sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

ENCONTROS NA MESA DE CHÁ no TOP 5 2012

Viajar foi o verbo do ano. Partir, chegar, chorar, sorrir, surpreender, dançar, encontrar, sonhar..... todos esses concentrados naquele VIAJAR sem paradas, sempre seguir. Londres, China, Almada, Rio, São Paulo......... e as minhas meninas me levaram de volta para casa SANTO AMARO. Inesquecíveis momentos de Judite e Odete no Solar Paraíso, as confissões da segunda para os personagens reais que habitam nossa dança, os olhos brilhando de recordações, os reencontros com o passado... A circulação do projeto ENCONTROS NA MESA DE CHÁ pelo interior da Bahia, foi outro momento memorável. Camaçari, Santa Maria da Vitória e Bom Jesus da Lapa completam a lista de cidades contempladas pelo projeto e cada uma provocou emoções diferentes e intensas. A viagem com Lucas Valentim, Catarina Gramacho, Rodrigo Serpa, Moisés Victório, Careca, Cíntia Santos e o seu engenheiro de águas profundas, Felipe, tornou este projeto especial. Que venham outros e mais viagens!!!!

Sto Amaro

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Despertando Judites no TOP 5

O projeto Despertando Judites é sem dúvida uma das principais coisas que fizemos este ano. O plural aparece porque é um projeto idealizado por mim, mas realizado com parceiros-amigos (Lucas Valentim, Ana Luiza Reis, Nilzete Araújo, Catarina Gramacho e Nei Lima)e por entender que uma ação de formação só acontece com o diálogo entre todos os envolvidos, principalmente os alunos que neste caso são as crianças do IBCM (Instituição Beneficente Conceição Macêdo). Um projeto onde temos a possibilidade de repensar coisas, transformar conceitos, nos abrir ainda mais para o novo, para as surpresas, lidar com o desconhecido e se jogar mesmo assim. É uma aventura como há muito tempo eu não encarava e que bom poder fazer isso com seriedade de brincadeira. Jogo de convívio e crescimento. Minha Judite, sem dúvida, será outra depois desse encontro.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

CARTA AO MEU FUTURO FILHO


Camila é jornalista, tem um blog desatualizado, e se descobriu feminista recentemente.

Não sei se vocês sabem, mas quero ter filhos. Dois. Um deles, pelo menos, menino. E, vide os muitos acontecimentos machistas e homofóbicos vistos nos últimos 2012 anos, achei que era quase imperativo eu fazer uma listinha de coisas que falarei ao meu garoto:

