quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

This Love

Às vésperas de mais uma viagem longa e distante, me ponho a lembrar da minha primeira saída de casa para demorar mais do que uma semana. Conhecendo lugares nunca imaginados, línguas nunca faladas nem beijadas, caras, jeitos, sabores, odores, as cores... AS CORES!!!! roupas, ruas, matos... estradas... céu azul de sol a pino e frio... O FRIO!!!! chegada de verão e aos poucos o calor... O CALOR!!! amigos novos, antigo amigo-irmão. La Seyne, Marseilles, Sanary... Lisboa, Madeira, Funchal... Munster, Colônia, Berlim... encantos, amores, desentendimentos, briga feia, expulsão, acolhimento... estacionamento, boate, escada, parque... loucura, bebedeira e tanta coisa, tanta gente... muitas reticências.

Esta viagem me marcou profundamente e até hoje acho que viajo aquela viagem. O retorno nunca mais foi nem será o mesmo. A forma de viajar também. O que vejo, o que sinto, o que sei... sempre as reticências.

Esta música do Maroon 5 é a trilha sonora mais marcante, mais lembrada, mais sentida. Representa tanto e ele (o cantor) corresponde aos sonhos vividos naquela Europa que nunca mais foi a mesma depois de 2004.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

As canetas de Roberto Carlos

Eu não gosto de publicar os textos de um blog no outro, cada um tem sua função e finalidade, tem um discurso que eu quero defender, mas tem assuntos que passeiam por esses interesses e acabam confluindo e por isso, publico aqui um que escrevi para O Corpo Perturbador, porque tem pessoas que visitam o Monólogos e não aquele e também o Mínimo Ajuste que não conhecem os meus pessoais. Por isso hoje, será um festival das "Canetas de Roberto Carlos", para que possamos pensar juntos.

Não é nenhuma novidade nem surpresa a rapidez como as coisas acontecem na internet. Todos os dias, ao entrarmos nesse universo, somos tomados por informações e "febres" que se proliferam velozmente e depois acabam na mesma rapidez. Hoje é um dia em que uma simples foto causou furor no facebook. Me refiro a uma imagem do cantor Roberto Carlos vestindo bermuda e portanto, expondo a prótese que utiliza na perna direita, consequência de uma amputação causada por um acidente com um trem quando era menino.

Se observarmos esta imagem que publico aqui, veremos a quantidade absurda de mais de 3.000 compatilhamentos da foto somente nesta rede social. O que me motiva a escrever sobre isso no blog não é nehuma crítica ou julgamento pela euforia causada por uma simples imagem. É tentar refletir o porque disso acontecer. A deficiência de Roberto Carlos não é assunto novo, nem tampouco ele tenha tentado escondê-la durante toda sua carreira. Inclusive, eu admirava muito o fato dele ser o maior ídolo da música brasileira, tendo uma deficiência e não ser referenciado por isso. Ao contrário de outros tantos artistas e atletas que não conseguem largar este estigma da deficiência e superação. O simples fato de RC nunca ter mostrado as próteses me parece fato normal. Eu também não saio por aí com as canetinhas de fora e nem por isso é recalque, vergonha, complexo. O que aconteceu hoje mostra que ele poderia estar certo, porque as pessoas se ligam numa coisa sem sentido, jogaram a atenção toda para uma perna mecânica, fora os comentários ridículos, como este primeiro onde a fã diz "Tadinho.... amo ele!". Tadinho por que? Outra diz "que sirva de exemplo de superação" e por aí vai. Ele está superando o que ali?

Me pergunto constantemente: o que essas pessoas têm na cabeça? O que pensam? Qual a importância disso? Não são perguntas de revolta, viu? Quero deixar claro porque sei que sou brigão e às vezes o tom fica de briga, mas aqui é simplesmente não entender mesmo. Repito: qual a importância disso?

