sábado, 29 de outubro de 2011

Cidade poema

vou ali na cidadezinha
naquela pequenininha
que parece colo de mãe
peito de ama
Vou ali sentar na praça
deitar na grama.

Sem querer fiz uma poesia, é porque a cidadezinha é poema vivo

Lar do "se", lar


de Brunno Soares
Há uma casa vazia, lá.
Vazia. Dá azia, a casa.
Casa, ex-casa, rasa,
Caça, escassa casa.

... Há uma casa vadia, lá.
Vadia. Dá calma vazia.
Pouca brasa, ‘’tá’’ fria!
Louça gasta na pia.

Na rua,
cada casa com sua lida.
Cada alma côa sua vida.

Há uma casa vazia, tá?!
A casa, casinha caminha,
A casca da casa, ralinha...

Quer casa? Que seja na linha,
Quem casa quer qualquer casinha.

Há uma casa vazia,
e acaso,
essa casa não é a minha?


*blog de Bruno Soares http://cronicasdeafeto.blogspot.com/

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Enfim, Marilyn!

Enfim a chuva deixou Marilyn nascer e o sol cresceu lindo, quente para ela na praia de Paripe. Em dia de nascimento os pais ficam cansados e não sabem ainda o que aconteceu. Só com tempo para degustar o delicioso e salgado sabor de parir.

Para Marilyn, pensei nesta música como oração. Ainda mais cantada por uma deusa.

(...)

O sol ensolará e estrada dela
A lua alumiará o mar
A vida é bela
O sol, estrada amarela
E as ondas, as ondas, as ondas, as ondas

Bambeia
Cambaleia
É dura na queda
Custa a cair em si
Largou a família
Bebeu veneno
E vai morrer de rir

Vagueia
Devaneia
Já apanhou à beça
Mas para quem sabe olhar
A flor também é
Ferida aberta
E não se vê chorar

O sol ensolará e estrada dela
A lua alumiará o mar
A vida é bela
O sol, estrada amarela
E as ondas, as ondas, as ondas, as ondas

Dura na queda
compositor: Chico Buarque
cantora: Elza Soares

* o título do post foi idéia de meu amor quando me ligou para saber sobre a apresentação. Adorei a rima e peguei para mim

** Infelizmente não estou conseguindo importar videos do Youtube, mas se vocês clicarem AQUI ouvirão a maravilha da Elza Soares, numa interpretação inesquecível.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Happy Birthday Mr. President

Judite nasceu num dia 25 de Outubro de 2006, comemorando meus 30 anos.

Odete apareceu nesta mesma data em 2010, antecipando os festejos dos meus 34 anos.

Amanhã Marilyn chegará no dia certo, cantando Happy Birthday pro pai.

Qual o melhor ângulo para ver Marilyn? Talvez seja o de dentro da lente das máquina fotográficas. Marilyn vive ali naqueles detalhes, sutilezas, pequenas coisas que podem se perpetuar num clique e se registra o instante. Desfrutar o ZOOM em Marilyn é ter uma experiência mais próxima com ela mesma, com seu tempo. Público-paparazzi, ao redor como em saída de delegacia, entrada de Oscar. Quem quiser levar suas câmeras... ver pela fechadura a vida rica e sem graça



Festejando aniversário com Marilyn

Amanhã, quarta-feira, 26 de outubro (meu aniversário), o Quarta que Dança 2011 apresenta três trabalhos de diferentes formatos e em locais distintos da cidade de Salvador. A Intervenção Urbana Ah, Se Eu Fosse Marilyn!, de Edu O., ocupa a Praia de Ondina, às 16 horas, numa performance aberta ao público. Também gratuita é a Dança de Rua Bolero de 4, de João Rafael Neto e Luiz de Abreu, que estreia na programação do projeto com uma apresentação na Praça São Braz, em Plataforma, às 16 horas. Já o espetáculo Trilhas Urbanas, de Leandro de Oliveira e João Rafael Neto, encerra a participação no Quarta que Dança, estando, desta vez, no palco do Espaço Xisto Bahia (Barris), às 20 horas, com ingresso a R$ 2 (inteira).

O Quarta que Dança é um projeto da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), unidade da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA).