1. Se você vir fotos de você bebê usando macacões rosa, ou roupas com flores: não estranhe. Não farei você aprender que uma cor é ligada a nenhum gênero. Se você ficar lindo de roxo, usará roxo. Se ficar lindo de azul, usará azul. Se ficar mais lindo ainda de cor de burro quando foge à tarde, será essa a cor de sua roupa.
2. Por favor, compartilhe os seus brinquedos. Com todos, sempre! É divertido brincar em conjunto.
3. Brinque com meninas.
4. Tenho certeza que adorará o seu quarto cheio de brinquedos. Carrinhos, bola, panelinhas, vassourinhas e mini-cozinhas.
5. Quando for para a escolhinha, tenha “amiguinhas” e não “namoradinhas”. Meninas e meninos podem ser amigos sem nenhum interesse por trás, e é bom que perceba isso desde pequeno.
6. Se a mamãe seguir pelo caminho que vai pro trabalho, é capaz que ela muitas vezes tenha que viajar ou passar algumas horas a mais na redação. Não se sinta desprestigiado ou não-amado. Entenda, a mamãe quis muito ser o que é, desde que era do seu tamanho. Ela ama o que faz um pouco menos do que te ama, mas ama, de qualquer forma.
7. Nunca, em hipótese alguma, tire sarro ou humilhe alguém porque essa pessoa é diferente de você. São todos iguais a você, filho. Trate as pessoas, de todas as idades, gêneros, credo e cor de pele de maneira educada e respeitosa. Sem esperar nada em troca.
8. Nunca seja conivente com humilhações alheias. Ficar em silêncio é tão ruim quanto, de fato, humilhar.
9. Se você se interessar por futebol, legal. Se gostar de basquete, legal. Se for ballet, legal. Se tiver vontade de tocar tuba, legal. Se quiser fazer teatro, legal. Nada disso lhe tornará menos menino.
10. Se alguém te chamar de “gay” ou “mulherzinha”, responda: “muito obrigado”. Nenhum desses nomes é xingamento, não para você, pelo menos. Não entre no preconceito dos outros.
11. Tente duvidar da maioria. Nem sempre aquilo que é bom é feito por todos.
12. Respeite as leis. Nem sempre elas farão um benefício direto para você. As leis existem para um bem comum. Se, depois de você seguir as leis, perceber que algumas não dão certo: fale. Tente mudá-las, não as burle.
13. Nunca trate uma mulher, garota ou menina como objeto. Nem como rainha. Elas são iguais a você.
14. Dentro disso de objeto, não sinta a necessidade de “comprar” alguém. Se for pagar a conta para uma garota com que sair (olha como estou me adiantando!), faça por gentileza, e não porque você quer alguma coisa a mais com ela.
15. Não deixe as suas cuecas aparecendo para fora da roupa. É feio e extremamente deseducado. Se você não pode ver a calcinha de uma menina, mesmo quando ela senta de saia, é bom que ela não seja obrigada a ver as suas roupas de baixo. (No ensejo, não olhe a calcinha das meninas, ou o sutiã, elas não são objetos)
16. Adolescência é complicada, compre Playboys/G Magazines e veja filmes pornô, se sentir vontade. Mas coloque na sua cabeça que nada disso é real.
17. Se quiser ter o cabelo comprido, tenha. Caso puxar o meu, ficarei feliz em te dar dicas sobre os melhores shampoos e condicionadores.
18. Se nascer branco, não tema os negros ou suspeite deles. Se nascer negro, não odeie os brancos, mais ódio não é algo que o mundo precise.
19. Quer gostar de metal? Goste! De funk? Goste. De axé? Goste. Desde que não escute nada disso tão alto que incomode as pessoas do seu lado. Ninguém é obrigado a gostar e apreciar aquilo que você gosta.
20. Use sempre camisinha. Sempre.
21. Se nascer hétero e acontecer um “acidente” com a sua namorada, nunca, em hipótese alguma, NUNCA, pergunte: “Você tem certeza que é meu?”. É ofensivo e repulsivo. Ela está falando com você, é lógico que o filho é seu.
22. Se nascer homo e quiser adotar, farei de tudo para ajudar. Mas não peça para eu cuidar sempre de seu filho, a responsabilidade é completamente sua.
23. Caso seu pai faleça, ou ele desaparecer da face da terra, ou eu não tiver um companheiro, por favor, não sinta a necessidade de ser o “homem da casa”. Na verdade, não use a expressão “homem da casa” em hipótese alguma.
24. Nunca “compre” uma mulher. Nem seja conivente com isso. É degradante.
25. Não se sinta “menos homem” se, por ventura, você chorar, quiser mostrar seus sentimentos, cuidar de sua aparência ou achar que seus pensamentos são complicados.
26. Gostar de meninos não te fará menos homem. Continuará sendo o meu garoto!
27. Ficar com muitas meninas não te fará mais homem! Acredite.
28. Se uma menina estiver se “insinuando” para você, rolar aquele clima e ela falar não, respeite-a. Não é sempre não.
29. Nunca, em hipótese alguma, diga coisas indecorosas para uma mulher que não conhece. Principalmente se ela estiver andando na rua.
30. Evite brigar. Se acontecer algum desentendimento, e, acredite, eles vão acontecer bastante, não se valha da sua força, além da do argumento.
31. Nunca, em hipótese alguma, nunca, nunca, se aproveite de ninguém que está em um estado pior que o seu.
32. Aprenda a lavar, passar e cozinhar. Não precisará pagar ninguém para fazer isso, muito menos pedir que sua parceira faça por você.

Sou nova, ainda vai demorar um pouco para eu ter filhos. Então, se tiver um menino, siga um pouco dessa lista. Ensine essas coisas pro seu filho. Talvez a sociedade se torne mais igualitária daqui a um tempo.•.

FONTE: http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/

Saudade dela




"Ai, ai, saudade
Saudade dela."

Foi estranho este Natal em Sto Amaro. O problema de saúde de D. Canô que culminou com seu falecimento, deixou um ar pesado na cidade, uma tristeza. A cidade perde muito com sua ausência, nós perdemos uma pessoa tão iluminada, gentil, engraçada, mãezona de todo mundo. Fiquei muito triste. Uma pessoa que celebrava a vida diariamente, que amava viver e sabia fazê-lo de forma tão intensa e contagiante. Ver a vida se apagar em alguém assim é muito difícil, que chegou aos 105 anos com tanta vitalidade, tanta lucidez e sabedoria. Exemplo a ser seguido.  Saudades, tia. 

