Nem se chorasse toda água do mundo, secariam minhas lágrimas
Nem todo sorriso doendo o ventre, alegraria meus dias
Há algo que se perdeu para sempre
E aqui dentro não existe mais eu
Apenas fagulhas do que desejei ser
E o que desejei a vida toda
Era continuar a ser quem fui
Era não me perder
sábado, 9 de novembro de 2013
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Para todo mundo saber - audiobook Judite quer chorar, mas não consegue!
Há um mês aconteceu o lançamento do audiolivro Judite quer chorar, mas não consegue!
Esse projeto vem sendo gestado há muitos anos, pensado nos detalhes, com cuidado, buscando transpor para a linguagem escrita o que foi pensado para Dança.
O espetáculo "Judite..." é um sucesso inquestionável. Poucos trabalhos em Dança conseguem se manter por tanto tempo, principalmente uma produção independente que nunca recebeu apoio para manutenção ou continuidade. Fomos contemplados ao longo do tempo com inúmeros editais de circulação, temporada, convidados para importantes festivais e isso contribuiu muito para Judite se renovar, se atualizar, amadurecer e permanecer.
A publicação do audiolivro tornou-se, então, uma consequência inevitável, assim como os outros desdobramentos do trabalho, como a oficina Despertando Judites, por exemplo.
Com texto escrito por mim e narrado por Malu Mader, o livro tem ainda ilustrações de Clarice Cajueiro e o cd conta com trilha criada e executada por Cássio Nobre.
O que não poderíamos imaginar é que o audiolivro tomasse a força que tomou. Desde o seu lançamento até agora (1 mês), já foram vendidos mais de 500 exemplares, metade dessa primeira edição. O que acredito ser um grande feito, já que não tivemos colaboração de nenhuma editora ou distribuidora.
A venda está sendo feita pelo boca a boca e também com a parceria de espaços que aceitaram ser pontos de venda, em Salvador: Jhana Livros (Boulevard 161), Sebo Porto dos Livros (Porto da Barra), Museu Carlos Costa Pinto (Corredor da Vitória) e Palacete das Artes (Rua da Graça).
bottons e squize Judite quer chorar, mas não consegue!
Para quem não está em Salvador e se interessar pelo livro, basta entrar em contato pelo email eduimpro@gmail.com e passamos as indicações de como efetivar a compra.
Em Santo Amaro/BA, os livros estão à venda na Delicatessen Abelha Gulosa (Makiba).
Judite quer chorar, mas não consegue!
Texto de Edu O.
Ilustrações de Clarice Cajueiro
Capa dura
15cm x 15cm
34 páginas
O livro vem com o cd do audiolivro com narração de Malu Mader e trilha de Cássio Nobre.
Ainda temos brindes de Judite como bottons e cartão postal (R$ 2,00 cada) e squize (R$ 10,00).
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terça-feira, 22 de outubro de 2013
7 anos de Judite
Neste sábado (26/10),
festejaremos os 7 anos de Judite que que estreou nos palcos baianos em
25/10/2006.
Para a festa, o Palacete das Artes Rodin Bahia (Rua da Graça) nos convidou para fazermos o relançamento do audiolivro e também apresentação única do espetáculo “Judite quer chorar, mas não, consegue!”, a partir das 15 horas, com entrada franca.
Iniciaremos a apresentação pontualmente porque terei compromisso ainda a tarde, lá na Ponta do Humaitá e quero aproveitar um tempinho para dengar e abraçar e agradecer a todos vocês que irão comemorar conosco esse dia tão especial.
7 anos não são 7 dias! Quantas coisas aconteceram, hein? e muitas ainda estão por acontecer.
Para a festa, o Palacete das Artes Rodin Bahia (Rua da Graça) nos convidou para fazermos o relançamento do audiolivro e também apresentação única do espetáculo “Judite quer chorar, mas não, consegue!”, a partir das 15 horas, com entrada franca.
Iniciaremos a apresentação pontualmente porque terei compromisso ainda a tarde, lá na Ponta do Humaitá e quero aproveitar um tempinho para dengar e abraçar e agradecer a todos vocês que irão comemorar conosco esse dia tão especial.
7 anos não são 7 dias! Quantas coisas aconteceram, hein? e muitas ainda estão por acontecer.
Tempo é dinheiro
No período do ano em que mais tenho trabalho, me surpreendo com a minha conta bancária no negativo. Isso mesmo no vermelho, faltando dindin, devendo para o banco. Eu sei, não deveria ser assim. Nós trabalhamos para receber em troca um salário, uma recompensa financeira, um retorno pelo tempo-esforço-conhecimento-anos de estudo-etc-etc-etc... Mas eu sou artista e essa situação me deixa com mais raiva ainda, não pelo fato apenas de estar sem dinheiro na conta, mas porque isso dá ousadia a quem não sabe o que é ser artista vir me dizer para fazer concurso público, que arte não dá dinheiro, que não conseguimos nos sustentar com isso. E claro, todo mundo tem razão, menos eu que nasci vendo o mundo com outras cores, outras formas, outros movimentos....
Fico pensando se estivéssemos num mundo justo e de valores firmes, somente esta semana eu deveria ter dinheiro para comprar uma casa. Afinal, estou em vésperas de uma montagem internacional, apresentação em comemoração a 7 anos de Judite e participação num show de uma das melhores cantoras que temos por aqui e também está bancando sozinha seu trabalho. Em menos de um mês, participarei de um intercâmbio na França. Este ano ainda, posso acabar de escrever minha dissertação de mestrado.
Enfim... é trabalho que não acaba mais e dinheiro que nunca entra. Valores simbólicos para uma fazer tão intenso, dedicado, com horas e horas de trabalho, mesmo quando se dorme. Sim, porque o corpo continua elaborando tudo o que se passou e cansa e precisa se recuperar instantaneamente para voltar a fazer tudo de novo. Exaustão é a palavra de agora.
Como não tenho muito tempo para ficar aqui, preciso sair para me arrumar, porque tempo é dinheiro.
E com essa eu vou trabalhar que ganho mais. Ou menos?
Só para quem tiver curiosidade de minha agenda da semana:
Dia 26/10, às 15h, apresentação do espetáculo e relançamento do audiolivro "Judite quer chorar, mas não consegue!", no Palacete das Artes, entrada franca.
De 27/10 a 03/11, apresentação de "São Cosme e Damião Duo", da companhia francesa Kastor Argile, às 17h, na Ponta do Humaitá, ao ar livre.
Dia 29/10, participação no show "Traduzir-se", de Andréa Daltro, às 20h, no Espaço Xisto Bahia. R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia).
Fico pensando se estivéssemos num mundo justo e de valores firmes, somente esta semana eu deveria ter dinheiro para comprar uma casa. Afinal, estou em vésperas de uma montagem internacional, apresentação em comemoração a 7 anos de Judite e participação num show de uma das melhores cantoras que temos por aqui e também está bancando sozinha seu trabalho. Em menos de um mês, participarei de um intercâmbio na França. Este ano ainda, posso acabar de escrever minha dissertação de mestrado.
