sábado, 8 de setembro de 2018

Quando entrou Setembro

Quando entrou Setembro, já anunciavam-se viagens, encontros, trocas e aprendizado. Sigo para uma série de eventos em Belo Horizonte, Araraquara e Belém. Vai ser uma delícia!




I ENCONTRO CORPOS MISTOS e 
II CONGRESSO AUTISMO – DANÇA E EDUCAÇÃO 
UFMG - Belo Horizonte - MG

12 de setembro  

14h às 17h30min 
Mesa Redonda: Inclusão em Debate 
Auditório EBA - UFMG

19h às 21h 
Jam Improvisação - Dança, Teatro e Música 
(conduzida por Edu O. e Anamaria Fernandes)
Sala Preta - Curso de Licenciatura em Dança - UFMG

13 de setembro

9h30min às 11h30min 
Oficina de Dança com Edu O. 
Sala Otávio Cardoso - Teatro Universitário - UFMG

14h30min às 17h30min 
Mesa Redonda: Entrelaçamentos Éticos e 
Estéticos da Diferença 
Auditório da EBA - UFMG



FESTIVAL INTERNACIONAL DE DANÇA DE ARARAQUARA
Araraquara - SP

19 e 20 de setembro

9h às 12h 
Mini-curso para docentes 
Acessibilidade e Políticas Públicas 
Centro Internacional de Convenção

20 de setembro 

20h 
Espetáculo Odete, traga meus mortos 
Edu O. e Lucas Valentim 
Teatro Wallace Valentin Rodrigues

21 de setembro 

16h às 18h 
Oficina de Dança, acessibilidade e políticas públicas 
Escola Municipal de Dança Iracema Nogueira


XI SEMINÁRIO DE PESQUISA EM DANÇA DA UFPA 
Dança e Diversidade
Belém - PA

25 de setembro

9h30min 
Performance Stripetease-Bicho

10h 
Palestra Trajetória de um Corpo Perturbador

25 e 26 de setembro
16h30min 
Oficina Desejos Destoantes: 
experimentos para diversos corpos dançantes




quinta-feira, 16 de agosto de 2018

ProfanAção - Festival de Curtas de SP



O menino que sonhava em ser protagonista da novela das oito, agora se vê - pela segunda vez - nas telonas do cinema. 

ProfanAÇÃO é um curta babeiro criado por Estela Lapponi, selecionado pelo Festival de Curtas de SP 2018.






domingo, 15 de abril de 2018

Fazendo a festa



Iniciei minha trajetória na Dança em 1998, com o Grupo Sobre Rodas...?, no ano seguinte entrei para o Grupo X de Improvisação em Dança e daí a Dança tomou conta da minha vida e nunca mais nos separamos.

Nesse Mês da Dança, nada melhor do que comemorar meus 20 anos na Dança (assim como os 20 anos do Grupo X) dando aula na Escola de Dança da UFBA e com minha agenda cheia de apresentações. Vem comigo!


foto Andrea Magnoni

19/04 - 19h - performance Striptease-Bicho no Cabaré Covil - Seminário Corpos Políticos - Escola de Dança da UFBA (gratuito)

20/04 - 9h às 12:30 - Muvuca Cênica - Seminário Corpos Políticos - Escola de Dança da UFBA (gratuito)

20 e 21/04 - 19h - Se quiser, deixe sua lembrança! - com o Grupo X de Improvisação em Dança - Festival VivaDança - Teatro Vila Velha($20,00 e $10,00)

23 a 28/04 - residência artística internacional Euphorico: Tujur - com o Grupo X e Cie Artmacadam - 14h às 18h - Festival VivaDança - Teatro Vila Velha (aberto ao público)

26/04 - 19h - Se quiser, deixe sua lembrança! - Abril o Corpo - Teatro Gamboa Nova ($20,00 e $10,00)

27 e 28/04 - 19h - apresentação Euphorico: Tujur - Festival VivaDança - Passeio Público (gratuito)



domingo, 25 de março de 2018

Deslocar paredes

Eu preciso deslocar paredes
Deslocadas
Removidas
Palpitadas
Deslocadas
Comprimidas
Sobrepostas
Sobressaltadas
Soltas das conversas fiadas
Compridas