"...em tudo a voz de minha mãe
E a minha voz na dela e a tarde dói de tão igual"

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Euphorico no TOP 5 2012

O Euphorico é nosso projeto mais duradouro, OURO. Desde 2004 este caso de amor Brasil-França, Grupo X-Artmacadam, se fortalece, nos enriquece... Um fazendo parte da vida do outro, sendo família quando estamos juntos e mesmo separados. Parece coisa de maluco, mas para mim é tão certo existir o Euphorico como é certo ter Natal, Reveillon, Carnaval... Não consigo imaginar um ano sem encontrá-los, sem a experiência de criação durante 15 dias, ininterruptamente. Vontade de tê-los em todos os instantes. É tão óbvio este TOP 5. E quando digo Grupo X, falo de toda minha família e amigos que se envolvem quando eles estão aqui, quando digo Artmacadam, falo de todas as famílias deles e amigos que se envolvem quando estamos lá. O Euphorico é mais que projeto artístico, mais do que contemporâneo, é mais do que intercâmbio, residência artística... Euphorico não tem tradução, é SOL esquentando-nos.


quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

CANDOCO, LONDRES, CHINA.... no TOP 5 2012

Essa brincadeira do TOP 5 2012 é mais uma avaliação deste ano do que a escolha dos melhores ou tentar fazer uma escala de valores. Impossível mensurar a importância dos projetos que participei, é certo que cada coisa que fazemos está imbricada e ligada às outras e tudo é o mesmo processo em configurações diferentes. A partir da agenda que organizo aqui no blog, pude contabilizar alguns feitos profissionais:

participei de 22 projetos
este viajando durante 125 dias

sendo 6 viagens internacionais, 1 viagem nacional e 5 viagens pelo interior da Bahia
estive envolvido em 9 espetáculos, entre montagem, estreia e circulação
participei de 3 Intercâmbios ou parcerias internacionais (2 com artistas franceses e 1 na Inglaterra)
me envolvi em 5 projetos de oficinas de dança
e realizei 6 comunicações em eventos, seminários e conferências.

Entre todos estes, há um projeto especial que alimentou meus sonhos e me fez encontrar o meu "chegar lá": A companhia inglesa CANDOCO realizou desde 2010 o projeto Unlimited, montagem de 2 peças coreográficas com artistas da própria companhia e convidados do Brasil e Hong Kong. Eu estava no meio dessa gente maravilhosa e nos apresentamos no Laban Centre, na China e no Queen Elizabeth Hall, dentro da programação das Olimpíadas Culturais de Londres.

Estar no Candoco sempre foi um desejo alimentado e cuidado com bastante empenho. Chegar lá é a realização de todas as expectativas profissionais, foi para isso que me dediquei tanto. O TOP 5  2012 está cheio de realizações de sonhos. Mais um para a lista preciosa deste ano que não acabará nunca.

foto da coreografia "12" de Claire Cunningham

O trono da rainha

Eu gosto mesmo da cama e seus cafés quentes de manhã. Moldura para o corpo nu em noites de gozo. Descanso certo dos dias com olheiras. Esconderijo seguro para momentos de tristeza e lágrimas discretas. Irmã do travesseiro que pesca sonhos. Comparsa da rainha Preguiça.

Queria eu sair com a minha cama nas costas em filas de banco, em filas de ônibus, em trabalho funcionário público. Nunca me despedir dela. Nunca deixá-la por nenhum prazer finito, limitado, se é para ela que retorno exausto de ressaca e dor. Amiga dos remédios, da tv. Prima-irmã dos livros. Cura certa para qualquer doença. Íntima da morte e das lembranças de saudade.

Eu gosto mesmo de ti, minha cama, por compreender o meu "fazer nada".




terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Malu Mader no TOP 5 - 2012

Na retrospectiva 2012 da minha vida, sem sombra de dúvidas a principal coisa que me aconteceu foi o encontro com Malu Mader. Primeiro porque ela representa muito para mim, já falei milhões de vezes aqui, segundo porque ela deu voz a Judite num projeto que eu acredito, que eu acho muito importante que é o audiobook que lançaremos em 2013 para atender ao público com deficiência visual.

A história foi assim:

Um dia recebi um email desesperado de Samuka pedindo que entrasse em contato com urgência. Eu estava em Londres, nesta altura. Liguei pelo skype desesperado e ouvi aquela notícia depois dele tentar me enganar porque seria uma surpresa, mas não havia tempo até minha chegada e a resposta precisava ser dada logo. "Amigo, é a Malu quem vai fazer o audiobook de Judite!". Não chorei de vergonha! Não gri
tei porque não podia, já era tarde e as pessoas dormiam na casa. Meu corpo tremia e toda uma vida passou em segundos pela minha cabeça. Enfim, conseguia perpetuar aquele amor adolescente de forma tão importante e forte. Malu Mader tinha aceitado narrar a história de Judite no projeto do audiobook que iremos lançar em 2013 para atender às crianças com deficiência visual e mental que não saibam ler.

Eu NUNCA tinha vivido uma experiência de felicidade como aquela. Gostaria que todos os meus amigos pudessem sentir no corpo esta sensação. Será que é como parir?







Foto de André Mantelli



segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Roupa amarrotada em mala pequena ou coisas de um corpo que não pode ir

Como pode alguém não se caber? Como pode um corpo não caber o ser quando se é maior do que o corpo, quando é o corpo que aprisiona? Quando o mundo está lá fora e aqui dentro aperta como roupa em mala velha, roupa suja, amarrotada, sem espaço.... É tudo tão óbvio quanto saber que água tem sabor.