Enfim... é trabalho que não acaba mais e dinheiro que nunca entra. Valores simbólicos para uma fazer tão intenso, dedicado, com horas e horas de trabalho, mesmo quando se dorme. Sim, porque o corpo continua elaborando tudo o que se passou e cansa e precisa se recuperar instantaneamente para voltar a fazer tudo de novo. Exaustão é a palavra de agora.
Como não tenho muito tempo para ficar aqui, preciso sair para me arrumar, porque tempo é dinheiro.
E com essa eu vou trabalhar que ganho mais. Ou menos?
Só para quem tiver curiosidade de minha agenda da semana:
foto Célia Aguiar
Dia 26/10, às 15h, apresentação do espetáculo e relançamento do audiolivro "Judite quer chorar, mas não consegue!", no Palacete das Artes, entrada franca.
De 27/10 a 03/11, apresentação de "São Cosme e Damião Duo", da companhia francesa Kastor Argile, às 17h, na Ponta do Humaitá, ao ar livre.
Dia 29/10, participação no show "Traduzir-se", de Andréa Daltro, às 20h, no Espaço Xisto Bahia. R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia).
domingo, 6 de outubro de 2013
Sobre os vôos de uma lagarta-borboleta
Lembro que tudo começou para 30
pessoas, em comemoração aos meus 30 anos. Passaram-se 7 anos desde então e a
força que a lagarta Judite tomou me surpreende. Sempre falei dos temas difíceis
e sofridos da vida dessa lagartinha, mas ontem numa entrevista me dei conta de
que o mais importante nessa história é o SONHO.
Bem lá no início que desembocou em
tudo isso, está o sonho de partir, enfrentar (assim como Dom Quixote) outros
moinhos de vento e o medo travou as asas e daí nasceu Judite. Bem verdade que
ali estava se construindo o casulo para que eu pudesse voar mais alto do que
havia imaginado e graças a ela (que é feita de todas as experiências que eu
vivi e vivo) cheguei a lugares inimagináveis, tanto geograficamente quanto
dentro de mim.
foto de Nei Lima, Edu autografando os livros
Judite toma força e me empurra e me
joga longe com seus vôos... eu sempre penso nela lagarta, mas todos nós sabemos
que já se transformou em borboleta há muito tempo. É borboleta quando recebo as
palavras e os abraços de cumplicidade de quem a compreende e a tem dentro de si.
É borboleta quando nos faz conhecer os meninos do IBCM onde iniciamos o projeto
Despertando Judites (curso de Dança Contemporânea para crianças) que foi uma
das experiências mais transformadoras que já vivi. É borboleta quando Gilles
Pastor a assiste e a partir disso cria um projeto para trabalhar comigo e daí
tive minha primeira experiência em teatro profissional e de cara já fui logo
fazendo um Shakespeare e essa experiência se reverbera agora em São Cosme e
Damião, trabalho que estrearemos dia 27/10. É borboleta no livro que produzimos
em 2010 com ilustrações de amigos que assistiram ao espetáculo e nos
presentearam com seus desenhos, massinhas, fotografias, arte digital, botões...
E a borboletagem toda quando viaja pelo mundo, pelo interior, por outros estados?
E alcança espaços infinitos quando inspira a poesia, a música, a dança, a
contação de história de Ana Luiza, os desenhos, os olhares que recebemos de
presente em todos os lugares que chegamos.
Voa mais alto em mim quando
conseguimos realizar esse audiolivro que se transformou também em livro falado
que é um projeto específico para cegos e será lançado brevemente. E pelo mais
novo sonho que estamos construindo com cuidado e bem devagar para que seja
duradouro e dê mais frutos que é o Casulo Juditi, uma ONG que estamos em fase
de organização onde queremos que seja um espaço de arte, de troca, de criação e
acessibilidade.
Judite é crisálida de asas grandes
que acolhe e suporta carregar um mundaréu (amo essa palavra)... um mundaréu de
amigos que vão se chegando e ficando. Que nos acompanham desde o seu nascimento
até agora. De uma equipe que só agrega pessoas apaixonadas por ela, desde
crianças até adultos.
foto de Nei Lima do audiotório do Museu lotado
Eu gostaria de agradecer a todas
essas pessoas que são pipas acompanhando e fazendo Judite voar, mas como
poderia sofrer com o esquecimento do nome de alguém, hoje, farei um
agradecimento especial apenas a quem colocou o audiolivro nas nuvens e está
contribuindo com este lançamento: Clarice Cajueiro, Cassio Nobre,
Samuel de Assis, Malu Mader, André Mantelli, Joana Reseck, tia Mabel, Cintia
Santos, Alê Nohvais, Ana Clara Oliveira, Nucleo Vagapara, Sergio Rivero,
Fernanda Pinheiro, Paulo Lins, Alfa Bottons, Taty Haynne, Nyala Cardoso, aos apoiadores do Catarse porque sem
esses 129 amigos não seria mesmo possível, apesar do Prêmio Arte e Inclusão que
recebemos em 2011 pelo MINC, Flavia Motta, Valter Ornellas, Paloma Giolli
Fafá Daltro, Clea Maria, Aída e Catarina Gramacho (Ampla
Produções e evento), a Bárbara (Diretora do Museu Carlos Costa Pinto) e toda sua equipe, em especial a Nairzinha que nos presenteou com seu projeto Cirandando Brasil.
E porque sem eles, nada faria sentido, agradecer eternamente a minha mãe Dinorah, minha irmã Paloma,
meu amor Nei, Junior e ao meu pequeno-grande Rudá.
foto de Nei Lima, com Edu, Nairzinha e Cintia Santos
fazendo tradução em LIBRAS das palestras.
Lembrando que os livros, em Salvador, ficarão à
venda na loja do Museu Carlos Costa Pinto (Corredor da Vitória) e também no Sebo Porto dos Livros (Porto da Barra).
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Lançamento do audiolivro Judite quer chorar, mas não consegue!
por Nei Lima
Poucos espetáculos conseguem ter uma vida tão longa e muitos desdobramentos, "Judite quer chorar, mas não consegue!", do coreógrafo e dançarino Edu O., é um deles. Judite tem vida de lagarta que nasce e se esconde, primeiro nas folhas e depois nos casulos, para logo depois surgir borboleta pronta para muitos voos.
No início de outubro realizaremos o lançamento oficial do audiolivro homônimo do espetáculo, com narração da atriz Malu Mader e trilha de Cássio Nobre. O livro conta ainda com ilustrações de Clarice Cajueiro.
Dia 05 de outubro, o evento acontecerá no Museu Carlos Costa Pinto (Corredor da Vitória - Salvador), a partir das 15h, com a participação do projeto "Cirandando o Brasil" de Nairzinha.
Dia 08 de outubro, será em Santo Amaro, em dois horários:
das 10h às 13h, na Praça da Purificação, com a participação do projeto "Quarto Azul", do Núcleo Vagapara. Comemorando a semana das crianças com as escolas da cidade.
