler é óbvio, tanto quanto ler alguma coisa nesse meu estado fica difícil.
Não consigo assimilar nada!
Tentei desenhar, pintar, fazer alguma coisa assim,
Mas só saía o rosto de meu amor e ainda por cima deformado!
Nunca consegui atingir aquele tom dos olhos,
A curvinha que ele faz na boca,
As sobrancelhas,
O sorriso!
Então joguei tudo fora!
Eu até coloquei nossa música no repeat.
(Ah! Cazuza, você sempre meu cúmplice!)
E cantei o dia todo: “Quando a gente conversa... Nessa novela eu não quero ser o seu amigo... Eu preciso dizer que te amo...”
Eu cantava como uma forma de oração,
Eu cantava rezando, pedindo que ele chegasse,
Que ele voltasse para mim.
Logo eu que esqueci como se reza, pedi a Deus que trouxesse meu amor.
Mas acho que Ele se esqueceu da minha voz,
Ou então está muito ocupado e não vai perder tempo com um descrente como eu.
Não me enxerga, não quer me ouvir!
Se eu conseguisse dormir!
Mas acabei todos os calmantes!
Já sei! Acho que vou lavar os pratos!
A gente sempre reflete lavando pratos,
Fica ali parado, mexendo com água,
A água acalma, é o que dizem!
No mais posso pensar em alguma coisa legal para fazer enquanto estou na pia...


Foto Uran Rodriguez



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Você chegou!
Graças a Deus!
Eu já lavei os pratos estava esperando você chegar para enxugar.
Não, enxugar os pratos não!
Enxugar minhas lágrimas.
Foi. Eu estava chorando.
Ah! Não sei por quê!
Hein! Ah! Pára de tanta pergunta!
É que eu estava com medo.
Ah! Não sei! Medo de que! Medo de que?
A gente está tão bem, né?
É que por uns momentos eu achei que você poderia não voltar.
Eu olhei para tuas coisas: tua cadeira, tuas gavetas, teu copo...
Vi tudo tão vazio...
É, devem ter sido as lágrimas, elas sempre confundem.
Mas eu fiquei com muito medo.
E se você cansou da minha voz!
Se minha comida, meu sorriso não mais te agradam!
Se nossa cama ficou pequena demais e só me resta o chão!
Não, não é paranóia, não!
Acontece, isso pode acontecer,
Se nós que nos julgamos eternos acabamos, quanto mais o amor,
Ele é muito vulnerável e impaciente.
Se você encontrou outra pessoa na rua,
Se seus olhares se cruzaram,
Você pode muito bem ter se apaixonado por ela.
Ah! Eu não quero nem pensar!
Está vendo! Aconteceu alguma coisa, sim!
Você nem me beijou!
Esse beijo eu não quero,
Esse beijo não vale!
Eu beijava minha mãe assim!
Eu quero é língua com língua
Língua com pêlos
Língua com sexo
Por falar nisso, ele saiu e nunca mais voltou.
Ele, o sexo! Eu nunca mais o vi aqui em casa.
Ah! Pára meu amor! AAII!!! Pára!
No cangote você sabe que eu morro!
Páraaa! AAII!! UUII!!
PáraaAAII! Esse maldito telefone!
Alô! Oi mãe é engano!
Não mãe, sou eu mesmo, mas a senhora ligou errado!
O que? Oh! Mãe desculpe!
Parabéns! Não precisa chorar, né mãe?
Eu nunca esqueci teu aniversário! Desculpe!
Eu sei que a senhora só tem a mim, mas é que eu também
Só tenho a mim!
Olha, eu estava indo fazer um jantar
Esperando uma pessoa
Venha jantar comigo.
Não, a senhora não vai atrapalhar!
É que eu estava esperando por alguém que nunca vai aparecer.
Então a gente comemora teu aniversário
Com jantar a luz de vela, vinho, sobremesa
Vem logo, não demora!
Um beijo!
TCHAU!

É enlouquecedor passar a vida sem ter sido amado!!



Foto Uran Rodriguez

Borboleteando





Fotos de Wilfrid Jaubert

Este espelho meu


Odeio sentar aqui para reclamar do tempo, ou melhor, da falta dele.


Hoje não quero reclamar, mas justificar minha ausência em mim mesmo, porque este blog nada mais é do que eu mesmo. Aliás, nada que faço não sou eu. Que coisa que está ficando confusa, hein?!!!!


Bem, o que quero dizer, e isso é para mim mesmo, me justificar comigo mesmo, chorar no meu próprio ombro, chorar as pitangas de não estar assíduo na tarefa de me refletir, de fazer essa terapia virtual.


É uma pena não poder acessar os blogs amigos, as palavras e imagens tão enriquecedoras e prazerosas.


A vida é assim, ganhando de um lado e perdendo de outro, para depois mudar tudo de novo.


Vim aqui me refletir, olhar este meu espelho e não gostei da cara que vi. Amassada, cansada, barbuda e quase chorosa. Vou dormir e amanhã se acordar, já de barba feita e café tomado, sento para rir de mim.


Boa noite!!!

sábado, 23 de agosto de 2008

Aguarrás e Double I You

é enlouquecedor passar a vida sem ter sido amado. Aguarrás (Edu O.)




fotos feitas por Agnés Jaubert do ensaio do espetáculo
Nus à margem da imensa paisagem
que estréia semana que vem, dia 05, 20 horas,
no Teatro Gamboa Nova, com Edu O. e Wilfrid Jaubert