Hoje foi um dia difícil de solidão, solitude, só,só,só e melancolia(s) (gosto dessa palavra!) e gosto de parênteses. Quando pensei sobre a mala, roupa amarrotada, aperto, não caber, ser grande, não estava pensando em mim. Pensava nela pequena, naquele corpo envelhecido de mente jovem e falta de ar. Quando o corpo vai apagando e amente-alma enorme quer clarear, iluminar, levantar e dançar no meio da praça. Mas pensando nela eu, naturalmente, pensava em mim. A deficiência me roubou a liberdade de ir ali comer acarajé e beber uma cervejinha sozinho. A cidade me roubou este prazer. A violência me roubou..... às vezes penso em mim e fico com raiva. No dia em que estive sozinho, não pude ser sozinho.

O problema não é a deficiência em si, o problema está nesta insistência de querer ir, levantar da cama e ir. Eu falo dela ou de mim? Eu perdi o ar, chorei, fiz café, arrumei casa, escrevi, mas não consegui ir ali. Eu poderia? O que me prendeu aqui? O que prendeu o ar dela? O que prende a gente? E ainda o corpo insistindo em ser finito, pequeno, pouco. Porra!

Relutei em escrever com medo de más interpretações, compaixões, falta de entendimentos, mas quando uma parte lateja não dá para segurar. Tentei escrever na terceira pessoa, mas é algo tão meu que não sai se não for na primeira, não consegue ir se não for cheio de eus,eus,eus,meus,meus,minhas..... minhas dores.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Ditadura na Bahia


Galera, na ditadura disfarçada em que vivemos nesses últimos tempos na Bahia, os acordos e contratos não valem de nada. 

O nosso Excelentíssimo Governador, resolveu fazer um evento no Palácio da Aclamação, no dia 11/12, como ele acha que os outros têm que se sacrificar para lhe servir, o espetáculo O Corpo Perturbador, que já estava agendado neste local, integrando a Pid Bahia, teve que ser deslocado para a Escola de Dança da UFBA. 

Eles ainda queriam transferir o espetáculo para a Praça das Artes, no Pelourinho que não tem acessibilidade nenhuma. É revoltante saber do descaso e desrespeito às questões de acessibilidade, principalmente porque se trata de um espetáculo com dois dançarinos com deficiência, onde iremos realizar uma oficina para pessoas com deficiência visual e haverá audiodescrição  para este público durante a apresentação. Ou seja, todo o trabalho que tivemos em buscar espaços e possibilidades mais confprtáveis e viáveis para atingir um público diversificado, porque a Escola de Dança da UFBA também não tem acessibilidade. Eu não ia me pronunciar em relação a isso, mas não consigo me calar.

E ainda mais, a pauta para o espetáculo "O Corpo Perturbador" havia sido acordada desde junho, com todo o protocolo necessário para a cessão de espaços públicos, ou seja, tudo dentro da formalidade que pede a lei e o bom-senso. Ou seja, a mudança da pauta do Palácio da Aclamação, ocorreu de forma nada democrática e muito desrespeitosa com a população, com quem trabalha seriamente para executar projetos culturais e que diga-se de passagem, apoiado e financiado em parte pela SECULT, não estamos pedindo favor ao Estado, estamos participando de forma ativa da política, exercendo o nosso direito de produzir arte e cultura. EXIGIMOS RESPEITO!!!!

Continuamos as apresentações dias 07 e 10 de Dezembro, às 16h, gratuito, mas agora na Escola de Dança da UFBA (Ondina). por favor, divulguem porque todo material de divulgação do festival já está pronto informando que seria no Palácio e não temos como alterar. Contamos com a colaboração de todos e a presença. Grato!

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Da maior importância


Às vezes um sentimento adolescente retorna em mim. Sabe aquela coisa de pertencer à turma, do menorzinho se sentir o maioral porque está saindo com os bambans? Aquele olho brilhando de admiração e felicidade porque sempre quisemos "fazer parte"? Pois é assim que estou me sentindo por estar ao lado de artistas que eu admiro e tenho curiosidade para saber sobre os trabalhos, como criam, como fazem... Lucas Valentim é uma referência forte, é quem eu fico de butuca observando sua arte, atento... assim como com o outros meninos do Vagapara (Olga Lamas, Jorge Oliveira,Isabela Silveira), Giltanei Amorim Guarani Kaiowá, Paula Carneiro Dias... Me interessam! 

Assim como foi lindo e "tenso" (se é que me entendem) ver a beleza de Pau Brasil, de Aldren Lincoln. Amigos-artistas da maior importância!

