terça-feira, 22 de abril de 2014

Bebendo e vivendo com Adriana

Este cd de Adriana Calcanhoto foi um dos discos que mais ouvi na vida e continuo ouvindo. A música título traduz muito minha personalidade e meus gostos. "Eu não gosto do bom gosto Eu não gosto de bom senso Eu não gosto dos bons modos Não gosto".

Lembro que logo quando vim morar em Salvador, em muitas madrugadas, eu colocava o cd baixinho para não acordar a família e bebia whisky escondido à luz de uma luminária e chorava (uma garrafa pela metade, herança de um carnaval). Adorava chorar ouvindo Água Perrier. Eu fazia drama comigo mesmo, inventava tristezas, embora fosse início de descoberta da sexualidade, amor platônico e sentimento de vazio. "A vida não é filme você não entendeu".

Nessa época eu estudava na Escola de Belas Artes e amava as "cores de Frida Khalo" e a cor dos olhos esverdeados que me inspiraram a escrever "Aguarrás", texto que foi também início da minha carreira como dançarino/ator.

E quando já estava amanhecendo, eu dormia enquanto Adriana repetia "quais eram minhas esperanças"... 

Hoje em dia,  "lanço o meu olhar sobre o Brasil e não entendo nada", mas ela me ajuda a refletir.


Um comentário:

Por que você faz poema? disse...

Adoro "O Nome da Cidade", um Caetano certeiro: "Essa cidade me atravessa".