sábado, 5 de julho de 2008

De saco cheio

Há muito tempo que não venho reclamar. Não por falta de motivo, mas por perceber que as reclamações me faziam mal e não adiantam muito, mas tem um momento que não dá para não gritar, não dá para não querer pedir ao mundo para parar porque eu quero descer.

Estou de saco cheio do imperialismo do desrespeito e da burrice. Eu já estou jogando a toalha!!!!

Fui a uma consulta médica na clínica ORTOPED, que já pelo nome e pela espcialidade pensamos que muitos cadeirantes devem frequentar, pois bem, tudo certinho, mas na hora de sair.... Por onde? Pelo local de acesso da rampa para cadeirantes inúmeros carros estacionados, pela escada outros tantos e ainda pela segunda rampa que dá exatamente num estacionamento e numa vaga onde os carros estacionando obstruindo a passagem. Antes já havia me aborrecido por causa do balcão de atendimento que é tão alto que ultrapassa a altura de minha cabeça sentado e por isso ficamos, eu e a atendente, gritando um com o outro, porque ela também é incapaz de levantar e olhar para mim para fazer um atendimento adequado. Deve estar muito cansada do fim de semana!

Eu estou cansado de tudo isso, porque desde o balcão até a falta de espaço para transitar com a cadeira de rodas, tudo comprova a hipocrisia da chamada acessibilidade e inclusão. Acessibilidade uma "ova"! Para todos, acessibilidade é colocar rampas mal feitas e fingir que se preocuparam com os aleijados. A clínica erra ao permitir que os pacientes estacionem e os pacientes erram duplamente porque são incapazes de pensar nos outros. Esses que estacionam devem ser os mesmos que se sensibilizam comigo dançando, que choram, que dão esmolas aos "coitadinhos" dos chumbados, que defendem a tal da inclusão.

Essa hipocrisia me irrita e me faz pensar no retrocesso do humano, como o individualismo e egoismo estão minando o homem. Como o não pensar no outro está cada vez mais atuante.

Ahhh e não falo nas aberrações que escuto ao reclamar. Uma atendente veio me acalmar dizendo que estacionaram porque o estacionamento estava cheio. E kiko? O que eu tenho a ver com isso? O outro funcionário acha um absurdo estacionarem, mas não acha um absurdo seus colegas permitirem. Olhe, é coisa que eu vejo e passo, viu?

Entrei no táxi e o motorista me disse: Estamos voltando para casa! Eu respondi: Esse é o melhor lugar no mundo!

5 comentários:

miro paternostro disse...

tinha acabado de ler sua postagem, quando vi que tinha e-mail novo: seu comentário de hoje. confesso que eu queria ter comentado de primeira sobre o seu tema hoje. mas quando lí sua postagem fiquei realmente abestalhado e sem palavras. desde que te conheco (nao tem cê cedilha nos comentários) conheco Edu, um cara de grande personalidade e uma alegria imensa. quando você esteve me visitando aqui, em nenhum momento pensei nas dificuldades da escada, do terceiro andar e tudo funcionou maravilhosamente. realmente eu esqueco sua cadeira de rodas e o fato de você precisar dela. as dificuldades que nós todos encontramos na ignorância e na falta de respeito que inunda o mundo: isso sim é a grande deficiência. grite sim e bem alto que é pra todos ouvirem!

um beijo grande, amigo!

m

maria guimarães sampaio disse...

Edu,
sempre pensei em você como Miro fala acima. Parece até combinação (não a de vestir, também poderia ser). Hoje, com uma simples precisada bengalinha me dá idéia maior da sua experiânia cadeirante.
Minha bengala também serve para dar porrada se aporrinharem demais. Aliás, deixo pensarem que o uso da bengala deve-se apenas ao desejo de furar fila e dar porrada.
Beijos de Maria

Cleyton disse...

Que merda de país que estamos filho! =( Nosso lugar não é aqui, disso eu sei. Beijo!

Milena disse...

Tem uma cara que não te vejo. Vi sua mensagem no orkut e vim aqui saber porque tava tão retado. Eu digo o que pra isso tudo? O Brasil tá essa disgrama que tá por conta do povinho que mora nele. Mas continua xiando. Não baixa a cabeça não. Beijos

Bernardo Guimarães disse...

Edu:
adicionei seu blog por recomendação de Maria, que é minha primirmã. E quando ela me manda, vou de olho fechado. Aliás, tenho um olho cego de nascença e sempre ouço: " nem parece que é cego!". Caí de queixo com suas escrivinhações. Se precisar de mais uma mão pra porrada, conte com o ceguinho!
Abraço,Bernardo.