quinta-feira, 17 de julho de 2008

Prazo de validade

“Quem quer doce?
Tenho para dar!
Quem quer doce?
Cuidado para não enjoar!”


Nunca gostei de açúcar
Meu café sempre amargo
Meu suco...
Meu soco no estômago!
Resolvi experimentar o teu doce
Peguei como mercadoria fresca,
Nova no pedaço,
Novidade saída do forno naquela hora
Tinha uma embalagem bonita
E um sabor bem gostoso
De conteúdo, não era lá essas coisas
Mas também não comprometia
Estava ainda em fase de teste
Belisquei algumas vezes
Mas para não enjoar
Guardei num lugar distante
Quase nunca podia ir lá, por mais esforço que fizesse
Não pude desfrutar, muito, do meu produto
Nem criei amor propriamente dito
Desenvolvi, sim, uma certa vontade de possuí-lo
E me alimentei dela
Já que não poderia me alimentar do mesmo
Porém, quando eu ia e pegava,
O doce derretia na minha boca
Era um encaixe perfeito:
O vazio entre meus dentes
Preenchido de prazer
De doce com sabor de corpo
Corpo! Carinho!
Almofada de algodão doce!
Beijo de chocolate quente!
Cobertor de flocos de nuvens!
Brincadeira de meninos embriagados de vinho!
Mas, meu doce passou do ponto, passou da hora
Quando voltei, depois de um tempo afastado
Encontrei-o estragado, numa prateleira esquecida
Passou-se muito tempo
A validade estava vencida

Um comentário:

wagner schwartz disse...

belas imagens, querido
a vida precisa de narradores como você.