Ele deixou de ser o Rei? Suas músicas deixam de ter a importância que têm? Se cria uma fissura em sua imagem porque mostra uma prótese que todo mundo já sabia que existia? Há quem prefira acreditar que é uma foto fake. Para mim, pouco importa. Se é montagem, se não é... "se chorei ou se sorri"... se ele usa bermuda, calça, calção, cueca. Se alguém gosta de mulher ou homem. Se usa tatuagem, piercing, cabelo azul. Cada um é cada um e sosmos iguais justamente porque somos tão diferentes.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A exclusão verdadeira

NAÇÕES UNIDAS - DIA INTERNACIONAL DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA - 03 de Dezembro
Mensagem de Ban Ki-moon - Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas por ocasião do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência
Tema: "Juntos por um Mundo Melhor: Incluindo Pessoas com Deficiência no Desenvolvimento"
Tradução: Romeu Kazumi Sassaki

Passaram-se 30 anos após as Nações Unidas comemorarem pela primeira vez o Ano Internacional das Pessoas com Deficiência, então focando o tema "Participação Plena e Igualdade". Durante este lapso, foram alcançados notáveis avanços na tarefa de divulgar os direitos das pessoas com deficiência e fortalecer o marco normativo internacional para a realização destes direitos, desde o Programa de Ação Mundial para as Pessoas Deficientes (1982) até a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (2006).

Cada vez mais países se comprometem a proteger e promover os direitos das pessoas com deficiência. Não obstante, muitas tarefas permanecem pendentes. As pessoas com deficiência apresentam os índices mais altos de pobreza e de privações; e a probabilidade de que não tenham atendimento médico é duas vezes maior. Os índices de emprego das pessoas com deficiência em alguns países chegam a apenas um terço dos da população geral. Nos países em desenvolvimento, a diferença entre os índices de frequência à escola primária das crianças com deficiência e os de outras crianças se situa entre 10% e 60%.

Essa exclusão multidimensional representa um altíssimo custo, não apenas para as pessoas com deficiência, mas também para toda a sociedade. Este ano, a celebração do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência nos relembra que o desenvolvimento só poderá ser duradouro se for equitativo, includente e acessível para todos. É, portanto, necessário que as pessoas com deficiência estejam incluídas em todas as etapas dos processos de desenvolvimento, desde o início até as etapas de supervisão e avaliação.Corrigir as atitudes negativas, a falta de serviços e o precário acesso a eles, e superar outros obstáculos sociais, econômicos e culturais, redundarão em benefício de toda a sociedade.

Neste Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, faço um apelo aos governos, à sociedade civil e à comunidade internacional para que trabalhem em benefício das pessoas com deficiência e colaborem com elas, lado a lado, a fim de alcançarem o desenvolvimento includente, sustentável e equitativo em todo o mundo.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Mulher da vida

