domingo, 30 de março de 2008

Tudo dá certo

O melhor é saber que o medo ou a vontade de que as coisas dêem certo é uma ilusão, uma fantasia...

O que é dar certo? Medo que o casamento não dê certo, medo que não dê certo meu emprego, vontade que dê certo aquele "rolo".... Dar certo?

Tudo é questão de tempo, até nossa vida uma hora não vai dar mais certo e vamos embora. O casamento sempre dá certo, o que talvez aconteça é o tempo que ele durou que pode ser mais curto ou mais longo do que planejamos. Meu emprego não deu certo? Claro que deu, comecei a trabalhar acreditando que estava no serviço certo e querendo continuar, mas quando não deu mais... tchau, deixa a vaga para quem pode ficar mais feliz, e aquele "rolo" gostoso que encontrei na balada, que me liga, que tenho vontade de encontrar? se não acontecer de ser "sério", não foi gostoso essa parte do frisson? então, deu certo.

Acordei acreditando que meus esforços deram certo, pode ser que não tenham correspondido às minhas expectativas, que tenham durado menos do que eu gostaria, mas que deram certo ahhhhh.......

Continuarei tantando, continuarei fazendo até quando meu tempo esgotar e alguém diga: lá se vai mais uma vida que não deu certo

quarta-feira, 26 de março de 2008

Hollywood



música de Sergio Bardotti - L. Enriquez Bacalov - Chico Buarque


gravada pelos Los Hermanos numa coletânea de vários artistas tocando temas de filmes e seriados infantis,essa música foi gravada originalmente por Lucinha Lins e Os Trapalhões para a trilha do filme Os Saltimbancos Trapalhões de 1981.


PS> Lembrar de nossa criança e saber que ela ainda está viva nos faz ter lindos sonhos.


Ói nós aqui, Ói nós aqui,
Hollywood fica ali bem perto,
só não vê quem tem um olho aberto


Ói nós aqui, Ói nós aqui,
Hollywood é um sonho de cenário,
Vi um pau-de-arara milionário


E eu que nem sonhava conhecer o tal Recife,
Pobre saltimbanco trapalhão.
Hoje sou mocinho, sou vizinho do xerife,
dou rabo-de-arraia em tubarão


Ói nós aqui, Ói nós aqui
Tem de tudo nessa Hollywood,
Vi um índio cheio de saúde


Ói nós aqui, Ói nós aqui,
How do you do?
Caruaru, I wanna see piripipi. Ói nós aqui


Ói nós aqui, Ói nós aqui
Camelôs, malucos e engraxates,
Aproveitem enquanto o sonho é grátis


Quem há de negar que é bom dançar, que a vida é bela,
neste fabuloso Xanadu.
Eu só tenho medo de amanhã cair da tela
e acordar em Nova Iguaçu


Ói nós aqui, Ói nós aqui,
How do you do?
Banabuiú, I wanna buy o Paraguai.

Hollywood and me


Ói nós aqui (vixe!)

Novidade boa

Hoje era para escrever sobre coisas boas
coisas alegres, que me fizessem rir
Parei, pensei
pensei...
chorei

segunda-feira, 24 de março de 2008

Amor "in vitro"

É como se de repente eu estivesse grávida de alguém que já nasceu
Um estranho que se alojou no meu interior e cada vez mais vai crescendo,
Regendo a minha respiração,
Tomando conta de minha insegurança, preocupação
O amor me penetrou
Meu amor me penetrou ontem à noite
E hoje estou grávida dele
A insegurança inicial, o medo do desconhecido ainda me acompanham
Afinal, amar é uma responsabilidade assim como parir
E’ alguém que a gente não conhece e que muda o rumo das nossas vidas
Nos primeiros meses é tão frágil!
Tenho medo de rejeitar ou de meu amor não se adaptar ao meu corpo e cair fora
Cuido dele com carinho
Farei exames de praxes
Um eletrocardiograma para ver se vai tudo bem
Outras mães fariam uma ultra-sonografia,
Mas é que eu estou grávida de amor, é diferente!
Fico ansiosa, enjoada de tenta espera
Tenho desejo que ele venha logo, com aquele rostinho,
Se chegando para mim com a cara de choro de quem está com fome
Então oferecerei meus seios, meu corpo enfim,
Para saciar a sua vontade.
Esta atitude é como parir
É aí que me entrego por completo ao meu amor

