sexta-feira, 8 de maio de 2009

Jiboiando

Nesses dias de chuva eu chovia bem lá dentro. Algo desmoronava em mim. Preguiça de tomar banho, comer, sair, trabalhar. Via meu sobrinho agasalhado, comendo sua comidinha, sem se preocupar com o mundo que caía, sem saber o acontecia. Me deu uma inveja!!! Aliás, me deu uma saudade!!!!

Saudade do meu tempo de criança em que não ia para a escola porque chovia e ficava vendo tv, brincando no quarto com minha coleção de playmobil, jogando baralho, lendo ou simplesmente JIBOIANDO.

Não pude jiboiar esses dias e essa sensação da adultez me entristeceu. Tudo me fazia lembrar a infância e a memória me deu a certeza de como me construí naquela época, naquela cidade do interior.

O cheiro do suco de maracujá na merendeira, o sanduiche de bolacha cream-craker com queijo, os biscoitos de leite que até hoje adoro com o café de minha mãe, as brincadeiras na areia do pátio da escola, os parques, os amigos que mantenho... tudo me veio com sabor de lágrima e vontade de voltar.

Agora eu percebo uma coisa... não me conformo em lugar algum, não me aquieto no canto, não me assento, quero sempre partir. No fundo eu quero é voltar, voltar bem fundo, mas o máximo que consigo é dar uma morridinha esperando o sol me aquecer.

7 comentários:

Bernardo Guimarães disse...

lindas lembranças; no meu caso, o que me faz relembrar é o cheiro da merenda de pão com manteiga e açucar num recipiente de plástico.

maria guimarães sampaio disse...

Ê Edu, seu texto lindão deu no lindíssimo texto de Bernardo. Coisa boas esses bolgs. Eu estava caindo de péssimo humor, fiquei boa.
Beijos

Maria Muadiê disse...

ai, Edu, me deu uma tristeza, me identifiquei com seus sentimentos...também estou sempre querendo partir, não sei bem para onde, no meu caso não quero voltar.

Chorik disse...

Rapaz, vira-e-mexe eu tenho ganas também de voltar, fugir da adulteza. Mas aí percebo da necessidade de encarar as obrigações sem perder as sensações agradáveis do passado. É difícil, mas não totalmente impossível.

Di disse...

Chovendo dentro e fora. Lembranças de tempos em que podíamos ficar em casa sem culpa... Ah, Edu! Como eu me vi neste monólogo.

imonizpacheco disse...

Lembranças lindas, seu texto melhor ainda. Também tenho saudades, sinto os cheiros do passado mas acho que não quero voltar não.
Bj, oto, tchau

Lidi disse...

Oi, Edu, primeira vez que visito teu blog e gostei de tudo por aqui. Voltarei sempre! Lindo texto! De vez em quando, também me sinto assim! Abraço!