Cora Coralina

Mulher da Vida, minha Irmã.
De todos os tempos.
De todos os povos.
De todas as latitudes.
Ela vem do fundo imemorial das idades e
carrega a carga pesada dos mais
torpes sinônimos,
apelidos e apodos:
Mulher da zona,
Mulher da rua,
Mulher perdida,
Mulher à-toa.
Mulher da Vida, minha irmã.
Pisadas, espezinhadas, ameaçadas.
Desprotegidas e exploradas.
Ignoradas da Lei, da Justiça e do Direito.
Necessárias fisiologicamente.
Indestrutíveis.
Sobreviventes.
Possuídas e infamadas sempre por
aqueles que um dia as lançaram na vida.
Marcadas. Contaminadas,
Escorchadas. Discriminadas.
Nenhum direito lhes assiste.
Nenhum estatuto ou norma as protege.
Sobrevivem como erva cativa dos caminhos,
pisadas, maltratadas e renascidas.
Flor sombria, sementeira espinhal
gerada nos viveiros da miséria, da
pobreza e do abandono,
enraizada em todos os quadrantes da Terra.
Um dia, numa cidade longínqua, essa
mulher corria perseguida pelos homens que
a tinham maculado. Aflita, ouvindo o
tropel dos perseguidores e o sibilo das pedras,
ela encontrou-se com a Justiça.
A Justiça estendeu sua destra poderosa e
lançou o repto milenar:
�;Aquele que estiver sem pecado
atire a primeira pedra�;.
As pedras caíram
e os cobradores deram s costas.
O Justo falou então a palavra de eqüidade:
�;Ninguém te condenou, mulher...
nem eu te condeno�;.
A Justiça pesou a falta pelo peso
do sacrifício e este excedeu àquela.
Vilipendiada, esmagada.
Possuída e enxovalhada,
ela é a muralha que há milênios detém
as urgências brutais do homem para que
na sociedade possam coexistir a inocência,
a castidade e a virtude.
Na fragilidade de sua carne maculada
esbarra a exigência impiedosa do macho.
Sem cobertura de leis
e sem proteção legal,
ela atravessa a vida ultrajada
e imprescindível, pisoteada, explorada,
nem a sociedade a dispensa
nem lhe reconhece direitos
nem lhe dá proteção.
E quem já alcançou o ideal dessa mulher,
que um homem a tome pela mão,
a levante, e diga: minha companheira.
Mulher da Vida, minha irmã.
No fim dos tempos.
No dia da Grande Justiça
do Grande Juiz.
Serás remida e lavada
de toda condenação.
E o juiz da Grande Justiça
a vestirá de branco em
novo batismo de purificação.
Limpará as máculas de sua vida
humilhada e sacrificada
para que a Família Humana
possa subsistir sempre,
estrutura sólida e indestrutível
da sociedade,
de todos os povos,
de todos os tempos.
Mulher da Vida, minha irmã.

A minha prostituta - tela de João Alves

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Corpo Intruso - Mapa Ferido - Manifesto Anti-Inclusão - Estela Lapponi

As atividades do 2º Encontro O que é isso? de Dança continuam hoje às 18h:30min na Escola de Dança da UFBA, com a ação da residência artística de Estela Lapponi, apresentando sua pesquisa sobre O Corpo Intruso para visitantes e alunos da disciplina Estudos do Corpo II, da Profª Drª Lenira Rengel.

Ainda como ação da residência artística do 2º Encontro O que é isso? de Dança, amanhã, dia 30/11, a intérprete-criadora Estela Lapponi, apresentará Mapa Ferido, um exercício cênico do processo de investigação do Corpo Intruso, dentro do Master em Práticas cênicas e cultura visual da Universidad de Alcala (Espanha).
A performance fará parte do Painel Coreográfico da Escola de Dança da UFBA, em Ondina, a partir das 18h. Entrada franca. A residência artística ficará até dia 08/12.

Aqui o manifesto escrito por Estela Lapponi, texto que abriu e encerrou o Encontro.

Manifesto Anti-Inclusão parte_1

A Inclusão propõe hierarquia de capacidades.
A Inclusão é incapaz de ver e enxergar.
A Inclusão é incapaz de ouvir e escutar.
A Inclusão é simplesmente incapaz.
A Inclusão pressupõe passividade.
A Inclusão não interage.
A inclusão causa pena
A inclusão é unilateral 
A inclusão exclui
A inclusão isola

Manifesto Anti-Inclusão parte_2
colaboração de Lenira Rengel

Arte é conhecimento
Arte é habilidade
Arte é construção
Arte é diálogo
Arte é investigação
Arte é Ação
Arte é troca
Arte é liberdade
Arte é criação
Arte é expressão
Arte tem de toda pessoa
A inclusão quer te normatizar
A inclusão quer te excepcionalizar
A inclusão quer te paralizar
A inclusão quer te desconsiderar
A inclusão quer te desincorporar
A inclusão quer te ignorar
A inclusão quer te especificar
A inclusão quer te deixar só!