Eu preciso deslocar paredes
Removê-las
Rebocá-las

Deslocar paredes
Paredes rebocadas
Removidas
Vidas
Vidas deslocadas
Deslocá-las

Lares
Ares
Comprimidos

Paredes de lares comprimidos
Eu preciso deslocá-las
Colocá-las

Removidas
Remo
Vidas


quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Agradecer, celebrar e cuidar do futuro


Balançando 2017


Alguma coisa mudou em mim ao revisitar minha vida sob o olhar muito cuidadoso de Ju Bacelar com a participação na campanha do dia da pessoa com deficiência promovida pelo Ministério Público do Trabalho-SP em parceria com a Organização Internacional do Trabalho. Video acessado por mais de 90 mil pessoas, pelo qual recebi muito afeto e encontrei parceiros de trajetória semelhante. 



Repeti como mantra os versos da canção de Roberto Mendes e Jorge Portugal: 

Quanto mais a gente ensina, mais aprende o que ensinou




Um ano Bonito de amadurecimento e amizade com Lucas Valentim, William Gomes, Lulu Pugliese, Olga Lamas, Lia Lordelo, Paula Lice, Taty Hayne, Raiça Bonfim, Junior Oliveira, Moisés Victório, Neila Kahdi, Mayra Lins, Aldren Lincoln, Daniel Guerra, Iracema Vilaronga, Juniro Almeida, Cintia Santos, Ana Brandão, IBCM, Instituto de Cegos da Bahia...

Que bom tê-los perto!


A poesia tomou conta do olhar - livro Bonito 
escrito por mim e Lucas Valentim, com ilustrações de Aldren Lincoln e William Gomes

Com Bonito veio também Carroça-Bonito, com William Gomes



Um evento acadêmico se tornou momento de puro amor - I Enicecult


Nus e (des)graçados foi abalo cósmico com Estela Lapponi


Dublei, arrochei, me acabei com o Striptease-Bicho, no Cabaret Drag King


O Grupo X de Improvisação em Dança bombou com Ana tem medo do escuro


E eu vivi momentos inesquecíveis com o Euphorico



Judite me proporcionou um novo encontro com o Caboclo Arthur Scovino, 
no Seminário Diversidade e Inclusão no Trabalho, promovido pela OIT e MPT-SP.




E 2018 promete muito mais. Evoé! Que assim seja!



 Daqui a pouco começaremos as comemorações

projeto 20 anos do Grupo X

20 anos que comecei a dançar

Euphorico

encontro com Estela Lapponi

no segundo semestre vem também Kilezuuummmm com João Rafael... 

ou seja, se preparem!


terça-feira, 7 de novembro de 2017

JUDITE O FILME





Todo jardim é o início dos voos de uma lagarta.
Mesmo sem asas, eu aprendi a voar sonhando com as pipas correndo no quintal da casa 53 de um bairro distante daquela cidade pequena do interior.
Para voar é preciso equilibrar o ar – respira e vai sem medo das tempestades que com certeza virão.
Sempre preferi os dias chuvosos, cinzentos. O azul intenso do céu me assustava e eu corria para a barra da saia de minha avó enquanto me inebriava com o cheiro dos doces que ela fazia e me acalmava impedindo que eu chorasse.
Eu nunca consegui chorar, embora tenha um nó na garganta desde que nasci.
Dizem que não podemos fugir do nosso destino. Talvez, o meu seja esse nó que não desata, essa asa que não cresce, essa lágrima que não desce.
Mas, eu queria ter muitos destinos e no meio de tanto querer fui inventando de inventar um monte de invencionices e a maior delas foi que inventei um Jardim só para mim onde eu pudesse compartilhar olhares, afetos, amores.
Um Jardim que se transformasse num mundo e me fizesse voar, mesmo sem sair daquele quintal.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