Meu orgasmo é um parto
Um parto inverso
Ao invés de expelir, expulsar,
Eu acolho, acomodo, aceito todas as suas sementes em mim
Gozar e parir são atos de doação
De entrega, de sublimação
Eu estava grávida de você
Ansiosa por mais um parto
Mas, de repente, você, meu afeto, se abortou de minha vida
E não foi aborto natural
Primeiro veio com um chá, para conversarmos
Depois de umas palavras que me partiram como ferro
Você partiu
Parecia que uma mão entrava e te arrancava de dentro de mim
Assim eu via você saindo, sem olhar para trás
Como uma criança abandonada pelos pais,
Passa por eles e não os reconhece
Eu não te reconheço mais
Tua imagem ficou deformada em minha lembrança
Como um feto no formol
Como um embrião desfigurado
Minha ilusão de mãe acabou
Agora espero um amor “in vitro”
Uma inseminação artificial
Farei laqueadura das veias do meu coração
Este não pulsará por mais ninguém
Não quero nem mais adoção
Estou no controle de natalidade
Tomara que você não se arrependa
Pois você é o culpado de minha esterilidade

Breu

Última luz
A iluminar o breu
De um coração
Que deveria ser meu

quinta-feira, 20 de março de 2008

Mar na boca

Boca, sua, minha
Água de boca
Água na boca santa
Na boca do estômago, a espera
De desfazer o nó da garganta

quarta-feira, 19 de março de 2008

Aos nossos filhos

Ivan Lins/Vitor Martins

Perdoem a cara amarrada,
Perdoem a falta de abraço,
Perdoem a falta de espaço,
Os dias eram assim...

Perdoem por tantos perigos,
Perdoem a falta de abrigo,
Perdoem a falta de amigos,
Os dias eram assim...

Perdoem a falta de folhas,
Perdoem a falta de ar
Perdoem a falta de escolha,
Os dias eram assim...

E quando passarem a limpo,
E quando cortarem os laços,
E quando soltarem os cintos,
Façam a festa por mim...

E quando lavarem a mágoa,
E quando lavarem a alma
E quando lavarem a água,
Lavem os olhos por mim...

Quando brotarem as flores,
Quando crescerem as matas,
Quando colherem os frutos,
Digam o gosto pra mim...

Digam o gosto pra mim...

Belo gosto de lágrima

Volta e meia "estou" Judite, isso quer dizer: quero chorar e não consigo. Tenho sentido isso inúmeras vezes e a lágrima até beira a borda dos olhos, mas não cai. Talvez porque saiba que caindo é o fim. Fim do nó na garganta. Fim desse gosto dela na boca. Fim de algo que pretende transbordar há anos e não transborda. O Chico secando e eu aguando. O Sena me secou e meu Subaé transbordou em 1989 e eu nem sabia que eu mesmo iria vazar tantas vezes.

Hoje assistindo à minissérie Queridos Amigos, que se passa no ano de 89, vazei, chovisquei um pouco.

Tenho andado muito sensível, eu acho. Tenho ficado muito reflexivo e uma amiga costumava me dizer, "pra que pensa, filho?". Deveria levar mais a sério essa brincadeira dela. Deveria lembrar que era advertência de amiga e não pensar tanto. Vazei com a minissérie como tenho querido vazar na vida. Existem muitas emoções contidas, reprimidas e meu corpo não está acostumado a isso. Logo eu que sempre fui trovoada, tempestade de lágrimas, ando pingando como a pia quebrada da cozinha. Há que se consertar as torneiras. Há que se dar nós em pingos d'água.