Arte e Inclusão estão na contra mão!
O significado das palavras vão além de sua semântica
Trazem em seu traçado gráfico e sonoro pesos e levezas históricas e arraigadas às mais diversas sociopoliticoculturas
O que quero propor aqui é que R-E-P-E-N-S-E-M-O-S
Sobre o significado e a significância que carregam as palavras Arte e Inclusão ou Arte Inclusiva


Atualize-se no blog: http://oqueeissodedanca.wordpress.com/

Veja o trabalho de Estela:

http://incena25.blogspot.com/

http://zuleikabrit.blogspot.com/

foto de Elif Zilan

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Um tempo para o silêncio

Somente o silêncio pode traduzir o barulho que está por dentro. Um final de semana transformador, intenso, forte, afetuoso, difícil....

Encontros, encontros, encontros....

Que bom que existe o outro.

sábado, 26 de novembro de 2011

Judite substitui O Corpo

O espetáculo Judite quer chorar, mas não consegue! substituirá O Corpo Perturbador, amanhã, às 17h, no Palacete das Artes Rodin Bahia, previsto para o encerrando o 2º Encontro O que é isso? de Dança. A substituição aconteceu por imprevistos técnicos d'O Corpo. A produção do espetáculo pede desculpas, mas sabemos que a mocinha Judite é bem vinda aonde chega. Esperamos todos lá.


foto de Alessandra Nohvais

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O que teremos?



Sexta teremos...

... coisinhas, PEQUETITAS COISAS que nos ligam afetivamente.... falando sobre o ENTRE... Bom demais fazer um espetáculo despretensioso e talvez por isso mesmo fale de tanta coisa, de NÓS MESMOS. Pequetitas coisas entre nós mesmos – Grupo X de Improvisação em Dança – 25/11 – Espaço Xisto Bahia – 19h

... Diálogos Cruzados entre Fafa Daltro - Lenira Rengel - Estela Lapponi - Manifesto Anti-inclusão - acessibilidade - Encontro - encontros - 25/11 - Espaço Xisto Bahia - 19:30h 



Sábado teremos...

... O Corpo na Educação - Ana Luiza Reis - Quando falamos sobre o corpo no processo educativo levamos em consideração a diversidade dos corpos? - 26/11 - Espaço Xisto Bahia - 09h às 12h

... O Corpo Intruso - Estela Lapponi - ser imigrante - não está convidado - fora de contexto cultural - o que está em choque cultural - Espaço Xisto - 26/11 - das 09h às 12h



... Cirandão - ACC Poética da Diferença - Cátia Assunção Assunção- Ana Carla Sousa - Ana Cecília Soares - Ana Clara Santos Oliveira - Felipe Monteiro - Espaço Xisto Bahia - 26/11 - das 14h às 16h

... Borboletas voando em nossas cabeças. Lindo! Lindo! Lindo!!!
"Só se pode encher um vaso até a borda. Nem uma gota a mais." Caio FAs Borboletas - Núcleo VAGAPARA – 26/11 Espaço Xisto Bahia – 17h.



... diálogos - debates - reflexões - Espaços (in)acessíveis (Políticas Públicas) - Carolina Teixeira - Lucas Valentim , Thulio Guzman - Carla Vendramin - Marília Cavalcante - 26/11 - 17:30h - Espaço Xisto Bahia.

... tudo o que não está convidado - está fora de contexto - te tira do centro - desarticula o cotidiano ....... Intento 3257,5 (Estela Lapponi) - Espaço Xisto Bahia - 19:30h.

Domingo teremos...

... Carla Vendramin - Sincronicidade e conectividade na relação do corpo com o espaço e do corpo com outros corpos - domingo 27/11, 09h às 12h - Espaço Xisto Bahia



... Carolina Teixeira - Processos Criativos para o Corpo e(m) Cena - improvisação - método pré-expressivo - antropologia teatral de preparação de atores - impossibilidades físicas...... - Espaço Xisto -27/11 - das 09h às 12h

... Cirandão - Ninfa Cunha - Perspectivas em Movimento - Ana Rita Ferraz - Ciranda da Bailarina - Ana Cecília Soares - Nádia Francisco - Espaço Xisto Bahia - 27/11 - das 14h às 16h

... corpos se arrastando em rastros de bicho/homem, perturbando os olhares, corpos inspiradores. Teremos rock, música polonesa, ruídos, gritos. O Corpo Perturbador, 17h, Palacete das Artes Rodin Bahia. 


