terça-feira, 2 de março de 2010

Da série "Retomando o passado"

Resolvi colocar aqui coisas antigas que estão no blog, quando ele ainda era pequeneninho. Continua pequeno, mas um pouco maior do que antes, quando ainda não tinha tanta gente lendo, tanta gente vendo. Começarei a série com uma poesia que escrevi em 2005. Escrevê-la serviu para externar a raiva que sentia por uma traição de amigo e não criar uma úlcera aqui dentro. Eram dores de amores que se misturavam e me deixavam enlouquecido de ciúmes. Vai lá:

DESCONSIDERAÇÕES

E aquele te levou
Pra te guardar em sua casa
Tirou você de minha praça
Arrancou toda minha graça
E você acompanhou sem se preocupar
Foi e não voltou
Voltou e não me procurou
Me procurou e me beijou insosso
Sonso, o outro parecia não se preocupar
Cínico, sacana, escroto...
O amigo que esquecera o passado
Jogou nossa amizade no esgoto
Eu, como bêbado na sarjeta
Tomando pinga, conhaque, cerveja...
Tomando no cu
Por quem um dia aprendera a amar
E fiquei insone
Miúdo, pequeno
Fingindo alegria para não me humilhar
Chegou o outro e toda a confusão
Foi um festival de abraço, beijo,
Declaração
O ciúme de antes agora se repetia
Se tivesse sido com aquele,
Aquele de lá de longe?
Nem sei...
Acho que morreria
Morreria não
Eu mataria
Assim como matei agora o respeito, o carinho,
A consideração
Como matei a dívida, os empréstimos,
A gratidão
Não gosto do ódio, mas sei senti-lo
Também não gosto de amar e não sei
Em mim os sentimentos são doenças
São sem cura, crônicos
Ou oito ou oitenta
Fogo e fogo
Raiva
Eu amo com a intensidade da raiva
Da ira
Mentira
Me tira daqui

6 comentários:

Cléa disse...

Reminiscências!!! Bom re(ver) (viver)ler o passado. Lembro ter compartilhado da raiva contigo. Eu tembém só sei amar assim... toda errada - mas pra mim certíssima -, tomando a dor dos meus!

clenio disse...

conheci vc assim meu anjo:
agudo
forte
desbocado
poético
que bom que vc voltou rs

Gerana Damulakis disse...

Muito bem, Edu, gostei demais.
Hoje estive na Saraiva, esperei encontrá-lo, ficou associado. Saudade.

I.Moniz Pacheco disse...

Com certeza hoje doi bem menos.
É bom botar pra fora os sentimentos, sobretudo com essa poesia forte, bela, decisiva.

Terráqueo disse...

Essa tua poesia é maravilhosa. Me tocou muito.
Acho que todo mundo já passou por algo parecido, e essa é uma das piores dores. Ainda bem que com o tempo atenua.
Abraço,

Terráqueo

CRISTIANA disse...

grandioso como o seu coração e sua energia...