Marilyn


foto de Tiago Lima


Apresentação

Ah, se eu fosse Marilyn é uma performance que a partir da construção/desconstrução de imagens corporais e do cotidiano de uma travesti, reflete sobre a passagem do tempo, o encher e esvaziar que é a vida, como uma ampulheta. O tempo que nos consome e nos transforma impõe a necessidade de olharmos mais de perto os anseios antigos, os modelos que escolhemos seguir. Somos educados dentro de uma lógica onde o tempo é linear como uma escada, onde devemos subir degrau por degrau. E aonde chegamos? Quando chegamos? A forma cíclica, inconstante e impermanente como a vida vai se apresentando, nos propõe outras reflexões. Quais as rotas e pistas me guiaram até aqui? Que rastros vou deixando pelo caminho... E o tempo segue sempre inexorável.

Uma proposta artística que versa sobre os padrões corporais e morais que se impõem às individualidades e particularidades de cada um. Busca de forma sutil e imagética o respeito às diferenças, tolerância às escolhas pessoais e o exercício do coexistir.


Concepção Cênica

A dramaturgia deste espetáculo propõe a imagem de um homem travestido, enterrado em confetes até a cintura, fazendo ações do dia-a-dia doméstico como: ler um livro, observar o tempo, pentear cabelos, se maquiar. Olha-se no espelho e não vê aquele que pretendia ser. Cabelos falsos, loiros, boca borrada, livro na mão.

Enterrado como a personagem Winnie do texto Dias Felizes, do autor Samuel Becket, vive um mundo instantâneo, questionando o momento presente “o que estamos fazendo com o nosso agora?” e marcado no tempo que se esvazia atravessando o gargalo da ampulheta. Metaforicamente o tempo o engole, digere, transforma... O tempo que se esgota. O tempo de todo mundo. A areia devagarzinho cai, cai para todos. É um agora que pacientemente/impacientemente consome os sonhos, aqueles imaginados, almejados, desejados.

Vivemos um período de competitividade desregrada, onde precisamos provar o sucesso, a superioridade, a ascensão a cada projeto realizado: um emprego, um relacionamento, a escolha profissional, a solteirice, etc. Cada proposição deve vir acompanhada de soluções precisas e imediatas para a resolução de seus problemas. Não temos tempo a perder ou ganhar, ir vivendo a fragilidade de nossas relações com o mundo.

A figura do travesti é escolhida por representar esse anseio de ser o impossível, por haver, mesmo que minimamente, um traço de frustração por não chegar a ser a mulher pretendida ou das frustrações de desejos inalcançados pelas próprias imposições da vida, pelas próprias escolhas e caminhos traçados. Ah, se eu fosse Marilyn! O sonho de realização, sucesso, reconhecimento, poder... Marilyn Monroe, ícone da beleza ocidental, do feminino, sonho da juventude eterna, exuberância, da realização também era uma representação de algo impalpável, irreal, transformada em mito que não correspondia ao que representava na vida real. No fundo, vivia insatisfeita querendo ser reconhecida pelo talento de atriz que sempre foi ofuscado por seu rosto perfeito e corpo escultural, embora tenha “chegado lá”.


Lá estava o meu nome iluminado. Eu disse `Deus, alguém cometeu um erro`. Mas lá estava, todo iluminado. E eu sentei e disse, `Lembre-se você não é uma estrela`. Porém, lá estava todo iluminado.

Marilyn Monroe



fotos Catarina Gramacho


fotos Pablo Cordier 



Ficha Técnica:
Criador e Intérprete: Edu O.
Classificação: LIVRE
Tempo de duração: 20 min

Trajetória de apresentações e prêmios

Prêmio
Performance premiada no Salão de Artes Visuais da Bahia 2014

Apresentações
- Exposição das obras premiadas do Salão de Arte Visuais da Bahia, no Museu de Arte Moderna/Salvador (2014)
- Salão de Artes Visuais da Bahia 2014 (Camaçari)
- VI Seminário de Pesquisa em Dança da Universidade Federal do Pará (2013)
- Cultura no Campo 2013
- Projeto Abril O Corpo 2013
- Edital Quarta que Dança 2011 - FUNCEB/SECULT-BA (apresentações nas praias do Porto da Barra, Paripe e Ondina)
- Residência artística Projeto do Ar – Prêmio Klauss Vianna - Itacaré - 2010



foto de Tiago Lima

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