quarta-feira, 16 de maio de 2012
sábado, 12 de maio de 2012
Lá em casa tem um homem
Lá em casa tem um homem
que me habita quando eu quero
só lá em casa
sempre que estou com fome
frio ou sede
sempre que há sorvete
em dias de calor
o homem de lá de casa não
tem canto certo
não se acomoda
nem descansa
quando ele me habita
parece cão
uma fera
quando lambe minha pele
e cura a febre
que sinto dele
que me habita quando eu quero
só lá em casa
sempre que estou com fome
frio ou sede
sempre que há sorvete
em dias de calor
o homem de lá de casa não
tem canto certo
não se acomoda
nem descansa
quando ele me habita
parece cão
uma fera
quando lambe minha pele
e cura a febre
que sinto dele
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Resultado do Quarta que Dança 2012
Foi publicado, hoje, Odete, traga meus mortos estará no Quarta que Dança 2012!!!! Que alegria!!! Tenho muito carinho por este trabalho, por esta menina Odete tão delicada e forte, por meu encontro com Lucas Valentim que me ensina tanto, por todas as nossas confissões e abraços. É muito bom voltar em temporada, aqui em Salvador, depois de dois anos de sua estréia, com algumas apresentações pontuais na PID 2011 e no Theatro XVIII e Espaço Xisto, em 2010. Agora poderemos reencontrar o público que já conhece a obra, mas verá transformações, ausências e novas presenças. Nossos corpos transformados por experiências adquiridas nesse tempo. E para quem ainda não viu.... AHHHHHH aí preciso confessar uma coisa.
Confiram os aprovados no edital 002/2012 - Quarta que Dança, da FUNCEB, segundo a Portaria Nº 130/2012, de 09 de maio de 2012, publicada hoje no Diário Oficial da Bahia:
Categoria 01 - Espetáculos de Dança
- “Os Filhos dos Contos”, de Gilmar Silva Santos (Itacaré)
- “Instante Dilatado”, de Marcley Oliveira da Silva (Salvador)
- “Xou”, de Vanessa Mello de Paiva Reis (Salvador)
- “Odete, traga meus mortos”, de Carlos Eduardo Oliveira do Carmo (Salvador)
- “Brincadeira de Criança”, de Carine Nascimento de Andrade (Salvador)
- “De dentro”, de Cristiano José de Santana Santos (Juazeiro)
- “Indo para trás, avançar”, de Eduardo Augusto Rosa Santana (Salvador)
Categoria 02 - Intervenções Urbanas de Dança
- “Colapso”, de Ariana Andrade dos Santos (Salvador)
- “Maçaroca - investigações gambiárricas”, de Paula Beatriz Carneiro da Silva Dias (Salvador)
Categoria 03 - Dança de Rua
- “Das Ruas para Ruas”, de Luis Augusto França de Santana (Salvador)
- “Síntese”, de Gisele Oliveira Assis Novaes (Vitória da Conquista)
Categoria 04 - Trabalhos de Dança em Processo de Criação
- “Danço Som”, de Juana Machado Navarro (Salvador)
- “Pé no Chão?!”, de Inah Irenam Oliveira da Silva (Salvador)
- “Dança das Palavras”, de Jean Ferreira Souza (Candeias)
- “Errática”, de Patricia Garcia Leal (Salvador)
*Link do Diário Oficial http://dovirtual.ba.gov.br/egba/reader2/
Confiram os aprovados no edital 002/2012 - Quarta que Dança, da FUNCEB, segundo a Portaria Nº 130/2012, de 09 de maio de 2012, publicada hoje no Diário Oficial da Bahia:
Categoria 01 - Espetáculos de Dança
- “Os Filhos dos Contos”, de Gilmar Silva Santos (Itacaré)
- “Instante Dilatado”, de Marcley Oliveira da Silva (Salvador)
- “Xou”, de Vanessa Mello de Paiva Reis (Salvador)
- “Odete, traga meus mortos”, de Carlos Eduardo Oliveira do Carmo (Salvador)
- “Brincadeira de Criança”, de Carine Nascimento de Andrade (Salvador)
- “De dentro”, de Cristiano José de Santana Santos (Juazeiro)
- “Indo para trás, avançar”, de Eduardo Augusto Rosa Santana (Salvador)
Categoria 02 - Intervenções Urbanas de Dança
- “Colapso”, de Ariana Andrade dos Santos (Salvador)
- “Maçaroca - investigações gambiárricas”, de Paula Beatriz Carneiro da Silva Dias (Salvador)
Categoria 03 - Dança de Rua
- “Das Ruas para Ruas”, de Luis Augusto França de Santana (Salvador)
- “Síntese”, de Gisele Oliveira Assis Novaes (Vitória da Conquista)
Categoria 04 - Trabalhos de Dança em Processo de Criação
- “Danço Som”, de Juana Machado Navarro (Salvador)
- “Pé no Chão?!”, de Inah Irenam Oliveira da Silva (Salvador)
- “Dança das Palavras”, de Jean Ferreira Souza (Candeias)
- “Errática”, de Patricia Garcia Leal (Salvador)
*Link do Diário Oficial http://dovirtual.ba.gov.br/egba/reader2/
foto Alessandra Nohvais
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Ainda a vontade
É que vontade dá e passa, mas às vezes pode ficar.
