quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Benditas

Benditos todos os encontros
todos os amores
todos os sucessos
todos os aplausos

Bendita a família da qual eu sou fruto
Bendito ventre de minha mãe e minha irmã
Bendito afilhado/sobrinho/amigo/companheiro
Bendita menina linda do dindo Du

Bendita saúde de todos nós
Bendita saúde de João

Benditos os amigos que me fazem companhia na vida
Benditos os e-amigos que me fazem companhia na madrugada sem sono

Este ano conheci Marcos, Lulli e Gerana pessoalmente
Cada um com um sorriso mais sincero que outro
Com um gesto mais carinhoso que outro

Recebi visitas de amigos de longe
Wil, Helene, Keu, Talis, Ed, Dona Val
Fiquei grudadinho num amor infindo
Grudei em outros amigos que não desgrudam nunca mais
Senti falta de outros que se desprenderam

E a vida é isso.......


BENDITAS AS COISAS QUE NÃO SEI
OS LUGARES ONDE NÃO FUI
OS GOSTOS QUE NÃO PROVEI
MEUS VERDES AINDA NÃO MADUROS
OS ESPAÇOS QUE AINDA PROCURO
NOS AMORES QUE NUNCA ENCONTREI
BENDITAS AS COISAS QUE NÃO SEJAM BENDITAS

A VIDA É CURTA MAS ENQUANTO DURAR
POSSO DURANTE UM MINUTO OU MAIS
TE BEIJAR PRA SEMPRE
O AMOR NÃO MENTE,
NÃO MENTE JAMAIS
E DESCONHECE
NO RELÓGIO O VELHO FUTURO
O TEMPO ESCORRE NUM PISCAR DE OLHOS
E DURA MUITO ALÉM
DOS NOSSOS SONHOS MAIS PUROS

BOM É NÃO SABER
O QUANTO A VIDA DURA
OU SE ESTAREI AQUI
NA PRIMAVERA FUTURA
POSSO BRINCAR DE ETERNIDADE AGORA
SEM CULPA/NENHUMA

(Martnália e Zélia Duncan)

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O sucesso do microondas

Pensei que tudo ia para os ares. Imaginei o prédio subindo, se distanciando da terra como imagem de desenho animado. Gargalhava ao mesmo tempo em que rezava, pedindo para a explosão não acontecer naqueles poucos minutos que o relógio contava em ordem decrescente. O microondas não foi com a minha cara. Nunca usei esse troço, mas sei que há o perigo de explodir tudo. Eu apertava botão 24h/12h/700wtz/800wtz... abria porta, acendia luzinha, fechava porta, apagava luzinha e eu morrendo de medo de alguém entrar na cozinha e constatar minha tabaroice.

O alojamento não explodiu, eu comi as bordas quentes, o meio frio e ri do menino que fazia bolachinhas na casa de andares da Rua C.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Melhor futuro


Para todo mundo eu desejo o que há de melhor e que o que cada um desejar se realize com rapidez e ternura. Sucesso sempre, gargalhadas, alegria!

domingo, 20 de dezembro de 2009

O sol do sul - Relato de uma tempestade

Foto de Agnés


Chegaram as Três Marias!!!

Não conseguiu conter a conteteza de ver os três amigos do sul. Coração aos pulos, sentimento de viagem começada agora. O frio intimidou-se com o carinho, os sorrisos, as gargalhadas. Parecia menino na roda-gigante, luz piscando por dentro ao ritmo de pulsação de samba. martnália tocando no cd do carro e as ruas coloridas como verão dos trópicos.

Uma noite, uma manhã...

Como um sonho de sono leve. Estrelas não brilham com o sol. As Três Marias adormecem e ele ficou esperando a conversa com o Cruzeiro do Sul.

(01/12/2009)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Café de bêbado - Relato de uma tempestade

Foto de Josaine Rosinski

Tacou açúcar no café forte, não aguentou beber a amargura, tacou mais um pouquinho. Derramou um pinguinho de leite frio. Mexendo com a colher, fez uma melodia arranhada no fundo da caneca. Golou tudo de vez como remédio ruim e saiu sozinho a caminhar pela cidade vazia.

É verdade que aqui pode-se sair sem medo, andando não importa a hora. Ontem repetiu o ato depois dos aplausos. Bebeu vinho, comeu alguma coisa, cumprimentou os presentes e partiu. Todos disseram da beleza do trabalho. Seu coração permaneceu neutro como antes não acontecia. Preferiu isolar-se com certa alegria, mas sem a euforia de estréia. Sentou-se a beira da água gelada, soltou fumaça pelas fuças e voltou ao alojamento. Acordou agora depois desse café de bêbado.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Mais uma vez o mar

Sempre o mar.

Mais uma vez o mesmo pesadelo: o mar e uma grande onda vindo em sua direção. Ele estava na casa de um amigo, sem vontade de estar, cumprindo outros desejos, uma amiga chega à festa e não se demora, ele segue com ela contrariando o outro, o mar invade a casa como coisa natural, a amiga o carrega impedindo o afogamento pelo peso das asas nos pés, descem escadas alagadas com ondas enormes batendo em seu rosto e a amiga firme, impede o afogamento, tudo na maior calma como coisa natural. Somente ele sabe da aflição que sente.

