quarta-feira, 2 de abril de 2014

Um chá para Odete - um pouco de como tudo começou

Escolhendo os chás que Odete prefere. 

Foi exatamente o chá o primeiro motivo para a pesquisa do espetáculo. No meu encontro com Lucas Valentim, o identificamos como um ponto em comum entre nossos trabalhos "Judite..." e "Troca Imediata de Saliva e Suor" (lindíssimo, por sinal!). Daí, resolvemos fazer chás e confissões em todos os dias de ensaio/encontro. Então, surgiram as danças, as lágrimas, os sorrisos, as lembranças... 

Lembro que Claudia Barral 
foi nos ver num dos últimos dias antes da estreia e nos acalmou as incertezas. Agora sinto os sabores e cheiros que emanam da nossa mesa e fico feliz por reencontrá-la, Odete!

Odete, traga meus mortos - 06/04 (próximo domingo) - 20h - Casa Preta (Rua Areal de cima, nº 40, Dois de julho) - R$ 12,00 (inteira) e R$ 6,00 (meia).


 foto de Gabriel Guerra

segunda-feira, 31 de março de 2014

Arrumando a casa para Odete chegar

Este mês de Abril vem chegando com um gostinho muito especial de chá, suco de maçã, biscoitinhos, brindes, botas, abraços e lembranças. Odete reaparecerá para matar ou trazer mais saudades. Há tanta coisa a confessar! Há tanta coisa para sentir!

Comecei a arrumar a casa/coração para recebê-la depois de tanto tempo sem encontrá-la, junto com Lucas Valentim. Como será esse reencontro? Como meu corpo reagirá? Confesso (já comecei as confissões) que estou ansioso e feliz por este momento. Odete é colo, é doçura e amargura ao mesmo tempo, é recordação dos cheiros, da terra, das ruas, das peles, dos beijos dados e daqueles apenas desejados. Odete é vida embora traga lembranças de mortes, de passado. Odete é este contínuo de acontecimentos que jamais estancam, que nunca ficam apenas no passado porque se acumulam e se transformam em presente.

Odete estará presente no início de no fim deste Abril. Eu gostaria que vocês também estivessem presentes.

06 de Abril - na Casa Preta (Rua Areal de Cima, 40, Dois de Julho) 
25 de Abril - no Espaço Xisto Bahia (Biblioteca Central dos Barris) - Integrando a programação do Festival VivaDança 2014.




quinta-feira, 27 de março de 2014

Teatro: a alavanca dos meus sonhos

Hoje é o Dia do Teatro! Isso me fez recordar de tudo que venho perseguindo desde cedo, ainda em Sto Amaro onde pendurava nas orelhas brinco com as máscaras que choram e riem, quando assistia às novelas e desejava atuar como aqueles atores, quando mainha alugava ônibus, reunia os amigos e vínhamos para Salvador assistir às peças de teatro...

Teatro sempre foi meu sonho, meu desejo maior! Como não me via na tv e nem nos palcos (nunca via um deficiente em cena de teatro profissional), enveredei pelas Artes Plásticas e pude enfim, fazer um pouco de teatro, numa disciplina eletiva da Escola de Teatro da UFBA.

Em 1998, estreei nos palcos soteropolitanos um texto, escrito por mim, chamado "Aguarrás", dirigido por Nei Wendel, apresentado no Projeto Ato de 4. Por força do destino, estreei antes no teatro do que na Dança que foi onde me encontrei, verdadeiramente.

E foi a Dança que me proporcionou, anos mais tarde, viver uma experiência lindíssima no teatro profissional, atuando no espetáculo "Tempête a 13º Sud", do diretor francês Gilles Pastor, com texto de William Shakespeare. Apresentamos aqui em Salvador e também em Lyon, no ano de 2009.

Sou muito grato à Dança, assim como sou muito grato ao Teatro por ter sido a alavanca dos meus sonhos, dos meus desejos e das minhas realizações.

