domingo, 25 de março de 2012
Monólogo Mundo Moderno - Chico Anysio
Mundo moderno, marco malévolo, mesclando mentiras, modificando maneiras, mascarando maracutaias, majestoso manicômio. Meu monólogo mostra mentiras, mazelas, misérias, massacres, miscigenação, morticínio -- maior maldade mundial.
Madrugada, matuto magro, macrocéfalo, mastiga média morna. Monta matungo malhado munindo machado, martelo, mochila murcha, margeia mata maior. Manhãzinha, move moinho, moendo macaxeira, mandioca. Meio-dia mata marreco, manjar melhorzinho. Meia-noite, mima mulherzinha mimosa, Maria morena, momento maravilha, motivação mútua, mas monocórdia mesmice. Muitos migram, macilentos, maltrapilhos. Morarão modestamente, malocas metropolitanas, mocambos miseráveis. Menos moral, menos mantimentos, mais menosprezo. Metade morre.
Mundo maligno, misturando mendigos maltratados, menores metralhados, militares mandões, meretrizes, marafonas, mocinhas, meras meninas, mariposas mortificando-se moralmente, modestas moças maculadas, mercenárias mulheres marcadas. Mundo medíocre. Milionários montam mansões magníficas: melhor mármore, mobília mirabolante, máxima megalomania, mordomo, Mercedes, motorista, mãos... Magnatas manobrando milhões, mas maioria morre minguando. Moradia meia-água, menos, marquise.
Mundo maluco, máquina mortífera. Mundo moderno, melhore. Melhore mais, melhore muito, melhore mesmo. Merecemos. Maldito mundo moderno, mundinho merda.
quarta-feira, 14 de março de 2012
O mundo é um moinho'
Quando vejo as coisas deste mundo, a hipocrisia nas falas, nos gestos, a mentalidade pequena, o preconceito. Quando não me dá vontade acordar, eu penso em Cazuza e lembro dos pares que busquei para mim, das coisas que me emocionam e que me transformam. É emocionante esta gravação de uma das músicas mais lindas composta por Cartola.
segunda-feira, 12 de março de 2012
Carta-resposta a comentários preconceituosos de Aninha Franco acerca do palhaço e da deficiência
Caros amigos,
No último dia 01 de março, a dramaturga e colunista Aninha Franco inescrupulosamente postou em seu perfil do Facebook a seguinte atualização, onde se dispôs a criticar o projeto "Muito prazer, eu sou palhaço". Seguiram-se uma série de comentários seus e de seus amigos virtuais chamando a proposta de oportunista, tratando o palhaço de forma pejorativa e, principalmente, a deficiência intelectual de forma discriminatória, preconceituosa e excludente.
Por favor, compartilhem entre seus contatos, para que alguém como Aninha Franco não se sinta do direito de julgar e criticar o que desconhece e tecer comentários preconceituosos deste calão sem qualquer senso ético.
Laili Flórez.
Segue abaixo o link de sua atualização e a minha resposta.
Carta-resposta:
Aninha Franco,
Escrevo em resposta ao post publicado no dia 01 de março no seu mural pessoal do Facebook, a respeito da oficina de palhaço para adultos com deficiência intelectual.
Primeiramente, uma vez que a integridade, o valor e os objetivos do projeto foram claramente questionados e criticados, permita-me esclarecê-la do que você pensa saber estar falando.
Sou Laili Flórez, coordenadora do projeto e professora ao lado de Renata Berenstein de Azevedo. Eu sou formada em Licenciatura em Teatro (UFBA) e estou no último período do Mestrado em Artes Cênicas (também pela UFBA). Trabalho enquanto professora e palhaça desde 2004 e neste campo de atuação cênica destino-me principalmente à palhaçaria de rua. Iniciei minha pesquisa sobre palhaço e deficiência intelectual em 2006, quando comecei a lecionar voluntariamente no Instituto Pestalozzi da Bahia.
Renata Berenstein é psicóloga, atriz e palhaça e desde 2008 desenvolve um trabalho (igualmente sério) de teatro com usuários do serviço de saúde mental, uma referência no tratamento de portadores de transtornos mentais na cidade de Salvador, projeto do qual eu faço assistência desde 2011. Ela é minha parceira no projeto "Muito prazer, eu sou palhaço!" e assina, além da co-facilitação das aulas, a mediação do grupo.
