domingo, 18 de novembro de 2018

Dançando Novembros

Dançar, talvez, seja o que mais me revela, diz quem eu sou, me faz feliz, me coloca no mundo! 

Sem a Dança eu não sei o que seria. 


Ana tem medo escuro - Grupo X
foto Nei Lima


Acho bonita essa nossa relação - minha e da Dança - quase improvável quando eu, ainda criança, me sabia artista da cena, mas não me via nela. 

Eu/nós não existia/existíamos em cena, a não ser como aberrações. Hoje, me percebo em meio a outros pares, agentes transformadores, políticos, necessários para transformações de paradigmas, padrões.

Ao longo de 2018, tive - continuo tendo - uma agenda cheia de colheitas do que plantei durante minha vida:

- Ano intenso como professor e pesquisador na Escola de Dança da UFBA e aprender junto com os estudantes (quanto mais a gente ensina mais aprende o que ensinou) nas aulas e nos projetos propostos por eles (Kathleen, Will, Bia e Gustavo);


Audionudescrição com William Gomes
foto William Gomes


- Comemorar os 20 anos do Grupo X com programação intensa, desde Janeiro (Casarão Barabadá, VivaDança, Praças de Salvador, Palacete das Artes);


"Se você quiser..." apresentação no Largo do Santo Antônio


- Ver Bonito se consolidar e participar de importantes eventos na Bahia (Mostra Braskem, Festival Aldeia Velho Chico, FIAC, Jornada da Dança);



Bonito - foto Aldren Lincoln


- Conseguir realizar o Euphorico;

- Ser convidado para palestras e oficinas em diversos lugares (inesquecíveis México, BH, Araraquara, Pará...)

- Participar de ProfanAção - curta de Estela Laponni que é reboliço para quem vê;

- Viver a experiência Kilezuuummm - projeto que é afago e transformação, verdade e poesia, amor, amor, amor derramado...



Kilezuuummmm com João Rafael Neto
foto William Gomes

Obs.: Prestem atenção na agenda ao lado e venham prestigiar nossa programação






quinta-feira, 25 de outubro de 2018

A Floresta - Kalil Gibran

Na floresta não existe nem rebanho nem pastor
Quando o inverno caminha
Segue seu distinto curso como faz a primavera
Os homens nasceram escravos daquele que repudia a submissão
Se ele um dia se levanta e lhes indica o caminho
Com ele caminharão
Dá-me a flauta e canta
O canto é o pasto das mentes
E o lamento da flauta perdura mais que rebanho e pastor.


Na floresta não existe ignorante ou sábio.
Quando os ramos se agitam a ninguém reverenciam
O saber humano é ilusório
como a serração dos campos que se vai quando o sol se levanta no horizonte.
Dá-me a flauta e canta
O canto é o melhor saber
E o lamento da flauta sobrevive ao contilar das estrelas.


Na floresta só existe lembrança dos amorosos.
Os que dominaram o mundo e oprimiram e conquistaram
os seus nomes são como letras dos nomes dos criminosos.
Conquistador entre nós é aquele que sabe amar.
Dá-me a flauta e canta
E esquece a injustiça do opressor.
Pois o lírio é uma taça para o orvalho
E não para o sangue.

Na floresta não há crítico nem censor
Se as gazelas se perturbam quando avistam o companheiro
a águia não diz: que estranho.
Sábio entre nós é aquele que julga estranho apenas o que é estranho.
Ah, dá-me a flauta e canta
O canto é a melhor loucura
e o lamento da flauta sobrevive aos ponderados e aos racionais.


Na floresta não existem homens livres ou escravos.
Todas as glórias são vãs como borbulhas na água.
Quando a amendoeira lança suas flores sobre o espinheiro não diz:
“Ele é desprezível e eu sou um grande Senhor.”
Dá-me a flauta e canta
que o canto é glória autentica
E o lamento da flauta sobrevive
Ao nobre e ao vil.


Na floresta não existe fortaleza ou fragilidade
Quando o leão ruge não dizem:“Ele é temível.”
A vontade humana é apenas
uma sombra que vagueia no espaço do pensamento
e o direito dos homens fenece
como folhas de outono.
Dá-me a flauta e canta
O canto é a força do espírito
E o lamento da flauta sobrevive ao apagamento dos sóis.


Na floresta não há morte nem apuros.
A alegria não morre quando se vai a primavera.
O pavor da morte é uma quimera que se insinua no coração,
pois quem vive uma primavera é como se houvesse vivido séculos.
Dá-me a flauta e canta
O canto é o segredo da vida eterna
E o lamento da flauta permanecerá após findar-se a existência.



sábado, 8 de setembro de 2018

Quando entrou Setembro

Quando entrou Setembro, já anunciavam-se viagens, encontros, trocas e aprendizado. Sigo para uma série de eventos em Belo Horizonte, Araraquara e Belém. Vai ser uma delícia!




