sexta-feira, 12 de agosto de 2011

MenAs eu - coisas de Santo Amaro

É coisa, viu? Santo Amaro é mesmo uma terra cheia de "causos".

Uma senhora de muito respeito vivia dando passeios com outros homens que não eram seu marido. Por isso, as línguas maledicentes da cidade começaram a falar mal da pobre coitada que se divertia fora de casa. Num determinado dia, escreveram no muro da casa desta família:

"Aqui só tem corno e puta!"

O marido bem sabiamente, respondeu à provocação:

"MenAs eu. Ass: Bilú"

*nome fictício

Imagem da Prefeitura de Sto Amaro

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O tempo dá, o tempo tira

"O tempo dá, o tempo tira, o tempo passa e a folha vira"

Na minha Trilogia Feminina, a primeira tem medo do porvir, do abismo à nossa frente, escuridão necessária e fascinante. A segunda carrega o peso das histórias, do que viveu, tudo em nós reverberando o que foi/fomos. Agora.... o agora.... é a terceira que chegou com força e reflete sobre o que somos, no que deu tanto passado e as expectativas do futuro.

Hoje, a minha homenagem e reverência ao Tempo. Pedindo que saibamos todos lidar com ele de forma tranquila, leve e feliz.

És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo...
(Oração ao tempo - Caetano Veloso)



Iroko

Foi o primeiro filho de Oxalá e é considerado um dos mais velhos dos Orixás. Iroko está associado a uma árvore que possui suas próprias características: determinação e inflexibilidade. Existe uma lenda que conta que Iroko foi a única árvore que teria sobrevivido no planeta, devastado por uma seca que ocorreu por causa de uma briga entre o Ceú e a Terra. Por ser muito grande, suas raízes são bem enterradas no solo, dando estabilidade. Sua copa se encontra nas alturas do ceú. No Brasil, a árvore de Iroko é a gameleira branca. Os filhos deste Orixá procuram ser estáveis em todas as situações. No trabalho, são dedicados e por isso conseguem impor muito respeito. Mas no relacionamento pessoal, algumas vezes acabam se metendo em situações constrangedoras, pois acreditam apenas em si próprio e não dão oportunidade dos outros opinarem.

Iroko está ligado à longevidade, à durabilidade das coisas e ao passar do tempo.

Dia da Semana: Terça-feira. Cores: Branco, Verde (ou Cinza) e Castanho Símbolo: Lança, Grelha Domínios: Tempo, Vida e Morte Saudação: Iroko I Só! Eeró!

Iroko ou Tempo, como também é conhecido, é um orixá muito antigo. Iroko foi à primeira árvore plantada e pela qual todos os restantes orixás desceram à Terra. Iroko é a própria representação da dimensão Tempo.

Em todas as reuniões dos orixás está sempre presente Iroko, calado num canto, anotando todas as decisões que implicam directamente na sua ação eterna.

Fontes:
http://www.paiogun.com/iroko.htm
http://www.raizesespirituais.com.br/iroko-orixa-raro/



segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A alma que percorre o corpo

Para que a alma percorre corre escorre nesse corpo?
Corpo sem mãos, sem beijos, sem o que era eu
Por que esta alma insiste em habitá-lo
Se já não é mais casa cheia de sorrisos?
Louca alma
Insana
Vagando em espaço ermo
Corpo sem língua, sem cheiro
Triste corpo sem arrepios

domingo, 7 de agosto de 2011

Esperanto

Foto de Edu O.

Perco horas desejando
que meu amor me coma com todas as suas línguas:
Inglês, Javanês, Esperanto.
Que não me deixe esperando tanto!

sábado, 6 de agosto de 2011

Entrevista na revista VOID


Há uns meses atrás, passeando por blogs sobre devoteísmo me deparei com um comentário de Sabrina Duram, jornalista querendo informações sobre o tema. Achei que ali teria uma ótima oportunidade de reciclar minhas fontes, saber mais sobre a pesquisa dela. Então, mantivemos contato, ela me fez entrevista, trocamos idéias e informações e agora ela me envia a entrevista publicada na íntegra, em meio a uma matéria deliciosa sobre os devotees. a revista toda é gostosa. Estou esperando chegar em casa meu exemplar de papel, mas podemos curtir tudinho virtualmente tb. Minha entrevista está lá pela página 62.