O projeto ao qual você se referiu, Aninha Franco, não foi criação oportunista para se aproveitar de verba pública. Ele começou em 2006, foi tema de conclusão de curso, é meu tema da dissertação de Mestrado e se manteve ativo e totalmente sem incentivo financeiro (do setor público ou privado) até o final de 2011, quando foi contemplado com o edital de Demanda Espontânea do Fundo de Cultura e o Prêmio FUNARTE/Petrobrás Carequinha de Estímulo ao Circo. A oficina realizada à qual você se referiu em um dos comentários não foi realizada no Vila Velha, mas no Espaço Xisto Bahia. Ela aconteceu através de cessão de pauta para as oficinas de verão do espaço, foi gratuita (assim como todas as atividades do projeto do seu início até hoje) e não teve nenhum tipo de apoio financeiro. São até aqui seis anos de um trabalho sério, com objetivos sérios e resultados sérios, reconhecido academicamente e, agora, premiado nacionalmente.
A oficina que começa nesta segunda-feira 12 de março criticada em seus comentários virtuais é a primeira das seis ações que estão previstas para este ano e visam três diferentes grupos: deficientes intelectuais, portadores de transtornos mentais e familiares destes dois primeiros. A verba adquirida do Fundo de Cultura custeará as três primeiras oficinas e o prêmio da FUNARTE financiará as três últimas. Serão 180 horas de trabalho apenas em sala de aula.
Ao contrário do que foi sugerido nos comentários abaixo do seu post, essa oficina não tem o caráter excludente de limitar a associação da figura do palhaço à pessoa com deficiência intelectual, mas apenas destinar um curso com metolodogia especificamente preparada para trabalhar com tal grupo. Eu não compartilho desta idéia e é imaturo distorcer esta proposta a este ponto. Eu, por exemplo, facilitarei uma oficina de comicidade para mulheres em nome do grupo Nariz de Cogumelo e me pergunto se eu serei bombardeada pelos seus amigos virtuais e por você com o infeliz questionamento "se só a mulher pode ser cômica". Acreditamos, Aninha Franco, que palhaços somos todos. Ou poderíamos ser. Eu, você. Basta aceitarmos o lado ridículo que todos temos e assumi-lo com humor.
Agora vamos ao motivo que me levou a responder suas palavras.
Foi surpreendente constatar o caráter discriminatório e excludente a que foi levada a discussão iniciada e alimentada pela sua pessoa. A figura do palhaço foi tratada de forma pejorativa e a pessoa deficiente intelectual foi claramente comparada com os políticos de nossa cidade, numa atitude de associar diretamente a deficiência intelectual à incapacidade de gestão pública, corrupção e desonestidade. Questiona-se a decisão de um edital de cultura apoiar este projeto, alegando-se que os "eficientes estão sem emprego", como se a cultura e a arte só devesse ser destinada para aqueles que não apresentam deficiências.
Em outro momento, a senhora escreveu as seguintes palavras: "Aliás, que objetivo pode ter a destruição da cultura? Só deficientes intelectuais são capazes de tal coisa". Eu acho que, a este ponto, é desnecessário tecer algum comentário a esta preconceituosa, discriminatória e gravíssima afirmação.
A senhora, como artista, pessoa pública, colunista em jornal de circulação estadual, deveria tomar os devidos cuidados e pronunciar-se de forma mais ética a respeito do palhaço e da deficiência e entender de uma vez por todas que atitudes que compartilhem cultura, arte e/ou palhaçaria à pessoa deficiente não representam uma afronta às políticas públicas em cultura, nem descaso com a classe artística, mas uma oportunidade de democratizar, incluir e valorizar a diferença.
Este e-mail será repassado a pessoas da classe artística, educadores, psicólogos, associações, instituições de atendimento à pessoas deficientes e para palhaços e palhaças, para que seja divulgada a sua atitude juntamente com o link de seu post (que já está salvo em print screen).
Espero, senhora Aninha Franco, que esta carta de ajude a repensar seus impulsos em criticar projetos dos quais não conhece absolutamente nada e, acima de tudo, não se pronunciar preconceituosamente no futuro para/com a palhaçaria e a deficiência.
A palhaçada é séria e digna.
Laili Flórez.
quinta-feira, 8 de março de 2012
Atualizando agenda
Quando atualizo minha agenda de trabalho, na barra lateral, fico tão feliz em ver meu ano se enchendo de trabalhos interessantes, enriquecedores, com encontros mágicos. E nem pude colocar ainda a circulação do Encontros na mesa de chá, com meu amado Lucas Valentim, porque não temos ainda previsão de quando iremos viajar pelo interior da Bahia. Aquelas coisas de atraso de verba. Sabe como é, né?