A partir das 17h, nos encontraremos no Restaurante 82 Grill (Makiba).
Estão todos convidados! A entrada é gratuita.
sábado, 10 de agosto de 2013
Aquela gaveta
Hoje, vivi uma experiência totalmente "Odete". Para quem não lembra, "Odete, traga meus mortos" é um trabalho meu com Lucas Valentim, onde tratamos sobre o que fica em nós das experiências vividas, das pessoas que encontramos, lugares que visitamos, padrões que se repetem....
Quando eu era criança, lembro-me que havia dias em que decidia tomar banho escondido. Eram dias especiais, em que eu queria me sentir independente, autônomo, bonito. Escolhia na gaveta a roupa que eu achava mais bela (geralmente um conjunto de camiseta e bermuda amarelas), me perfumava, penteava os cabelos (ainda os tinha) e ia para a porta da rua ver a vida passando (isso aqui é coisa de Judite).
Não é que hoje eu me peguei fazendo a mesma coisa? Vesti uma camiseta nova, numa cor forte, bonita, escolhi minha melhor bermuda e chorei porque não há mais aquela porta, não há mais aquela vida.
Me debrucei na janela do prédio, observando a rua dessa cidade grande... contei nos dedos o tempo que falta para entrar novamente por aquele portão, daquela casa, que fica ainda naquela rua, que continua com aqueles amigos...
Lógico que nada parou no tempo e está à minha espera, tudo mudou, mas o que fica em nós é esse gosto salgado de lembranças coloridas como aquela gaveta.
Quando eu era criança, lembro-me que havia dias em que decidia tomar banho escondido. Eram dias especiais, em que eu queria me sentir independente, autônomo, bonito. Escolhia na gaveta a roupa que eu achava mais bela (geralmente um conjunto de camiseta e bermuda amarelas), me perfumava, penteava os cabelos (ainda os tinha) e ia para a porta da rua ver a vida passando (isso aqui é coisa de Judite).
Não é que hoje eu me peguei fazendo a mesma coisa? Vesti uma camiseta nova, numa cor forte, bonita, escolhi minha melhor bermuda e chorei porque não há mais aquela porta, não há mais aquela vida.
Me debrucei na janela do prédio, observando a rua dessa cidade grande... contei nos dedos o tempo que falta para entrar novamente por aquele portão, daquela casa, que fica ainda naquela rua, que continua com aqueles amigos...
Lógico que nada parou no tempo e está à minha espera, tudo mudou, mas o que fica em nós é esse gosto salgado de lembranças coloridas como aquela gaveta.
sábado, 3 de agosto de 2013
O sal das luas seculares
Andaram tropeçando nos buracos do centro da cidade durante todo o dia. Caminhavam lentamente em silêncio, sem se tocarem. Ele, turista de primeira viagem além mar. Ela, anfitriã mostrando as ruínas de onde os outros consideram belo. Os dois eram bonitos juntos, apesar de tudo ou apesar do nada que se estabelecia ali. Não sabiam que algo já havia interrompido aquele encontro. A viagem, embora no início, já era fim. Cansados e ainda em silêncio como pedra na garganta, peso no estômago, sentaram-se na balaustrada daquele antigo convento que dava para uma exuberante vista da Baía de Todos os Santos. Pareciam duas estatuetas gregas, sei lá. Estáticos, pescoços retos, mirando o jardim..........
Ela falou quase como quem confessasse, como quem falasse a si mesma:
- Bonitas essas plantas que se penduram nas árvores, o tom desse limo que gruda nelas.
Ele também como quem conversasse sozinho e quase ao mesmo tempo:
- São parasitas.
....................................... Silêncio estrondoso .........................................................
- Se aproveitam das árvores porque só podem viver desse jeito, mas as árvores devem gostar. Não acabarão sozinhas, terão sempre alguém acompanhando com elas as luas seculares de suas existências.
Ele nem notou, mas ela já estava de costas com os olhos refletindo o sal.
Ela falou quase como quem confessasse, como quem falasse a si mesma:
- Bonitas essas plantas que se penduram nas árvores, o tom desse limo que gruda nelas.
Ele também como quem conversasse sozinho e quase ao mesmo tempo:
- São parasitas.
....................................... Silêncio estrondoso .........................................................
- Se aproveitam das árvores porque só podem viver desse jeito, mas as árvores devem gostar. Não acabarão sozinhas, terão sempre alguém acompanhando com elas as luas seculares de suas existências.
Ele nem notou, mas ela já estava de costas com os olhos refletindo o sal.
quarta-feira, 10 de julho de 2013
segunda-feira, 8 de julho de 2013
As pessoas sempre param no lugar errado
Eu acredito mesmo nas micropolíticas, aquelas que vamos realizando perto, dentro dos nossos limites, numa conversa, numa reclamação, nas atitudes que tomamos. Entendo o mundo como uma diversidade de pequenos mundos e vou procurando me transformar, colocar minhas posições, meus sentimentos, o que acredito.
E eu acredito mesmo que ela é meu exemplo e a cada dia a admiro mais. Minha irmã é uma mulher da porra! Uma mãe da porra! Um ser humano do caralho!! Não há outros adjetivos para traduzi-la, somente com essas palavras consigo dar ao leitor a dimensão e intensidade do que quero dizer. E vem um homem do caralho por aí, tenho certeza: seu filho. Desde pequeno lida com a diferença e com a obrigação de se respeitar o diferente, até mesmo porque convive comigo, principalmente por ela ser quem ela é.
Ontem participamos de uma manifestação em prol da acessibilidade nessa cidade ingrata que nem quero falar o nome. Três dias depois de termos vivido mais uma situação constrangedora por causa da falta de acesso e principalmente de respeito em relação à pessoa com deficiência, em relação à pessoa. Fomos eu, ela e o pequeno que não entendia, no início, o que estava acontecendo, mas foi tomando pé das coisas ao caminhar junto com o grupo.
Ao contrário dessa situação, nós que tínhamos acabado de nos manifestar pela acessibilidade, nos dirigimos ao Shopping Barra para almoçar e logo de cara encontramos as vagas reservadas às pessoas com deficiência ocupadas por não-deficientes, ou por deficientes de caráter. No mesmo momento, passamos por duas situações idênticas. A segunda com o agravante do pai justificar o ato por levar crianças "a bordo". Essas crianças, espero eu, não tenham como exemplo seu pai, sintam vergonha dele, tentem corrigi-lo, repreende-lo, mas eu duvido.
O que me deixa feliz é dentro do nosso mundo ouvir nosso pequeno dizer e entender: "aqui as pessoas sempre param no lugar errado, né Dudu?". Tenho certeza que ele sabe do que estava falando e que esta fala quer dizer mais do que apenas o parar um carro.
