Mais uma vez o mesmo pesadelo: o mar e uma grande onda vindo em sua direção. Ele estava na casa de um amigo, sem vontade de estar, cumprindo outros desejos, uma amiga chega à festa e não se demora, ele segue com ela contrariando o outro, o mar invade a casa como coisa natural, a amiga o carrega impedindo o afogamento pelo peso das asas nos pés, descem escadas alagadas com ondas enormes batendo em seu rosto e a amiga firme, impede o afogamento, tudo na maior calma como coisa natural. Somente ele sabe da aflição que sente.
Água de café fervendo, pensa nas putas de Paris. Ninguém entende quando ele diz que o melhor de Paris são as putas e os camelôs. Onde ele está agora interditaram as putas, lhes fecharam as ruas, assim como fecham as janelas. Todas as janelas aqui são fechadas e ele não entende e deseja um mar de putas e suas gargalhadas e vida nos olhos.
Relato de uma tempestade (quarto capítulo, 28/11/2009)