quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Esse monstro

Há muito tempo tenho um monstro que vive comigo. O problema dele é quando saímos à rua, basta chegar na porta de casa para ele mostrar os dentes em postura de defesa. Ele comeu meu sorriso, minha alegria, minha paz, minha fome. Ele destruiu meu carnaval. Ele joga água nos meus olhos e não consigo conter o choro e perco o sono. Ele, agora, está bem no meio da minha caixa dos peitos, latejando, maltratando, amassando papel rascunho inútil. A primeira vez que eu tive contato com ele foi quando eu fazia terapia e um turbilhão de coisas me tiravam do sério. A terapeuta então me perguntou o que eu faria com aquilo e eu não soube responder. Saí do tratamento e até hoje não sei a resposta, mas percebo que ele tomou outra dimensão. Está mais raivoso, mais agressivo. Às vezes tenho ânsia de morte. Dias de fúria, sabe? E deve ser meu anjo que impede, mas meus dentes travam, minhas mãos se fecham e eu me agrido, me bato. Uma vez bati forte a cabeça contra a parede, contra o chão, contra o vaso sanitário. Eu estou tendo insônia, pesadelos e acordo me perguntando o que eu vou fazer com isso. Meu sobrinho me disse que é só atravessar a rua.... Penso que esta rua tem muitos quilômetros  de largura e é difícil atravessar, mas eu deveria fazer isso. Ter coragem para atravessar. Nenhum lugar é perfeito, eu sei. Meu monstro se acalma em outras pastagens. E se eu me largar no sofá como almofada? Como fazer com que as coisas não me afetem? O mundo me enche de perguntas e eu nunca sei responder.

Esta semana poderia ter acontecido uma tragédia. Talvez aí meu grito fosse ouvido.

2 comentários:

Fernanda Brandão disse...

Edu O. ,
Assisti sua peça no meu colégio (Judite) e gostei muito, inclusive das reflexões que ela traz. Fiquei impressionada com a imaturidade de meus colegas de colégio perante uma peça e uma atuação tão marcante como a sua. E não sei se foi o destino, mas descobri seu blog. Você é realmente um ótimo escritor, que me leva a refletir mais ainda como as pessoas não entendem nossos problemas, chegando a ponto deles parecem bestas e você começa a ser julgado por isso. É bom ver que um ator tão bom como você, é também uma boa pessoa, bom escritor. Você é um dos meus atores, e agora um dos autores preferidos. Espero ver alguma peça sua em Salvador outra vez.
Abraços, e sucesso porque você merece,

Fernanda Brandão.

P.S.: Sou aluna do Sartre COC... E sua peça me ajudou muito.

Fernanda Brandão disse...

Edu O. ,
Assisti sua peça no meu colégio (Judite) e gostei muito, inclusive das reflexões que ela traz. Fiquei impressionada com a imaturidade de meus colegas de colégio perante uma peça e uma atuação tão marcante como a sua. E não sei se foi o destino, mas descobri seu blog. Você é realmente um ótimo escritor, que me leva a refletir mais ainda como as pessoas não entendem nossos problemas, chegando a ponto deles parecem bestas e você começa a ser julgado por isso. É bom ver que um ator tão bom como você, é também uma boa pessoa, bom escritor. Você é um dos meus atores, e agora um dos autores preferidos. Espero ver alguma peça sua em Salvador outra vez.
Abraços, e sucesso porque você merece,

Fernanda Brandão.

P.S.: Sou aluna do Sartre COC... E sua peça me ajudou muito.