E eu acredito mesmo que ela é meu exemplo e a cada dia a admiro mais. Minha irmã é uma mulher da porra! Uma mãe da porra! Um ser humano do caralho!! Não há outros adjetivos para traduzi-la, somente com essas palavras consigo dar ao leitor a dimensão e intensidade do que quero dizer. E vem um homem do caralho por aí, tenho certeza: seu filho. Desde pequeno lida com a diferença e com a obrigação de se respeitar o diferente, até mesmo porque convive comigo, principalmente por ela ser quem ela é.
Ontem participamos de uma manifestação em prol da acessibilidade nessa cidade ingrata que nem quero falar o nome. Três dias depois de termos vivido mais uma situação constrangedora por causa da falta de acesso e principalmente de respeito em relação à pessoa com deficiência, em relação à pessoa. Fomos eu, ela e o pequeno que não entendia, no início, o que estava acontecendo, mas foi tomando pé das coisas ao caminhar junto com o grupo.
Ao contrário dessa situação, nós que tínhamos acabado de nos manifestar pela acessibilidade, nos dirigimos ao Shopping Barra para almoçar e logo de cara encontramos as vagas reservadas às pessoas com deficiência ocupadas por não-deficientes, ou por deficientes de caráter. No mesmo momento, passamos por duas situações idênticas. A segunda com o agravante do pai justificar o ato por levar crianças "a bordo". Essas crianças, espero eu, não tenham como exemplo seu pai, sintam vergonha dele, tentem corrigi-lo, repreende-lo, mas eu duvido.
O que me deixa feliz é dentro do nosso mundo ouvir nosso pequeno dizer e entender: "aqui as pessoas sempre param no lugar errado, né Dudu?". Tenho certeza que ele sabe do que estava falando e que esta fala quer dizer mais do que apenas o parar um carro.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
o que tem pra hoje
sentimento que não tem nome e que te paralisa os dentes.
corpo com saudade daquele colo velhinho que nunca mais.
ar que se esconde por trás das costelas e te entope as narinas.
asas que se foram sem deixar rastro para trás.
corpo com saudade daquele colo velhinho que nunca mais.
ar que se esconde por trás das costelas e te entope as narinas.
asas que se foram sem deixar rastro para trás.
sexta-feira, 14 de junho de 2013
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Se joga NA Plataforma
Se joga NA
Estamos em formulação!
Estamos em formação de parcerias.
Tornar a plataforma acessolivre possível dá trabalho!
Considerar todas as possibilidades de comunicação dá trabalho!
Isso não quer dizer que estamos fazendo um trabalho de inclusão ... significa que QUEREMOS! considerar as formas de comunicação.
Se joga NA Plataforma! http://plataformacessolivre.blogspot.com.br/
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Cabaret Drag King
"Cabaret Drag King"
A cena queer vai realizar, no dia 29 de maio, às 20h, a primeira edição do "Cabaret Drag King", espetáculo onde o foco das performances é a "masculinidade". Vai ter dublagem, dança, solo, sketches e o que mais pintar. Confirmadas até o momento a presença dxs seguintes artistas: Karol Sena, Mirella Matos, Simone Gonçalves, Moara Miranda, Nildes Sena, Edu Oliveira, Ana Dumas, Alessandra Nohvais e Márcia Andrade. Xs Drag Kings se apresentarão no Cabaré dos Novos (Teatro Vila Velha) sob o comando de Isabela Silveira, nossa mestre de cerimônias que irá costurar as apresentações com comentários e brincadeiras, seguindo o modelo das apresentações de travestis. O bar estará funcionando desde o final da tarde. O som é de Fábio TxQrz e imagens de Jacson Costa.
SERVIÇO
Cabaret Drag King
Dia 29 de maio de 2013
às 20h
No Cabaré dos Novos (Teatro Vila Velha)
Valor: 20 (inteira) / 10 (meia)
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Aqui no peito
Estou desde a tarde tentando escrever para ela. Uma frase, uma besteira, algum poema, enviar música... qualquer coisa, mas a hora é de silêncio e amor e presença. Também não consegui estar presente, embora o pensamento lá. Mas isso não é presença. Queria abraçar, beijar, sorrir... Queria estar em silêncio ao seu lado, segurando barra de lençol se sua mão estivesse esquiva. Meu peito ficou apertado, pequeno como bebê de colo, como seu bebê em colo de padrinho, mas diferente porque sem calma, sabendo o que se passa. Imaginei agora os sonhos e sorriso de seu bebê. Que bom que eles não sabem as coisas que tem aqui fora!!! Um dia saberão ou sabem, mas é tudo tão novo que não se dão conta dos perigos.
Perigo é não ter não para quem gritar socorro. E eu agora recorro à uma deusa que não pede oração e nem sacrifício, porque se for sacrifício ela deixa de existir. Peço à amizade, essa boca cheia de dentes, essas mãos grandes e grossas que nos seguram nas horas difíceis, esse colo cheio de peitocoxapernabarriga onde a gente deita e rola e torna a rolar que tome conta dela, de sua cabeça, seu peito, seu coração.... que faça ela saber que é amada, que não está só, que o que vale são as Neide que encontramos no caminho. Leve para ela todo meu carinho, meu amor!!!!!
Perigo é não ter não para quem gritar socorro. E eu agora recorro à uma deusa que não pede oração e nem sacrifício, porque se for sacrifício ela deixa de existir. Peço à amizade, essa boca cheia de dentes, essas mãos grandes e grossas que nos seguram nas horas difíceis, esse colo cheio de peitocoxapernabarriga onde a gente deita e rola e torna a rolar que tome conta dela, de sua cabeça, seu peito, seu coração.... que faça ela saber que é amada, que não está só, que o que vale são as Neide que encontramos no caminho. Leve para ela todo meu carinho, meu amor!!!!!
domingo, 5 de maio de 2013
Lola - Brilhante Mendonza
Sou uma pessoa de
extremos, de exageros, mas me permito parecer exagerado mesmo ao falar desse
filme que me emocionou demais ontem.
"Lola", do diretor Brilhante Mendonza, é uma
das coisas mais belas que assisti. As interpretações, sobretudo da protagonista Anita Linda, a
direção, as imagens, a historia.... Tudo acontece como se fosse verdade, sem
percebermos a representação, tudo como se fosse a vida mesmo. Lindo demais!!!!
Pérolas que encontramos na Locadora Vintage, no Jardim Brasil.
Link da locadora: http://www.vintagevideos.com.br/index.php
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Dias como este
Em dias como este, a saudade dele aumenta. Bastava correr para aquela casa, atravessar o corredor longo de quatro portas e a capela, encontrá-lo à mesa cortando fatias finíssimas do pão duro para fazer torradas. Me deitava no sofá sentindo o cheiro daquele lugar meio ácido, meio úmido. Depois ele vinha e sentava ao lado da minha cabeça encostada na almofada dura. E conversávamos...
Hoje, larguei o computador, me joguei na cama embaixo da janela quando a chuva começou a cair. Continuei deitado sentindo os pingos frios acalmando a noite quente, minha cabeça quente, minhas lágrimas quentes. Um gole de café quente faz bem nessas horas.