E recheando todas as apresentações tem o mestrado em Dança que começou esta semana e irá me ocupar durante dois anos. Muito bom poder pesquisar, voltar a estudar...
2012 começou com a corda toda!
E recheando todas as apresentações tem o mestrado em Dança que começou esta semana e irá me ocupar durante dois anos. Muito bom poder pesquisar, voltar a estudar...
2012 começou com a corda toda!
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Tudo de novo (apresentação em Londres)
"Minha mãe, meu pai, meu povo
Eis aqui tudo de novo
A mesma grande saudade
A mesma grande vontade"
Minha mãe, meu povo,
No próximo dia 29 de Fevereiro, estarei junto à Candoco Dance Company, apresentando uma coreografia criada por Claire Cunningham, no Laban Theatre, em Londres, às 19:30h.
"Minha mãe me deu ao mundo
De maneira singular
Me dizendo a sentença
Pra eu sempre pedir licença
Mas nunca deixar de entrar"
Sinto como nesses últimos versos de Caetano. Não deixei de entrar onde eu queria, onde eu sempre quis. Quero compartilhar esta alegria com todos os meus amigos e também com os profissionais, colegas de Dança porque acho importante sabermos o que cada um tem construído em suas trajetórias. Isso nos indica novas possibilidades e enriquece o nosso fazer artístico... a partir da troca. Acredito sempre no compartilhamento para não ficarmos estanques e também porque é gostoso vermos nossos pares realizando seu trabalho pelo mundo. Eu mesmo adoro saber o que Iara Cerqueira, Lucas Valentim, Cia Artmacadam, Hugo Leonardo, Estela Lapponi, Clênio Magalhães, Coletivo O¹², Fernando Lopes, Cia Gira Dança, Verônica de Moraes, Milianie Lage, Clara Trigo, Norma Santana, Leandro Oliveira, entre tantos outros, estão fazendo e produzindo. Há tanta(s) Dança(s) e essa riqueza da diversidade é preciosa.
Para quem não conhece, a Candoco Dance Company é, talvez, a maior referência no que chamam aqui de "mixable dance" ou a nossa velha conhecida Dança Inclusiva, aquela que tem seu elenco pessoas com e sem deficiência. A Candoco foi fundada em 1991 por Celeste Dandeker and Adam Benjamin, desenvolvendo trabalho de formação e criação artística.
Esta peça que será apresentada no dia 29 está sendo criada para o projeto "Unlimited", festival idealizado parr acontecer em de 01 a 09 de Setembro, dentro da programação das para as Olímpiadas Culturais, aqui em Londres. Antes disso, porém, partiremos à China, em Abril, onde faremos duas apresentações de uma outra coreografia, criada por Marc Brew, criada em 2011.
A proposta da Candoco, para este evento, consiste em duas coreografias de 30 minutos cada, apresentadas numa mesma noite. Participo desse projeto desde 2010, viajando a Londres algumas vezes ao ano. Estou eufórico em ter sido convidado a participar porque é uma chance maravilhosa poder conhecer os dançarinos do grupo (Ellie, Annie, Vicky, Chris, Dan, Mirjiam, Darren e ainda Bettina que não está mais no elenco, porém se apresentará na China conosco), além dos outros quatro convidados (Maggie, Welly, Ronny e Mickaella Dantas), esta última também brasileira, radicada em Portugal, trabalhando com Henrique Amoedo. É uma equipe fantástica, artistas criativos, abertos, maravilhosos improvisadores e muito generosos. Tanta aprendizagem! Também é muito bom ver a organização do grupo, observar a questão administrativa, o funcionamento, as regras estabelicidas. Ver o quanto seria impossível ter uma organização dessa na Bahia diante das nossasdificuldades com as atuais políticas públicas de cultura, da falta de acessibilidade dos nossos espaços, da falta de consciência dos nossos gestores e políticos, apesar de termos conseguido alguns avanços na área da Dança. Bate uma pontinha de tristeza ver o quanto estamos longe dessa realidade, mas dá um orgulho enorme comprovar que a Dança desenvolvida por nós tem sua excelência, nossa pesquisa, nosso discurso artístico elaborado, evidente, nossa criatividade. É lindo estar aqui e pensar nisso. Pensar nos nossos artistas e de como seríamos muito melhores se olhassem um pouco mais para o nosso trabalho com o respeito e dignidade que ele merece.
Um beijo especial para Fafá Daltro, David Iannitelli, Leda Muhana, Lúcia Matos e Catarina Gramacho.