Dançar, hoje, no De Solos e Coletivos, na mesma noite com Márcio Nonato e Paula Lice me dá "nervosia" e alegria porque é tanta admiração e querer bem... enfim, minha arte só vale se for feita de encontros. que bom que o encontro de hoje é um encontro com mestres. 

Obrigado pelo convite e por me aceitar na turma.

Hoje (sexta-30/11), "Odete traga meus mortos" de Edu Oliveira (eu mesmo) e Lucas Valentim (com tradução em LIBRAS), o solo cAstigO de luz AcessA - A prOvA - de Márcio Nonato e mais "Isto não é uma mala - versão picnic" (de Paula Lice)... No De Solos e Coletivos- mini-festival, na Escola de Dança da UFBA, a partir das 19:30!

domingo, 18 de novembro de 2012

O avental de Odete


O que eu mais gosto em Odete é ela ser exatamente o que é e ser cuidado. Lembro daquele abraço em silêncio num dia de dor, daquela casa escura de comida deliciosa, café e jornal. Lembro do convite e do grude embolado. Das mãos em L e das lágrimas de Débora.

Hoje, Odete me mandou um presente. Sim, a verdadeira, a francesa.... Para quem não lembra, eu contarei novamente:

Num almoço em casa de uma família tradicional, na hora do café, depois de todo ritual da refeição francesa, a matriarca pede a empregada: “Odete, traga meus mortos!”. Incrédulo, com expressão assustada, fui informado que este pedido tornou-se habitual daquela senhora que lê diariamente o obituário do jornal enquanto toma seu cafezinho. Sua preocupação é saber se algum conhecido faleceu e observar a forma como foram escritas as informações sobre os óbitos, sempre discordando e dizendo que não quer o seu daquele jeito. Então, começa a descrever como gostaria que divulgassem sua morte, a foto que deve ser colocada, a roupa e como as pessoas devem agir no seu funeral... Este momento que poderia ser tenso, triste, acaba se tornando divertidíssimo, com muitas risadas.

Pois bem, hoje, ganhei de presente metade do avental de Odete e uma carta linda. Quase uma confissão.

Odete tem dessas e é tão simbólico ganhar metade de alguma coisa, principalmente no caso de Odete que fala sempre da falta de algo, da ausência, de alguma coisa, pessoa ou lugar que ficou para trás...

Minha querida, nunca se perca de mim!


E não esqueçam que dia 30-11, às 19h, terá Odete, traga meus mortos, na Escola de Dança da UFBA, como parte do Mini-Festival DE SOLOS E COLETIVOS que acontecerá de 29-11 a 02-12.

 foto de Gabriel Guerra

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Palavras des-formatadas

Cada vez mais me convenço de que não nasci para acadêmico, sou poeta mesmo. Poeta sem precisar escrever. Na verdade são meus olhos que fazem poesia e lacrimejam. Estou o dia todo tentando escrever um artigo para um Seminário. Vejo o tempo passar, o prazo de entrega chegar, os dias acumulando trabalho e o que me atrai são os videos que aparecem na pesquisa, a dança, os corpos, a saudade e o desejo de estar lá novamente. Estou escrevendo sobre a experiência com o Candoco e é difícil falar na forma engessada da academia sobre algo que é tão sentimento, emoção, alegria... uma escrita passional talvez fosse mais verdadeira do que esta de dados e razão. O tempo passou tão rápido! Quando iniciamos lá em 2010 parecia que era muito tempo até 2012, que nada, voou.

Ahhhh, meus dedos bem que podiam ser racionais e transformar este batuque que está em meu peito em palavras formatadas!

sábado, 10 de novembro de 2012

A Cena do Ódio

Almada Negreiros, (7.4.1893-15.6.1970), Portugal. 

Ergo-me Pederasta, vaiado por imbecis, 
Divinizo-me Meretriz, ex-libris do pecado, 
Sou raiva de Medusa e danação do Sol. 
Ladram-me a vida por vivê-la e só me deram uma, 
Uma, agora, quero vivê-la, Narciso do meu ódio, 
Ódio de um último instante de condenado inocente.

E tu, tu que te dizes Homem, 
que inventaste as ciências e as filosofias, 
as políticas, as artes e as leis, 
e que aperfeiçoas a arte de matar, 
Tu, que descobriste o Cabo da Boa Esperança, 
o caminho marítimo para as Índias
e as duas grandes Américas e que levaste a chatice a estas terras
e que trouxeste de lá mais chatos praqui
e que ainda por cima cantaste esses feitos, 
Tu, que inventaste a chatice e o balão
e que farto de te chateares no chão te foste chatear no ar
e que ainda foste inventar submarinos
pra te chateares também debaixo d'água. 
Tu, que tens a mania das invenções e das descobertas 
e que nunca descobriste que eras bruto (chato)
e que nunca inventaste a maneira de não o ser. 
Tu consegues ser cada vez mais besta, besta
e a este progresso chamas de civilização. 