(pensamento com colaboração de Talis e Aninha)
(pensamento com colaboração de Talis e Aninha)
terça-feira, 8 de maio de 2012
Vontade doida de chorar doído
Poderia ser o nome de um filme, de uma coreografia, primeiro verso de um poema ou frase de carta de amor distante. Poderia ser esse silêncio de peito apertado. Poderia ser a lágrima que não cai, mas fica feito fantasma rondando a alma, a cama, o canto do olho. Poderia ser poeira espreitando as quinas da sala. Poderia ser bicho dengoso em tapete macio. Poderia ser... Poderia ser aquela luz apagando na noite úmida de casais. Poderia ser meu grito na madrugada. Poderia. Poderia ser estrada sinuosa do recôncavo, praça iluminada, adro de igreja e violão de irmão. Música de Eduardo Alves e voz de Stelinha. Poderia ser um retorno, uma desistência, um reencontro. Poderia ser... Poderia ser saúde de mãe. Poderia ser colo, abraço, afago, afeto. Poderia ser Judite me acalmando, mosca roendo o pão. Poderia gota de suor na ponta do nariz. Penetração. Poderia ser um dedo na ferida. Poderia ser a vida.
Mas é apenas essa vontade doida de chorar doído.
Mas é apenas essa vontade doida de chorar doído.
Foto de Samuel de Assis
sábado, 5 de maio de 2012
As bocas que pedem
Revendo a mesma foto repetidas vezes e aquela boca que pede beijo. Deliciosas as bocas que pedem, que exigem todos os beijos. Deliciosos beijos dessas bocas que pedem. Gozo de uma noite inteira de lua e nem se lembra que há a lua. Tudo se misturando bem dentro do desejo daquela boca. Duas bocas que se pedem. Repetidos movimentos, variadas sensações. Gostosas sensações de gozo sem o mesmo verdadeiro despudorado jorro. Jorrando dentro os pedidos e não desgrudar. Enroscadas bocas cachorras no cio. Há também abraços, pelos, falos.... complementos da mesma boca. Do beijo de bocas que pedem sempre outros beijos.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Deficiência em Cena
O livro Deficiência em Cena, escrito por Carolina Teixeira, é fundamental para quem tem interesse pela Dança, para quem se interessa pelo corpo com deficiência na Dança e para quem pensa o mundo de outra forma, com novos olhares, a partir da diversidade de possibilidades. Uma pesquisa fundamental!
O lançamento que já aconteceu em Natal, terra da autora, será no dia 09-05 (quarta-feira), a partir das 19h, no Ciranda Café, Cultura e Artes - Rio Vermelho/Salvador.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Corpóreo
Assim como Drummond: Quando nasci, em 26-10-1976, um anjo torto disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida. E eu fui. Assim, em minha certidão de nascimento e em todos os outros documentos meu nome é Carlos Eduardo Oliveira do Carmo. Mas pelo hábito e costume de sempre ouvir me chamarem de Edu desde pequeno, assimilei este apelido como minha identidade e adoro ser conhecido como Edu O.