Água de café fervendo, pensa nas putas de Paris. Ninguém entende quando ele diz que o melhor de Paris são as putas e os camelôs. Onde ele está agora interditaram as putas, lhes fecharam as ruas, assim como fecham as janelas. Todas as janelas aqui são fechadas e ele não entende e deseja um mar de putas e suas gargalhadas e vida nos olhos.

Relato de uma tempestade (quarto capítulo, 28/11/2009)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Um cigarro

Me dei licenca, cheguei agora de um papo otimo na cozinha, louco por um cigarro, louco para retornar a minha vida. nao quero escrever novela, nao quero fingir ser ninguem que nao sou. estou louco pra gritar ¨meu cu hebe!!!!!¨, estou louco para beijar meu amor, sentir o calor de minha mae, rir com meu pequeno palhacinho, ver minha irma, matar esta tristeza da lonjura que esta em mim.

Cigarro mata e dai? hj quero rir da vida, da morte, hj to precisando transgredir!!!!!!!!! de mim

nao escolhi ser artista pra chorar, quero sorrir e vou sorrir amanha quando acordar e ver a merda que escrevi.

é isso mesmo, adoro palavrao porra!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Capitulo de humor - Relato de uma tempestade - Um Pequeno Sorriso

Sempre assim, quanto mais longe ele está de sua pequena cidade, mais lembrancas lhe surgem daquele lugar.Seja todos os ros poluidos dos lugares por onde andou, seja pela falta de sabor, seja pela beleza do amor. O fato é que ele teve uma experiencia parecida com uma cena acontecida no inicio de sua adolescencia, quando sentava a porta de com um grupo de amigos a tocar violao, a trocar o primeiro beijo, a sentir o primeiro amor. A amiga viziha servia sempre tomates verdes com sal, uma iguaria sem igual. Todo dia o mesmo ritual, ela se ausentava da roda e voltava com o prato cheio de rodelas verdes. Um dia demorou mais do que de costume, foi quando ouviu-se os gritos: "É voce que esta roubando meus tomates no quintal?! Eu planto e nao posso colher!" Sua mae saia aos berros pela porta da frente enquanto a amiga ja entrava pela porta dos fundos, como Tom e Jerry: "Mainha, deixe de raleza, olhe os meninos la fora! De cinto nao mainha!". Ela ficou de castigo toda a semana e nunca mais tomates.

Agora na viagem foi assim: um tomate, um queijo e um presunto tomado sem permissao da cozinha coletiva. Uma amiga lhe ofertou para acabar a fome noturna. Houve atrapalhacao com celular, entrega de compras, coisas d se esperar dele. A fome com tudo isso ja havia passado, o que aumentava era o carinho pela amiga que lhe dizia ao entrar no elevaor com as coisas na mao: "c'est un petit surire". E dormiu como se estivesse em casa, com um leve sorriso na face.

Terceiro capitulo (23/11/2009) novos e iportantes personagens entram na historia

sábado, 28 de novembro de 2009

Relato de uma tempestade - Segunda Chegada

Ele é um jovem rapaz, branco, de alvura reluzente, um pouco mais alto do que o padrao, usa sempre um sobretudo grande, preto, que lhe encobre as asas nos pés, por isso sente tanto frio nas pernas, porque nao ha sapato que lhe caiba, todos que experimenta lhe doem as asas. Ele disfarca bastante e nunca sai voando sem que haja necessidade.

No dia seguinte de viagem, sentado em sua cadeira esperando o segundo voo, funcionario da empresa aerea bate em seu braco inumeras vezes, sem conseguir tira-lo do sono pedra. Acorda muitos minutos depois de insistencia atordoado, confunde ticket de bagagem com bilhete de aviao, entrega chave, remedios e palavras cruzadas ao senhor que verifica passagens, ele esta em outro mundo, uma confusao para encontrar na bolsa coisas importantes naquele momento. Tenta dormir, sem sucesso, mas consegue dar suas belas pescadas.

Chega a segunda chegada. A espera da mala parece mais demorada do que o tempo de viagem. Fadiga, expectativa, receio, ansiedade crescendo a cada vida que vem na esteira. Enquanto isso deleita-se com a estranha e bela lingua do povo arabe. Enfim, sua mala tao grande quanto o esforco de parecer bem. é recebido com muito carinho e afeto, mas confianca é igual a cristal que quando racha ou quebra de vez ou permanece aquele fio incomodo a nos lembrar o que passou. Mesmo assim ele sente amor.

O escuro e as ruas vazias parecem nao ter vida naquela nova cidade. VIDE, como eles falam, VAZIO como o medo do que vira, da VIDA como ele sempre soube sentir.

Encontra pessoas queridas, falam de muitas coisas, bebe vinho e como queijo. Este sabor da França é maravilhoso! Volta ao alojamento e esta sozinho, nao mais como antes.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Intervalo comerciail - Ar Condicionado

Ha mais de 12h ele so respira ar condicionado, esta todo ressecado por dentro, isso ajudou a secar as lagrimas. Comeca a ver as cores do lugar.

Patrocinio ARno e tintas Sul-vinil

Garoto propaganda Caio Blat.

