segunda-feira, 26 de julho de 2010

O caso Monga (da série retomando o passado)

Como todos sabem, somos de Sto Amaro (Graças a Deus e a Nossa Senhora da Purificação e ao próprio Sto Amaro!) e todo mês de Janeiro começa a novena em louvor à Padroeira que é festejada dia 02 de Fevereiro. Época de sairmos com as melhores roupas, reencontrarmos amigos, vermos a cidade cheia, brincarmos no parque de diversões que chega enfeitando a praça.

Quando eu era criança e não usava cadeira de rodas, me locomovia de braço em braço e o melhor de todos sempre foi o de D. Dinorah, claro. Íamos ao parque, eu e minha irmã, montar em todos os brinquedos e para mim o mais esperado era Monga - a mulher gorila. Sempre fui muito medroso e já entrava com medo. Era aquele suspense! Uma voz masculina muito grave estimulando nossas aflições, uma mulher de biquini dançando e à medida que o homem ia falando ela se transformava num medonho gorila. "Calma, Monga! Calma!" Todo mundo saía correndo, gritando de medo, um empurra-empurra na porta do lugar para todos se salvarem de Monga.

Vocês acham que minha mãe, comigo no braço, saía correndo, gritando, querendo se salvar daquele monstro? Que nada! Ficávamos eu, mainha e Monga sozinhos dentro do trailer. Monga vinha em cima de mim que gritava apavorado e minha mãe dizendo: não tenha medo não, bobo! Isso é jogo de espelho. Não é de verdade, não. E eu gritava: Vamos sair!!! Ela: não vou sair tomando empurrão, não. Monga é de mentira, abestalhado!!!! Depois que o povo todo já estava fora, e minha irmã era uma das primeiras, eu saía desesperado, desgostoso, porque a ilusão de Monga, anualmente, era destruída pela tranquilidade de minha mãe que tentava fazer uma criança compreender o que era jogo de espelho.

Eu me pergunto até hoje porque ela me levava ali se não era para eu ter medo? Hoje eu tento mostrar a ela que as "Mongas" que a amedrontam não são reais, são inconscientes. Engraçado... ela me tirou os medos e acho que pegou para si.

* Escolhi este texto (publicado em Julho de 2008) para hoje em homenagem a Katinha e a festa do gigantinho daqui de casa que foi comemorada sábado em Santo Amaro. O aniversário teve como tema a festa de largo que eu comento aqui no texto e foi um dia tão lindo, com tantos reencontros. Vi os gigantes dos amigosmais próximos brincando, correndo, comemorando o daqui de casa.

Alguns e-amigos já conhecem, comentaram, espero que não os aborreça reler.

6 comentários:

Por que você faz poema? disse...

Santo Amaro, graças a Deus!
Em janeiro, quando chego ao Amparo e vejo a roda gigante, penso que bem que poderia ter a Monga também.

Gerana Damulakis disse...

Um texto assim não aborrece, pode ser lido e relido. Textos de memórias são muito envolventes.

Bernardo Guimarães disse...

pensei no que Gerana escreveu.
Engraçado é que sempre que ouço alguem dizer que é de S. Amaro, lembro de Maria dizer, quando lhe perguntavam se tb era de lá:
" -não mereci".

Chorik disse...

Não comento Santo Amaro porque não conheço. Mas Monga é um clássico, sempre assisti a "transformação" nos parques de diversão de sampa, mesmo depois de saber que era truque de espelhos.

I.Moniz Pacheco disse...

Não sei bem porque, mas também merecí nascer em Sto.Amaro. As festas hoje sem Monga e sem um monte de coisas que já fiz ainda continuam me atraindo. Se me levarem lá, de olhos fechados, sem saber de calendário, sei que estamos em fevereiro por causa do cheiro que a cidade fica: um misto do suor, xixi, cerveja, maçã do amor, cachorro quente, acarajé e por aí vai. É um cheiro único.
A festa do seu gigante foi linda, sua mãe realmente é uma grande artista. Foi bom também encontrar um bocado de gente amiga.
Beijo

Cléia Alves disse...

Na minha cidade também tinha a tal Monga.Sempre que chegava um "parquinho de diversão", lá vinha a tal Monga no pacote.Eu nunca tive coragem de entrar para ver a Monga.Sempre ficava ouvindo os gritos e o homem falando: Calma Monga!Até hoje tenho curiosidade e um arrependimento por nunca ter visto o jogo de espelhos srsrs.