... mais diálogos - mais debates - mais reflexões - Discussões que perturbam o corpo (Representatividade midiática) - Estela Lapponi - Edu Oliveira - Clara Trigo - Jefferson Beltrão - 27/11 - 17:30h - Palacete das Artes Rodin Bahia.

Saudade de casa

‎"essa falta que não sabemos do quê...

é nossa alma com saudades de casa"


Li esta frase num comentário para um amigo, no facebook. Concordei plenamente porque sempre que estou assim eu quero Santo Amaro. Eu preciso de lá.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A dança ainda me comove



Precisei vir compartilhar este momento de tanto aprendizado, confiança, riqueza.... humanidade. A dança ainda me comove! Genhei este presente, hoje, de meu lindo Lucas Valentim.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

É a Gota D' Água +10



O Youtube retirou o outro video do ar. Vá entender!

Temos que agir rápido! Vejam o video. Assinem a petição. Divulguem para pelo menos 10 amigos. Não perde tanto tempo e ganha tanta coisa.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Fragmentos Azedos Sobre a Língua

Cada vez mais eu acho que estou enlouquecendo, digo assim enlouquecer...... porque digo sim. E este sim é com uma alegria, um friozinho na barriga, um amor enorme. Meu querido amigo, Samuel de Assis, reesteará um projeto lindo no Rio de Janeiro e me convidou para fazer a leitura de um conto de Caio Fernando Abreu. Pronto, foi a conta para eu já estar com a mala pronta. Quem aguenta? Se eu sou louco, ele é bem pior. Olhe no meio das feras que ele me colocou. O conto que eu lerei é lindo, minha cara. parece ter sido escrito para mim.


Amados,
Sábado reestreia o espetáculo Fragmentos Azedos Sobre a Língua. Agora teremos uma novidade, um combo 3 em 1, em homenagem ao Caio Fernando Abreu. Exposição + Espetáculo + Leitura de um conto do Caio F. após o espetáculo. Essa leitura acontecerá em todas as sessões e sempre com um convidado muito especial.  Na estréia - 12 de novembro, teremos LUANA PIOVANI lendo Os sapatinhos Vermelhos e no domingo dia 13, teremos a ilustre presença de Edu. O., bailarino e ator, diretamente de Salvador, lendo Do fundo do coração ou lov lov lov. Teremos ainda: ângela vieira, priscila marinho, fabrício bolivera e felipe abib, marcos breda, max fercondini, fabíula nascimento, marcos damigo, graziela schmitt e paulo verlings.
Quem quiser chegar junto na estréia, por favor me confirme até sexta feira( 11 de novembro), que eu coloco o nome na lista. Quem viu, é uma ótima chance de rever com todas essas novidades, quem ainda não viu, corre lá. Por favor, nos ajudem a divulgar. Segue o serviço:
 
 
Fragmentos Azedos Sobre a Língua
de Caio Fernando Abreu
com Samuel de Assis 
direção Bruno Marcos e Marcio Vito
 
Teatro Maria Clara Machado - Planetário da Gávea
Sáb as 21 hs
Dom as 20 hs
R$ 20,00
De 12 de novembro à 18 de dezembro
Capacidade 100 lugares
Classificação 16 anos

SAMUEL DE ASSIS
21-81918851


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Uma valsa para Louise



Era bem pequeninha e com os olhos pretos enormes, querendo alcançar o mundo, atravessando nossos corpos com a exatidão de lâminas de vida.