Mais informações: www.fundacaocultural.ba.gov.br/quartaquedanca2011
Mais fotos: http://www.flickr.com/photos/secultba/sets/72157627655816380/

foto de Débora Motta

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Nós-Nuvens

Preciso domesticar minhas nuvens que teimam em acizentar o azul
Necessito acalmar sua fúria, suas remoendas, suas neuras
Amansá-las como algodão abanando rabo, lambendo canela
pulando ao abrirmos a porta
Preciso abrir as portas para minhas nuvens passearem
Conhecerem o mar, o céu, a brisa
Preciso entender que nuvens se dissipam
e evaporam assim como nós
Deixá-las partir
Deixar-me ir

domingo, 23 de outubro de 2011

Que gracinha! Hebe estava com a cabeça dela mesma

Hebe Camargo não tem sorte comigo, coitada. Toda vez que eu a vejo na TV ela fala uma besteira. Acho que o azar é dela porque coincide sempre com o momento em que eu a assisto. Tendo em vista que todo mundo a elogia... ela deve falar maravilhas fora do meu alcance.

Ontem tive o desprazer de parar uns poucos minutos no tal do TELETON, promovido pelo SBT para arrecadar fundos para a AACD. Uma instituição que atende pessoas com deficiência. Quem quiser saber mais vai buscar no Google, por favor, porque não tenho condições de falar sobre. Enfim... parado em frente à tv, querendo superar preconceitos, recebo na caixa dos peitos a apresentadora "gracinha" da televisão brasileira emocionada, dizendo algo sobre um jovem amputado, usando próteses, que acabava de dançar.

" OHHHH meu Deus, que gracinha! Quando ele dança é como se estivesse dançando com as pernas dele."

Fico me perguntando o que é que esta senhora realmente queria dizer? A criatura não dançava com suas pernas? Eram artificiais mas eram suas. Eu fiquei pensndo mesmo e quando a vi sentada num banco do cenário, achei engraçado:

ela estava sentada com a bunda dela mesma, rindo com os dentes dela mesma, alisando os cabelos dela mesma.

Que gracinha, ne?

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

2º Encontro O que é isso? de Dança



CONFIRMADÍSSIMO!

Contemplado pelo Edital Demanda Espontânea, realizado pela SECULT-BA, de 25 a 27 de Novembro de 2011, no Espaço Xisto Bahia, o 2º ENCONTRO O QUE É ISSO? DE DANÇA que tratará de questões relevantes em torno da invisibilidade e representatividade midiática de grupos profissionais de dança com pessoas com deficiência. As discussões girarão em torno de acessibilidade, profissionalização e inserção no mercado de trabalho de artistas/dançarinos com deficiência que não tiveram acesso a informação e formação em dança seja nos ambientes acadêmicos e espaços formais de ensino de dança. A proposta é discutir sobre a criação, elaboração e exposição da dança do (no) corpo do dançarino com deficiência, para entender por que, com tantos grupos de dança circulando em diversos pontos do nosso planeta ainda se encontram nos patamares dos lugares invisíveis e sem representatividade midiática. Trazer essas discussões para o campo da pesquisa artística e acadêmica em dança, especificamente para questionar a invisibilidade das ações no entorno do corpo do dançarino com deficiência, é objeto desse Encontro.
A programação conta com oficinas, debates, cirandões, performances e espetáculos.
Em breve, publicaremos a programação com nomes dos convidados, espetáculos, horários das atividades, valores e prazos de inscrição.

Fiquem ligados no blog: http://encontrodedancainclusiva.blogspot.com/

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Lenço de papel

Havia dias se esforçando para conseguir dormir. A insônia o visitava diariamente e não adiantava remédios, leituras, filmes.... nada! Visitas chegaram tentando alegrar seus dias, suas noites e todos dormiam satisfeitos, menos ele.

A outra tambéms em conseguir dormir, dava corda em caixa de música tentando embalar sonhos ou seriam pesadelos dos dias passados e regados a desprezo, abandono, tristeza? A música ninou seu corpo que tombou no sofá como se estivesse em coma. menos ele.

A bunita se esbaldou nos baldes e cansada dormia pregada no quarto. Menos ele!