23/11/2009

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Relato de uma tempestade - Primeira Chegada

Ele chegou como quem nao estivesse em nenhum lugar. Olhos mortos, rosto duro, vontade de nao ser. O relaxante muscular o fazia adormecer por dentro e se havia alguma beleza no lugar chegado, ninguém sabe, ninguém viu. Imaginava os disfarces, os dias representando outra coisa imaginada por outra pessoa. Repeticao de falas e gestos. Sabia que o efeito do remédio seria constante nessa viagem. Sem sorriso e adormecido, sonhava com o dia de retorno ao lugar de partida, mas agora apoia o rosto na mao aguardando o momento da outra chegada e o ouvido mergulhado no mais profundo mar ou quem sabe no utero, de onde nunca deveria ter partido.

22/11/2009 (primeiro capitulo)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Relato de uma tempestade

Vem a proxima novela da internet. Estou escrevendo capitulos pequenos para publicar sobre a viagem, coisas q acontecem, sentimentos, enfim... aguardem o tempo melhorar e eu poder escrever mais. Estou sem contato com a internet.

Para os amigos, estou bem e a viagem esta tranquila. Trabalhando muito e muito frio, nao sinto as pernas ha 3 dias.


Ate a estreia de Relato de uma tempestade!!!!!!

ps- sem acento pq o teclado frances è diferente.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Um dia de trovão, metais e olhos abertos

Hoje foi dia guerra, luta, brabeza. Entrei no turbilhão e só agora me dei conta que sou regido por Xangô, Ogum e Oxalá. Os dois primeiros agiram forte durante o dia e o terceiro acalmou minha noite. A ordem dos nomes está pelo que saiu nos búzios, explico para evitar confusão depois comigo mesmo.

Espero que eles me acompanhem na viagem, me protegendo das energias negativas, acalmando meu coração para realizar um lindo trabalho, embora a vontade seja de ficar. Vou firme e forte, brigando pelo que acredito, exigindo respeito, firmando meu pensamento no meu bem estar.

Lendo sobre cada um dos orixás vi, claramente, como me identifico com alguns elementos de cada um. Amanhã só quero leveza e coisa boa no coração. Dia 06/12 estou de volta e fecho um ciclo complicado para abrir outros iluminados.

Shango ou Xangô - orixá dos raios, trovões, grandes cargas elétricas e do fogo. É viril e atrevido, violento e justiceiro; castiga os mentirosos, os ladrões e os malfeitores.

Xangô era forte, valente, destemido e justo. Era temido, e ao mesmo tempo adorado. Comportou-se em algumas vezes como tirano, devido a sua ânsia de poder, chegando até mesmo a destronar seu próprio irmão, para satisfazer seu desejo. Filho de Yamasse (Torosi) e de Oraniã, foi o regente mais poderoso do povo yorubá. Ele também tem uma ligação muito forte com as árvores e a natureza. Da natureza, ele conseguiu profundos conhecimentos e poderes defeitiçaria, que somente eram usados quando necessário. Tem também uma forte ligação comOxumaré, considerado por ele como seu fiel escudeiro.


Ogum (em yoruba: Ògún) é, na mitologia yoruba, o orixá ferreiro, senhor dos metais. O próprio Ogum forjava suas ferramentas, tanto para a caça, como para a agricultura, e para a guerra.

Na Santeria Ogum representa o solitário hostil que vaga pelos caminhos. É um dos quatro Orishasguerreiros. .

No Candomblé Ogum é o Orixá ferreiro dono de todos os caminhos e encruzilhadas junto com seu irmão Exu, também é tido como irmão de Oxossi e uma ligação muito forte com Oxaguian de quem é inseparável, aparece como o Senhor das guerras e demandas.

Em todas as suas encarnações, segundo as diferentes crenças, Ogum é impetuoso e de espírito marcial. Ele pode ser muito identificado com do sexo masculino (Shangô) ou feminino, além de poder possuir características homossexuais para alguns grupos, segundo o antropólogo Luiz Mott. Ele também está relacionado com o sanguee, por esse motivo, muitas vezes é chamado para curar doenças sangüíneas.

Seus "filhos" aqui na Terra são pessoas fortes, que lutam na vida, são pessoas guerreiras que não descansam por nada, sempre ativas, combatem tudo. São verdadeiros peões. São pessoas corajosas, sem medo de se arriscar. São sérias e perseverantes. Tendência aos extremos: ou defende a polícia, ou foge dela.




Oxalá é o Orixá associado à criação do mundo e da espécie humana. Simboliza a paz, é o pai maior nas nações das religiões de tradição africana. É calmo, sereno, pacificador, é o criador, portanto respeitado por todos os Orixás e todas as nações. A Oxalá pertence os olhos que vêem tudo.

As pessoas de Oxalá são calmas, responsáveis, reservadas e de muita confiança. Seus ideais são levados até o fim, mesmo que todas as pessoas sejam contrárias a suas opiniões e projetos. Gostam de dominar e liderar as pessoas. São muito dedicados, caprichosos, mantendo tudo sempre bonito, limpo, com beleza e carinho. Respeitam a todos mas exigem ser respeitados.


http://pt.wikipedia.org/wiki/Xangô

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ogum

http://pt.wikipedia.org/wiki/Oxalá

* Infelizmente não tive acesso ao nome dos artistas que fizeram as ilustrações deste post

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Bete Balanço

Cazuza é meu ídolo. Hoje terá um programa em sua homenagem na TV Globo, resolvi publicar a letra de uma música dele quando estava junto ao Barão Vermelho e retrata a insegurança do artista, retrata a dificuldade de seguir um sonho, mas com esperança. Estou precisando dessa esperança porque já não acredito que possa haver respeito pelo artista nesse Governo de m.......