Era a primeira que eu viajava para fora do país, chegava à França sem saber sua língua, sem entender o que me perguntava e era tão simples o que queria saber. "Mamãe, ele dança?", questinava a menina de 3 anos, de cabelos e olhos pretos enormes. Com a afirmativa da mãe, ela saiu da sala com carinha de criança esperta e voltou logo depois com um radinho pequeno tocando uma música, colocou em cima da mesa e pôs os bracinhos para trás, sem sair do lugar, balançando os ombros como uma valsa e em silêncio. Seu olhar pedia que eu mostrasse minha dança.

Não dancei naquele momento, mas Louise já viu muitas das minhas danças compartilhadas com seus tios, com sua mãe, com ela mesma. Por Louise sinto um amor indescritível e meus olhos marejam todos as vezes em que me detenho em pensamentos de saudade dela. Desejo que sua vida seja doce e que não sofra. Que o ar seja generoso com ela e não lhe falte. Que eu não chore nunca mais por causa dela que é toda alegria e vida e inteligência, sensibilidade e maturidade no alto de seus 10 ou 11anos.

A última cena de Odete, traga meus mortos, trabalho meu com Lucas Valenteim, valsamos para Louise.
A música "J'envoie valser" da cantora francesa Zazie, cantada por Jeanne Jaubert, prima de Louise, é a trilha para esta valsa. e é linda!

"Eu gosto quando você me dá jóias e coloca no meu pescoço, eu não me importo se você envia valsas e quando você me abraça forte é como um tesouro. Isso vale ouro" (tradução das mais grotescas feita por mim mesmo)

foto de Gabriel Guerra

domingo, 6 de novembro de 2011

Eu queria falar

Eu queria falar sobre as pernas de Malu Mader

Eu queria falar sobre o tempo em que eu andava de bicicleta com Patrícia de Dona Detinha

Eu queria falar da lambada de Leila e Riane

Eu queria falar quando eu voltava da Escola de Belas para casa, andando com Caco e Deb

Eu queria falar da janela de meu avô

Eu queria falar das caronas de Bill

Eu queria falar da cuba libre de Mirella

Eu queria falar da família Herculano

Eu queria falar da amizade de minha irmã

Eu queria falar do menino encostado na parede me olhando

Eu queria falar dos beijos de minha mãe

Eu queria falar das orações de minha vó

Eu queria falar das lágrimas e da carta de Diane

Eu queria falar do mar nos olhos quando escuto Motriz

Eu queria falar das gargalhadas com Makiba

Eu queria falar que vocês podem falar

Eu queria falar do coração pulando ao rodar a Praça da Purificação

Eu queria falar da careta de Vani

Eu queria falar de quando eu vi Troca imadiata de saliva e suor

Eu queria falar do dia em que nos encontramos para fazer Odete

Odete, traga meus mortos (foto Gabriel Guerra)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

porque há poesia

porque a poesia me cura do que não tem cura
a poesia que vejo, a poesia que rio, a poesia que leio...
porque em tudo há esta poesia que teima em não largar meus olhos.

sábado, 29 de outubro de 2011

Cidade poema

vou ali na cidadezinha
naquela pequenininha
que parece colo de mãe
peito de ama
Vou ali sentar na praça
deitar na grama.

Sem querer fiz uma poesia, é porque a cidadezinha é poema vivo

Lar do "se", lar


de Brunno Soares
Há uma casa vazia, lá.
Vazia. Dá azia, a casa.
Casa, ex-casa, rasa,
Caça, escassa casa.

... Há uma casa vadia, lá.
Vadia. Dá calma vazia.
Pouca brasa, ‘’tá’’ fria!
Louça gasta na pia.

Na rua,
cada casa com sua lida.
Cada alma côa sua vida.

Há uma casa vazia, tá?!
A casa, casinha caminha,
A casca da casa, ralinha...

Quer casa? Que seja na linha,
Quem casa quer qualquer casinha.

Há uma casa vazia,
e acaso,
essa casa não é a minha?


*blog de Bruno Soares http://cronicasdeafeto.blogspot.com/

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Enfim, Marilyn!

