sábado, 23 de agosto de 2008

Pronome possessivo

* Com saudade de Mirella Matos, minha Vascos, meu amor... por tudo que ela representa em mim. Pelo colo, pelos olhos, pela beleza.

Comprei flores
As mais bonitas que achei
Trouxe algumas dúzias delas
Azuis
Azul é minha cor preferida
Minha e da maioria
Sou pouco original!
Adoro flores pretas também
São raras como as pérolas
Mas são lindas!
Não conheço flor preta nenhuma,
Mas são lindas!
Eu acho!
Aliás, eu tenho uma flor preta,
Dentro de vaso no meu quarto!
É uma flor preta de papel!
Fui eu que fiz!
Talvez seja por isso que gosto tanto de flores pretas
Porque eu fiz
Há tanto tempo não faço nada!
Há tanto tempo não gosto de nada!
Só de flores pretas
E das azuis que eu comprei agora!
Ah! Eu fiz uma carta!
Quer ver?
Ela tem título e tudo:
“Para um amigo que não foi”
Pensei em você o dia todo
Lembrei do nosso tempo de convivência
Quantas coisas já aconteceram desde então...
Quantos conceitos mudaram
Com você, talvez, tenha acontecido o mesmo
E nós distantes, não nos conhecemos mais
Acho até que nunca nos conhecemos de verdade!
Brincadeiras antigas, já sem o tempo certo da comédia,
Coisas novas que não se fazem entender...
Mas, aquele foi um belo tempo...
É amigo!
Foi o tempo que, voando, não nos deixou perceber que nos afastávamos,
Que interesses novos surgiam
Foi o tempo...
Me fez esquecer você
Que contradição!
O mesmo me faz sentir saudade agora
Saudade daquele passeio entre as esculturas
E as pessoas preocupadas com o meu sumiço,
Sem saberem que eu não poderia estar em melhores braços;
Saudade de quando o que eu menos queria no teu colo
Era simplesmente carinho de amigo
Saudade do teu riso, teus olhos,
Enfim, saudade de você.
Amigo? Talvez!”
Eu, também, gosto dessa carta,
Fui eu que fiz
Ela está sem endereço, sem destinatário,
Mas eu gosto
Quer para você?
Para não ficar aqui guardada na gaveta...
Fiz minha cama, minha comida,
Fiz minha barba também
Embora eu tenha feito minha barba,
Eu não gosto dela
Mesmo sem ter para onde ir
Já fiz minhas malas
E eu as adoro
Acabei de fazer o café
Vamos tomar?
Meu café é uma delícia!
Eu só gosto de café quando eu faço!
Não fique com vergonha,
Não foi você quem me acordou
A prova disso é o café quentinho, está vendo?
Eu já tinha acordado quando o interfone tocou
Mas, também, que diferença faz?
Se sonho com você a noite toda?
Acordar ouvindo tua voz
Seria apenas o prolongamento dos meus sonhos
Falar contigo pela manhã
É concretizar a noite.
Espere um pouco que vou colocar uma música enquanto tomamos café!
Você gosta dos Beatles?
Nem sei do que fala essa música,
Mas me lembra você
“I want you (She’s so heavy)”
Você é she, he ou it?
Você é coisa nenhuma
Substantivo abstrato
Você é algo volátil
É o que é, sem estar.
Sinônimo de falta, perda...
Fique longe! Onde está.
Longe?
Mas como? Se você está no quarto, banheiro...
No meu carro, trabalho, caderno...
Você está em mim!
Meu riso, de tão acostumado com teu humor,
Depois do teu sumiço nunca mais apareceu na minha cara, na minha casa.
Meu beijo se viciou na tua pele
E depois disso tudo
Não beijou mais outra pessoa, outra carne.
Tenho furúnculo no peito
Caroço de pus no coração
Estou fazendo sucção
Para retirar-te com o asco
Para retirar-te com o carnegão!
Você encheu-me de feridas,
Cicatrizes, cascões, arranhões,
Dois cortes nos pulsos,
Era um pacto que fiz comigo mesmo
Ah! Esta música no reapt!
Do que ela está falando?
O que ela repete?
“I want you”
Se ao menos eu soubesse outra língua que não a tua...
Se eu conseguisse desejar outra pessoa...
Olho para você tentando decifrar-te
Minha esfinge, minha caixa de Pandora!
Meus olhos cerram diante de ti
Meus pensamentos param
E o sangue corre louco pelo meu corpo
Louco... Louco...
“I want you”
Não é que queira,
Eu preciso de você!
Mas cadê?
Não tenho...
Você é imagem fictícia!
Talvez por isso eu goste tanto,
Porque fui eu que fiz:
Minha flor preta, minha carta, minha cama, minha comida, minha barba, minhas malas, meu café... VOCÊ

4 comentários:

Bernardo Guimarães disse...

Sumiu, fez falta, mas voltou em GRANDE estilo! quase fico sem ar!

Luli Facciolla disse...

Também gosto de flores pretas. Não tenho nenhuma feita por mim, mas gosto dessa feita por você!
Gosto das azuis também, mas não são as preferidas!

Ah! Adorei o café, viu?!

Mais beijos

maria guimarães sampaio disse...

apois, edu... quando você for de novo azoropas eu acho que lá tem tulipa preta!
Arrasou compensando a ausência.
Diga a Dinorah, Paloma e Rudá que eu estou demorando mas chego aí sim! Beijos Maria

.prado disse...

conheço também nenhuma.
é proprio de seres assim gostar de coisas que existem não?