Minha água passeia em mim como que fervesse e embrulhasse tudo aqui dentro. Não é só tristeza que me causa isso, tenho estado emocionado também pela vida, pelas conquistas, pelo amor.

Pela vida que está chegando e tem um pouquinho de mim, porque minha irmã que é uma vida tão grande está carregando outra vida que ainda está pequena e certamente florescerá como uma linda árvore. Isso tem me sensibilizado em particular. Me pego pensando no processo belo e alucinante da vida que se transforma até o envelhecimento. Penso numa pessoa velha que nem nasceu ainda e choro imaginando as expressões, os sonhos, as demonstrações de afeto, os sorrisos... ahhh, os sorrisos!!! que sejam muitos, que venham aos milhões!!!

ao mesmo tempo que penso na morte, na dor, na solidão... e acho bárbaro estar vivo. acho um belo gosto para manter na boca.

sábado, 15 de março de 2008

Os 3 Audíveis - Ana, Judite e Priscila



Com o espetáculo Os 3 Audíveis - Ana, Judite e Priscila, vencedor do edital da FUNARTE Klaus Vianna 2007, estaremos comemorando 10 anos de Grupo X de Improvisação em Dança. Estou no grupo desde 1999 e lembro o quanto foi importante para mim vivenciar esta experiência tão rica e cheia de prazer, o quanto experimentar a improvisação e, de certa forma, trazê-la para meu cotidiano me fez amadurecer e ser mais maleável e adaptável. Na vida sempre haverá "suaves mudanças" já me diria Fafá e temos que estar prontos para seguir ou então escolher ficar. Que nada, eu quero sempre ir e rir.

É tão gostoso sair de casa para um trabalho onde se encontra tanta alegria, onde se encontra Fafá Daltro, minha mestra e amiga, diretora do grupo é craque em nos fazer rir e avançar. Hugo Leonardo, companheiro há tanto tempo, improvisador de primeira linha. Jamiller Macedo, linda amiga, suave como o toque. Iara Cerqueira, convidada do X que chegou como veterana. Andréia Daltro e Ricardo Bordinni, cantora e músico, casal da nossa melodia e beleza. Catarina Gramacho, essa coitada, não sei como suporta nossa agonia. Victor Venas, maravilhoso Vídeo Venas. A turma das oficinas que traz tanta beleza e um frescor tão necessário numa rotina que apesar de ser muito agradável é rotina.

Comemorar um aniversário dessa forma é comemorar da melhor forma possível. Isso se completa quando no palco sentimos o acolhimento e a respiração da platéia. Festa plena, brinde no mais alto estilo.

Evoé!

Só uma notinha de serviço:

Os 3 Audíveis - Ana, Judite e Priscila

15 e 16 de Abril: Teatro Vila Velha, Projeto Mês da Dança, 20h
29 e 30 de Abril, 01, 06,07 e 08 de Maio: Espaço Xisto Bahia, 20h

