sexta-feira, 30 de julho de 2010

Cordeiro que me deu

Cordeiro que me deu

Tira este pecado de mim
Este desejo teu
Esta traição

Cordeiro que me cedeu

Livra-me de todo mal-olhado
Faz-me desejado
Tira este complexo de rejeição
Compartilha tua hóstia sangrada
Seja fruto maduro para eu saciar o meu imenso amor
Embriaga-me com teu sangue(saliva)
Água-benta da boca
Seja meu pão de cada dia e noite
Lambuza-se com a minha papa
Meu Papa, me papa a língua, o corpo nu

Cordeiro, o que te deu?

Volta, não vá assim!
Ainda não rezamos do quarto, o terço!
Não pagamos da dívida, a 2° via, cruzes!

Cordeiro, você me esqueceu?

Ressuscita na minha cama
Olha-me desconfiado
Retorna às minhas vistas
Levanta este coração aleijado

Eu oro para todos os meus bacos, meu Deus!
Para que todos voltem logo:
Meus Vals, meus Seans, meus Keus

Cordeiro, você me fodeu!!

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Casa de Massagem - Herculano Neto

CASA DE MASSAGEM
Herculano Neto

Sou atendente de uma casa de massagem no Centro de Salvador há seis meses. Minha família acredita que trabalho como doméstica numa casa de família, mas na verdade ofereço serviços sexuais rápidos e baratos. Tudo é muito simples: os clientes tocam a campainha, encontram dez garotas trajando lingerie, escolhem a que desejam, depois pagam e vão embora, como se tivessem acabado de sair de uma lanchonete.

Hoje, observando pelo olho mágico, tive a impressão de que havia um homem com um bebê. Quando abri a porta, descobri que ele carregava o irmão de dezenove anos, que não possuía nem braços ou pernas. O homem disse que era aniversário do irmão e queriam comemorar. As meninas, assustadas, baixaram a cabeça com receio de serem contempladas; eu não – talvez por isso ele tenha me escolhido.

Dentro do quarto, tentei puxar conversa, descontrair o ambiente, mas ele não dizia nada. Então, tirei sua roupa cuidadosamente, segurei seu torso como se fosse uma boneca (ele era mais pesado do que aparentava) e o coloquei numa posição que eu imaginava ser a mais apropriada para o ato. Foi a primeira vez que gozei no trabalho.

A segunda versão deste mesmo microconto está no blog O Corpo Perturbador.

No mês de Agosto o blog do Corpo Perturbador realizará um concurso de MICROCONTOS DEVOTEES. Na verdade, se trata de uma brincadeira onde pretendo estimular a todos pensarem em situações em que o tema esteja inserido. Não haverá julgamento, nem o melhor, nem o pior. Para mim é importante pois as situações criadas para os contos podem me estimular na coreografia, a pensar em cenas, ao mesmo tempo em que fortalece a participações dos visitantes no blog.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O caso Monga (da série retomando o passado)

Como todos sabem, somos de Sto Amaro (Graças a Deus e a Nossa Senhora da Purificação e ao próprio Sto Amaro!) e todo mês de Janeiro começa a novena em louvor à Padroeira que é festejada dia 02 de Fevereiro. Época de sairmos com as melhores roupas, reencontrarmos amigos, vermos a cidade cheia, brincarmos no parque de diversões que chega enfeitando a praça.

Quando eu era criança e não usava cadeira de rodas, me locomovia de braço em braço e o melhor de todos sempre foi o de D. Dinorah, claro. Íamos ao parque, eu e minha irmã, montar em todos os brinquedos e para mim o mais esperado era Monga - a mulher gorila. Sempre fui muito medroso e já entrava com medo. Era aquele suspense! Uma voz masculina muito grave estimulando nossas aflições, uma mulher de biquini dançando e à medida que o homem ia falando ela se transformava num medonho gorila. "Calma, Monga! Calma!" Todo mundo saía correndo, gritando de medo, um empurra-empurra na porta do lugar para todos se salvarem de Monga.

