segunda-feira, 16 de março de 2009

A porta de Alice

foto de Agnés. Wilfrid em ensaio de
Nus a margem da imensa paisagem
no Teatro Gamboa Set/2008


A porta está fechada, avisaram-me alguns. Mas eu estou dentro ou fora? Isto é apenas uma porta fechada sem paredes, janelas, sem muros, calçadas... apenas porta.

Por que não contornam a porta e seguem? pergunto eu. A escolha é de cada um. A porta pode abrir-se, mas até lá continuarão, em fila, a espera? Estou cansado de esperar, quero tomar minha vida. Seguir.

Não sentirá falta de nada? perguta-me aquela. Sim, mas ainda hoje ouvi um senhor dizer que o lugar de onde vimos nos segue aonde quer que estejamos. E este lugar eu fiz, criei, não vim. Há vida, houve morte, há saudade. A saudade é o que dói, mas a porta ainda está fechada e eu não posso parar.

Alice conseguiu atravasser a miniatura e lá dentro cresceu de não caber mais. Estou crescendo aqui fora e se a porta não abrir a tempo não terei como entrar.

É melhor não esperar, orienta-me meu coração. Sigamos juntos então.

A porta fechada e ninguém vê que está aberta.

2 comentários:

maria guimarães sampaio disse...

lindo texto, Edu!
Beijos de maria

imonizpacheco disse...

Gosto cada vez mais dos seus textos, esse me falou particularmente...
Bj,outro,tchau