Tive pólio com 1 ano. Aos 5 li uma manchete que dizia: Teimosia de Telê derrotou o Brasil. Aos 8 viajei à Brasilia para fazer uma cirurgia no Sarah. Me apaixonei por Carol aos 9 e para ela escrevi minha primeira carta de amor. Brinquei de pipa, bicicleta, baleado, picula, gude, boneca. Tinha coleção de Playmobil. Adorava colocar toalha na cabeça fingindo ser cabelo grande. Imitava as misses chorando. Me pintava de palhaço com minha irmã e a turma da rua. Tive medo de Monga. Aos 13 ganhei minha primeira cadeira de rodas. Meus pais se separaram nesse período. Tive festa de 15 anos. Fiquei bêbado pela primeira com essa idade. Aos 18 entrei na Escola de Belas Artes da UFBA. Lá descobri que eu gostava de meninos. Hoje sou louco de amor por um específico. Fiz aula na Escola de Teatro, onde conheci uma dançarina que me levou para a Escola de Dança de onde não saí mais e atualmente estou no mestrado do Programa de Pós-Graduação em Dança. Desde 1999 faço parte no Grupo X de Improvisação em Dança. Fiz especialização em Arteterapia. Curso de Clown, dicção, poesia falada. Já viajei bastante dançando. Acabei de chegar da China. Estou trabalhando com a Candoco Dance Company, de Londres, onde vou dançar nas Olímpiadas Culturais, em setembro. Adoro sair contando a vida de Judite, me confessar para Odete, ler Becket para Marilyn e tenho muito orgulho d’O Corpo Perturbador. Dancei com Alito Alessi. Je t’aime nosso Euphorico com a Cia artmacadam que já nos levou 5 vezes a Marseilles. Já fiz Ariel de Shakespeare em Lyon. Escrevi um livro infantil. Ganhei alguns prêmios e editais. Tenho saudade de Sto Amaro. E agora estou batendo papo com vocês.
Eu poderia me apresentar falando meu nome, formação e logo enveredar para as questões da deficiência, afinal o tema é esse nesta noite, mas seria reduzir demais nosso assunto e nós merecemos mais, não é¿ Irei me remeter à Chimamanda Adichie, nigeriana, contadora de história, que fala sobre o perigo da única história. Numa palestra maravilhosa, depois de falar sobre muitas coisas de sua vida e dos problemas da Nigéria, ela conclui:
“Todas essas histórias fazem-me quem eu sou, mas insistir somente nessas histórias negativas é superficializar minha experiência e negligenciar as muitas outras histórias que formaram-me. A única história cria estereótipos. E o problema com estereótipos, não é que eles sejam mentira, mas que eles sejam incompletos. Eles fazem uma história tornar-se uma única história".
*apresentação que escrevi para o Bate-papo Corpóreo realizado, hoje, no Teatro Gamboa Nova, promovido pelo Núcleo Vagapara, comigo, Fafá Daltro e Thúlio Guzman que também apresentou Cotoco.
domingo, 22 de abril de 2012
Viajar com o olhar de Clarice (diário de bordo da viagem à China)
Me interessa o mundo de Clarice. Muitas vezes, quando viajo, tento imaginar o meu olhar como sendo o dela. Como ela veria as cores, sentiria os cheiros, a temperatura, as compras, as fomes? Em viagem sentimos fome de tudo e muita. Fome de ver paisagens belas, fome de arquitetura, fome de gente, fome da língua, fome de voltar, fome dos amigos distantes.... O nosso corpo responde a essas fomes e pode até adoecer se não ingerir direito, se não mastigar, se a digestão for ruim. O olhar se alimenta de tudo, menos das ausências que é o que mais comi enquanto estive aqui.
Clarice também sabe que as fotografias mentem em seus recortes, perdem o conjunto, especificam o olhar. E o poeta indiano me avisou no metrô de Londres que memórias distorcem geografia*.