EVOÉ meus amigos, minha mãe, meu pai, meu povo!
Aqui o link do site da Candoco para quem quiser conhecer mais o trabalho deles
http://www.candoco.co.uk/ productions/unlimited/edu- oliveira/
Eis aqui tudo de novo
A mesma grande saudade
A mesma grande vontade"
Minha mãe, meu povo,
No próximo dia 29 de Fevereiro, estarei junto à Candoco Dance Company, apresentando uma coreografia criada por Claire Cunningham, no Laban Theatre, em Londres, às 19:30h.
"Minha mãe me deu ao mundo
De maneira singular
Me dizendo a sentença
Pra eu sempre pedir licença
Mas nunca deixar de entrar"
Sinto como nesses últimos versos de Caetano. Não deixei de entrar onde eu queria, onde eu sempre quis. Quero compartilhar esta alegria com todos os meus amigos e também com os profissionais, colegas de Dança porque acho importante sabermos o que cada um tem construído em suas trajetórias. Isso nos indica novas possibilidades e enriquece o nosso fazer artístico... a partir da troca. Acredito sempre no compartilhamento para não ficarmos estanques e também porque é gostoso vermos nossos pares realizando seu trabalho pelo mundo. Eu mesmo adoro saber o que Iara Cerqueira, Lucas Valentim, Cia Artmacadam, Hugo Leonardo, Estela Lapponi, Clênio Magalhães, Coletivo O¹², Fernando Lopes, Cia Gira Dança, Verônica de Moraes, Milianie Lage, Clara Trigo, Norma Santana, Leandro Oliveira, entre tantos outros, estão fazendo e produzindo. Há tanta(s) Dança(s) e essa riqueza da diversidade é preciosa.
Para quem não conhece, a Candoco Dance Company é, talvez, a maior referência no que chamam aqui de "mixable dance" ou a nossa velha conhecida Dança Inclusiva, aquela que tem seu elenco pessoas com e sem deficiência. A Candoco foi fundada em 1991 por Celeste Dandeker and Adam Benjamin, desenvolvendo trabalho de formação e criação artística.
Esta peça que será apresentada no dia 29 está sendo criada para o projeto "Unlimited", festival idealizado parr acontecer em de 01 a 09 de Setembro, dentro da programação das para as Olímpiadas Culturais, aqui em Londres. Antes disso, porém, partiremos à China, em Abril, onde faremos duas apresentações de uma outra coreografia, criada por Marc Brew, criada em 2011.
A proposta da Candoco, para este evento, consiste em duas coreografias de 30 minutos cada, apresentadas numa mesma noite. Participo desse projeto desde 2010, viajando a Londres algumas vezes ao ano. Estou eufórico em ter sido convidado a participar porque é uma chance maravilhosa poder conhecer os dançarinos do grupo (Ellie, Annie, Vicky, Chris, Dan, Mirjiam, Darren e ainda Bettina que não está mais no elenco, porém se apresentará na China conosco), além dos outros quatro convidados (Maggie, Welly, Ronny e Mickaella Dantas), esta última também brasileira, radicada em Portugal, trabalhando com Henrique Amoedo. É uma equipe fantástica, artistas criativos, abertos, maravilhosos improvisadores e muito generosos. Tanta aprendizagem! Também é muito bom ver a organização do grupo, observar a questão administrativa, o funcionamento, as regras estabelicidas. Ver o quanto seria impossível ter uma organização dessa na Bahia diante das nossasdificuldades com as atuais políticas públicas de cultura, da falta de acessibilidade dos nossos espaços, da falta de consciência dos nossos gestores e políticos, apesar de termos conseguido alguns avanços na área da Dança. Bate uma pontinha de tristeza ver o quanto estamos longe dessa realidade, mas dá um orgulho enorme comprovar que a Dança desenvolvida por nós tem sua excelência, nossa pesquisa, nosso discurso artístico elaborado, evidente, nossa criatividade. É lindo estar aqui e pensar nisso. Pensar nos nossos artistas e de como seríamos muito melhores se olhassem um pouco mais para o nosso trabalho com o respeito e dignidade que ele merece.
Um beijo especial para Fafá Daltro, David Iannitelli, Leda Muhana, Lúcia Matos e Catarina Gramacho.
EVOÉ meus amigos, minha mãe, meu pai, meu povo!