Todos tomavam goles e mais goles de tritezas e conseguiam adormecer, menos ele. Quendo enfim, o corpo vencido pelo cansaço estrondoso, repousa sobre o lençol cheiroso e sente o coração pulsar na realização do sono, o telefone toca, insiste, grita, esperneia. Ele com ímpetos de jogar aquele objeto longe, atende assustado, com receio de tragédia:

"Oh meu rei, veja se você acha meu lenço de papel que deixei cair na sala!"

A raiva tomou conta daquele homem que há um ano não consegue pregar os olhos e hoje vive zumbi a procura de algo que nunca mais encontrar.

PS- homenagem a Cléa, Vani, Igor e Tiago.

Adiando Marilyn

 Em função da forte chuva e do péssimo que se instalaram em Salvador hoje, adiamos a apresentação de Ah, se eu fosse Marilyn! que aconteceria na praia de Paripe, às 16h. A produção está analisando quando será a realização da intervenção no local.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Ampulheta

Tem um dia em que planejamos a vida, fazemos projeções e imaginamos coisas para o futuro. Há desejos. O que eu vou ser quando crescer? Agora que eu cresci, eu sou o que?
Um dia tive um sonho enorme, era ele que eu segui por boa parte de minha vida. Um dia cheguei lá, quando menos esperava... cheguei.

E aí? O sonho era aquele mesmo? Eu ainda era aquele que eu gostaria de ser?

Os sonhos mudam de cor, textura, intensidade à medida em que os brancos aparecem na cara, nas narinas, no peito....

O que eu vou seguir a partir de agora? Com que velocidade? A ampulheta determina o tempo e todo tempo é apenas o agora.

foto de Débora Motta

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A cordinha de caranguejo

Estou me sentindo o forró de Luiz Gonzaga.

"Na emenda
Amarre a corda direito
Na emenda
Pra corda não rebentar"

Emendando uma coisa na outra, vivendo emoções diferentes e trabalhando muito. Coisa boa!

Primeiro foi o Euphorico: Je t'aime, maravilhosos encontros, amor e afeto. Daí chegou Odete em Natal, mais maravilha, beleza e deliciadeza. Judite emendou logo depois numa temporada inesquecível na Caixa Cultural. Agora vem Marilyn que não podia ficar de fora da festa, né.

E a cabeça enlouquecendo tendo que tentar se organizar, pensar cada coisinha e o corpo tendo que responder a tudo isso. O coração que não aguenta tanta emoção e transborda pelos olhos.

Que bom que a cordinha de caranguejo é com minhas meninas! A gente se entende direito e tudo acaba sendo só alegria e transformação.

Posso pensar também na emenda que a Quadrilha de Drummond sugere:

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história
Daqui a pouco chega O Corpo Perturbador e o Encontro O Que é Isso? de Dança, que ainda não tinham descido para brincar

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Judite - Vir a ser

Judite vivenciando e enfrentando o complexo, doloroso e rico processo de vir a ser - Ivan

Fotos de Alessandra Nohvais

Me transformei e saí voando

Perdeu o medo e voou, beijou flores e foi feliz!

Judite vive livre por aí





Saiu voando, enfeitando os belos jardins

Judite, te amo no fundo do coração. Boa sorte!

Ana Luiza Reis, Drica Rocha - musicalizando Judite
Irziane - tradução em LIBRAS

Judite continua em busca da sua felicidade, mostrou que sua perseverança foi mais do que ela pensava.




merci, Marcela

Encontrou as outras lagartas e reconheceu que nem só ela tem problemas na vida e nem só ela tem medo das coisas. Todos nós temos uma Judite em nós.

Judite, nunca mais deixe Edu! Continue voando alto - Jade


O mesmo tempo que liberta, aprisiona.

Judite procurou a paz em busca do amor



tim tim, Rachel!


Judite foi ser feliz com a natureza, em busca da felicidade. Seja feliz, Judite!

Hoje Judite virou atriz e faz a alegria de muitas crianças por todo mundo. De Renato para o cara que me fez refletir.


Judite não ama tudo que é belo, mas vê beleza em tudo que ama. Judite uma pessoa sonhadora.


vc é as cores belas - D. Tai


Preconceito nunca mais! Precisamos mesmo é de paz! O tempo voa! - Jennifer Asher

Judite subiu na escada, voou para um novo lugar para construir uma nova vida. Ela virou uma borboleta.