Todos sabem que viajo sábado para um projeto que fui convidado, não pedi para participar, me convidaram, insisto e viajarei sem um tostão, porque o pagamento eles disseram só sairá semana que vem. Como irei para outro país sem dinheiro? Por que não se organizam para pagar ao artista o que lhe é de direito. A SECULT insiste em torturar os artistas que dependem dela, é sadismo demais fazer o artista sofrer, chorar, se inquietar e depois tem que chegar no palco e agradecer ao GRANDE apoio que deram. Enchi o saco. Enchi o pote!


Pode seguir a tua estrela
O teu brinquedo de star
Fantasiando em segredo
O ponto aonde quer chegar

O teu futuro é duvidoso
Eu vejo grana, eu vejo dor
No paraíso perigoso
Que a palma da tua mão mostrou

Quem vem com tudo não cansa
Bete balança meu amor
Me avise quando for a hora

Não ligue pra essas caras tristes
Fingindo que a gente não existe

Sentadas, são tão engraçadas
Donas das suas salas

Quem tem um sonho não dança
Bete Balanço, por favor
Me avise quando for embora

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Oração ao tempo agora

Hoje queria fumar um cigarro sem culpa, ver o pôr do sol sem medo, dormir tranquilo sem tarefas ao acordar.

Comemorar com sinceridade as conquistas do trabalho, acreditar que estou no futuro que planejei para mim, sem esperar o reconhecimento que já deve ter chegado em algum momento e eu muito ocupado não percebi.

Hoje queria beijar na boca do namorado, descansar a mente, o corpo e o coração das agonias cotidianas.

Queria olhar o mar como uma oração, dar férias às minhas mãos de todos os projetos, burocracia, notas fiscais, aborrecimentos.

Hoje queria minha cidade linda! Queria curar a garganta do choro travado. Hoje eu precisava ouvir Mônica Salmaso, bem baixinho, assim. Hoje eu queria ser Cazuza sem ter fim. Escrevo à tarde porque já é madrugada em mim.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Homofobia

Ontem comemorei o aniversário de uma amiga muito importante. Churrasco, cerveja, gargalhada, amigos, tudo perfeito num domingo de sol brilhante. Quase no final da festa uma convidada, visivelmente irritada com o noivo que dançava com sua irmã, começou a desfiar agressividade e jogava sua revolta nos gays. Não entendi o que acontecia, o porque dela falar dos "viados" da praia que estavam mais cedo e repetia que não tinha homens para olhar, que só tinha "viado" e seu tom carregava ódio e eu pensava se deveria me manifestar ou não. Tenho esta mania de brigar com coisas que eu considero estúpidas. É porque acredito que aquele discurso espalhava sementes de homofobia em quem já não é tão imune a isso e daquela besteira poderia sair barbaridades que me ofendessem. Reivindiquei com leveza e humor, mas meu coração se entristeceu.

Por isso acredito que devemos buscar possibilidades reais de combater essas atitudes que se tornam em crimes graves. Eu votei e disponibilizo aqui o site do Senado Federal, onde fizeram uma enquete para saber a opinião da população sobre projeto de lei (PLC 122/2006) que pune a discriminação contra homossexuais.

Acesse o site do Senado clicando aqui: http://www.senado.gov.br/agencia/default.aspx?mob=0


Desça a página e procure no lado direito pela opção: Enquete e vote em SIM e digite o número de confirmação, que significa que você é a favor da aprovação da lei. A votação encerra em novembro.
Por favor vote e passe adiante.

sábado, 14 de novembro de 2009

Emendando um no outro



Saindo de uma apresentação e já me preparando para outra, em outro país, outra energia, outra coisa. O corpo/coração/mente sendo atravessado por informações variadas e sem tempo de degustar cada uma. Espero o tempo de calmaria para ver no que isso tudo vai dar. A sensação agora é boa, de dever cumprido com qualidade e prazer. Quando finalizar o ano conseguirei dizer algo concreto, talvez não.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Como se fosse email

Oi pessoal, estarei me apresentando sexta-feira, 13/11, 20h, no teatro do ICBA, entrada franca, no projeto Outras Danças, que é o resultado da residência artística promovida pela FUNARTE e pela FUNCEB, entre artistas brasileiros e franceses. Fui convidado a pesquisar junto a CIA ARTMACADAM e convidamos o músico Deco Simões para juntar-se a nós nesta pesquisa. Dividiremos a noite com outros dois artistas, Fernando e Guilaume, que também participam de uma segunda residência. Após as apresentações, haverá um bate-papo sobre o processo criativo de cada uma.

Foto Edu O.

Toda a programação do evento é gratuita e acontece em vários espaços e horários diferentes até sábado: ICBA (onde me apresento sexta-feira), Palácio da Aclamação, Escola de Dança da UFBA, SESC Pelourinho. Fiquem atentos!

Grato pela atenção e aguardo a presença de vocês.

