sábado, 15 de maio de 2010

O Bembé do mercado

13 de Maio. Ontem vivi uma experiência fantástica no Bembé do Mercado em Sto Amaro. A tarde fui presenteado com cheiro daquela terra molhada pela chuva. Chorei ao sorver minha terra, senti-la pelo que há de mais sutil que é o cheiro, o ar. A noite fui ver a festa dos ex-escravos no mercado da cidade todo enfeitadocom trabalhos de minha mãe, Dinorah Oliveira, que mais uma vez arrasou. Aquele batuque dos tambore de candomblé, as roupas, o colorido, as comidas, os amigos... parecia que eu estava em transe. Demorei a assimilar tudo aquilo,a acalmar meu peito com tanta emoção. Para completar, começou o show de Roberto Mendes que estava inspiradíssimo nesse noite, acompanhado pelos Baianos Luz. Aqui desaguei como criançaao ver meus amigos, os meninos que cresci junto, novamente reunido com Roberto, tocando a mais alta qualidade musical que podemos pensar, todos com carreiras brilhantes, saídos dali, daquele chão, daquela mãe.

Espelho feito por Dinorah para a decoração do Bembé

Me senti homenageado, via grandeza em tudo. Que privilégio ter participado dessa noite.

Como sempre e por estar em Sto Amaro e por estar com santamarenses, a noite acabou quase de manhã, a rassaca hoje não me largou e a felicidade também não. Era daquilo que eu precisava. De um banho de Sto Amaro para poder continuar meus afazares com calma.

Citando Guimarães Rosa: Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura. Bethânia utiliza esta frase no cd Brasileirinho onde canta Yayá Massemba.

Aqui, publico essa música de Roberto Mendes que eu adoro e me emociona muito. Ele abriu a noite com esta bela cantiga que compôs com Capinam.

Yá Yá Massemba

Que noite mais funda calunga
No porão de um navio negreiro
Que viagem mais longa candonga
Ouvindo o batuque das ondas
Compasso de um coração de pássaro
No fundo do cativeiro
É o semba do mundo calunga
Batendo samba em meu peito
Kawo Kabiecile Kawo
Okê arô oke
Quem me pariu foi o ventre de um navio
Quem me ouviu foi o vento no vazio
Do ventre escuro de um porão
Vou baixar o seu terreiro
Epa raio, machado, trovão
Epa justiça de guerreiro
Ê semba ê
Samba á
o Batuque das ondas
Nas noites mais longas
Me ensinou a cantar
Ê semba ê
Samba á
Dor é o lugar mais fundo
É o umbigo do mundo
É o fundo do mar
No balanço das ondas
Okê aro
Me ensinou a bater seu tambor
Ê semba ê
Samba á
No escuro porão eu vi o clarão
Do giro do mundo



Que noite mais funda calunga
No porão de um navio negreiro
Que viagem mais longa candonga
Ouvindo o batuque das ondas
Compasso de um coração de pássaro
No fundo do cativeiro
É o semba do mundo calunga
Batendo samba em meu peito
Kawo Kabiecile Kawo
Okê arô oke
Quem me pariu foi o ventre de um navio
Quem me ouviu foi o vento no vazio
Do ventre escuro de um porão
Vou baixar o seu terreiro
Epa raio, machado, trovão
Epa justiça de guerreiro
Ê semba ê ê samba á
é o céu que cobriu nas noites de frio
minha solidão
Ê semba ê ê samba á
é oceano sem, fim sem amor, sem irmão
ê kaô quero ser seu tambor

Ê semba ê ê samba á
eu faço a lua brilhar o esplendor e clarão
luar de luanda em meu coração

umbigo da cor
abrigo da dor
a primeira umbigada massemba yáyá
massemba é o samba que dá

Vou aprender a ler
Pra ensinar os meu camaradas!

Vou aprender a ler
Pra ensinar os meu camaradas!

6 comentários:

Cléa disse...

Que post grande amigo!!! hahahaha...
Que inveja de você amigo!!! como eu queria ter estado lá... mas devo ter estado, de alguma maneira.

Di disse...

eta coisa gostosa...eu sei que eu fui também em alguns desses espelhos eu me escondi!

beijo grande e já tô com saudade HERODES!!!!!

Maria Muadiê disse...

lindo lindo lindo o espelho que sua mãe fez. sou doida pra ir ao Bembé, pensei que esse ano eu iria, mas ainda não deu.
beijo

Gerana Damulakis disse...

Eu também gosto de Santo Amaro. Já passei uma festa lá muito boa.

Paula Brito disse...

Olá amigo, como senti inveja,deste momento único que você vivenciou.Reportei-me ao passsado nas noites que presenciei os batuques e os cânticos que traziam um sentimento de "liberdade", só ainda não sei em qual época,só sei que me emocionei.Beijos mil.

I.Moniz Pacheco disse...

Não fui esse ano e por isso fiquei aqui, triste e pensativa: ano que vem, não tem tristeza certa, vou estar lá. Não é uma festa que um santamarense possa perder impunemente! É linda! Enfeitada pelas mão mágicas de Dinorah então, deve ter sido genial.