I ENCONTRO CORPOS MISTOS e 
II CONGRESSO AUTISMO – DANÇA E EDUCAÇÃO 
UFMG - Belo Horizonte - MG

12 de setembro  

14h às 17h30min 
Mesa Redonda: Inclusão em Debate 
Auditório EBA - UFMG

19h às 21h 
Jam Improvisação - Dança, Teatro e Música 
(conduzida por Edu O. e Anamaria Fernandes)
Sala Preta - Curso de Licenciatura em Dança - UFMG

13 de setembro

9h30min às 11h30min 
Oficina de Dança com Edu O. 
Sala Otávio Cardoso - Teatro Universitário - UFMG

14h30min às 17h30min 
Mesa Redonda: Entrelaçamentos Éticos e 
Estéticos da Diferença 
Auditório da EBA - UFMG



FESTIVAL INTERNACIONAL DE DANÇA DE ARARAQUARA
Araraquara - SP

19 e 20 de setembro

9h às 12h 
Mini-curso para docentes 
Acessibilidade e Políticas Públicas 
Centro Internacional de Convenção

20 de setembro 

20h 
Espetáculo Odete, traga meus mortos 
Edu O. e Lucas Valentim 
Teatro Wallace Valentin Rodrigues

21 de setembro 

16h às 18h 
Oficina de Dança, acessibilidade e políticas públicas 
Escola Municipal de Dança Iracema Nogueira


XI SEMINÁRIO DE PESQUISA EM DANÇA DA UFPA 
Dança e Diversidade
Belém - PA

25 de setembro

9h30min 
Performance Stripetease-Bicho

10h 
Palestra Trajetória de um Corpo Perturbador

25 e 26 de setembro
16h30min 
Oficina Desejos Destoantes: 
experimentos para diversos corpos dançantes




quinta-feira, 16 de agosto de 2018

ProfanAção - Festival de Curtas de SP



O menino que sonhava em ser protagonista da novela das oito, agora se vê - pela segunda vez - nas telonas do cinema. 

ProfanAÇÃO é um curta babeiro criado por Estela Lapponi, selecionado pelo Festival de Curtas de SP 2018.






domingo, 15 de abril de 2018

Fazendo a festa



Iniciei minha trajetória na Dança em 1998, com o Grupo Sobre Rodas...?, no ano seguinte entrei para o Grupo X de Improvisação em Dança e daí a Dança tomou conta da minha vida e nunca mais nos separamos.

Nesse Mês da Dança, nada melhor do que comemorar meus 20 anos na Dança (assim como os 20 anos do Grupo X) dando aula na Escola de Dança da UFBA e com minha agenda cheia de apresentações. Vem comigo!


foto Andrea Magnoni

19/04 - 19h - performance Striptease-Bicho no Cabaré Covil - Seminário Corpos Políticos - Escola de Dança da UFBA (gratuito)

20/04 - 9h às 12:30 - Muvuca Cênica - Seminário Corpos Políticos - Escola de Dança da UFBA (gratuito)

20 e 21/04 - 19h - Se quiser, deixe sua lembrança! - com o Grupo X de Improvisação em Dança - Festival VivaDança - Teatro Vila Velha($20,00 e $10,00)

23 a 28/04 - residência artística internacional Euphorico: Tujur - com o Grupo X e Cie Artmacadam - 14h às 18h - Festival VivaDança - Teatro Vila Velha (aberto ao público)

26/04 - 19h - Se quiser, deixe sua lembrança! - Abril o Corpo - Teatro Gamboa Nova ($20,00 e $10,00)

27 e 28/04 - 19h - apresentação Euphorico: Tujur - Festival VivaDança - Passeio Público (gratuito)



domingo, 25 de março de 2018

Deslocar paredes

Eu preciso deslocar paredes
Deslocadas
Removidas
Palpitadas
Deslocadas
Comprimidas
Sobrepostas
Sobressaltadas
Soltas das conversas fiadas
Compridas

Eu preciso deslocar paredes
Removê-las
Rebocá-las

Deslocar paredes
Paredes rebocadas
Removidas
Vidas
Vidas deslocadas
Deslocá-las

Lares
Ares
Comprimidos

Paredes de lares comprimidos
Eu preciso deslocá-las
Colocá-las

Removidas
Remo
Vidas


quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Agradecer, celebrar e cuidar do futuro


Balançando 2017


Alguma coisa mudou em mim ao revisitar minha vida sob o olhar muito cuidadoso de Ju Bacelar com a participação na campanha do dia da pessoa com deficiência promovida pelo Ministério Público do Trabalho-SP em parceria com a Organização Internacional do Trabalho. Video acessado por mais de 90 mil pessoas, pelo qual recebi muito afeto e encontrei parceiros de trajetória semelhante. 



Repeti como mantra os versos da canção de Roberto Mendes e Jorge Portugal: 

Quanto mais a gente ensina, mais aprende o que ensinou




Um ano Bonito de amadurecimento e amizade com Lucas Valentim, William Gomes, Lulu Pugliese, Olga Lamas, Lia Lordelo, Paula Lice, Taty Hayne, Raiça Bonfim, Junior Oliveira, Moisés Victório, Neila Kahdi, Mayra Lins, Aldren Lincoln, Daniel Guerra, Iracema Vilaronga, Juniro Almeida, Cintia Santos, Ana Brandão, IBCM, Instituto de Cegos da Bahia...