Edu O.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Versinho para um amor demais


Amor também transborda

E quando a gente acorda

Já transbordou

Estou pensando em fechar a represa

Do querer bem

Embora não te esqueça

Embora seja tua minha beleza

Embora seja mar nos olhos

Esse vai e vem

Texto escrito no meu velho all star num show de paulinho moska em Conquista AGO/2006

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Entrevista


Estou me sentindo muito chique. Agora estou no blog de Clênio Magalhães numa entrevista sobre minha trajetória na dança, meus sentimentos em relação as políticas públicas voltadas para a arte, um pouco de minha história pessoal. Ficou bem legal. Vale a pena conferir:


Clênio (Keu) é uma das pessoas mais importantes na minha vida, porque foi ele o responsável por minha iniciação na dança. É um amigo extremamente carinhoso, inteligente, criativo. Um dos melhores artistas que conheço. Tive o privilégio de compartilhar momentos de criação quando ele morava aqui em Salvador até concluir os estudos na Escola de Dança da UFBA e depois retornou a Governador Valadares, sua cidade natal. Lá desenvolve um trabalho educacional com a Dança em Universidades e escolas. Por isso é uma honra ser o primeiro desta série de entrevistas que ele pretende publicar em seu blog.

domingo, 8 de novembro de 2009

Fugir da loucura

Este vídeo me deixou muito feliz com o resultado. Fui convidado por essa turma e fizemos juntos um trabalho muito belo e ao mesmo tempo é um depoimento meu sobre o que penso da arte e um pouco sobre a vida.

Espero que gostem.

video

sábado, 7 de novembro de 2009

Outras Danças

Comecei ontem a residência de 10 dias com os dançarinos franceses Wilfrid Jaubert e Helene Charles e também com o músico baiano Deco Simões.

Fiquei muito feliz pelo convite da FUNCEB e da FUNARTE para integrar este projeto. Apresentaremos o resultado da residência na próxima sexta-feira (13/11), 20h, no Teatro do ICBA, Corredor da Vitória.

Depois falo sobre a experiência, agora é somente para dizer que estou num intensivão, imerso nas pesquisas e em sentimentos diversos. Aguardo vocês lá!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Das mãos de minha mãe

Quadro de Sto Antônio
Oratórios em caixa de fósforos e casca de ovo
Quadro do Espírito Santo
Quadro de São Francisco de Assis (meu santo preferido)
Guirlanda do Espírito Santo

Eu sou fã mesmo, o que posso fazer? Ainda bem que tenho o privilégio de ver a arte nascendo ao meu lado, enquanto estou no computador vão surgindo as maravilhas das mãos de minha mãe.
Estou muito feliz ao vê-la retomando uma produção tão intensa e tão bela. Estava na hora de fazer uma nova exposição para brindar seu público fiel e amigo com seu trabalho. Amanhã estarei lá cedinho lhe prestigiando, pedindo que os santinhos protejam seus caminhos, seu talento, suas mãos, assim como a todos que sejam tocarem por seu talento.


"Gamboa de todos os santinhos", de Dinorah Oliveira, a partir de amanhã, 04/11, 16h as 19h, no Teatro Gamboa Nova. A exposição fica aberta até 20/12.

Nesta exposição mainha homenageia muitos santos católicos: Santo Antônio, São Francisco de Assis, Nossa Sra. de Fátima, a Sagrada Família, São joão, Nossa Sra. do Bom Conselho, São Jorge, Nossa Sra. Aparecida, Nossa Sra. das Graças, Senhor do Bonfim, São José, o Divino Espírito Santo e aceita encomenda do santo de sua devoção.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Para ninguém esquecer

Hoje é dia dos nossos mortos queridos... e dos não queridos também, pois não é porque estão mortos que começamos a gostar ou viraram santos.

Nunca esqueci tia Donata, uma morta que eu adoro. Não é aquela que fazia xixi no sapato achando que era o pinico, essa era minha vó. Tia Donata era tia de meu pai e foi aquela que ficou paralítica quando tentava tirar o tição do fogão a lenha segurando César. Era branca, branca, branca. Alva. Cabelos pretos, lisos, lisos, cortados a altura dos ombros. Me adorava e pedia sempre dinheiro aos sobrinhos que iam visitá-la para me dar. Depois do acidente entrevada na cama por muitos anos. O dia todo dizia: a menina está com sede. Minha barriga era enorme de tanta água, pois quando ela dizia isso, eu buscava água no filtro e bebia, mesmo sem querer. Eu dormia com ela, passava horas no quarto em sua companhia. Morreu com 105 anos. Eu vi quando ela morreu. Chorei muito até me tirarem do quarto. Assim como vi minha avó caída da cama.

Ninguém lembra de tia Donata. Só eu. Eu rezo todos os dias para ela, minha mãe, meu pai, meu irmão, meu filho e para quem mais precisa. Rezo na hora de dormir pedindo também proteção aos vivos.

* Histórias dos mortos de mainha que são meus lá atrás.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Uma história de circo

“Vá dormir que o sono ocupa o estômago!”

De tanto ouvir sua mãe falar, o menino, que não tinha o que comer nem com quem brincar, decidiu viver na cama, em cima do colchão carcomido, lençol puído de tempo gasto. Por sorte não tinha problema gastro, apesar da barriga vazia. Sua mãe, ocupada nos afazeres diários, sem muita paciência para esta vida que se colocou a sua frente, não prestava atenção naquele menino deitado, quieto, desamparado.