e esta foto é de Samuel Freitas

quarta-feira, 12 de março de 2008

A Casa

A casa era toda branca: paredes, móveis, tapetes... Tudo branco! Fui me aproximando dele, vestido com um terno negro e calçando sapatos de verniz, também negros. Os sapatos brilhavam mais do que qualquer coisa nele, que estava ali deitado com um rosto branco, numa cama alva, como se estivesse coberta por almas. Não sei quantas vezes tive que respirar fundo para conter o choro. Brinquei, beliscando a ponta do seu nariz, mas ele continuou, ali, imóvel. Falei umas besteiras, sussurradas ao seu ouvido, ele mudo. Respirei fundo novamente e lembrei daquele cheiro na estrada. Era o meu primeiro contato com a morte. Aquele fedor repugnante sufocou minhas narinas como um plástico. O ar era sólido, compacto, quase me derrubou no meio daquela estrada. O cheiro da morte é pior do que a própria, porque nos chega depois que ela passou para nos confirmar a podridão das nossas vidas. Senti náuseas ao lembrar do meu próprio fedor, do meu apodrecimento. Vomitei nos pés de um candelabro de prata colocado aos pés da cama dele. Percebi, então, que estávamos sós, ou era ilusão minha? Sós como muitas vezes estivemos, mas agora era diferente... subi na cama apoiando-me em seus braços rígidos como sempre estiveram para me dar apoio. Sentei ao seu lado, descansei a cabeça em seu peito, ouvi a canção que ele cantava para eu dormir. Sorri! Ele agora me ninava. Seu coração tocava música! Chorei. O som me fez chorar. Agora não estávamos mais sozinhos. Pessoas passavam tranqüilamente pelo corredor. Não olhavam para dentro do quarto. Não repararam nossa presença. Escutei galopes de cavalo se aproximando. Apertei forte contra seu peito, sua música diminuía de volume. Nesse instante o cavalo se aproximava. Senti o fedor novamente e cantarolei para não voltar a vomitar. O cavalo, aquele que fedia na estrada, não o vi, mas sei que era ele. Parou na porta da casa toda branca. O fedor me tapou a boca, entupiu meu nariz. Me chegou tão violento que me levou ao chão. Quando acordei não mais o vi, mas escuto sempre sua canção. E todos os cavalos fedem para mim.

Versos Íntimos

Augusto dos Anjos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

sexta-feira, 7 de março de 2008

Pesadelo


Talvez seja

Para tanger teus pesadelos

Que ando insone pela casa

Procurando teus beijos
Foto: Edu O.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Aqui ele é interditado! Foto: Edu O.

IR

Não quero comida
Nem quero trabalho
Escravo
Sacrifício no fim do mês?
Não quero você
Nem mais ninguém
Gosto do meu cheIRo
Meu riso
Eu gosto de mim
Urgência para mim é cara feia
É a fome
E eu tenho muita sede
Urge em mim a sede de liberdade
Nada de amarras
IR
Eternamente IR
E rIR de mim
Sem ponto de chegada
IR sem destino
Seguindo meu destino
Sorrindo
Urgentemente IR
Urgência é dormIR

A mão na mão, a mão na cara...

Desculpe, mas eu não posso te dar a mão
Eu não tenho obrigação de te estender a mão
Eu queria mesmo te enfiar a mão
Cara, larga a minha mão
Oh meu irmão, se continuar com essa mão na mão...
Aqui não
Vem, segura na minha mão
Eu te dei a mão, mas você já quer o braço!
Palhaço, larga mão...
Toda hora todo mundo levanta a mão
Bate na palma da mão
Bate a mão na minha cara
Isso é muito caro para você meter a mão
Antes de comer lave
Para comer de mão
Não se comprometa, lave
Não se canse, cruze
Quem passar a mão, leva
Eu de mão no queixo, canso
Apertar a mão
De aliança na mão
Que ninguém leu