As borboletas de Lucas e Thulio

"André enlouqueceu ontem à tarde. Devo dizer que também acho um pouco arrogante de minha parte dizer isso assim - enlouqueceu -, como se estivesse perfeitamente seguro não só da minha sanidade mas também da capacidade de julgar a sanidade alheia." (Uma História de Borboletas - Caio Fernando Abreu)



Lucas Valetim e Thulio Guzman estão em cartaz com " As borboletas", espetáculo inspirado no conto de Caio. Este é um dos contos que mais gosto. Em 2004 participei de uma exposição coletiva onde uma das minhas pinturas também era inspirada neste texto. Naquela época estávamos inaugurando nosso Núcleo de Arteterapia. Assisti à "As Borboletas" sábado passado, na abertura dos trabalhos dos meninos do Núcleo VAGAPARA que ganharam o Edital de Manutenção de Grupos da FUNCEB.

Lucas é meu parceiro e o outro pai de Odete. Para mim, uma referência no fazer artístico, pensar dança, pensar vida... uma pessoa que me dá orgulho saber perto. E este trabalho que desenvolveu com Thulio, dirigido por Paula Lice, me comoveu desde a primeira cena. Me colocou no mesmo estado de quando li o conto. É sensível, delicado e ao mesmo tempo tão forte.

O trabalho de claro e escuro, como se a platéia estivesse na parte inconsciente deles, como se fóssemos eles. A consciência iluminada apenas por pequenos traços de luz. Focos iluminados da vida que se quer colorir... cuidado apenas com aquelas borboletas.

Lucas e Thulio enlouquecerão todos os sábados do mês de Outubro. É programa indispensável!

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A criançada de Judite

Acho impressionante quando um trabalho ganha vida própria e consegue seguir um caminho que não havia sido criado por seu autor. Assim aconteceu com Judite. Originalmente criado para o público adulto, o projeto conquistou as crianças sem ser modificado em nenhum detalhe. Virou livro infantil, texto para Contação de História, viajou mundo...
Uma coisa deliciosa é ver a reação da criançada durante o espetáculo. Minha amiga Ana Cecília observou a meninada durante uma apresentação e anotou algumas frases que conseguiu ouvir.
FRASES DAS CRIANÇAS NA PLATÉIA DE “JUDITE QUER CHORAR MAS NÃO CONSEGUE” NO DIA 01 DE JULHO DE 2011, NA LIVRARIA CULTURA DO SALVADOR SHOPPING
“ela tá aprendendo a falar?”
“ela tem uma cadeira”
“Lagarta anda assim?”
“ela caiu da cadeira.”
“ah, ela cansou porque girou muito”
“ele não sabe falar não é?”
“o que é que ele vai fazer mamãe?” (quando você começa a subir a escada)
“eu acho que ele vai subir a escada.”
“não, ele não vai.”
“é por que ele quer andar?”
“ele vai subir até em cima.”
“é assim que borboleta faz?”
“será que ele vai cair?”
“aí ele vai virar ela.”
“e depois vai virar lagarta de novo.”
“ele deu um beijo e depois abraçou a escada.” (essa frase foi da sua ajudante, que só tem 2 anos)

domingo, 9 de outubro de 2011

Judite na Semana da Criança


Meu espetáculo solo, Judite quer chorar, mas não consegue!, volta em cartaz esta semana, de 11 a 16 de Outubro (terça a domingo), na Caixa Cultural.

De 11/10 a 14/10 as apresentações ocorrerão às 15h, no sábado e domingo (15 e 16/10) apresentaremos às 17h. A entrada é 1kg de alimento não perecível.

Dias 11, 12 e 13 de Outubro, acontecerão oficinas onde trabalharemos corporalmente e também com elementos plásticos o final da história da lagartinha Judite. Com o auxílio do livro-infantil, cada criança criará um final para Judite... As oficinas serão realizadas para um grupo de 30 crianças, as senhas serão distribuidas no local.

O que aconteceu depois que ela subiu aquela escada? Sentiremos no corpo, escreveremos e faremos uma imagem do que cada um acredita que se passou com a lagarta mais famosa que conhecemos.