Que bom tê-los perto!


A poesia tomou conta do olhar - livro Bonito 
escrito por mim e Lucas Valentim, com ilustrações de Aldren Lincoln e William Gomes

Com Bonito veio também Carroça-Bonito, com William Gomes



Um evento acadêmico se tornou momento de puro amor - I Enicecult


Nus e (des)graçados foi abalo cósmico com Estela Lapponi


Dublei, arrochei, me acabei com o Striptease-Bicho, no Cabaret Drag King


O Grupo X de Improvisação em Dança bombou com Ana tem medo do escuro


E eu vivi momentos inesquecíveis com o Euphorico



Judite me proporcionou um novo encontro com o Caboclo Arthur Scovino, 
no Seminário Diversidade e Inclusão no Trabalho, promovido pela OIT e MPT-SP.




E 2018 promete muito mais. Evoé! Que assim seja!



 Daqui a pouco começaremos as comemorações

projeto 20 anos do Grupo X

20 anos que comecei a dançar

Euphorico

encontro com Estela Lapponi

no segundo semestre vem também Kilezuuummmm com João Rafael... 

ou seja, se preparem!


terça-feira, 7 de novembro de 2017

JUDITE O FILME





Todo jardim é o início dos voos de uma lagarta.
Mesmo sem asas, eu aprendi a voar sonhando com as pipas correndo no quintal da casa 53 de um bairro distante daquela cidade pequena do interior.
Para voar é preciso equilibrar o ar – respira e vai sem medo das tempestades que com certeza virão.
Sempre preferi os dias chuvosos, cinzentos. O azul intenso do céu me assustava e eu corria para a barra da saia de minha avó enquanto me inebriava com o cheiro dos doces que ela fazia e me acalmava impedindo que eu chorasse.
Eu nunca consegui chorar, embora tenha um nó na garganta desde que nasci.
Dizem que não podemos fugir do nosso destino. Talvez, o meu seja esse nó que não desata, essa asa que não cresce, essa lágrima que não desce.
Mas, eu queria ter muitos destinos e no meio de tanto querer fui inventando de inventar um monte de invencionices e a maior delas foi que inventei um Jardim só para mim onde eu pudesse compartilhar olhares, afetos, amores.
Um Jardim que se transformasse num mundo e me fizesse voar, mesmo sem sair daquele quintal.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

MANIFESTO PARA UM CORPO EM ESTADO DE NUDEZ





MANIFESTO PARA UM CORPO EM ESTADO DE
NUDEZ
Nós, da Escola de
Dança da Universidade Federal da Bahia nos declaramos, declamamos, dançamos em
comum à polifonia de atuações, em crítica plena e sistemática às subjetividades,
que se pretendem acima das leis de nosso país.
Características
subjetivas devem se manifestar a todo e qualquer tempo! Sem, todavia, tolher,
execrar, censurar, violar... o que ou quem quer que seja.
A Arte não está
desvinculada da sociedade da qual faz parte e tem o livre direito de expressão,
como toda e qualquer manifestação.
Não podemos aceitar
falsos moralismos.
Não permitamos que
este momento cruel, pleno de repressões subjetivas, nos tornem culpados de algo
que a Arte não é.
Não admitamos as fake news as pós-verdades!
Queremos especificar
nosso lugar de fala e estar em comum ao artista da dança Wagner Miranda
Schwartz.
Afirmamos o seu
estado de nudez como uma única possibilidade para o trabalho apresentado.
Uma nudez como um
figurino.
Uma qualquer
cobertura seria uma hipocrisia!
Não deixemos que uma
pulsão de vida seja tornada uma pulsão de morte!
Não deixemos que o
corpo seja visto como uma arma de violação!
Ataque à rejeição do
corpo!
Amamos o corpo.
Nudez como
conhecimento. É crua, bruta.
Qualquer sexo para a
nudez é possível.
Sexo sem
sexualização.
Uma nudez que cabe.
Uma nudez sem idade,
por isso cabe criança, cabe adolescente, cabe jovem, cabe adulto, cabe idoso.
Uma nudez de relação
entre gerações.
Uma nudez em estado
de ludicidade!
Nudez
como potência.


Nudez como estado no
mundo, como animal humano, como bicho, como La Bête.

sábado, 13 de maio de 2017

Striptease-bicho

Nessa performance, Edu O. é bicho gostoso de se comer com olhos, mãos, dedos... Na terra das curvas dos quadris, das cinturas e seios de tantas Gabrielas e das bundas de outros tantos Vadinhos que passam por ele, entende que sua sinuosidade é outra, é para outros desejos. As curvas de sua coluna em S atraem outra plateia e incita um outro olhar. Sabe-se sedutor.

Performance apresentada no último dia 09 de maio, no Cabaret Drag King.

foto Juliano Marques