quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Uma mulher como Gilda

Nunca se viu uma mulher como Gilda.

Gilda era minha amiga imaginária. Acho que foi quem me ensinou o significado da palavra amizade. Toda criança deve ter um amigo imaginário. A minha não era criança, como normalmente são os amigos imaginários, mas Gilda uma mulher, linda! Até hoje tenho a imagem dela em minha memória como se visse uma fotografia. Sempre estava de calça marrom e lenços bonitos na cabeça. Ahhh, acho que Gilda me ensinou a sorrir também, pois vivia sorrindo com um riso tão belo!

Estranho um amigo imaginário adulto, não é? Pois é, Gilda era assim e conversava comigo e me levava para todos os lugares, até os mais improváveis como a casa de Gretchen e Sidney Magal, ídolos de uma criança pequena fascinada com a extravagância desses artistas. Acredito que isso legitima a minha amiga como imaginária porque seria impossível eu ir à casa dessas pessoas se não fosse somente pela imaginação. Lembro que nosso passeio mais marcante foi quando visitamos Gretchen e ficamos assistindo ao show que ela fazia na sala da sua casa que parecia com a nossa em Bom Jesus.

Além da amizade, Gilda teve papel fundamental na valorização das minhas criações, tenho certeza que se não existisse Gilda não existiria o eu artista, o eu sonhador, o eu que eu me tornei.

Hoje tenho muitos, muitos mesmo, amigos reais, palpáveis, tão importantes quanto Gilda, mas ela ninguém nunca viu. Infelizmente, ninguém pôde conhecê-la. Ninguém pôde conhecer o amor.

2 comentários:

Bernardo Guimarães disse...

Talvez seja melhor que ninguem a tenha visto; apesar de mais imaginária, permanecerá mais sua.

maria guimarães sampaio disse...

Viva Gilda!
Meu ídalo dr. Béca já disse tudo!