Tu e eu, eu aqui, sepultado vivo, Mendigo de mim próprio, 
sem condições de fazer fortuna porque Deus, por escárnio, 
me deu inteligência, irmãs feias e uma mãe que jamais se venderá
por mim. 

Pois bem, pústula, obeso e rotundo sanguessuga, 
quanto mais penso em ti, mais creio que Deus 
perdeu de vista o Adão de barro
e, com pena, fez outro de bosta por lhe faltar barro e 
inspiração. 
Enquanto esse Adão dormia, os ratos roeram-lhe os miolos
e de suas fezes, nasceu a Eva burguesa. 

Deles, nasceste tu, e em toda parte teu papel é admirar
mas nunca acertas numa admiração feliz
porque teus desejos são avaros como as tuas unhas sujas e ratadas
e os homens são na proporção dos seus desejos. 
Não te cora ser grande o teu avô
e tu, apenas o teu neto, e tu, apenas o seu esperma? 
Não te dói Adão mais que tu? 
Não te envergonha o teres antes de ti outros maiores que tu? 
Jamais eu quereria vir a ser um dia o que o maior de todos já o 
tivesse sido, 
eu quero sempre muito mais
e mais ainda, muito pra além desse infinito. 
Tu não sabes, meu bruto, que nós vivemos tão pouco
que ficamos sempre a meio caminho do Desejo? 

A terra vive desde que um dia deixou de ser bola do ar
pra ser solar de burgueses. 
Existiram homens de talento, gênios e imperadores. 
Cansou-se o mundo de estudar e os sábios morreram velhos, 
fartos de procurar remédios e nunca acharam o remédio de parar. 
E à beira do século XXI, eu vivo farto de ver desfilar burgueses
trezentos e sessenta e cinco vezes ao ano, 
vinte e quatro horas de chatice, 
sessenta minutos de tédio, 
sessenta segundos de mediocridade...

Merda para os homens de todos os tempos
merda para a civilização e para a cultura, 
merda para a arte e a ciência! 

Eu queria poder, como tu, sentir a beleza de um almoço pontual
e a felicidade de um jantar com as bestas da família. 
Eu queria, como tu, sentir o bem-estar que a imbecilidade dá, 
Eu queria, como tu, viver enganado da vida e da mulher, 
sem o prazer doloroso de ser inteligente. 
Eu queria, como tu, ignorar que os outros não valem nada
para poder admirá-los, como tu. 
Eu queria que a vida fosse tão divina quanto tu garantes que é. 
Eu te invejo, pedaço de cortiça a boiar na superfície
sem nem desconfiar da profundidade do mar.

Olha para ti, olha, 
se não consegues te ver, concentra-te, procura-te, 
encontrarás primeiro o alfinete do terno, 
então, espeta-te nele para não te perderes de novo, 
e agora, observa-te. 
Quieto, 
não te odeies ainda, que ainda nem começaste. 
Vês? É o horror! É o horror! 

Mas, talvez tenhas saída. Sim, talvez tenhas. 
Larga a cidade e foge! 
Larga a cidade. 
Larga a casa, foge dela, larga tudo! 
Nem te prendas com lágrimas que lágrimas são cadeias. 
Larga a casa e verás: Vai-se o pesadelo! 
Mas larga tudo, tudo, 
os outros, os sentimentos, os instintos
e larga-te a ti também, a ti principalmente!
Larga tudo e vai para o campo, 
e larga o campo também, larga tudo! 
Põe-te a nascer outra vez! Não queiras ter pai nem mãe, 
não queiras ter outros, nem inteligência. 
Já h inteligência demais (não vês?), pode parar por aqui. 
Depois, põe-te a viver sem cabeça, 
v só o que os olhos virem, 
cheira os cheiros da terra, come o que a terra der, bebe dos rios 
e dos mares, lambuza-te de natureza. 

Pústula! Tens medo! Nem vives, nem deixas os outros viverem, 
crápula... Hás de pagar-me! 
Hei de ser a cigana de tua sina, hei de ser a bruxa do teu
remorso, 
e mais que isto, verme, hei de ser a mulher que desejas, hei de 
ser ela sem te dar atenção.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

As férias de Marilyn

Euphorico é aquele que acolhe, que permite, que compartilha. Euphorico é quem encontra. E desta vez o Euphorico encontrou com Marilyn que encontrou com outras Marilyns numas férias na França.

Tomamos nosso "petit déjeuner". Rimos. Cantamos Happy Birthday ao Mr. President. Curtimos o dia. Brindamos com champagne. Celebramos os encontros.

Até 2013, amigos!!!! Obrigado! Merci beaucoup!!!