MANIFESTO PARA UM CORPO EM ESTADO DE NUDEZ





MANIFESTO PARA UM CORPO EM ESTADO DE
NUDEZ
Nós, da Escola de
Dança da Universidade Federal da Bahia nos declaramos, declamamos, dançamos em
comum à polifonia de atuações, em crítica plena e sistemática às subjetividades,
que se pretendem acima das leis de nosso país.
Características
subjetivas devem se manifestar a todo e qualquer tempo! Sem, todavia, tolher,
execrar, censurar, violar... o que ou quem quer que seja.
A Arte não está
desvinculada da sociedade da qual faz parte e tem o livre direito de expressão,
como toda e qualquer manifestação.
Não podemos aceitar
falsos moralismos.
Não permitamos que
este momento cruel, pleno de repressões subjetivas, nos tornem culpados de algo
que a Arte não é.
Não admitamos as fake news as pós-verdades!
Queremos especificar
nosso lugar de fala e estar em comum ao artista da dança Wagner Miranda
Schwartz.
Afirmamos o seu
estado de nudez como uma única possibilidade para o trabalho apresentado.
Uma nudez como um
figurino.
Uma qualquer
cobertura seria uma hipocrisia!
Não deixemos que uma
pulsão de vida seja tornada uma pulsão de morte!
Não deixemos que o
corpo seja visto como uma arma de violação!
Ataque à rejeição do
corpo!
Amamos o corpo.
Nudez como
conhecimento. É crua, bruta.
Qualquer sexo para a
nudez é possível.
Sexo sem
sexualização.
Uma nudez que cabe.
Uma nudez sem idade,
por isso cabe criança, cabe adolescente, cabe jovem, cabe adulto, cabe idoso.
Uma nudez de relação
entre gerações.
Uma nudez em estado
de ludicidade!
Nudez
como potência.


Nudez como estado no
mundo, como animal humano, como bicho, como La Bête.

sábado, 13 de maio de 2017

Striptease-bicho

Nessa performance, Edu O. é bicho gostoso de se comer com olhos, mãos, dedos... Na terra das curvas dos quadris, das cinturas e seios de tantas Gabrielas e das bundas de outros tantos Vadinhos que passam por ele, entende que sua sinuosidade é outra, é para outros desejos. As curvas de sua coluna em S atraem outra plateia e incita um outro olhar. Sabe-se sedutor.

Performance apresentada no último dia 09 de maio, no Cabaret Drag King.

foto Juliano Marques


terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Só agradecer

Como se sentir feliz com as conquistas individuais, se o mundo desaba sobre nós com golpes, violência e desamor? Porém, como não ser grato à vida por realizar sonhos? 2016 foi um ano conturbado na esfera macro, mas de muitas realizações no meu "infinito particular" e por isso, só posso agradecer. 

Aqui, a lista de 5 momentos marcantes deste ano:

1) De Março a Junho, realizamos um projeto muito potente e encantador - Um Jardim para Judite - transformando o quintal da Casa 53, em Sto Amaro, num espaço cultural que acolheu performances, artesanato, culinária, música, atendendo a um público diversificado e empolgado a cada mês e em todas as ações.



2) Passei no concurso para Professor da Escola de Dança da UFBA. Isso não é pouco, é um marco, é de grande importância.



3) Comemoramos com muitas ações os 10 anos de Judite:
Lançamento da História em Quadrinhos "Os Destinos de Judite", criada por Luis Augusto e Nei Costa.
Lançamento do curta Um Jardim para Judite, com direção de Jana Leite e narração de Harildo Deda



4) Ainda como ação de comemoração aos 10 anos de Judite, recebemos os amigos da Cie Artmacadam/França para a 12ª edição do intercâmbio Euphorico: Plissê, quando criamos a performance Presente para Judite



5) Para fechar o ano com chave de ouro, nós do Grupo X de Improvisação em Dança (eu, Fafá Daltro e Andréa Daltro) participamos da solenidade de outorga do título de Doutor Honoris Causa a Maria Bethânia, na Reitoria da UFBA.


segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Você senta na urina?