Link para acesso à revista: http://issuu.com/arevistavoid/docs/void_072

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

O Rio da minha aldeia - Coisas de Sto Amaro


O Rio Subaé é cantado em verso e prosa por sua sujeira, poluição, enchentes... Eu quero lembrá-lo pela beleza calada e quieta e constante a nos vigiar. Ninguém que não seja santamarense poderá entender o que este rio significa para cada um de nós daquela cidade, Santo Amaro.

Hoje tive a feliz surpresa de ver pelo Canal Brasil, o documentário "Maria Bethânia - Pedrinha de Aruanda". Emocionante a relação dela com o lugar, com sua mãe e a música. Eu ainda não tinha assistido a este filme, mas como sabemos que tudo tem seu momento, hoje era o meu de ver aquilo e me emocionar como me emocionei. Num determinado instante do vídeo, Bethânia recita este poema de Antônio Caeiro, enquanto passam imagens lindas do Subaé. E eu enchi, enchente de 1989. Passei por alguns rios grandiosos, famosos do mundo e foi exatamente assim que senti.

O Tejo é mais belo
Alberto Caeiro

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o tejo não é o rio que corre pela minha aldeia,
O Tejo tem grande navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso, porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Quem quer perder dindin?

Eu havia me prometido não falar sobre o assunto porque fico me metendo em tudo, emitindo opinião e principalmente me irritando com as situações. Hoje me obriguei a dar bom dia ao sol, sentir alegremente o vento entrar pela janela, imaginar um lugar lindo de contos de fadas. Acordei assim, querendo estar numa alegria imensa. Tomei banho pensando na limpeza de tudo de ruim, principalmente dos pensamentos. (que texto uó, né), mas eu queria estar uó mesmo. Um dia de Pollyanna.

Que nada! Impossível um mundo assim quando se tem uma tv na sala, ao lado do computador onde se trabalha. O programa Bahia Meio Dia, da Tv Bahia, resolveu comprar a briga dos pagodeiros e falar sobre a "polêmica" (eles que estimulam) sobre o projeto de Lei que prevê a proibição de financiamento público para artistas que incentivem violência contra mulheres.

A deputada Luiza Maia (PT-BA), criadora do projeto, em entrevista ao programa Fantástico da TV Globo, explica: “O meu projeto é apenas para impedir que determinados compositores, determinadas bandas, sejam contratadas com dinheiro público. Bandas que tenham músicas ofensivas às mulheres, que desvalorizem, que desrespeitem as mulheres e que incentivem a violência contra a mulher. Não dá para cantar "dá a patinha" como se nós fôssemos animais ou objetos sexuais”, explicou a deputada.

O que me admira e irrita é a abordagem sobre um assunto tão sério que ultrapassa a questão da violência contra a mulher. Com isso podemos questionar também qual o pensamento dos políticos sobre o tema, sobre o porque da escolha desses artistas e não de outros com trabalhos mais sérios, ricos e educativos. Enfim...

Lógico que a thurma da música baiana foi contra o projeto porque ninguém quer perder dindin, não é mesmo? e vem com o discurso de que amam as mulheres e que tem coisas mais sérias para serem proibidas. Não concordo. Acho que isso, aqui nesta cidade, é tão sério quanto a questão do salário dos professores, dos meninos de rua, da prostituição infantil e das drogas. Será que uma coisa não está ligada à outra?

A mídia como gosta de carnavalizar todos os assuntos, talvez por acreditar que nós, simples mortais, somos incapazes de refletir, joga tudo num mesmo saco e trata tudo de forma rasa e perigosa. Entrevistaram jovens ao lado dos artistas/cantores/famosos/gostosos, achando que alguém vai ser contra eles que chegavam seduzindo todas, na verdade já estimulavam uma resposta quase pronta. No estúdio do jornal local, a apresentadora deleitava-se com o cantor que descia até o chão rebolando, cantando, pedindo para as mulheres darem a patinha e sentarem, ralarem a xana no asfalto.

Os ignorantes da banda Blck Stile falavam de ditadura, de censura. A deputada não quer proibir as músicas, quer proibir que o dinheiro público seja usado para fortaceler a falta de senso crítico. As festas de camisa colorida e tantas outras não serão proibidas. As bandas podem fazer seus shows aonde quiserem. O projeto é claro sobre isso, mas a midia local insiste em crucificar a deputada que virou alvo de piada no telejoral, quando a banda repetia "venha pro meu mundo, deputada!". Para mim a ditadura está na alienação e na forma massante que determinados ritmos e músicas são impostos ao povo que tem muito mais a absorver e trocar. Falo de cadeira porque vemos nos trabalhos que fazemos nas periferias, interior e para o público de baixa renda o quanto absorvem, contribuem e enriquecem nosso trabalho. Olhe que estou falando agora de Dança, o que teoricamente é mais difícil de chegar às camadas mais desprivilegiadas.