Nós levantávamos e caminhávamos até a mesa eternamente pronta para o café, com leite em pó, biscoito água e sal e as famosas torradas com manteiga. Tem um momento na vida em que é necessário dar muitos passos para se chegar à mesa.
Precisava burlar as dietas e sentir gosto pesado de comida salgada. Deixei o café para depois e compartilhei com ele o sabor gostoso e gelado que roubei da geladeira.
Tudo passando como num filme em câmera lenta. Tempo esgarçado pela angústia, tristeza e raiva. Sinto saudade do tempo em que eu acreditava compreender o mundo. Hoje é tanto silêncio sem resposta em minha cabeça. Essa caixa ecoando dias como este.
Hoje, larguei o computador, me joguei na cama embaixo da janela quando a chuva começou a cair. Continuei deitado sentindo os pingos frios acalmando a noite quente, minha cabeça quente, minhas lágrimas quentes. Um gole de café quente faz bem nessas horas.
Nós levantávamos e caminhávamos até a mesa eternamente pronta para o café, com leite em pó, biscoito água e sal e as famosas torradas com manteiga. Tem um momento na vida em que é necessário dar muitos passos para se chegar à mesa.
Precisava burlar as dietas e sentir gosto pesado de comida salgada. Deixei o café para depois e compartilhei com ele o sabor gostoso e gelado que roubei da geladeira.
Tudo passando como num filme em câmera lenta. Tempo esgarçado pela angústia, tristeza e raiva. Sinto saudade do tempo em que eu acreditava compreender o mundo. Hoje é tanto silêncio sem resposta em minha cabeça. Essa caixa ecoando dias como este.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Abril da Dança, do corpo, de todos nós
Em Salvador, inicia esta semana uma série de
eventos comemorativos ao Mês da Dança. O 6° ABRIL o Corpo, é uma realização do Teatro Gamboa Nova que neste ano
conta mais uma vez com a colaboração do Núcleo VAGAPARA.
A abertura do se realizará nesta quarta-feira (03-04) com o Show NOVO ENDEREÇO da cantora Neila Kadhí
Terá uma programação bem variada com espetáculos infantis,
mostra de trabalhos em processo, espetáculos adultos, encontros de improvisação
entre músicos e dançarinos, intervenções urbanas e oficinas de criação. E nós
do Grupo X de Improvisação em Dança estaremos lá, já neste final de semana, dia
07-04, às 17h, no projeto “Toca que eu Danço”, um diálogo entre artistas da
Dança e músicos, numa tarde de improvisações deliciosas. Nossa parceira, desta
vez, será a DJ Alessandra Nohvais.
Dia 24-04, apresentaremos o processo do novo
trabalho do Grupo X, “No Jardim de Fulaninhas”, às 19h.
A cidade será, mais uma vez, sede do Festival
VivaDança, produzido pelo pessoal do Teatro Vila Velha. Evento consolidado como
um dos principais Festivais de Dança no país. Foi neste festival onde nasceu “Odete,
traga meus mortos”, em 2010, quando ganhamos o 1º Prêmio VivaDança. Em 2007,
ainda com o nome Mês da Dança do Teatro Vila Velha, Judite teve uma
participação decisiva para sua continuidade e sucesso.
Este ano, retomamos a parceria junto ao festival
e faremos quatro apresentações de “Judite quer chorar, mas não consegue!”, dias
10 e 11, às 10h e 15h (duas sessões por dia). Haverá tradução em LIBRAS para
atender às pessoas com deficiência auditiva e também Contação de História,
feita por Ana Luiza Reis, para o público infantil.
Acessem a programação dos eventos e prestigiem
os artistas da Dança! Espero vocês!!!
segunda-feira, 25 de março de 2013
Elza me representa
FORA FELICIANO!!! ELZA ME REPRESENTA!!!
Uma das maiores cantoras (para mim a maior) brasileira, jovem, atualíssima, nos enche de orgulho e emoção!!! Para sempre ELZA SOARES!!!
quinta-feira, 21 de março de 2013
Você tem fome de que?
Precisamos encontrar meios
para enfrentar a inércia das políticas públicas culturais brasileiras,
acomodadas num formato desgastado de Editais que não são sinônimos dessas
políticas, mas sim um dos inúmeros mecanismos que estas têm para fomentar a
cultura no nosso país. A economia solidária é uma das alternativas viáveis e já
comprovada a sua eficiência, entre outras.
As redes, os grupos, as
comunidades devem reforçar essas novas estruturas que surgem. Não podemos mais ficar
a mercê dos interesses políticos do governo que nos trata com perversidade e
tirania com atrasos de repasses de verba, com a formularização (de formulários)
da nossa arte, enquadrada e subalterna a interesses escusos que podemos ter
ideia, mas nunca saberemos exatamente quais são.
É urgente a sociedade se
mobilizar porque mesmo quem não produz arte, mesmo estes, são também cultura e
fazem parte desta.
Quando se apoia um projeto,
não se está beneficiando apenas ao seu idealizador, mas também a inúmeros
profissionais que constituem uma rede. Quando se apoia um projeto está
afirmando que a sociedade também se responsabiliza por sua cultura e que exige
novos caminhos que não sejam submissos às leis de mercado.
Escrevo este texto pensando
nesse turbilhão de coisas que me chegam com o projeto no Catarse, esta
mobilização emocionante, esta força que a união de pensamentos, sentimentos e
desejos pode alavancar um mundo. É difícil para mim ficar pedindo ajuda se a
quem recorro não entender que é um investimento numa área tão abandonada e que
precisa de cuidado, respeito por ser nosso bem maior.
terça-feira, 19 de março de 2013
Mario Quintana
Mas o que quer dizer este poema? - perguntou-me alarmada a boa senhora.
E o que quer dizer uma nuvem? - respondi triunfante.
Uma nuvem - disse ela - umas vezes quer dizer chuva, outras vezes bom tempo...
Mario Quintana
E o que quer dizer uma nuvem? - respondi triunfante.
Uma nuvem - disse ela - umas vezes quer dizer chuva, outras vezes bom tempo...
Mario Quintana
terça-feira, 12 de março de 2013
Apoiando Judite com narração de Malu
foto André Mantelli
VOCÊ TAMBÉM PODE SER UM APOIADOR COLABORADOR DO PROJETO AUDIOBOOK JUDITE QUER CHORAR, MAS NÃO CONSEGUE!
Agora você já pode realizar seu apoio ao projeto "Audiobook: Judite quer chorar, mas não consegue!", narrado por Malu Mader, comprando o livro antecipadamente no site:http://catarse.me/pt/
link para acessar o projeto: http://catarse.me/pt/audiobookjudite
se puderem divulgar já será uma grande contribuição
ilustração de Clarice Cajueiro Miranda para o livro
Judite quer chorar, mas não consegue!
quinta-feira, 7 de março de 2013
terça-feira, 5 de março de 2013
Lê pra mim? - Judite nesta quinta-feora
A CAIXA Cultural Salvador apresenta, de 5 a 10 de março
(terça-feira a domingo) o projeto “Lê Pra Mim?”.