Evoé!!!!

cena de Tempête a 13º Sud

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Amarelo meio amargo por cima do azul

O que mais doeu não foi aquele cheiro ardido e meio amargo entrando pelas narinas, nem ver aquela gosma fedida molhando o sofá. O que me baqueou como um ponta pé na caixa dos peitos foi a certeza da solidão que cresce e habita mais e mais os cantos da gente. Fiquei imaginando aquela casa vazia sem chave virando à porta, os cabides sem roupas, o tapete sem vestígio de cachorro, as traças na poltrona rasgada, os livros mofados no canto da cozinha. Nenhum familiar a tempo de despedida, nenhuma família. Quase  nenhum amigo. E aquela testa franzida como quem sentisse dor, embora o meio-sorriso no canto da boca que babava amarelo por cima da roupa azul.


sábado, 9 de novembro de 2013

Querer ser quem fui

Nem se chorasse toda água do mundo, secariam minhas lágrimas
Nem todo sorriso doendo o ventre, alegraria meus dias
Há algo que se perdeu para sempre
E aqui dentro não existe mais eu
Apenas fagulhas do que desejei ser
E o que desejei a vida toda
Era continuar a ser quem fui
Era não me perder


quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Para todo mundo saber - audiobook Judite quer chorar, mas não consegue!




Há um mês aconteceu o lançamento do audiolivro Judite quer chorar, mas não consegue!

Esse projeto vem sendo gestado há muitos anos, pensado nos detalhes, com cuidado, buscando transpor para a linguagem escrita o que foi pensado para Dança.

O espetáculo "Judite..." é um sucesso inquestionável. Poucos trabalhos em Dança conseguem se manter por tanto tempo, principalmente uma produção independente que nunca recebeu apoio para manutenção ou continuidade. Fomos contemplados ao longo do tempo com inúmeros editais de circulação, temporada, convidados para importantes festivais e isso contribuiu muito para Judite se renovar, se atualizar, amadurecer e permanecer.

A publicação do audiolivro tornou-se, então, uma consequência inevitável, assim como os outros desdobramentos do trabalho, como a oficina Despertando Judites, por exemplo.

Com texto escrito por mim e narrado por Malu Mader, o livro tem ainda ilustrações de Clarice Cajueiro e o cd conta com trilha criada e executada por Cássio Nobre.



O que não poderíamos imaginar é que o audiolivro tomasse a força que tomou. Desde o seu lançamento até agora (1 mês), já foram vendidos mais de 500 exemplares, metade dessa primeira edição. O que acredito ser um grande feito, já que não tivemos colaboração de nenhuma editora ou distribuidora. 

A venda está sendo feita pelo boca a boca e também com a parceria de espaços que aceitaram ser pontos de venda, em Salvador: Jhana Livros (Boulevard 161), Sebo Porto dos Livros (Porto da Barra), Museu Carlos Costa Pinto (Corredor da Vitória) e Palacete das Artes (Rua da Graça).

bottons e squize Judite quer chorar, mas não consegue!

Para quem não está em Salvador e se interessar pelo livro, basta entrar em contato pelo email eduimpro@gmail.com e passamos as indicações de como efetivar a compra.

Em Santo Amaro/BA, os livros estão à venda na Delicatessen Abelha Gulosa (Makiba).





Judite quer chorar, mas não consegue!

Texto de Edu O.
Ilustrações de Clarice Cajueiro
Capa dura
15cm x 15cm
34 páginas
O livro vem com o cd do audiolivro com narração de Malu Mader e trilha de Cássio Nobre.

Ainda temos brindes de Judite como bottons e cartão postal (R$ 2,00 cada) e squize (R$ 10,00). 

terça-feira, 22 de outubro de 2013

7 anos de Judite



Neste sábado (26/10), festejaremos os 7 anos de Judite que que estreou nos palcos baianos em 25/10/2006.