Foto Helene Charles

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Se você estivesse aqui

Se você tivesse ido
Se você tivesse visto
Se você tivesse ouvido
Se você tivesse falado
Se você tivesse vindo
Se você tivesse lindo
Se você tivesse comido
Se você tivesse dançado
Se você tivesse comigo
Se você tivesse bebido

Se você tivesse vindo
Se você tivesse dito
Se você tivesse andado
Se você tivesse corrido
Se você tivesse comido
Se você tivesse comigo
Se você tivesse gritado
Se você tivesse cantado
Se você tivesse chorado
Se você tivesse lindo

Se você tivesse fechado
Se você tivesse visto
Se você tivesse vivido
Se você tivesse amado
Se você tivesse dito
Se você tivesse lindo
Se você tivesse mentido
Se você tivesse acabado

Se você tivesse dito
Se você tivesse lindo
Se você tivesse vindo
Se você tivesse comigo

Se você estivesse aqui

Amanhã (03-11), estarei com o Grupo X e a Cia Artmacadam apresentando o Euphorico: Je t'aime là, em La Distillerie-Aubagne. Duas semanas que voaram.... Não sei o que faz o tempo correr assim. Talvez a vontade da presença constante, talvez o amor, os nossos "je t'aimes". O certo é que não será o fim, pois não acaba. Continua, continua, continua... Como água no mar, como ondas. 

E mais uma vez caimos n'água todos juntos.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Negro Drama



É engraçado observar a força que as coisas tomam quando estamos mais distantes, olhar os problemas de fora ao mesmo tempo em que nos ajuda a pensá-los com mais propriedade porque não estamos cegos dentro do olho do furacão, faz também dimensionarmos tudo. E eu que amplifico tudo em mim, acabo ficando num estado difícil de lidar comigo mesmo. Ler sobre este fato acontecido num show de Seu Jorge, no Rio de Janeiro (clicar aqui para acessar o fato) no mesmo dia que soube sobre o resultado das eleições em Salvador, me deixou com pesar, triste e apreensivo. Alguns podem pensar que uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas se pensarmos bem uma coisa é a outra também. Salvador terra de preto, com tantos negros dramas, eleger um candidato que historicamente vem da elite branca, com interesses bastantes específicos e conhecidos, do mesmo histórico familiar e político que transformou Salvador nesse eterno carnaval, nessa eterna bestialização de tudo, festa, entretenimento e só. Nesse emburrecimento coletivo. O verão nosso de cada dia, o carnaval que se aproxima, o camarote que invade a praça do povo, os brancos que se isolam com suas chapinhas dos pretos que se acabam ali embaixo.............. e ninguém tem interesse na poesia.

Peço a quem tiver paciência de ler este meu desabafo que escute Seu Jorge recitando esta letra, que leia esta letra e principalmente que acesse o link e conheça esta aberração que aconteceu na Fundição Progresso do Rio de Janeiro.

