sábado, 16 de agosto de 2008

Medalha no peito

Está muito difícil voltar ao Brasil pela manhã. A China é muito distante e acordar dessa viagem está uma tarefa árdua. Fico exausto como se fosse um atleta concorrendo nas Olimpíadas. Perco meu sono na frente da tv assistindo aos atletas participarem das Olimpíadas. Jade Barbosa fez minhas mãos suarem e meu coração entristecer, César Cielo me emocionou com suas lágrimas e alegria pelo ouro, estou craque em modalidades que desconhecia. Aliás, isso me faz lembrar de meu avô que à época dos Jogos Olímpicos era o maior campeão de todas os tempos.

Lembro de tia Iana indo assistir às corridas de cavalo e até esgrima para poder ouvir meu avô narrar seus feitos esportivos. Ele havia praticado todas as modalidades. Era impressionante! Eu, um neto apaixonado, adorava escutar essas histórias e criava as cenas na minha cabeça. Meu avô era uma espécie de Dom Quixote, tinha, inclusive, o tipo físico semelhante. Ele por mim vencia tudo, todos os exércitos de moinhos, qualquer combate com caveleiros andantes.

Quando ficou mais velho, faleceu com 99 anos, e a esclerose dominou sua mente, meu avô pulava cercas feitas de pé de mesa, brigava com ladrões dentro do guarda-roupa, namorava princesas que apareciam só para ele. Eu adorava tudo isso! Me fazia voltar à infância onde eu brincava com tudo que eu podia criar. Ele com seus 97, 98 anos de idade, voltara a ser criança e inventava heróis e bandidos para ilustrar sua vida que findava.

Hoje vendo os atletas brasileiros lutarem por uma medalha, não consigo esquecer a que carrego no peito há nove anos. A saudade de meu avô é um ouro pesado que trago em mim.

2 comentários:

maria guimarães sampaio disse...

Edu,
parece que hoje é dia da saudade, você já esteve na minha já vim na sua e você já foi à de Miro?
Beijos. Saudades.

Bernardo Guimarães disse...

Bela homenagem ao seu avô. Hoje, realmente, é o dia da saudade pra vocês. O meu foi ontem.