Vocês acham que minha mãe, comigo no braço, saía correndo, gritando, querendo se salvar daquele monstro? Que nada! Ficávamos eu, mainha e Monga sozinhos dentro do trailer. Monga vinha em cima de mim que gritava apavorado e minha mãe dizendo: não tenha medo não, bobo! Isso é jogo de espelho. Não é de verdade, não. E eu gritava: Vamos sair!!! Ela: não vou sair tomando empurrão, não. Monga é de mentira, abestalhado!!!! Depois que o povo todo já estava fora, e minha irmã era uma das primeiras, eu saía desesperado, desgostoso, porque a ilusão de Monga, anualmente, era destruída pela tranquilidade de minha mãe que tentava fazer uma criança compreender o que era jogo de espelho.

Eu me pergunto até hoje porque ela me levava ali se não era para eu ter medo? Hoje eu tento mostrar a ela que as "Mongas" que a amedrontam não são reais, são inconscientes. Engraçado... ela me tirou os medos e acho que pegou para si.

* Escolhi este texto (publicado em Julho de 2008) para hoje em homenagem a Katinha e a festa do gigantinho daqui de casa que foi comemorada sábado em Santo Amaro. O aniversário teve como tema a festa de largo que eu comento aqui no texto e foi um dia tão lindo, com tantos reencontros. Vi os gigantes dos amigosmais próximos brincando, correndo, comemorando o daqui de casa.

Alguns e-amigos já conhecem, comentaram, espero que não os aborreça reler.

sábado, 24 de julho de 2010

O gigante daqui de casa



Hoje o nosso menino é um rei. Há dois anos encheu nossa casa com a riqueza de seu sorriso, esperteza, graça, carinho. Inundou a nossa vida de amor e assim será sempre durante toda sua vida. É lindo ver a aquisição da linguagem, o início das tentativas de comunicação, as primeiras bocas quebradas e a culpa por não ter segurado na queda, o primeiro beijo, abraço, a forma que chama nosso nome e nos olha, nos compreende.

Tão pequenininho e tão a gente. Seus pais fizeram bem feito em tudo, na capa e no conteúdo.

Hoje peço a vida que lhe dê sempre alegria, saúde, bons amigos, que não lhe falte nunca amor e sensibilidade para lidar com os outros, consigo mesmo.

É impossível pensar em minha vida sem ele, como se isso já estivesse determinado, como se ele sempre fizesse parte dela. E faz e fez e fará.

Ele era a pessoa que faltava chegar, chegou e está crescendo. O gigante daqui de casa!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Chorando brisa

Que seja doce Que seja doce Que seja doce

Dormiu repetindo essa frase como um mantra. Segurou a respiração e mergulhou naquele mar que só ele conhecia. Ouviu uma música suave e quase chorou. O dia as vezes parece bater.

Que seja leve Que seja leve Que seja leve

Acordou no meio da madrugada escutando o que crianças gritavam no sonho. Era um sonho bom, mas despertou como num pesadelo. Os sonhos as vezes podem agredir.

Saiu sem medo da violência e sentou em frente ao mar como fazia há muito tempo com um amigo agora distante. Chorou aquele mergulho. Lento, suave, quase chorando brisa. Agradeceu a horinha de descanso e agora continua amanhecendo o dia como quem nunca dormiu.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

A história do nome

Porque também sou Carlos e porque ando comovido como o diabo. Antes da poesia de Drummond, quero contar a loucura que é meu nome: Carlos Eduardo. Nada demais, né? Parece até nome de personagem de novela mexicana. O problema está em porque me chamo assim. Minha mãe teve três filhos, os três nascidos de cesariana feita pelo mesmo obstetra Dr. Carlos.

- Carlos, registramos este último filho em sua homenagem: Carlos Eduardo!
- Dinorah, fico muito agradecido, mas meu nome é Carlos Alberto.

Enfim, já vim ao mundo com as bolas trocadas desde o nome, numa confusão da cabeça de minha mãe. Nada mais apropriado do que este poema de Drummond.

Poema de Sete Faces
Carlos Drummond de Andrade

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
Pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos não perguntam nada.

O Homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.