Aqui o link do site da Candoco para quem quiser conhecer mais o trabalho deles
http://www.candoco.co.uk/
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Faltou eu que estou em Londres
Ontem recebi uma homenagem linda de meu amor e uma das minhas maiores amigas. Uma surpresa para mim que estou em Londres e perdi o carnaval deste ano. Quem me conhece sabe da loucura que tenho pela festa e de como aproveito todos os momentos, todos os dias, até a quarta-feira de cinzas, quando começamos a pensar no ano seguinte. Não é tanto assim, mas como estou longe me permito exageros.
Hoje recebi umas fotos dos dois vestindo uma camiseta com uma foto minha, escrito: "Até Luiza veio, só faltou Edu que está em Londres". A frase se refere àquela febre recente que aconteceu no Facebook com uma Luiza que estava no Canadá.
Claro que eles sabiam que isso me deixaria feliz, mas tenho certeza que não sabem a dimensão desse sentimento e do meu amor pelos dois. Como sou grato por nossa convivência e pela presença deles em minha vida. Ganhei o carnaval que havia perdido. Valeu a pena não estar lá só para ver essa declaração de amor.
ps- não coloquei foto de rosto porque não pedi permissão aos dois e queria logo postar aqui esta homenagem
Hoje recebi umas fotos dos dois vestindo uma camiseta com uma foto minha, escrito: "Até Luiza veio, só faltou Edu que está em Londres". A frase se refere àquela febre recente que aconteceu no Facebook com uma Luiza que estava no Canadá.
Claro que eles sabiam que isso me deixaria feliz, mas tenho certeza que não sabem a dimensão desse sentimento e do meu amor pelos dois. Como sou grato por nossa convivência e pela presença deles em minha vida. Ganhei o carnaval que havia perdido. Valeu a pena não estar lá só para ver essa declaração de amor.
ps- não coloquei foto de rosto porque não pedi permissão aos dois e queria logo postar aqui esta homenagem
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Sobre o destino
Não tenho pernas para te acompanhar... Algumas vezes falo assim com o destino e ele me responde também se cansar com minhas escolhas, de ter que se adaptar sempre a coisas novas.
Para mim ele é assim, uma criança brincalhona que sai correndo no meio da estrada de barro para seguirmos atrás em disparada. Muitas vezes acho que ele pode ser aquele amigo imaginário que temos quando crianças. Ninguém sabe que existe, ninguém vê, mas para nós é tão real e verdadeiro quanto os coleguinhas de escola e os amiguinhos de rua. Desde pequeno brincamos de picula um atrás do outro. Às vezes ele vem correndo atrás de mim, gosto de pregar-lhe sustos, de vez em quando é ele quem me retribui com gracinhas que podem assustar.
O destino é mudo, mas nos entendemos no olhar. Ele ri bonito com os olhos e os dentes brancos afiados comendo o tempo como quem chupa laranja arrancada do pé. Ele gosta das coisas vivas.
Já passamos muitas tardes parados, brincando de Playmobil na varanda avermelhada da casa de dois andares num rua pacata do interior. Os outros meninos que não sei mais quem são, brincavam correndo na frente do meu portão. Eu olhava sem desejo porque estava ali com aquele amigo que me acompanharia pela vida sem desgrudar nenhum segundo. Hoje cuidamos um do outro com carinho, afeto, atenção e leveza, como devem ser todas as amizades.
Para mim ele é assim, uma criança brincalhona que sai correndo no meio da estrada de barro para seguirmos atrás em disparada. Muitas vezes acho que ele pode ser aquele amigo imaginário que temos quando crianças. Ninguém sabe que existe, ninguém vê, mas para nós é tão real e verdadeiro quanto os coleguinhas de escola e os amiguinhos de rua. Desde pequeno brincamos de picula um atrás do outro. Às vezes ele vem correndo atrás de mim, gosto de pregar-lhe sustos, de vez em quando é ele quem me retribui com gracinhas que podem assustar.
O destino é mudo, mas nos entendemos no olhar. Ele ri bonito com os olhos e os dentes brancos afiados comendo o tempo como quem chupa laranja arrancada do pé. Ele gosta das coisas vivas.
Já passamos muitas tardes parados, brincando de Playmobil na varanda avermelhada da casa de dois andares num rua pacata do interior. Os outros meninos que não sei mais quem são, brincavam correndo na frente do meu portão. Eu olhava sem desejo porque estava ali com aquele amigo que me acompanharia pela vida sem desgrudar nenhum segundo. Hoje cuidamos um do outro com carinho, afeto, atenção e leveza, como devem ser todas as amizades.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Fora de contexto
Quando se está fora de contexto tudo é desconfortável. Sete camadas de calça em perna fina. Graças sem sorriso. Alegria sem cor.
