terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Rir para não chorar

É engraçado como tem coisas absurdas nesse mundo de meu Deus!

Minha crise constante em ser artista, hoje percebo claramente que não é o SER. Adoro o que faço, não me iumagino outra coisa, nunca tive intimidade com a matemática, nunca fui amante de química, sempre me interessei pelas pessoas, pelo humano, mas SER artista é difícil. Esta dificuldade se dá por causa do olhar do outro em relação a você. Muitas vezes esse olhar te diminui e isso dói.

Escrevemos projetos, orçamos as despesas, trabalhamos duro para realizar o evento e chegam os gestores cortando verbas e no final, depois do trabalho concluído, não sabem dizer quando vão pagar, que a burocracia é grande e falta documentos, sendo que já foram assinados inúmeros documentos solicitados à prestação. Vamos supor que eu esteja falando da FUNCEB, vamos supor que eu estou falando mais precisamente da Diretoria de Teatro e vamos supor mais, que eu esteja falando também da PETROBRAS. Digamos que sejam exemplos fictícios, já que ninguém acreditaria em mim, nem eu, que instituições desse porte sejam capazes de coisas assim. Uma é a Fundação Cultural de um estado e a outra estatal com tantos serviços de bem estar e contribuição social. Muita consciência!!! Nem sei porque dei esses exemplos, foram os primeiros que me vieram em mente.

Não vejo ninguém não pagar consulta médica (esses podem envenenar) ou advogados (esses colocam na cadeia) ou dentistas (deixam banguelas), os engenheiros deixam a casa cair, mas ao artista só lhe resta chorar e se indignar, esperando as migalhas de um cachê mísero para empresas ou instituições tão ricas e grandes.

Costumo trabalhar de graça, mas para quem eu quero, para projetos e pessoas que eu sei que não poderiam me recompensar financeiramente, mas compensam de formas muito mais belas. Quando eu quero doar meu trabalho para alguma causa e acertamos desde o início as condições, eu faço sem problemas, mas quando o acerto é remuneração, acredito que é, no mínimo, digno se cumprir contratos, respeitar o trabalho do outro e se pagar sem fazer o outro de palhaço. Nenhum preconceito ou valor diminutivo, eu também sou palhaço, mas é que o artista de cara pintada recebe ainda menos respeito do que os de cara limpa e conta suas piadas sem um vintém no bolso.

Hoje eu queria fazer rir, para não chorar!

7 comentários:

Bernardo Guimarães disse...

ninguem precisa dizer mais nada, só assinar embaixo do seu texto.
bernardo guimarães

Flaviana disse...

Nao deu pra rir, nem pra chorar.
So deu pra sentir desgosto. So faltou vc incluir um paragrafo falando sobre o atraso do pagamento qd o caso, rs
Isso sim daria pra rir! Abracao, querido! Amei descobrir esse blog!

MqV disse...

A quem leva as leis de incentivo cultural e as entidades 'sérias' deste País, diria o Excelentíssimo Presidente da República, Sr. Luiz Inácio Lula da Silva: "Sifu"!

Ritinha disse...

sem comentários... indgnação é pouco!

Benigno disse...

ENTAO COMO DISSE O BERNANDO SÓ TO ASSINANDO EM BAIXO!

maria guimarães sampaio disse...

e mais a minha assinatura embaixo, querido Edu, sua Maria Sampaio

Luli Facciolla disse...

Edu!
Compartilho da sua indignação em 100%.
Minha profissão também não é levada a sério... Pagam pouco ou não pagam e ainda levamos a culpa pelo país que temos.
Desculpa, Edu, mas acho que ser professor como eu, ainda é pior do que ser palhaço, porque nem conseguimos fazer rir! Nem isso!
Infelizmente...