Nesta quinta-feira (07/03), mais uma vez, eu e Judite
estaremos nessa, junto com gente muito especial. Compareçam, prestigiem!
Informem também aos amigos com deficiência auditiva que
haverá tradução em LIBRAS.
sábado, 2 de março de 2013
Para finalizar o audiobook
Estamos em fase de finalização do audiobook de Judite, que todos sabem e narrado pela Malu Maravilhosa Mader. Embora tenhamos recebido o premio albertina Brasil, do MINC, o valor deste é muito pouco diante do que conseguimos fazer. Assim, como podemos deduzir, o dindin do prêmio já acabou e estamos bancando o projeto com dinheiro próprio, o que também não é muito. Gostaria de saber de vocês, meus amigos queridos, se eu fizer uma vaquinha dessas virtuais, vocês comprariam antecipadamente ou apoiariam o audiobook? Isso já garante que vocês terão, pelo menos, o livro em mãos quando lançado e mais alguns mimos de Judite. pretendemos lançar em breve, brevíssimo, dentro de um evento maravilhoso. Tenho medo dessas coisas porque crio expectativa e fico sonhando. Aqui é papo de amigo mesmo, viu? O que vocês acham da ideia?
Eu e Malu, em foto de André Mantelli, no dia da gravação do audiobook.
Eu e Malu, em foto de André Mantelli, no dia da gravação do audiobook.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Gestão e Produção Cultural na Bahia - Edu O.
O projeto "Gestão e Produção Cultural na Bahia", desenvolvido por alunos do Curso de Produção Cultural da UFBA sob orientação da professora Gisele Nussbaumer, prevê a realização de entrevistas e a gravação de depoimentos em vídeo com artistas, gestores, produtores e pesquisadores baianos. A proposta é inspirada no projeto "Produção Cultural no Brasil" (http://www.producaocultural.org.br/), da Secretaria de Políticas Culturais do Ministério da Cultura/MinC.
domingo, 24 de fevereiro de 2013
O brilho das estrelas
Vejo beleza na decadência. Acabo de ver a imagem de um prédio velho em São Paulo e me remeto a tantas coisas, tanta vida, tantas histórias minhas embora o que vejo não seja eu e é. Escrever cartas virou obsoleto e me veio um desejo enorme de escrevê-las. É decadente um papel amassado na gaveta com palavras velhas e sentimentos sem renovação? Caneta borrada, partes rasuradas, envelope perdido e a falta de assinatura. É decadente também os corpos, os dentes, os ossos? O céu não. Não sei porque mas não vejo isso no céu. Talvez seja a luz forte do sol e a lua se renovando a cada ciclo, mesmo que minguante. Nós não somos luas, muito menos sóis. O que vemos é a decadência das estrelas, não é?
A quem eu poderia endereçar caso este texto sem importância fosse uma carta? Passei pelo centro da cidade e gostei do que vi: as bocas banguelas, os muros pichados, as paredes descascadas do mosteiro. Adoro cores rotas.......
Minha barba amanhece mais branca a cada dia e me sinto mais belo.
A quem eu poderia endereçar caso este texto sem importância fosse uma carta? Passei pelo centro da cidade e gostei do que vi: as bocas banguelas, os muros pichados, as paredes descascadas do mosteiro. Adoro cores rotas.......
Minha barba amanhece mais branca a cada dia e me sinto mais belo.
Feliz Aniversário, Malu
Capacete de brigadeiro
Salto alto de Fafá
Gal cantando Baby
Arthur e seus elepês
Chocolate escorrendo na testa
Chão deslizando na dança
Gente saboreando delícias de Edilene
Uma carruagem transportando amor
Eu aqui ela lá
Arthur-Gal-Malu
O que uma coisa tem a ver............
Vejo aproximações, relações, afetos. Linhas que nos unem. Mesmo sentimento.
Feliz aniversário, Malu!!!! Todos os dias são teus.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
ACESSIBILIDADE NO TEATRO DO MOVIMENTO DA ESCOLA DE DANÇA /UFBA
No último dia 18 de fevereiro, no Teatro do Movimento - Escola de Dança/ Universidade Federal da Bahia, assistimos à dissertação da mestranda Ana Clara Oliveira, intitulada Por uma poética da audiodescrição de dança: uma proposta para a cena da obra Pequetitas Coisas Entre Nós Mesmos, sob orientação da Professora Doutora Fátima Daltro. Nesta ocasião foram inaugurados os equipamentos de tradução adquiridos a partir do subprojeto Audiodescrição para composição de infraestrutura multiusuária do programa de Pós-Graduação em Dança, a fim de possibilitar, através da audiodescrição de imagens, o acesso das pessoas com deficiência visual aos trabalhos artísticos apresentados neste teatro. Como salientaram as professoras Lúcia Matos e Lenira Rengel, aquele dia se tornava um marco para a Escola de Dança e para o Teatro do Movimento que, a partir desta data, é o único teatro de Salvador equipado para dar acesso das pessoas com deficiência visual. Ana Clara Oliveira recebeu o título de mestre em dança com aprovação das Professoras Doutoras Fátima Daltro, Lenira Rengel - Escola de Dança e Eliana Franco - Instituto de Letras da UFBA.
Vale considerar que os trabalhos junto ao Grupo de Pesquisa Poética da Diferença liderado pela professora Fátima Daltro, e vinculados à Escola de Dança tem franqueado discussões em torno das relações corpo, deficiência e a dança em suas múltiplas possibilidades de atuação. Além dos estudos de mestrado (2004), doutorado(2007) e pós-doutoramento(2011) da professora supracitada, em destaque o projeto pioneiro em audiodescriçao de imagens de dança do espetáculo " Os Três Audíveis Ana, Judite e Priscila" para a pessoa com deficiência visual iniciada em 2008, com o Grupo X de Improvisação em Dança e o Grupo de Pesquisa TRAMADAN (que uniu a Escola de Letras e Escola de Dança UFBA), hoje intensificado através da dissertação de Ana Clara Oliveira. A atividade Curricular em Comunidade-ACCDANA59 - Acessibilidade em Trânsito Poético, vinculado á PROEXT/UFBA, com ações que buscam aproximar a pessoa com deficiência da dança, além de diminuir as distâncias vigentes tem ampliando progressivamente o acesso ao conhecimento. O impacto dessas ações se veem representadas quando se cria espaço de cidadania no lugar onde atua, desenvolvendo mecanismos e diálogos que possam mudar o tecido social, criando nesses setores geralmente invisíveis ou marginalizados, a oportunidade de resolver problemas do cotidiano. Acreditamos que o acesso á informação ancorados em práxis educativas em dança apresentam situações que são fontes constantes de problematização, e nos levam a questionar certos comportamentos equivocados que circulam no mundo atual e que se mostram resistente em relação a esse grupo social.
domingo, 17 de fevereiro de 2013
A Fernanda
Fernanda Brandão você me salvou hoje! Muito obrigado. Por favor, me dê teu email para eu agradecer pela mensagem que me escreveu. O meu email é eduimpro@gmail.com
E não se preocupe, para mim qualquer reação, de qualquer plateia e não somente a dos teus colegas, é fonte de estímulo, me faz perceber que de alguma forma o espetáculo toca. Obrigado!!!!