Enfim a chuva deixou Marilyn nascer e o sol cresceu lindo, quente para ela na praia de Paripe. Em dia de nascimento os pais ficam cansados e não sabem ainda o que aconteceu. Só com tempo para degustar o delicioso e salgado sabor de parir.

Para Marilyn, pensei nesta música como oração. Ainda mais cantada por uma deusa.

(...)

O sol ensolará e estrada dela
A lua alumiará o mar
A vida é bela
O sol, estrada amarela
E as ondas, as ondas, as ondas, as ondas

Bambeia
Cambaleia
É dura na queda
Custa a cair em si
Largou a família
Bebeu veneno
E vai morrer de rir

Vagueia
Devaneia
Já apanhou à beça
Mas para quem sabe olhar
A flor também é
Ferida aberta
E não se vê chorar

O sol ensolará e estrada dela
A lua alumiará o mar
A vida é bela
O sol, estrada amarela
E as ondas, as ondas, as ondas, as ondas

Dura na queda
compositor: Chico Buarque
cantora: Elza Soares

* o título do post foi idéia de meu amor quando me ligou para saber sobre a apresentação. Adorei a rima e peguei para mim

** Infelizmente não estou conseguindo importar videos do Youtube, mas se vocês clicarem AQUI ouvirão a maravilha da Elza Soares, numa interpretação inesquecível.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Happy Birthday Mr. President

Judite nasceu num dia 25 de Outubro de 2006, comemorando meus 30 anos.

Odete apareceu nesta mesma data em 2010, antecipando os festejos dos meus 34 anos.

Amanhã Marilyn chegará no dia certo, cantando Happy Birthday pro pai.

Qual o melhor ângulo para ver Marilyn? Talvez seja o de dentro da lente das máquina fotográficas. Marilyn vive ali naqueles detalhes, sutilezas, pequenas coisas que podem se perpetuar num clique e se registra o instante. Desfrutar o ZOOM em Marilyn é ter uma experiência mais próxima com ela mesma, com seu tempo. Público-paparazzi, ao redor como em saída de delegacia, entrada de Oscar. Quem quiser levar suas câmeras... ver pela fechadura a vida rica e sem graça



Festejando aniversário com Marilyn

Amanhã, quarta-feira, 26 de outubro (meu aniversário), o Quarta que Dança 2011 apresenta três trabalhos de diferentes formatos e em locais distintos da cidade de Salvador. A Intervenção Urbana Ah, Se Eu Fosse Marilyn!, de Edu O., ocupa a Praia de Ondina, às 16 horas, numa performance aberta ao público. Também gratuita é a Dança de Rua Bolero de 4, de João Rafael Neto e Luiz de Abreu, que estreia na programação do projeto com uma apresentação na Praça São Braz, em Plataforma, às 16 horas. Já o espetáculo Trilhas Urbanas, de Leandro de Oliveira e João Rafael Neto, encerra a participação no Quarta que Dança, estando, desta vez, no palco do Espaço Xisto Bahia (Barris), às 20 horas, com ingresso a R$ 2 (inteira).

O Quarta que Dança é um projeto da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), unidade da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA).

Mais informações: www.fundacaocultural.ba.gov.br/quartaquedanca2011
Mais fotos: http://www.flickr.com/photos/secultba/sets/72157627655816380/

foto de Débora Motta

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Nós-Nuvens

Preciso domesticar minhas nuvens que teimam em acizentar o azul
Necessito acalmar sua fúria, suas remoendas, suas neuras
Amansá-las como algodão abanando rabo, lambendo canela
pulando ao abrirmos a porta
Preciso abrir as portas para minhas nuvens passearem
Conhecerem o mar, o céu, a brisa
Preciso entender que nuvens se dissipam
e evaporam assim como nós
Deixá-las partir
Deixar-me ir

domingo, 23 de outubro de 2011

Que gracinha! Hebe estava com a cabeça dela mesma

Hebe Camargo não tem sorte comigo, coitada. Toda vez que eu a vejo na TV ela fala uma besteira. Acho que o azar é dela porque coincide sempre com o momento em que eu a assisto. Tendo em vista que todo mundo a elogia... ela deve falar maravilhas fora do meu alcance.