Chega um momento em que uma frase ecoa: ELES VENCERAM!
Chega uma hora em que as forças para brigar se esgotam e parece não fazer sentido gritar o acontecido que se repete, repete, repete... Ontem eu acordei com o corpo tremendo e devo fico assim sempre que lembrar da falta de dignidade que nos forçam passar. E quando você conquista um feito maravilhoso, como por exemplo ser o único professor cadeirante de Dança de uma Universidade Pública, quando você pensa ter conquistado tanta coisa, você se depara com o impedimento de um direito básico. Ou seja, avançamos em que?
Eu juro que tentei não me expor dessa forma. É humilhante, eu sei, mas não adianta conversar pessoalmente com ninguém, estamos vivendo a era da mídia, da exposição. As coisas só se resolvem se são expostas na internet ou televisão. Se é assim... que assim seja.
Eu perguntei lá e perguntarei aqui novamente: Você senta na urina?
Na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, o deficiente é obrigado a utilizar um banheiro (o único que existe para nós - um para cada gênero) imundo, aberto a qualquer pessoa que se aglomera em filas enormes na porta dos banheiros adaptados. Foi assim quando fui à inauguração no show dos Novos Baianos, foi assim agora no show de Zé Ramalho. Embora, a funcionária do TCA, chamada Ana Paula tenha me dito que eu não dei sorte porque eles cuidam desses banheiros, sim. Eu que não tive sorte nas duas vezes que precisei utilizar. Ainda repetiu que eu pegasse leve com eles porque o TCA não deveria se responsabilizar pela falta de educação das pessoas que sujam o banheiro e ela como mulher também não gosta de banheiro sujo. A funcionária da limpeza ficou muda, num primeiro momento e em seguida afirmou que limpava, sim.
Vamos combinar que a Concha Acústica do TCA não melhorou em nada apesar dos milhões gastos na tal reforma. Para a pessoa com deficiência, inclusive, piorou, pois sem o foço não temos nenhuma visibilidade na parte de baixo e em cima, muito menos quando as pessoas levantam. Agora, inventaram de colocar uma plataforma. Eu disse 1 (uma) plataforma. Nesse último show havia, pelo menos, 6 cadeirantes que eu tenha contado. É constrangedor você disputar com outra pessoa quem será o privilegiado de conseguir ver o artista que você se dignou a pagar caro para assistir. Engraçado, que para esta plataforma havia um funcionário de amarelo, feito poste, guardando para que ninguém se aproveitasse daquele "benefício" que estão nos proporcionando, mas no banheiro, não tem nenhum para fiscalizar a entrada e impedir que quem não seja deficiente utilize o banheiro que é destinado a tais pessoas. Como diz um amigo meu "nós só temos essa opção". Uma criatura, sem noção, ainda tentou entrar na minha frente dizendo que ela também tinha direito por ser idosa. As pessoas são canalhas mesmo ou então são extremamente ignorantes. Adaptado não é o mesmo que preferencia. E se você que me lê não entende essa diferença, vai continuar sem entender por hoje.
Na Concha antiga, havia um banheiro adaptado que guardava o material de limpeza, mas era possível utilizar. Inclusive, a chave ficava na mão de um funcionário que abria sempre que solicitado. Ana Paula talvez não seja dessa época ou não tenha competência suficiente para designar um funcionário para ficar com a chave.
Se você conseguiu chegar até aqui, eu gostaria que você me respondesse mais uma vez: Você senta na urina? Eu nem que quisesse pq preciso me apoiar no vaso para fazer a transferência, eu preciso sentar no vaso, eu preciso encostar no vaso. Você se molharia de urina Fernanda Tourinho, Rose Lima Lima Moacir Gramacho, Ana Paula e todos os responsáveis por esta situação?
Acessibilidade não deve ser pensada como arranjo. Acessibilidade deve ser pensada desde o início do projeto para evitar impedir a pessoa com deficiência de ter acesso aos seus direitos básicos, impedir que a pessoa com deficiência passe por constrangimento, perca sua dignidade. O que a Concha Acústica faz com o deficiente é tirar a sua dignidade. o que me dá mais raiva - e a palavra é RAIVA mesmo - é que todo mundo foi para casa dormir tranquilo depois de um show maravilhoso. Eu me corroí por dentro, eu adoeci, eu chorei, eu tremi como tremo até agora porque vocês não são capazes de pensar no básico, porque vocês não tem o mínimo respeito por nós. E não me venham falar que disponibilizam uma Van para me descer e subir na ladeira. Isso não é mais que obrigação. Acessibilidade não é favor, é LEI, é DEVER do Estado oferecer em todos os prédios públicos, pagos também pelo meu dinheiro. Por falar em Estado, cadê a SUDEF - Alexandre Baroni - que não notificou a Concha pelos absurdos contra as pessoas que vocês deveriam proteger?
Antes de terminar, gostaria de exigir que a Concha Acústica se retrate o mais rápido possível e dê um treinamento - no mínimo - razoável para seus funcionários não virem com justificativas vexatórias e pedirem para que eu pegue leve com vocês. Você não pegam leve comigo, nem com meus pares. Nos respeitem!!!!