Voltemos à reportagem. O que se via era a total falta de comprometimento com os fatos. Era a conivência com o emburrecimento do povo. Eles devem estar certos. Afinal, quem quer perder dindin, não é?

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Quero por muito tempo

Eu já falei inúmeras vezess sobre as alegrias que Judite me deu/dá. Para mim é surpreendente como este projeto tem um alcance amplo, possibilidades muitas de entendimento, compreensão. Criado, inicialmente, para adultos, o espetáculo conquistou rapidamente o público infantil. Tem sido assim desde 2008, dois anos depois da estréia no Café DaVinci, em comemoração aos meus 30 anos.

Hoje, recebi um convite de uma amiga querida, Silvana Mendes, para fazer alguma coisa para seus alunos na Escola São Domingos Sávio, instituição da rede municipal de Salvador. O público abrangia desde crianças pequenas da pré-escola até meninos mais velhos de primeiro grau. Que alegria ter acordado cedo, cansado, para ir me encontrar com Judite, as crianças e a equipe da escola.

Chegamos, eu e Cate, a escola estava toda enfeitada de pipas, cartaz com Judite, plantas cheias de borboletas pintadas e casulos de cordão, textos criando o fim da historinha da lagarta, desenhos, sorrisos e muito carinho. Fiz uma performance diferente, sem todos os recursos que podemos fazer em espaços para apresentação. Era tudo ali na sala mesmo, menino apinhado, curtindo, olhos atentos, falando, rindo, ajudando. Professoras animadas, carinhosas e o sorriso de Sil. E o café da manhã delicioso?

Há tanto tempo fazendo e vivendo Judite... e ainda quero por muito tempo. Quero minha arte reflexiva, mobilizadora, cheia de possibilidades, multiplicadora...

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

#euassino:para acabar com impostos sobre produtos tecnológicos para deficientes

É rapidinho, não dói e a causa é importante. Por favor, assinem!

No Brasil, cerca de 27 milhões de pessoas – ou seja, mais de 10% da população – apresentam algum tipo de deficiência, e 70% delas vivem na linha da pobreza ou abaixo dela. A tecnologia pode melhorar, e muito, a qualidade de vida desses indivíduos. Porém, 90% dos produtos voltados a esse fim são importados, e pagam, em média, 60% em impostos para entrar no país. O resultado são preços elevados, restringindo o acesso a um grupo privilegiado da sociedade.

Assine o abaixo-assinado aqui

O movimento "#euassino" , criado pelo Olhar Digital, quer pressionar o governo federal a acabar com os impostos de importação sobre todos os produtos destinados a pessoas com deficiência. São itens como cadeiras de rodas especiais, bengalas com ultrassom, impressoras brailes, entre outros.

A ação começa com o incentivo ao uso da hashtag #euassino no Twitter, das 12h às 23h59 do próximo domingo, dia 24/7. No mesmo dia, o programa Olhar Digital, veiculado na Rede TV! a partir das 15:45h, exibirá uma matéria especial abordando o assunto e chamando a atenção da sociedade para o problema. As ações têm o objetivo de colher 600 mil assinaturas em um abaixo-assinado virtual (no endereço www.olhardigital.com.br/euassino), que será enviado ao Congresso para pressionar pela aprovação de um Projeto de Lei (PL 7916/2010) - que já está na Câmara dos Deputados – e que prevê o fim dos impostos de importação para produtos voltados a deficientes.

O objetivo é fazer com que o Brasil siga o exemplo de países europeus, que, na década de 1950, assinaram o Acordo de Florença. O documento prevê a isenção de impostos para importação de qualquer objeto usado para educação, progresso e inclusão das pessoas com necessidades especiais.

A tecnologia pode fazer toda a diferença para quem mais precisa dela. Participe dessa iniciativa:  assine aqui e tuíte a hashtag #euassino no Twitter neste domingo!

Uma carranca para Agosto


Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro - e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco. [...] Para atravessa...r agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu sem o menor pudor, invente um. Pode ser Natália Lage, Antonio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o seu dentista. Remoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados.

Caio Fernando Abreu

* para jogar longe a urucubaca que dizem haver em Agosto