Para a festa, o Palacete das Artes Rodin Bahia (Rua da Graça) nos convidou para fazermos o relançamento do audiolivro e também apresentação única do espetáculo “Judite quer chorar, mas não, consegue!”, a partir das 15 horas, com entrada franca.

Iniciaremos a apresentação pontualmente porque terei compromisso ainda a tarde, lá na Ponta do Humaitá e quero aproveitar um tempinho para dengar e abraçar e agradecer a todos vocês que irão comemorar conosco esse dia tão especial.

7 anos não são 7 dias! Quantas coisas aconteceram, hein? e muitas ainda estão por acontecer.

Tempo é dinheiro

No período do ano em que mais tenho trabalho, me surpreendo com a minha conta bancária no negativo. Isso mesmo no vermelho, faltando dindin, devendo para o banco. Eu sei, não deveria ser assim. Nós trabalhamos para receber em troca um salário, uma recompensa financeira, um retorno pelo tempo-esforço-conhecimento-anos de estudo-etc-etc-etc... Mas eu sou artista e essa situação me deixa com mais raiva ainda, não pelo fato apenas de estar sem dinheiro na conta, mas porque isso dá ousadia a quem não sabe o que é ser artista vir me dizer para fazer concurso público, que arte não dá dinheiro, que não conseguimos nos sustentar com isso. E claro, todo mundo tem razão, menos eu que nasci vendo o mundo com outras cores, outras formas, outros movimentos....

Fico pensando se estivéssemos num mundo justo e de valores firmes, somente esta semana eu deveria ter dinheiro para comprar uma casa. Afinal, estou em vésperas de uma montagem internacional, apresentação em comemoração a 7 anos de Judite e participação num show de uma das melhores cantoras que temos por aqui e também está bancando sozinha seu trabalho. Em menos de um mês, participarei de um intercâmbio na França. Este ano ainda, posso acabar de escrever minha dissertação de mestrado.

Enfim... é trabalho que não acaba mais e dinheiro que nunca entra. Valores simbólicos para uma fazer tão intenso, dedicado, com horas e horas de trabalho, mesmo quando se dorme. Sim, porque o corpo continua elaborando tudo o que se passou e cansa e precisa se recuperar instantaneamente para voltar a fazer tudo de novo. Exaustão é a palavra de agora.

Como não tenho muito tempo para ficar aqui, preciso sair para me arrumar, porque tempo é dinheiro.

E com essa eu vou trabalhar que ganho mais. Ou menos?

Só para quem tiver curiosidade de minha agenda da semana:

foto Célia Aguiar

Dia 26/10, às 15h, apresentação do espetáculo e relançamento do audiolivro "Judite quer chorar, mas não consegue!", no Palacete das Artes, entrada franca.



De 27/10 a 03/11, apresentação de "São Cosme e Damião Duo", da companhia francesa Kastor Argile, às 17h, na Ponta do Humaitá, ao ar livre.



Dia 29/10, participação no show "Traduzir-se", de Andréa Daltro, às 20h, no Espaço Xisto Bahia. R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia).

domingo, 6 de outubro de 2013

Lançamento do audiolivro em Santo Amaro - 08 de outubro


Sobre os vôos de uma lagarta-borboleta

Lembro que tudo começou para 30 pessoas, em comemoração aos meus 30 anos. Passaram-se 7 anos desde então e a força que a lagarta Judite tomou me surpreende. Sempre falei dos temas difíceis e sofridos da vida dessa lagartinha, mas ontem numa entrevista me dei conta de que o mais importante nessa história é o SONHO.