Qual a origem do nome Carlos: TEUTÔNICO
Significado de Carlos
Qual o significado do nome Carlos: FAZENDEIRO; LAVRADOR.
Significado e origem do nome carlos - Analise da Primeira Letra do Nome: C
Pessoa charmosa, amavel e expressiva, muito criativa e um tanto curiosa. Tem uma certa dificuldade na concentração e como gosta de compartilhar tudo com os outros é o tipo de pessoa que não consegue guardar suas idéias só para si. Sempre de bom astral, é daquelas que adora festa. Só tem um problema em enfeitar demais a realidade, exagerando na dose e não conseguindo controlar sua mania de falar. Pode criar a imagem de fofoqueiro.

Qual a origem do nome Eduardo: ANGLO-SAXÂO
Qual o significado do nome Eduardo: PRÓSPERO GUARDIÃO.
Significado e origem do nome eduardo - Analise da Primeira Letra do Nome: E
Muita inteligencia e poder de comunicação, apontam para sua necessidade de falar, embora nem sempre diga tudo o que lhe vem à cabeça. Segue sempre movido pela razão, e se enfurece quando é desmentido ou contrariado. Sempre pensa muito, e isso interfere na concentração do que está fazendo. Pode vir a ser um excelente escritor, advogado ou professor. Mas para isso deve aprender a controlar seu nervosismo e se observar para não virar um tagarela.

Fonte: http://www.significado.origem.nom.br/nomes

sábado, 17 de julho de 2010

Pequetitas coisas entre nós dois

Adoro achar graça da vida. Sorrir é a melhor forma de agradecer, de celebrar. Aiii a vida as vezes me faz cócegase e eu sorrio com todos os dentes, todos os músculos, todo o corpo. A vida tem muita graça.

- o pão quente na boca do fogão
- o café de mainha
- dormir de conchinha agarradinho
- o sexo na rede do albergue
- o quintal
- o colo na cachoeira
- a chuva do Rio
- a casa das coisas mais queridas
- a Av. Paulista
- a noite
- as dobradas de Gera
- o olhar naquela festa
- as inúmeras despedidas
- os milhares reencontros
- o travesseiro velho
- o banquinho de meu avô
- a janela
- a Rua do Amparo
- o Roses
- o colo na grama
- o homem nu tomando sol
- o estacionamento
- o Farol
- o rio
- a areia
- a imensidão

sexta-feira, 16 de julho de 2010

I Will Survive: Dancing Auschwitz

Juro que tenho me esforçado muito para deixar os dois blogs independentes, mas tem coisas do Corpo Perturbador que eu acho impossível não compartilhar com os amigos daqui do Monólogos que já tem uma rede própria e muitos ainda não sabem do outro.

Ontem vi uma matéria no JB notícias e pensei imediatamente no Corpo. Falava sobre uma família de descendente do Holocausto dançando I will survive no campo de concentração em Auschwitz. Fiquei comovido com aquilo. Para mim foi importante colocar naquele blog porque nas entrevistas que tenho feito, ocasionalmente surge o exemplo do Nazismo como algo perturbador.

Em função daquele post, recebi do amigo Clênio Magalhães esta segunda publicação da série de video instalação, mais poética e tão comovente. Então resolvi postar aqui no Monólogos para compartilhar com meu e-amigos. O primeiro vídeo vocês podem conferir no blog d'O Corpo Perturbador. O segundo está aqui embaixo.



Transcrevo, abaixo, produzido por Jane Korman publicado no Youtube:

This is the second part of the 'Dancing Auschwitz' video installation series. This video shows Marysia and Adolek Kohn, the Wysokiers, Leda Gringlass and me (Jane Korman) when I was a little girl dancing freely with my parents and their friends in a forest outside Melbourne.



This footage illustrates how both dancing, and my parents attitude to life, have been woven into my own life. Growing up, I was always present while my parents danced. As an adult, it seemed a natural process to merge the two influences that have shaped my life that of my parents' story and that of dance hence the project, Dancing Auschwitz.

O terceiro video da série pode ser visto pelo link http://www.youtube.com/watch?v=DpfID7pLe7M&feature=related