Seu filho não viu as meninas de Zefa crescerem, nem podia saber se gostava de menina ou menino. Não sabia o que eram essas coisas, nem se havia outras coisas senão o sono sem sonho que alimentava seus dias. Vez em quando, de ano em ano, quando o menino fazia aniversário, sua mãe se empenhava em comprar alguma coisa e lhe preparava um café especial com manteiga no pão, leite e o biscoito que toda hora passa na televisão. De novela ela se ocupava. Da vida dos outros também. O menino então se vestia com qualquer roupa diferente das que dormia e sentava na porta da rua sem amigos, sem pipa, sem carrinho. Nem um bolinho para cantar parabéns. Nem um beijo desejando saúde, felicidades, essas coisas. O menino voltava para o quarto ao entardecer e se estendia sem pensar em nada, apenas em dormir para viver.

Foi numa época de calor infernal que uma barulheira na rua fez mudar seu destino. O menino chegou à janela sem vontade e viu a trupe que animava aquela tarde. Palhaço, locutor, caminhão, trapezista, chipanzé, adestrador, bailarinas e até um anão. As pernas deitadas do menino, sem força, saíram atrás do circo como se dançassem sem ritmo, acompanhando o leão. Viu, surpreso, o levantar das lonas, a arrumação do picadeiro, as jaulas, o cansaço, a tristeza dos animais. Havia uma identificação com algo que não conseguia explicar. Encontrou um colchão ao lado dos cavalos esmirrados e voltou a fazer o de sempre. A turma do circo, sem se dar conta da novidade, seguia sua rotinha de ensaios e do que chamavam de cuidados. Como naquela jaula nunca havia nada, nem ninguém, não davam comida ao menino e talvez por isso, o público começou a visitar aquela atração escondida nos fundos da lona, quieta, deitada, magra. Virou a sensação daquela temporada. Sua mãe, vendo o acontecido, aplaudia e dizia em voz alta: “Eu sempre soube que daria para alguma coisa!”

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Larvárias

Fui tomado por várias larvas, muitas, grandiosas, homem-bicho dentro em mim. As Larvárias me tocaram e sei que será para sempre.

Explicando o surto: hoje acabou o workshop de Máscaras Larvárias ministrado por Adriano Basegio e Daniela Carmona, Cia do Giro (RS), integrando a programação do FIAC Bahia 2009. Esta técnica tem origem em máscaras utilizadas no carnaval de Basel-Suiça e "foram introduzidas no universo teatral na década de 60 pelo francês Jacques Lecoq. Em 1996 fui fazer um curso de especialização na École International Philliphe Gaulier, em Londres, e estudei vários tipos de máscaras, entre elas aslarvárias, pelas quais fiquei encantada, já que elas nos remetem a um espaço poético e delicado. É difícil falar de sangue usando essas máscaras", explica Daniela.

Por ser do universo das sensações, este trabalho toca o mais profundo em nós e as reverberações não são imediatas, permanecem como efeito que pedra faz quando jogada na água. Entrar em contato com as Larvárias me atingiu de forma sutil, mas poderosa e estou grato aos deuses da arte por me possibilitarem este contato que nada mais é do que o contato com o meu próprio sutil.

Os exercícios de concentração, percepção corporal, escuta, sensibilização e atenção aos sentidos nos tiram do trivial, cotidiano e nos coloca num estado-corpo que é tão importante, mas pouco visitado. É uma pena que experiências como essa sejam de acesso predominantemente dos artistas, isso é uma experiência de vida que faria muita diferença nesse mundão de meu deus que anda tão acelerado.

As experimentações com as máscaras me marcaram profundamente, ver no escuro através do tato, olfato, audição... Transformar o corpo-cotidiano em algo sem forma precisa, sem descrever, sem fazer personagem e já sendo, sem tipo, me colocar a mercê da máscara ao invés de me esconder, me revela. Trabalho primoroso dos mestres.

Com ingressos esgotados, sexta e sábado tem apresentação da companhia no teatro Martim Gonçalves da Escola de Teatro da UFBA. Irei me deleitar com o resultado da pesquisa desses artistas de tamanha generosidade. Só quem é generoso pode compartilhar e enriquecer a vida do outro como aconteceu nesses dias. Evoé ao Giro!!!!!

*Fonte http://almanaquevirtual.uol.com.br

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Comemorando a minha vida

As contradições do corpo

Meu corpo não é meu corpo,
é ilusão de outro ser.
Sabe a arte de esconder-me
e é de tal modo sagaz
que a mim de mim ele oculta

Meu corpo, não meu agente,
meu envelope selado,
meu revólver de assustar,
tornou-se meu carcereiro,
me sabe mais que me sei.

Meu corpo apaga a lembrança
que eu tinha de minha mente,
Inocula-me seus patos,
me ataca, fere e condena
por crimes não cometidos.

O seu ardil mais diabólico
está em fazer-se doente.
Joga-me o peso dos males
que ele tece a cada instante
e me passa em revulsão.

Meu corpo inventou a dor
a fim de torná-la interna,
integrante do meu Id,
ofuscadora da luz
que aí tentava espalhar-se.

Outras vezes se diverte
sem que eu saiba ou que deseje,
e nesse prazer maligno,
que suas células impregna,
do meu mutismo escarnece.

Meu corpo ordena que eu saia
em busca do que não quero,
e me nega, ao se afirmar
como senhor do meu Eu
convertido em cão servil.

Meu prazer mais refinado
não sou eu quem vai senti-lo.
É ele, por mim, rapace,
e dá mastigados restos
à minha fome absoluta.