Bem lá no início que desembocou em tudo isso, está o sonho de partir, enfrentar (assim como Dom Quixote) outros moinhos de vento e o medo travou as asas e daí nasceu Judite. Bem verdade que ali estava se construindo o casulo para que eu pudesse voar mais alto do que havia imaginado e graças a ela (que é feita de todas as experiências que eu vivi e vivo) cheguei a lugares inimagináveis, tanto geograficamente quanto dentro de mim.

foto de Nei Lima, Edu autografando os livros

Judite toma força e me empurra e me joga longe com seus vôos... eu sempre penso nela lagarta, mas todos nós sabemos que já se transformou em borboleta há muito tempo. É borboleta quando recebo as palavras e os abraços de cumplicidade de quem a compreende e a tem dentro de si. É borboleta quando nos faz conhecer os meninos do IBCM onde iniciamos o projeto Despertando Judites (curso de Dança Contemporânea para crianças) que foi uma das experiências mais transformadoras que já vivi. É borboleta quando Gilles Pastor a assiste e a partir disso cria um projeto para trabalhar comigo e daí tive minha primeira experiência em teatro profissional e de cara já fui logo fazendo um Shakespeare e essa experiência se reverbera agora em São Cosme e Damião, trabalho que estrearemos dia 27/10. É borboleta no livro que produzimos em 2010 com ilustrações de amigos que assistiram ao espetáculo e nos presentearam com seus desenhos, massinhas, fotografias, arte digital, botões... E a borboletagem toda quando viaja pelo mundo, pelo interior, por outros estados? E alcança espaços infinitos quando inspira a poesia, a música, a dança, a contação de história de Ana Luiza, os desenhos, os olhares que recebemos de presente em todos os lugares que chegamos.

Voa mais alto em mim quando conseguimos realizar esse audiolivro que se transformou também em livro falado que é um projeto específico para cegos e será lançado brevemente. E pelo mais novo sonho que estamos construindo com cuidado e bem devagar para que seja duradouro e dê mais frutos que é o Casulo Juditi, uma ONG que estamos em fase de organização onde queremos que seja um espaço de arte, de troca, de criação e acessibilidade.

Judite é crisálida de asas grandes que acolhe e suporta carregar um mundaréu (amo essa palavra)... um mundaréu de amigos que vão se chegando e ficando. Que nos acompanham desde o seu nascimento até agora. De uma equipe que só agrega pessoas apaixonadas por ela, desde crianças até adultos.

foto de Nei Lima do audiotório do Museu lotado

Eu gostaria de agradecer a todas essas pessoas que são pipas acompanhando e fazendo Judite voar, mas como poderia sofrer com o esquecimento do nome de alguém, hoje, farei um agradecimento especial apenas a quem colocou o audiolivro nas nuvens e está contribuindo com este lançamento: Clarice Cajueiro, Cassio Nobre, Samuel de Assis, Malu Mader, André Mantelli, Joana Reseck, tia Mabel, Cintia Santos, Alê Nohvais, Ana Clara Oliveira, Nucleo Vagapara, Sergio Rivero, Fernanda Pinheiro, Paulo Lins, Alfa Bottons, Taty Haynne, Nyala Cardoso, aos apoiadores do Catarse porque sem esses 129 amigos não seria mesmo possível, apesar do Prêmio Arte e Inclusão que recebemos em 2011 pelo MINC, Flavia Motta, Valter Ornellas, Paloma Giolli
Fafá Daltro, Clea Maria, Aída e Catarina Gramacho (Ampla Produções e evento), a Bárbara (Diretora do Museu Carlos Costa Pinto) e toda sua equipe, em especial a Nairzinha que nos presenteou com seu projeto Cirandando Brasil.

E porque sem eles, nada faria sentido, agradecer eternamente a minha mãe Dinorah, minha irmã Paloma, meu amor Nei, Junior e ao meu pequeno-grande Rudá.

foto de Nei Lima, com Edu, Nairzinha e Cintia Santos 
fazendo tradução em LIBRAS das palestras.

Lembrando que os livros, em Salvador, ficarão à venda na loja do Museu Carlos Costa Pinto (Corredor da Vitória) e também no Sebo Porto dos Livros (Porto da Barra).