Ontem tive o desprazer de parar uns poucos minutos no tal do TELETON, promovido pelo SBT para arrecadar fundos para a AACD. Uma instituição que atende pessoas com deficiência. Quem quiser saber mais vai buscar no Google, por favor, porque não tenho condições de falar sobre. Enfim... parado em frente à tv, querendo superar preconceitos, recebo na caixa dos peitos a apresentadora "gracinha" da televisão brasileira emocionada, dizendo algo sobre um jovem amputado, usando próteses, que acabava de dançar.

" OHHHH meu Deus, que gracinha! Quando ele dança é como se estivesse dançando com as pernas dele."

Fico me perguntando o que é que esta senhora realmente queria dizer? A criatura não dançava com suas pernas? Eram artificiais mas eram suas. Eu fiquei pensndo mesmo e quando a vi sentada num banco do cenário, achei engraçado:

ela estava sentada com a bunda dela mesma, rindo com os dentes dela mesma, alisando os cabelos dela mesma.

Que gracinha, ne?

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

2º Encontro O que é isso? de Dança



CONFIRMADÍSSIMO!

Contemplado pelo Edital Demanda Espontânea, realizado pela SECULT-BA, de 25 a 27 de Novembro de 2011, no Espaço Xisto Bahia, o 2º ENCONTRO O QUE É ISSO? DE DANÇA que tratará de questões relevantes em torno da invisibilidade e representatividade midiática de grupos profissionais de dança com pessoas com deficiência. As discussões girarão em torno de acessibilidade, profissionalização e inserção no mercado de trabalho de artistas/dançarinos com deficiência que não tiveram acesso a informação e formação em dança seja nos ambientes acadêmicos e espaços formais de ensino de dança. A proposta é discutir sobre a criação, elaboração e exposição da dança do (no) corpo do dançarino com deficiência, para entender por que, com tantos grupos de dança circulando em diversos pontos do nosso planeta ainda se encontram nos patamares dos lugares invisíveis e sem representatividade midiática. Trazer essas discussões para o campo da pesquisa artística e acadêmica em dança, especificamente para questionar a invisibilidade das ações no entorno do corpo do dançarino com deficiência, é objeto desse Encontro.
A programação conta com oficinas, debates, cirandões, performances e espetáculos.
Em breve, publicaremos a programação com nomes dos convidados, espetáculos, horários das atividades, valores e prazos de inscrição.

Fiquem ligados no blog: http://encontrodedancainclusiva.blogspot.com/

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Lenço de papel

Havia dias se esforçando para conseguir dormir. A insônia o visitava diariamente e não adiantava remédios, leituras, filmes.... nada! Visitas chegaram tentando alegrar seus dias, suas noites e todos dormiam satisfeitos, menos ele.

A outra tambéms em conseguir dormir, dava corda em caixa de música tentando embalar sonhos ou seriam pesadelos dos dias passados e regados a desprezo, abandono, tristeza? A música ninou seu corpo que tombou no sofá como se estivesse em coma. menos ele.

A bunita se esbaldou nos baldes e cansada dormia pregada no quarto. Menos ele!

Todos tomavam goles e mais goles de tritezas e conseguiam adormecer, menos ele. Quendo enfim, o corpo vencido pelo cansaço estrondoso, repousa sobre o lençol cheiroso e sente o coração pulsar na realização do sono, o telefone toca, insiste, grita, esperneia. Ele com ímpetos de jogar aquele objeto longe, atende assustado, com receio de tragédia:

"Oh meu rei, veja se você acha meu lenço de papel que deixei cair na sala!"

A raiva tomou conta daquele homem que há um ano não consegue pregar os olhos e hoje vive zumbi a procura de algo que nunca mais encontrar.

PS- homenagem a Cléa, Vani, Igor e Tiago.