Se tento dele afastar-me,
por abstração ignorá-lo,
volto a mim, com todo o peso
de sua carne poluída,
seu tédio, seu desconforto.

Quero romper com meu corpo,
quero enfrentá-lo, acusá-lo,
por abolir minha essência,
mas ele sequer me escuta
e sai pelo rumo oposto

Já premido por seu pulso
de inquebrantável rigor,
não sou mais quem dantes era:
com volúpia dirigida,
saio a bailar com meu corpo.

(Carlos Drummond de Andrade: do livro Corpo, Ed Record, 1984)

Poema que recitei no enceramento do workshop de Elisa Lucinda e que posto hoje aqui para celebrar mais um ano bailando com a vida e suas poesias diárias.

domingo, 25 de outubro de 2009

Niver de Judite

Há 3 anos ela entrou em minha vida e me transformou. Alguns podem pensar que ela não existe, mas eu e muita gente sabemos onde ela se esconde e nos confundimos com ela. Já me levou por este mundão a fora e sempre quer mais. Finge não voar, mas ganha o céu e os corações de quem a conhece de perto. Aqui uma homenagem a quem faz parte de nossa vida e aos lugares por onde andamos.

Déa, Val, Edu, Fá, Dé Daltro e Sandrinha no Vila
Sandrinha, Rick, Deco e Déa lindamente para Ju
Jo, Rick e Deco musicando Ju no Vila 2007
Cela que cantou no Vila e na Sala do Coro as flowers para Judite e Kika ao fundo
Com Fafis que é parte da vida de Ju, na Sala do Coro
Na Sala do Coro com Cate, quando vencemos o Edital Quarta que Dança 2007
O início de tudo no Café Da Vinci, Judite com Val, Edu, Dina, Nei, Pa e Fau. Dia especial feito por cada um desses.



Aqui, um lindo texto feito por uma amiga muito especial:

A apresentação performática se desenrola diante dos meus olhos...

A minha mente, instigada pelo que vê e sente, me questiona todo o tempo do espetáculo.

Judite... o que é?

Quem é Judite?

Os sons, o canto, a música, a dança, a interpretação. Tudo isto e mais – a reflexão: precisamos voar.

Libertos das cascas, dos conceitos e preconceitos, precisamos voar cada vez mais alto sobre todos os obstáculos.

Judite... o que é?

Quem é Judite?

Do emaranhado da saia de Judite surgem objetos e objetivos.

Judite somos todos nós. Em todos nós Judite está e é.

Lave a alma. Chore de alegria. Edu/Judite, mais uma vez vai além, voa suplantando todas as expectativas.

Eu te amo Edu!

Volto pra casa ouvindo os Beatles. A minha Judite chora... saudades de 1967 – primeiro grande vôo...

Judite, quero continuar a voar !

Fátima Gaudenzi

Em 13 de abril de 2007.


* Faltou o registro com Márcia Castro, Thiago Carvalho, Danilo Novais, Poilana Bicalho, Clênio Magalhães que também fizeram Judite voar também

** Fotos de Célia Aguiar, Alessandra Nohvais, Rodrigo Melo, Catarina Gramacho, Nei Lima, Fabienne Frossart, Agnés Bertone, Flávia Motta, Rico Oliveira

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Nojo de vômito

Estou cansado de brigar sempre pelo mesmo assunto, pelo mesmo problema que jogam em minhas mãos como a brincadeira "batata-quente".

Em dois dias passei por situações semelhantes em dois eventos diferentes. Ontem fui convidado a participar de um colóquio sobre acessibilidade promovido pela Secretaria de Educação da cidade, chegando lá não pude subir ao palco porque os arquitetos não acreditam que pessoas com deficiência têm o que falar e os organizadores dos eventos não têm o devido respeito aos seus convidados e não providenciam meios de acessibilidade para facilitar suas vidas, acreditam que o velho jeitinho de arranjos é uma boa saída.

Me recusei a subir ao palco carregado e comecei me fala junto a platéia. Lógico que reclamei da falta de respeito e de forma sutil disse que todo o discurso de acessibilidade que se pretendia ali seria nulo, porque eles não cumpriam o que pretendiam num detalhe que faria toda diferença.

Hoje foi a conclusão do workshop de poesia falada que Elisa Lucinda ministrou esta semana na Faculdade 2 Julho e onde eu melhorei meus dias desde segunda-feira. Elisa faria uma palestra numa conferência sobre Direitos Humanos e seus alunos encerrariam sua fala recitando poemas de autores diversos.

Cheguei sabendo que já teria um problema pela frente que era a escada que levava ao auditório. O que eu não esperava era a falta de respeito e de preparo das pessoas que a frente da tal conferência. Para começar mandaram eu esperar embaixo, enquanto eu esperava chegou uma feladaputa dizendo para eu assistir no telão posto no refeitório, outra me perguntou se eu precisava de ajuda para subir e eu só cruzei os braços e olhei fixamente nos olhos, depois dois senhores me carregaram na cadeira de rodas e chegando ao topo da escada um me falou "tá vendo? já chegou!" como se tivesse sido a coisa mais natural e fácil do mundo, para completar outro coleguinha concluiu a noite: "pronto, o problema acabou!".