terça-feira, 4 de março de 2008

Novela de taxistas

osSó para não perder o costume, uma vez que a cidade de Salvador não me deixa calar em respeito ao desrespeito. Num domingo de ressaca, resolvi sair de casa para relaxar no teatro, coisa que adoro e sempre recomendo.
Escolhi o Theatro XVII pq me sinto bem naquele lugar e também pq é certeza ver coisa boa. Tudo aconteceu como o esperado, mas o que não estava nos meus planos aconteceu também. Burrice minha, porque sei que sempre acontece a mesma coisa, embora há dias que estamos com a esperança um pouco mais viva do que o costume e lá fui eu ligar para uma empresa de táxi solicitando o serviço, lembrei que enviasse um carro com mala grande que coubesse minha cadeira de rodas e etc... depois de 20 minutos, depois que o teatro já havia fechado e sabemos que aquele local não é dos mais seguros, liguei novamente para a central de atendimento da tal empresa e a etendente simplesmente me diz que não tinha carro para me pegar. uma outra pessoa que aguardava também o serviço me aconselhou a ligar para uma concorrente dessa bendira empresa, resumindo liguei para três. chegando o carro da companheira de espera e porque já tínhamos combinado de quem saisse primeiro levaria o outro, o motorista disse que não poderia me levar porque a mala tinha gás e que havia comprado bancos novos de couro e que uma certa feita uma cadeira de rodas rasgou o banco e "quem se responsabilizou?", "eu não sou obrigado a levar cadeira de rodas".. Eu fui obrigado a ouvir isso. O pior de tudo, que isso é corriqueiro, é normal, é o procedimento da maioria dos taxistas de Salvador. No Pelourinho, na Rodoviária, na Praça da Sé... em todo lugar me deparo com um ser despreparado e grosseiro. O que eles esquecem é que são isentos de impostos porque têm um carro a serviço público, que são obrigados a levar quem quer que seja independente do itinerário e que são obrigados a evar cadeira de rodas, sim. mesmo porque estas, atualemente, são desmontáveis e cabem em qualquer carro, mas a preguiça e a má vontade desses cidadãos, não permitem que eles executem sua tarefa de forma correta e honesta. é sempre a mesma "novela"! estou de saco cheio de brigar pelos lugares que vou, pq a falta de educação dos soteropolitanos me agride. Eu não sei o que fazer, pq os orgãos responsáveis não treinam corretamente tais profissionais e a punição que eles sofrem é apenas alguns dias sem trabalhar e que certamente eles não cumprem. pois bem, estou aqui novamente desabafando contra uma coisa inadimissível, cruel e discriminatória.´
Só para não dizerem que não falo de flores por essas pedras e asfaltos soteropolitanos, há mais de dez anos quem faz meu transporte "oficial" é uma pessoa muito generosa, amiga, gente boa, coração grande e que por incrível que pareça é taxista. Obrigado Ed, por não estar na regra!
Foto: Fabienne Frossart de ensaio do espetáculo "Euphorico La-bas Boleta" na França