Falta a praça, o cheiro de cigarro e até a famácia na outra esquina do hospital e a vida dos outros.
O mundo inteiro pode ser um contexto, a partir de um ponto de vista dentro da imensidão, mas o que é grande mesmo, o que fortalece e nos faz existir é o pequeno, o que vem de dentro e se expande. Ocupa e compartilha nosso interior.
Música aos ouvidos: as gargalhadas junto com aquela grande turma. Agora só aquela salvaria. Gargalhada e choro mudam o som quando não estamos perto. Felicidade e tristeza não saem de dentro se não podem ser divididas com quem vai entender sem palavras. Isso talvez seja minha concepção de contexto agora. Até a perturbação das ideias, das palavras que se perdem entre os dedos sem voz.
Era somente para falar "Se puder tocar no rádio", mas saiu outra coisa.
Falta a praça, o cheiro de cigarro e até a famácia na outra esquina do hospital e a vida dos outros.
O mundo inteiro pode ser um contexto, a partir de um ponto de vista dentro da imensidão, mas o que é grande mesmo, o que fortalece e nos faz existir é o pequeno, o que vem de dentro e se expande. Ocupa e compartilha nosso interior.
Música aos ouvidos: as gargalhadas junto com aquela grande turma. Agora só aquela salvaria. Gargalhada e choro mudam o som quando não estamos perto. Felicidade e tristeza não saem de dentro se não podem ser divididas com quem vai entender sem palavras. Isso talvez seja minha concepção de contexto agora. Até a perturbação das ideias, das palavras que se perdem entre os dedos sem voz.
Era somente para falar "Se puder tocar no rádio", mas saiu outra coisa.
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Uma carta para B
Quero escrever agora para quando ele acordar ler o que sinto. Para ele que me habita desde o primeiro momento e que eu sabia que seria assim suave, leve e gostoso como seu olhar. Aquele primeiro e inesquecível olhar. Ele que vive escondido aqui dentro como uma alfinete em bolso da mochilinha que ele prometeu ser para mim. Ele que viaja comigo mesmo eu estando aqui e lá, lá longe. Ele que é o meu B em querer. Te quero sempre. Escrevo agora como quem nunca escreveu um EU TE AMO e treme à primeira vez. E este EU TE AMO é tão repetido, é tão verdadeiro, é tão dele que só ele entenderá porque escrevo agora. Escrevo porque ele chegará em casa de viagem longa, cansado e eu não estarei para colocá-lo no colo, embora seja ele quem me acaricia a cabeça toda noite na hora de dormir, naquele momento em que eu pego no sono com o pensamento em casa neste quarto grande de cidade fria. Só ele em mim e o nosso silêncio. Este silêncio que não consigo reproduzir e por isso encho de palavras esta tela, porque silêncio daqui pode parecer esquecimento e eu sou só lembrança e saudade.
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Da vez que vi a neve, mainha
Foto de Mickaella Dantas
O quintal está todo branco, mainha. Tem glace de bolo por todo canto, com aquele côco ralado por cima, cobrindo tudo: mesa, cadeira, ávore, telhado e até o gramado. O balanço também está coberto e minha criança que passa as madrugadas ali não poderá brincar. Tudo escorrega e uns pontinhos brilham.
Meu coração está excitado, mainha. Não sei se será bom se isso assim continuar. Como poderei sair de casa, mainha? Como poderei sambar? Trabalhar, eu conseguirei? O frio está de matar e meu pé congela se coloco o nariz de fora. Na rua o pessoal só enxerga meus olhos, fico parecendo frigobar transportado de lá para cá. Os pés inchados com tanta meia, as pernas grossas com a meia dúzia de calças e o peito estufado de tanta blusa e casaco.
Está tudo bem e eu estou feliz, mainha. Era aqui que eu sempre desejei estar e todos os dias eu acordo e ainda assim continuo sonhando. Lembro da minha tristeza de 2003, da frustração e da certeza que não adiantava sonhar. Hoje vejo a grande besteira dos meus pensamentos naqueles dias. Hoje vejo todos os meus sonhos se realizando e estou certo que essa brincadeira de sonhar alto demais acaba dando em alguma coisa que a gente nem imagina que um dia pudesse acontecer de fato.
Espero que a senhora também esteja sonhando, mainha. Um dia veremos, juntos, a neve deixando doce os nossos quintais.
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