E não se preocupe, para mim qualquer reação, de qualquer plateia e não somente a dos teus colegas, é fonte de estímulo, me faz perceber que de alguma forma o espetáculo toca. Obrigado!!!!
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Esse monstro
Há muito tempo tenho um monstro que vive comigo. O problema dele é quando saímos à rua, basta chegar na porta de casa para ele mostrar os dentes em postura de defesa. Ele comeu meu sorriso, minha alegria, minha paz, minha fome. Ele destruiu meu carnaval. Ele joga água nos meus olhos e não consigo conter o choro e perco o sono. Ele, agora, está bem no meio da minha caixa dos peitos, latejando, maltratando, amassando papel rascunho inútil. A primeira vez que eu tive contato com ele foi quando eu fazia terapia e um turbilhão de coisas me tiravam do sério. A terapeuta então me perguntou o que eu faria com aquilo e eu não soube responder. Saí do tratamento e até hoje não sei a resposta, mas percebo que ele tomou outra dimensão. Está mais raivoso, mais agressivo. Às vezes tenho ânsia de morte. Dias de fúria, sabe? E deve ser meu anjo que impede, mas meus dentes travam, minhas mãos se fecham e eu me agrido, me bato. Uma vez bati forte a cabeça contra a parede, contra o chão, contra o vaso sanitário. Eu estou tendo insônia, pesadelos e acordo me perguntando o que eu vou fazer com isso. Meu sobrinho me disse que é só atravessar a rua.... Penso que esta rua tem muitos quilômetros de largura e é difícil atravessar, mas eu deveria fazer isso. Ter coragem para atravessar. Nenhum lugar é perfeito, eu sei. Meu monstro se acalma em outras pastagens. E se eu me largar no sofá como almofada? Como fazer com que as coisas não me afetem? O mundo me enche de perguntas e eu nunca sei responder.
Esta semana poderia ter acontecido uma tragédia. Talvez aí meu grito fosse ouvido.
Esta semana poderia ter acontecido uma tragédia. Talvez aí meu grito fosse ouvido.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Era só atravessar a rua
"Oh Dudu, por que você está brigando com tudo e com você? Era só atravessar a rua. A gente te ajudava"
O pequeno talvez não saiba, mas não é tão simples atravessar uma rua. Atravessar ruas é perigoso, encontramos todo tipo de gente, de monstros, principalmente os nossos próprios e gigantescos monstros. Nos deparamos com a violência que exala fortemente dos nossos poros, com a angústia que destroça nosso peito em mãos estendidas nas calçadas com pernas feridas e estômago vazio. E com as quedas em buracos-úlceras que azedam nossos dias. Ainda inalamos os maus cheiros de lixo e urina e não só, o mau cheiro da falta de educação, da falta de estrutura de uma cidade doente. Meu pequeno queria me proteger porque percebe que adoeço a cada saída, reclamando de tudo, reclamando de mim. Naquele momento eu entendi tanta coisa e ele tem apenas 4 anos. Ele entende mais do que eu.
Atravessar a rua, para ele, é simples. Quem sabe? É só pedir por favor e os carros param, respeitam o sinal, o pedestre, não há perigo de atropelamento, assalto, não há buracos. Atravessando a rua encontramos nossos pares gentis, cuidadosos, sorridentes com dentes na boca.
Agora, a minha boca amarga e minha garganta trava, como vejo travado na porta de casa o trânsito nessa véspera de carnaval, onde tentarei atravessar as ruas sem me lembrar de nada, onde tentarei esquecer, por instantes, de tanta coisa que me prende em casa.
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Coisas que me entristecem
Te ver chorar a cada minuto.
Essa angústia que definha, que emudece e te enconlhe no sofá.
Esse mundo desgraçado que te provoca a raiva.
Essa obrigação da alegria constante enquanto a dor ali martela, martela, martela...
Ver você querer ficar só enquanto o sol brilha lá fora.
E a fome come
E a sede
A tua alegria
texto sem lógica, sem sujeito, com endereço
Essa angústia que definha, que emudece e te enconlhe no sofá.
Esse mundo desgraçado que te provoca a raiva.
Essa obrigação da alegria constante enquanto a dor ali martela, martela, martela...
Ver você querer ficar só enquanto o sol brilha lá fora.
E a fome come
E a sede
A tua alegria
texto sem lógica, sem sujeito, com endereço
domingo, 20 de janeiro de 2013
Pra falar do amor
Esta semana tive duas experiências maravilhosas. Minhas duas amigas, Taii Lopez e Neila Kadhí, parceiras de palco, há tanto tempo, presentearam a cidade com dois shows LINDOS!
O show de Taii, eu pude companhar de perto o processo, metendo bedelho, dando opiniões, ajudando em coisas de produção e ainda fazendo uma participação, dançando uma música. Ontem, ela reiniciou sua carreira de cantora depois de sete anos ausente dos palcos e foi emocionante ver Taii exuberante daquele jeito no show "Pra falar do amor". Sua experiência com a Dança, formada pela Escola de Dança da UFBA, faz com que tudo pareça fácil naquele corpo, tornando o palco pequeno do teatro Gamboa numa quase Arena Fonte Nova. Aproveitando tudo que o figurino favorecia. Que bom estar ali e dançar "Doce de Limão, uma composição de Leandro Morais, feita para um espetáculo de Dança de Clênio Magalhães, outro amigo importante na minha trajetória. Taii cantando "A flor e o espinho", de Nelson Cavaquinho, é de arrepiar! E o que falar dos músicos que a acompanham? Simplesmente estrelas de primeira grandeza: Cesário Leoni, Giba Conceição, Leandro Morais, Flávio Cerqueira e André Santana. E o bis não poderia deixar de ser DOCE DE LIMÃO. Para quem esteve lá, pôde ver que na minha apresentação eu me lambuzei de brigadeiro de limão (algumas pessoas puderam experimentar). Delícia da marca "CONFEITO - brigadeiros gourmet".
E minha amada Neila Kadhi recomeçando a vida com seu "Novo Endereço". Ex-integrante da banda Chita Fina, voltou aos palcos com toda propriedade que sempre teve e tendo o que falar, querendo falar coisas suas e nossas. E como fala bem e canta bem! AMO!!! "Novo Endereço" é quase teatro, tem um roteiro que nos faz percorrer caminhos que levam sempre a novos endereços, a novos encontros, com um repertório lindíssimo, Neila me fez encolher na cadeira, ficar miudinho, com sua versão para a música "Curumim", de Djavan. Desde então esta canção está grudada nos meus ouvidos, durmo e acordo com os versos saltando da minha boca, meus olhos não apagam a imagem do drama cênico que ela criou.