A Puta e o Cometa

Hoje amanheci muito esquisito!
Falo amanheci ao invés de acordar
Porque, na verdade, nunca me sinto acordado.
Vivo num eterno estado de sonambulismo, apatia...
Hoje, engraçado, eu poderia dizer que acordei
Mas, sei que é passageiro,
Então, prefiro continuar na rotina de amanhecer.
Todas as manhãs iguais, chatas,
Sem brilho, sem sol...
Mesmo que esse, todos os dias,
Me acorde cedinho com seus raios irritantes
Batendo na minha cara
Quando falo bater, é bater mesmo!
Uma agressão!
Tão cedo já começo apanhando,
Sabendo que outros tapas virão dia afora.
Mas esta manhã, não, foi diferente,
Acordei, desculpe, amanheci
Com um desejo de ser feliz!
Não é bem desejo, entenda,
Desejo eu sempre tenho, de manhã ou de noite,
Mas era uma esperança, uma euforia de felicidade.
Não compreendi isso direito,
Eu amanheci querendo “descer do salto”,
Virar uma puta, sabe?
Me abrir,
Parar de sentir,
Parar de amar,
Esquecer esse sentimento idiota e inútil
Que as pessoas e eu, infelizmente,
Chamamos de amor.
Parar de sofrer, me acabar
Ao ouvir Maria Bethânia
(eu sou tão ridículo que chego ao ponto
de querer me jogar pela janela
ao ouvir uma música!),
Eu não posso mais me arrasar
Ao ler Elisa Lucinda:
“Olhos de azeviche, vem cá!... Pode partir...”
Vou incendiar os teatros,
Destruir os cinemas,
Vou eliminar a arte de minha vida!
Eu quero é dar juízo a esse meu coração!
Não acredito que seja possível um coração
Não fazer outra coisa senão sofrer!
Realmente estou precisando transplantar, abstrair,
Ignorar este órgão burro e ainda por cima fiel, imagine!
Masoquista mesmo para ser mais sincero!
Eu hoje quero é ser puta!
Me maquiar, me vestir,
Virar praticamente uma Drag Queen!
É verdade! Vou sair arrasando!
Vou atirar para tudo que é canto.
Saiam de baixo que eu posso acertar em algum alvo.
AH! Que este alvo tenha os olhos que eu quero e que são meus,
As coxas, a boca...
Que venha sangrar meu lençol de azul, de virgem...
Que me coma com todas as suas línguas:
Inglês, Javanês, Esperanto.
Que não me deixe esperando tanto!
É! Hoje amanheci com tanta esperança...
E saudade também!
Saudade do meu cometa de estimação.
Verdade! Não quer acreditar?
Mas eu tive um cometa de estimação.
Parece pejorativo, né?
Mas não é não!
Não era bicho,
Não era capacho, não!
Nem submisso,
Nem serviçal!
Era da minha estima,
Da minha graça,
Do meu amor!
Houve um tempo em que as pessoas
Olhavam para o céu
Esperando um cometa
E ele não apareceu
Eu era bem pequeno
E não sabia distinguir direito
O que era cometa ou o que era uma estrela cadente.
Tudo tinha rabo,
Tudo era igual para mim!
Me ensinaram a fazer pedidos às estrelas cadentes
E eu pedia que elas um dia se transformassem em cometas,
Para matar minha curiosidade.
Fui crescendo e meu pedido nunca foi atendido.
Talvez achando esse pedido absurdo, impossível, mudei:
Pedi às estrelas que me trouxessem alguém,
Mas elas não entenderam direito
E me trouxeram um cometa.
LINDO!!!
Sorria para mim,
Dançava,
Me ninava,
Me ouvia...
AH! Que cometa lindo!
Ele me elegia e eu me aleijava.
Burro que sou,
Sabendo ser um cometa
E que por tanto se ia,
Me apaixonei!
Aquela sua fonte de luz bastava
Para que eu me sentisse alimentado e feliz.
Ele me colocava em suas costas
E corríamos mundo afora,
A gargalhar, a esquecer do resto, da rotina...
Um dia acreditei que cometas nos faziam felizes.
Você, cometa de mim, me fez, mas me deixou.
Foi sem que eu percebesse que estava indo.
Hoje estou assim,
Vendo somente teu rastro,
Que é muito forte e intenso ainda,
Que ainda brilha iluminando as noites
Em que fico olhando para as estrelas cadentes
Pensando ser você.
As manhãs me incomodam por isso,
Por não me deixarem iludir,
Por impedirem que eu te veja.
Você rompeu o pacto de amizade, de carinho...
Você desprezou meu amor!
Como foi capaz de sair e não bater a porta?
Me deixou dormindo no silêncio de portas entreabertas,
Que permanecem para ver se você volta.
Não meu cometa! Não te perdôo por isso!
Porque você foi, mas não foi inteiro.
Deixou fagulhas dentro de mim!
É incrível! Mais quanto mais distante, mais sinto tua falta e tua presença.
Será que nunca mais teus beijos?
Que beijos!!!
Será que nunca mais você?
Te espero sempre como um mar que tem a certeza do rio,
Mas que mar sou eu sem a certeza de você?
Que rio?Quem riu de mim?
Ah! Cometa de mim me sorria mais uma vez!
Venha me acender, me apareça, por favor!
Eu estou com frio! Frio de você!
Eu estou com fome! Eu estou com medo! Eu estou sozinho!
Ah! Cometas são solitários?
E as estrelas? E as putas?
Puta! Está vendo?!
Hoje eu não acordei,
Amanhacei!