Negro Drama
dos Racionais'MC's


Negro drama,
Entre o sucesso e a lama,
Dinheiro, problemas,
Inveja, luxo, fama.
Negro drama,
Cabelo crespo,
E a pele escura,
A ferida, a chaga,
A procura da cura.
Negro drama,
Tenta ver
E não vê nada,
A não ser uma estrela,
Longe meio ofuscada.
Sente o drama,
O preço, a cobrança,
No amor, no ódio,
A insana vingança.
Negro drama,
Eu sei quem trama,
E quem tá comigo,
O trauma que eu carrego,
Pra não ser mais um preto fodido.
O drama da cadeia e favela,
Túmulo, sangue,
Sirene, choros e vela.
Passageiro do Brasil,
São Paulo,
Agonia que sobrevivem,
Em meia as zorras e covardias,
Periferias, vielas e cortiços,
Você deve tá pensando,
O que você tem a ver com isso,
Desde o início,
Por ouro e prata,
Olha quem morre,
Então veja você quem mata,
Recebe o mérito, a farda,
Que pratica o mal,
Me ver,
Pobre, preso ou morto,
Já é cultural.
Histórias, registros,
Escritos,
Não é conto,
Nem fábula,
Lenda ou mito,
Não foi sempre dito,
Que preto não tem vez,
Então olha o castelo e não,
Foi você quem fez cuzão,
Eu sou irmão,
Dos meus trutas de batalha,
Eu era a carne,
Agora sou a própria navalha,
Tim..tim..
Um brinde pra mim,
Sou exemplo, de vitórias,
Trajetos e glórias.
O dinheiro tira um homem da miséria,
Mas não pode arrancar,
De dentro dele,
A favela,
São poucos,
Que entram em campo pra vencer,
A alma guarda,
O que a mente tenta esquecer,
Olho pra trás,
Vejo a estrada que eu trilhei,
Mó cota
Quem teve lado a lado,
E quem só fico na bota,
Entre as frases,
Fases e várias etapas,
Do quem é quem,
Dos mano e das mina fraca,
Hum..
Negro drama de estilo,
Pra ser,
E se for,
Tem que ser,
Se temer é milho.
Entre o gatilho e a tempestade,
Sempre a provar,
Que sou homem e não covarde.
Que Deus me guarde,
Pois eu sei,
Que ele não é neutro,
Vigia os rico,
Mas ama os que vem do gueto,
Eu visto preto,
Por dentro e por fora,
Guerreiro,
Poeta entre o tempo e a memória.
Hora,
Nessa história,
Vejo o dólar,
E vários quilates,
Falo pro mano,
Que não morra, e também não mate,
O tic tac,
Não espera veja o ponteiro,
Essa estrada é venenosa,
E cheia de morteiro,
Pesadelo,
Hum,
É um elogio,
Pra quem vive na guerra,
A paz nunca existiu,
Num clima quente,
A minha gente sua frio,
Vi um pretinho,
Seu caderno era um fuzil.
Um fuzil,
Negro drama.
Crime, futebol, música, caraio,
Eu também não consegui fugi disso aí.
Eu so mais um.
Forrest gump é mato,
Eu prefiro conta uma história real,
Vô conta a minha....
Daria um filme,
Uma negra,
E uma criança nos braços,
Solitária na floresta,
De concreto e aço,
Veja,
Olha outra vez,
O rosto na multidão,
A multidão é um monstro,
Sem rosto e coração,
Hey,
São paulo,
Terra de arranha-céu,
A garoa rasga a carne,
É a torre de babel,
Famíla brasileira,
Dois contra o mundo,
Mãe solteira,
De um promissor,
Vagabundo,
Luz,
Câmera e ação,
Gravando a cena vai,
Um bastardo,
Mais um filho pardo,
Sem pai,
Ei,
Senhor de engenho,
Eu sei,
Bem quem você é,
Sozinho, cê num guenta,
Sozinho,
Cê num entra a pé,
Cê disse que era bom,
E a favela ouviu, lá
Também tem
Whiski, red bull,
Tênis nike e
Fuzil,
Admito,
Seus carro é bonito,
É,
Eu não sei fazê,
Internet, video-cassete,
Os carro loco,
Atrasado,
Eu tô um pouco sim,
Tô,
Eu acho,
Só que tem que,
Seu jogo é sujo,
E eu não me encaixo,
Eu sô problema de montão,
De carnaval a carnaval,
Eu vim da selva,
Sou leão,
Sou demais pro seu quintal,
Problema com escola,
Eu tenho mil,
Mil fita,
Inacreditável, mas seu filho me imita,
No meio de vocês,
Ele é o mais esperto,
Ginga e fala gíria,
Gíria não, dialeto
Esse não é mais seu,
Hó,
Subiu,
Entrei pelo seu rádio,
Tomei,
Cê nem viu,
Nóis é isso ou aquilo,
O quê?,
Cê não dizia,
Seu filho quer ser preto,
Rhá,
Que irônia,
Cola o pôster do 2Pac ai,
Que tal,
Que cê diz,
Sente o negro drama,
Vai,
Tenta ser feliz,
Ei bacana,
Quem te fez tão bom assim,
O que cê deu,
O que cê faz,
O que cê fez por mim?
Eu recebi seu tic,
Quer dizer kit,
De esgoto a céu aberto,
E parede madeirite,
De vergonha eu não morri,
To firmão,
Eis me aqui,
Voce não,
Se não passa,
Quando o mar vermelho abrir,
Eu sou o mano
Homem duro,
Do gueto, brow,
Obá,
Aquele louco,
Que não pode errar,
Aquele que você odeia,
Amar nesse instante,
Pele parda,
Ouço funk,
E de onde vem,
Os diamantes,
Da lama,
Valeu mãe,
Negro drama,
Drama, drama.
Aê, na época dos barracos de pau lá na pedreira onde vocês tavam?
O que vocês deram por mim ?
O que vocês fizeram por mim ?
Agora tá de olho no dinheiro que eu ganho
Agora tá de olho no carro que eu dirijo
Demorou, eu quero é mais
Eu quero até sua alma
Aí, o rap fez eu ser o que sou
Ice Blue, Edy Rock e Klj, e toda a família
E toda geração que faz o rap
A geração que revolucionou
A geração que vai revolucionar
Anos 90, século 21
É desse jeito
Aê, você sai do gueto, mas o gueto nunca sai de você, morou irmão?
Você tá dirigindo um carro
O mundo todo tá de olho em você, morou?
Sabe por quê?
Pela sua origem, morou irmão?
É desse jeito que você vive
É o negro drama
Eu não li, eu não assisti
Eu vivo o negro drama, eu sou o negro drama
Eu sou o fruto do negro drama
Aí dona Ana, sem palavras, a senhora é uma rainha, rainha
Mas aê, se tiver que voltar pra favela
Eu vou voltar de cabeça erguida
Porque assim é que é
Renascendo das cinzas
Firme e forte, guerreiro de fé
Vagabundo nato!