Há dias ando preocupado com o blog. Não tenho conseguido variar o tema, torná-lo interessante, agradável aos seus visitantes, sempre num tom depressivo, falando de falta, solidão, perda... Muitas vezes utilizo essa ferramenta para extravazar, declarar meus sentimentos, para me fazer companhia, enfim ser um diário de coisas pessoais, mas se não tiver preocupação com quem vai ler, para que publicar?
Faço do Monólogos quase uma extensão de minha casa. Devemos ter cuidado com quem recebemos, tratar bem e oferecer as melhores coisas, claro sem perder a espontaneidade e a forma de viver cotidiana.
Eu juro que tenho buscado palavras menos tristes, motivos de escrita que saltem aos olhosalém das lágrimas, mas está difícil, o lance está puxado. Então, escolhi esta foto de um momento singular, espetacular que vivi esses dias, assim encontrei algo de lindo para mostrar.
Subimos uma montanha para chegar a Capela de Notre Dame du Mai, onde encontramos uma vista magnífica do Mediterrâneo, um marzão salpicado com as frestas de sol pelas nuvens, numa altura que nos fazia pássaros. Lá tentei silenciar, mas meu interior me gritava, borbulhando dentro e não tive quietude para aproveitar aquele lugar do jeito que ele impõe. Agradeci a vida por esta oportunidade, senti a falta dos meus e como uma oração eu olhei o azul que se fundia entre o céu e o mar. Percebi que a vida é isso, a fusão de tudo e mesmo no meio de um mar de coisas ruins, há outro mar de coisas boas e só depende de nós escolher em qual mar se banhar. Neste momento eu me banhei num azul do mar de uns olhos que não eram meus.
Fotos de Agnés Jaubert