Aiii essas minhas meninas! E pensar que nos conhecemos há tanto tempo, que dancei enquanto elas cantavam num projeto de Fafá e Andréa, as duas Daltro. O "Cena Aberta" me deu pérolas como essas duas. E as duas estão nos dando suas pérolas no Teatro Gamboa Nova.
Última semana dos shows.
NOVO ENDEREÇO, de Neila Kadhi, quinta-feira (24/01), às 20h.
PRA FALAR DO AMOR, de Taii Lopez, sábado (26/01), às 20h.
O show de Taii, eu pude companhar de perto o processo, metendo bedelho, dando opiniões, ajudando em coisas de produção e ainda fazendo uma participação, dançando uma música. Ontem, ela reiniciou sua carreira de cantora depois de sete anos ausente dos palcos e foi emocionante ver Taii exuberante daquele jeito no show "Pra falar do amor". Sua experiência com a Dança, formada pela Escola de Dança da UFBA, faz com que tudo pareça fácil naquele corpo, tornando o palco pequeno do teatro Gamboa numa quase Arena Fonte Nova. Aproveitando tudo que o figurino favorecia. Que bom estar ali e dançar "Doce de Limão, uma composição de Leandro Morais, feita para um espetáculo de Dança de Clênio Magalhães, outro amigo importante na minha trajetória. Taii cantando "A flor e o espinho", de Nelson Cavaquinho, é de arrepiar! E o que falar dos músicos que a acompanham? Simplesmente estrelas de primeira grandeza: Cesário Leoni, Giba Conceição, Leandro Morais, Flávio Cerqueira e André Santana. E o bis não poderia deixar de ser DOCE DE LIMÃO. Para quem esteve lá, pôde ver que na minha apresentação eu me lambuzei de brigadeiro de limão (algumas pessoas puderam experimentar). Delícia da marca "CONFEITO - brigadeiros gourmet".
E minha amada Neila Kadhi recomeçando a vida com seu "Novo Endereço". Ex-integrante da banda Chita Fina, voltou aos palcos com toda propriedade que sempre teve e tendo o que falar, querendo falar coisas suas e nossas. E como fala bem e canta bem! AMO!!! "Novo Endereço" é quase teatro, tem um roteiro que nos faz percorrer caminhos que levam sempre a novos endereços, a novos encontros, com um repertório lindíssimo, Neila me fez encolher na cadeira, ficar miudinho, com sua versão para a música "Curumim", de Djavan. Desde então esta canção está grudada nos meus ouvidos, durmo e acordo com os versos saltando da minha boca, meus olhos não apagam a imagem do drama cênico que ela criou.
Aiii essas minhas meninas! E pensar que nos conhecemos há tanto tempo, que dancei enquanto elas cantavam num projeto de Fafá e Andréa, as duas Daltro. O "Cena Aberta" me deu pérolas como essas duas. E as duas estão nos dando suas pérolas no Teatro Gamboa Nova.
Última semana dos shows.
NOVO ENDEREÇO, de Neila Kadhi, quinta-feira (24/01), às 20h.
PRA FALAR DO AMOR, de Taii Lopez, sábado (26/01), às 20h.
sábado, 5 de janeiro de 2013
Depois de Piranha - O que fica?
Há dias vem na minha cabeça título e a lembrança desses dois trabalhos de dança criados por amigos e duas das maiores referências e reverências, para mim, nesta área.
Piranha é o premiado trabalho de Wagner Schwartz. Sinto-me privilegiado em tê-lo por perto, dentro, coração aos pulos ao ver o amigo, mas também por ver o artista que é um dos maiores nomes da Dança, atualmente, no Brasil. Assistir a Wagner é aula, é deslumbramento. Não estou escrevendo isso com o intuito de analisar a obra ou fazer comentários elaborados sobre sua Dança. Não sei fazer e não competência para tal. Quero mesmo fazer declaração de amor. Dizer que meu corpo treme até hoje sentindo o seu corpo, sua arte. Aquele cardume de pensamentos e imagens devorando meu corpo. E depois.... depois vem seu sorriso, seu colo, suas mãos enormes, seu humor, sua loucura tão parecida com a minha. Eu sei que não tenho juízo nenhum porque não podemos nos comportar, do jeito que me comporto com ele, quando estamos perto de alguém com essa grandeza, mas..... Não sei o que dizer. Foi/é assim desde o primeiro dia que nos conhecemos e espero que seja assim sempre. Olhem, se alguém que estiver lendo isso for da área da Dança, leia como se fosse um bilhete a um amigo, porque é isso que eu queria que fosse. Me declarar abertamente, dizer que sou loucooooooo por ele, varrido!!!
Assim como sou varrido em Lucas Valentim que criou junto ao GDC "O que fica?". Ele me perguntou, eu esbocei resposta e não consegui dizer. Assim como Piranha que ficou em mim num espaço em que palavras não traduzem, aconteceu com "O que fica?". A violência, o humor, aquela coisa tão óbvia e tão surpreendente ao mesmo tempo, aqueles corpos, aquela gostosura (viva as fraldas!)... Assisti e senti o meu O Corpo Perturbador, nossas questões tão próximas. Tantas coisas ficaram. Tantas coisas ficam.
Piranha é o premiado trabalho de Wagner Schwartz. Sinto-me privilegiado em tê-lo por perto, dentro, coração aos pulos ao ver o amigo, mas também por ver o artista que é um dos maiores nomes da Dança, atualmente, no Brasil. Assistir a Wagner é aula, é deslumbramento. Não estou escrevendo isso com o intuito de analisar a obra ou fazer comentários elaborados sobre sua Dança. Não sei fazer e não competência para tal. Quero mesmo fazer declaração de amor. Dizer que meu corpo treme até hoje sentindo o seu corpo, sua arte. Aquele cardume de pensamentos e imagens devorando meu corpo. E depois.... depois vem seu sorriso, seu colo, suas mãos enormes, seu humor, sua loucura tão parecida com a minha. Eu sei que não tenho juízo nenhum porque não podemos nos comportar, do jeito que me comporto com ele, quando estamos perto de alguém com essa grandeza, mas..... Não sei o que dizer. Foi/é assim desde o primeiro dia que nos conhecemos e espero que seja assim sempre. Olhem, se alguém que estiver lendo isso for da área da Dança, leia como se fosse um bilhete a um amigo, porque é isso que eu queria que fosse. Me declarar abertamente, dizer que sou loucooooooo por ele, varrido!!!
Assim como sou varrido em Lucas Valentim que criou junto ao GDC "O que fica?". Ele me perguntou, eu esbocei resposta e não consegui dizer. Assim como Piranha que ficou em mim num espaço em que palavras não traduzem, aconteceu com "O que fica?". A violência, o humor, aquela coisa tão óbvia e tão surpreendente ao mesmo tempo, aqueles corpos, aquela gostosura (viva as fraldas!)... Assisti e senti o meu O Corpo Perturbador, nossas questões tão próximas. Tantas coisas ficaram. Tantas coisas ficam.
Ficam como o "Peixe diabo se inscreve na mente...Peixe dente se inscreve no corpo..." (Schwartz)
E que corpo!
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