quarta-feira, 3 de junho de 2009

Carta a Lídia Brondi

colagem de Edu O.

Há uma semana, Lídia, não tiro você da cabeça. Tua imagem linda em minha memória, cabelo de cuia, outra de franjinha vermelha, teus cabelos encaracolados.... Revivo cenas, novelas, o que você era para mim. De repente você sumiu, escolheu sumir. Síndrome do pânico, sei lá... que anos mais tarde eu entenderia o que é quando se instalou aqui em casa.

A crítica e o público te adoravam. Tuas lágrimas fáceis e sorrisos meigos, tua voz, as brigas da tua Solange com Maria de Fátima... enfim, Lídia, só para você saber que te conheci, embora você não me visite há muito tempo.

Será que conseguirei ser como você? Ter a coragem dos suicidas que você teve? Sim, porque você escolheu matar aquela vida. Tenho pensado seriamente em desistir desta vida, Lídia. Tenho estudado para concurso público, sair desse meio, desse ofício do nada. Teu trabalho para mim era muito importante, assim como Dirce Migliaccio e sua Emília, que também sumiu. Sei que ela não escolheu o sumiço, mas o meio deu sumiço nela. É pior! Mas que artista é realmente importante? O tempo nos apaga. Eu não estarei nem nas páginas de enciclopédia, Lídia. É melhor eu vazar enquanto é tempo, enquanto é uma escolha minha e não do outro. Ou será que o outro já conseguiu e me faz pensar que sou eu quem está escolhendo?

Você foi corajosa, eu acho. Tenho uma pergunta, Lídia, se me permite: esta vida agora é melhor que a outra? Não sei se terei coragem de matar uma escolha que se traduziu em minha vida, é o que sei fazer. É o que me resta?

A Fundação Cultural não tem dinheiro, Lídia, mas faz o projeto e contrata artistas e sabe que não vai pagar. Os contrantes me beijam o rosto, elogiam nosso trabalho e nos passam calote. Quem valoriza meu trabalho, Lídia, é sempre o de fora, que também vai embora e a vida continua. Aqui é a mesmice do fingir que está tudo bem.

Tenho que pagar táxi que não quer me pegar, Lídia. Tenho que pagar conta de telefone, tenho que comer, tenho que viver. Foi isso que você escolheu, Lídia?

Semana que vem me despeço de Ariel, retomo minha Judite e viajo. Para que mesmo? Para quem? O que é ser artista, Lídia? Me diga, por favor, porque eu não estou sabendo me ajudar.

Se eu desistir não terá feriado, não terá choro, nem vela. Terá o que em mim?

Enchi teu saco, né Lídia? Me desculpe, mas acho que você é a única que me entenderia.

Seja feliz, Lídia!! Feliz, feliz, feliz!!!! Porque a arte pouco importa, Lídia!!! Depois ninguém mais lembra e felicidade também é outra coisa.

ahhh, isso a gente fala depois. Deixa para quando você me responder.

8 comentários:

Chico Muniz disse...

Caro Edu, seja sempre bem-vindo ao Elevador!

Chico Muniz disse...

Edu, veja o que á influência da leitura: eu trabalho com uma Lígia e enquanto lia seu texto sobre Lídia Brondi, Lígia entrou na sala e cumprimentou os presentes. Então levantei os olhos do monitor e respondi: "Oi, Lídia!"
Entende que vc pode muito mais do que confessa a Lídia?
Bola pra frente, rapaz!

Bernardo Guimarães disse...

Jamais esqueço quando, perto do vestibular,me bateu uma crise e eu achei que devia fazer Belas Artes. Fui a tio Mirabeau ( o pai de Maria) que me aconselhou: arte não se aprende em escola nem dá o de comer; faça medicina pra se sustentar e arte pra se divertir.

I.Moniz Pacheco disse...

Tenho que concordar com algumas coisas que voce disse: a arte não dá camisa a ninguém. Eu mesma tive que esperar um bocado. Ás vezes a gente desanima, mas acho que voce é maior que tudo isso e sua arte é o que voce tem de melhor posto pra fora, pra nós todos.
Fôrça e coragem. Não desanime!
Bj,oto,tchau.

Renata Belmonte disse...

Nem sei o que dizer tamanha a minha identificação com seu texto.
Bjs

aeronauta disse...

Carta linda, visceral, comovente. Prossiga, Edu! Não desista tal qual Lídia!

MARCOS disse...

Viva e seja feliz!!! Estou passando por um momento igual ao seu e procuro não desistir nunca, e não vou. Que tal lutarmos juntos, com mentes unidas numa só energia positiva? Um grande abraço desse seu amigo e ilustre "desconhecido".

Cari disse...

Lidia Brondi, uma ex-atriz que como as outras de seu ex meio, usou drogas, posou para Playboy e foi nada como a "namoradinha" do Brasil. Por que? De sensualidade latente? Libido aflorada? No entanto, ela após um período de "experiências" sofreu síndrome do pânico, assim como sua parente, uma jornalista, que chegou a usar drogas. Bem, o interessante que para quem não sabe as duas são parentes do falso Thyrso, André, engenheiro da Globo. Sua família me fez um grande mal. Me expuseram na internet, me difamaram, me humilharam. É uma bela hipocrisia ou uma ironia...