Ter viajado à China transformou alguma coisa aqui dentro, é uma sensação de ter comido algo que não sabemos como vamos responder. Foi interessante ir a um lugar que está mais ou menos no mesmo nível que o Brasil, ambos países em desenvolvimento, partes do grupo dos BRIC's... não poderei falar sobre política internaional, não me atreveria a isso, mas é diferente pensarmos no nosso país estando na Europoa, por exemplo, que o nível de comparação de serviços, qualidade de vida, infra-estrutura é bastante diferente. Eu particularmente conduzi o meu olhar para questões de acessibilidade e embora a arquitetura contemporânea chinesa seja bela, criativa, eles ainda não se preocupam com o acesso das pessoas com deficiência. Inclusive um ocidental em cadeira de rodas, como eu, pode virar atração turística em algum espaço público. Muitos me fotografaram. Uns tentavam fingir que faziam fotos do ambiente, outros eram mais ousados e clicavam mesmo para eu ver. Achei curioso esta relação comigo porque vemos muitos idosos em cadeira de rodas pela rua.
No Centro Nacional de Performance, em Pequim, por exemplo, não consegui entrar pela entrada principal porque não havia elevadores que me levassem ao andar inferior que tinha um acesso com escada enorme. Precisei dar uma volta no prédio (que é lindéééérrimo!!!) para ir ao camarim. Fiquei seme entender por onde os deficientes entravam para assistir aos espetáculos e ter acesso a tudo que acontece ali dentro, pois na parte interna havia elevadores e rampas, embora em alguns pontos nos desparássemos com alguns poucos batentes.
Essa acessibilidade mal feita está em boa parte dos prédios, mas estivemos num dos edifícios mais altos do mundo. Tomamos um drink no 91° andar, infelizmente estava um dia chuvoso e não pudemos ter uma visão completa da cidade de Xangai. Apenas um aperitivo num momento em que o vento espalhou as nuvens e pudemos comprovar a altura que estávamos, mas esses detalhes deicarei para outros textos, mais específicos sobre cada lugar que visitamos.
*Sujata Bhatt
Yuyuan Garden - Xangai
Clarice também sabe que as fotografias mentem em seus recortes, perdem o conjunto, especificam o olhar. E o poeta indiano me avisou no metrô de Londres que memórias distorcem geografia*.
Ter viajado à China transformou alguma coisa aqui dentro, é uma sensação de ter comido algo que não sabemos como vamos responder. Foi interessante ir a um lugar que está mais ou menos no mesmo nível que o Brasil, ambos países em desenvolvimento, partes do grupo dos BRIC's... não poderei falar sobre política internaional, não me atreveria a isso, mas é diferente pensarmos no nosso país estando na Europoa, por exemplo, que o nível de comparação de serviços, qualidade de vida, infra-estrutura é bastante diferente. Eu particularmente conduzi o meu olhar para questões de acessibilidade e embora a arquitetura contemporânea chinesa seja bela, criativa, eles ainda não se preocupam com o acesso das pessoas com deficiência. Inclusive um ocidental em cadeira de rodas, como eu, pode virar atração turística em algum espaço público. Muitos me fotografaram. Uns tentavam fingir que faziam fotos do ambiente, outros eram mais ousados e clicavam mesmo para eu ver. Achei curioso esta relação comigo porque vemos muitos idosos em cadeira de rodas pela rua.
Summer Palace (Palácio de verão da imperatriz) - Pequim
No Centro Nacional de Performance, em Pequim, por exemplo, não consegui entrar pela entrada principal porque não havia elevadores que me levassem ao andar inferior que tinha um acesso com escada enorme. Precisei dar uma volta no prédio (que é lindéééérrimo!!!) para ir ao camarim. Fiquei seme entender por onde os deficientes entravam para assistir aos espetáculos e ter acesso a tudo que acontece ali dentro, pois na parte interna havia elevadores e rampas, embora em alguns pontos nos desparássemos com alguns poucos batentes.
Essa acessibilidade mal feita está em boa parte dos prédios, mas estivemos num dos edifícios mais altos do mundo. Tomamos um drink no 91° andar, infelizmente estava um dia chuvoso e não pudemos ter uma visão completa da cidade de Xangai. Apenas um aperitivo num momento em que o vento espalhou as nuvens e pudemos comprovar a altura que estávamos, mas esses detalhes deicarei para outros textos, mais específicos sobre cada lugar que visitamos.
Shanghai World Financial Center - 492m
*Sujata Bhatt
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