Não! Não, meu senhor! O problema acabava de começar! Com sangue na garganta e olhos marejados de tristeza e raiva eu tive que ouvir justificativas infundadas e explicações ridículas das pessoas daquela instituição. Pensei em desistir de falar meu poema, sair, me recusar a compactuar com aquilo, mas não, falei meu poema lindo de Drummond e ao término desrespeitei o protocolo, interrompi o coito e bradei:

Acessibilidade também é assunto de Direitos Humanos!

e gosto de dar nome aos bois para se envergonharem. A impressão que tenho é que as pessoas vomitam o belo discurso sem saber do que estão falando, sem compreenderem do que se trata realmente, acusando o outro, a sociedade. Não percebem que somos nós que fazemos a merda toda.

Eu morro de nojo de vômito.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Mar a vista

Pela primeira vez

Eu descobri

Você

Quando te vi

Me perdi

Não se vista

Foi um mar a vista

Foi a primeira

Foi amar a primeira vista

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A surpresa

Minha Judite ganhou um presente lindo e eu uma surpresa!

No dia das crianças, uma amiga me convidou para uma surpresa. Como havíamos nos prometido uma farrinha que nunca fizemos, achei que era a oportunidade e que a surpresa não era tão novidade assim.

Logo quando ela chegou com a turma para me buscar, vi que as coisas não seriam como imaginava, mas acompanhei o farrancho com alegria de criança, desconfiando do que viria.

Entramos na Livraria Saraiva e lá estava minha Judite em forma de estorinha para contar para crianças. Ana Luiza e Drica Rocha fizeram uma versão linda da minha lagarta que me enche os olhos até agora de emoção. Chapeuzinho lilás de feltro, cenário num avental colorido, borboletas que voam com as pipas, lagartinha laranja e as crianças e as crianças/adultos atentos à minha estória que já não era tão minha, havia se transformado em nossa. Transformação inerente à vida de qualquer lagarta.

A companhia de Diane (a convidadeira), Dan, Caco, Ana Amélia e Mateus completou a alegria. Pena minha mãe ter chegado à livraria e não ter sido informada onde ocorreria aquele momento de tanta delicadeza e arte e não ter presenciado a homenagem.

Surpresa boa danada!!! Presente que irá me acompanhar para vida toda. Vontade de compartilhar, colocar Lu no bolso e sair com ela para espalhar nossa estorinha pelos 4 cantos do mundo. Que mundo lindo ela me deu naquele dia. Em poucos minutos perdi todos os medos e minha Judite voou para os lugares mais belos: amizade, simplicidade, delicadeza, generosidade, cor, riso, alegria....

Vai, minha filha que este é o mundo que sonhei para você!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Desculpe



Desculpe

Não tenho tempo agora

Eu estou de saída

Vou dizer ao mundo

Que o sorriso voltou

Para a minha vida

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Um sonho

Sonho um dia ver

Que é a faca quem sangra

Quando corta a carne

E que são os dedos que caem

No mal-me-quer das flores

Um dia a dor dói apenas

Em quem faz doer

E que cego, é na verdade,

Aquele que o remorso não vê

O mar, um dia, secará em mim

E o seixo é o coração

De um peixe ruim

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

domingo, 4 de outubro de 2009

O show da dança

Apero Impro Dance (França 2004)


Venho refletindo bastante sobre a dança, sua função, sua existência na vida das pessoas. Salvador é uma cidade altamente dançante. Os corpos ao se movimentarem constroem uma linda dança, coreografia, arte de rua. Então por que as pessoas não se interessam muito pelo produto dança? Por que os espetáculos de dança contemporânea não atraem outro público senão os próprios artistas da dança? Lógico que estou falando de maioria, não de exceções. Nem estou falando também de espetáculos produzidos por academias que exigem que suas alunas vendam os ingressos e se não venderem têm que comprar sua parte. Boa tática para ter platéia lotada e dinheiro no bolso.

Ontem uma amiga falou que não gosta de "show de dança". Hoje na revista Muito tem uma entrevista com Dulce Aquino, Diretora da escola de Dança, com colocações muito pertinentes. Durante o projeto Euphorico que participei junto ao Grupo X de Improvisação em Dança e Cia Artmacadam, conversamos muito sobre como atrair o público para nossas performances.

Muitos alegam não entender a dança contemporânea, assim como não gostam de trabalhos visuais abstratos, intervenções e instalações porque não entendem. Acham os trabalhos herméticos. Os abstratos até convivem mais harmoniosamente no nosso cotidiano porque combinam com o sofá, mas não se pode colocar um dançarino na parede ou embaixo da luminária para decorar a sala. Será que estou levando minha reflexão na direção certa? Não penso que seja função do artista fazer seu trabalho pensando num público ou em números, mas de que forma podemos popularizar mais a arte que não seja entretenimento? Há muitos trabalhos interessantes, importantes para uma reflexão da contemporaneidade (vida, homem, cidade, valores...) que ficam fechados sempre ao mesmo grupo. Adoraria que aquela moça que agora passa na esquina sentisse vontade de sair hoje à noite para me ver e chegando lá meu trabalho pudesse de alguma forma tocá-la e fazê-la refletir, ou então que a amiga que não gosta do show de dança se permitisse a experimentar estados diferentes de corpo e percepção.

Este post é apenas uma reflexão, sem imposições ou julgamento. Apenas querência. Acordei com essas questões e sem respostas, sem soluções.