segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A CANÇÃO

Era ela

Ninguém sabia
Mas a canção que eu fiz
Era ela

Era ela
A canção que eu fiz
E ninguém sabia

Foi pensando nela
A canção que eu fiz
Com gosto de comida
Comida na panela

Chorei salgando o sorriso dela
Então cantei
A canção que ninguém sabia
Mas era ela

Eu adoraria saber compor música, as vezes sonho com canções, sons, melodias... Escrevi esta poesia (fraquinha) pensando nisso, há algum tempo. Pensei em Stella Maris e sua voz. Fiz para ela. 

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O descontrole do animal preso

Tenho medo de Clarice Lispector. Não foram poucas as vezes que eu adoeci quando abri seus livros, devorei suas palavras. Há uns dois meses ganhei de presente "Uma aprendizagemou o livro dos prazeres", confesso que tive receio em começar a leitura, enfrentar esse universo de pérolas, fruteiras e faz de conta.

Ainda estou debilitado pois tenho apenas um dia de parido e as emoções começam a brotar nos olhos, na pele, na voz como brotoeja. Hoje é dia de faxina aqui em casa e demorei a sair do quarto esperando a sala estar livre. Fui ao banheiro e vi meu espelhinho rachado na pia. Ele tem dois lados e eu não entendi porque insisti em me ver pelo lado mais comprometido, me via em dois. Assim como tenho me visto em cena. EU falei, depois desse novo trabalho não serei NUNCA mais o mesmo!

Resolvi escrever dedicatória no livro de Clarice. Não no meuporque aí já seria loucura bastante, mas estou com outro "livro dos prazeres" como uma aliança de casamento.O meu está com dedicatória e eu estava devendo a dedicatória para meu amor. Feito isso, começo a descoberta e logo no início me assustei e parei de ler. Perigava ter febre.

Numa das últimas cenas d'O Corpo Perturbador eu me debato como um bicho enjaulado e sempre busco em minhas memórias corporais situações que me tragam este estado, mas Clarice, como adivinha me escreve e esclarece. Como pode?

"os movimentos histéricos de um animal preso tinham como intenção libertar, por meio de um desses movimentos, a coisa ignorada que o estava prendendo - a ignorância do movimento único, exato e libertador era o que tornava um animal histérico: ele apelava para o descontrole"

Fechei o livro e caí num pranto guardado há dias.

Foto de Igor Souza

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

É HOJEEEEEEEEEEE



Fizemos um video/convite, bem ao meu estilo para vocês não esquecerem que começa hoje a temporada d'O Corpo Perturbador e ficaremos até 19/12, as 17:30h, no Pátio do ICBA, Grátis. Sempre de Quinta a Domingo.

Quem puder ajudar na divulgação, eu agradeço muitissimo!

A Produção

Por Catarina Gramacho

Montar quebra-cabeças que ligue o sonho à realidade, apagar incêndios e ver surgir labaredas muito mais fortes a cada reunião, administrar o poder e o querer e ver surgir na dança de um Corpo Perturbador as minhas outras inquietações.







Fotos Diane Portella

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Aco(r)de, Corpo!

E agora…nua, sentada no banco da cozinha, cheiro de lavanda, coluna torta para a esquerda, último comprimido de Valeriana tomado, escutando uma seleção de Jazz que fiz agora há pouco, depois de um dia atípico de arrumação intensa da hora que acordei até agora sem pausa que não seja para comer, eu me pergunto:
O que me perturba no Corpo Perturbador?
Será que vou acordar meses depois da estréia vomitando tudo que vivi?
De súbito tudo virá a tona?
Como pode esse filho recém-nascido tocar na minha imensidão íntima desse jeito?
Mas é um toque pra baixo, profundo.
“Mergulha…” – me diz entre dentes.
E também me diz aos berros.
E me diz numa língua que nem sei…
e me diz aos saltos e chicoteios.
Me diz do alto e também ao rastejar.
E me grita se batendo em seus próprios limites.
Me intimida com olhares que vagam dias na minha imaginação…
E que me deixa com medo, pavor, alegria, tesão, ansiedade, alívio, paz, loucura, contentamento, devaneios, euforia, euforia e euforia  mais três vezes, e me faz SENTIR.

Eu sei que eu sinto, mas…

Me aco(r)de, Corpo!

(Diane Portella)

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A moldura

Por Nei Lima

Foto de Igor Souza

Qual a imagem desse corpo que perturba pela sua forma e sinuosidade contrastantes com o porte e contorno “elegantes” da modernidade? Ao invés de se submeter à correção da saúde, de se solidificar e endurecer, alia-se ao movimento solto, agita-se, enlarguece a linha da coluna para os lados, enfraquece-se e fortalece-se numa relação ambígua e à disposição do risco permanente entre o chão de relevos e as estruturas aéreas.


A imagem desse corpo se constrói pela bifurcação, a gola vitoriana revela duas dimensões do corpo, hierarquizando-o. As partes altas, “cabeças”, representam o pensamento, a racionalidade, o sagrado e o tronco representa o impulso, o profano, o humano e a sexualidade. Mais do que isso o figurino emoldura a coluna que é o fio condutor da história desse corpo. Corpo solto a revelia e a toda sorte de obstáculos, como um bicho a digladiar no território da instabilidade.


Foto de Alessandra Nohvais

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Porque o inferno são os outros

"Creio que seja impossível, num processo de criação artística, não se colocar inteiro. Corpo e alma. Sensações, emoções, vibrações, desejos, memórias do que se viveu e do que ainda há de vir. Toda obra artística, para mim, é de alguma maneira autobiográfica, principalmente quando criada por gente passional como nós.

Pelo relato de Lorena., imagino que o Corpo tenha tomado forma de acordo com o seu momento na ocasião da concepção do espetáculo. Mesmo que assim não fosse, inevitavelmente você iria fundo nas questões emocionais, porque você é todo emoção. Dedo na ferida. Sempre. Mergulho no poço escuro e fundo de nós mesmos. Revelar o que negamos, o que desconhecemos. Mexer, perturbar, tirar do eixo, desestabilizar. Você é provocador por natureza. Já nasceu assim. Vai morrer assim!

Me vi inteira no espetáculo. Vi minha vida retratada de maneira metafórica. Eu e a minha luta diária, não com o outro, mas comigo mesma. Emoção e razão disputando seu lugar dentro de mim. Eu e eu disputando espaço. Caminhando no desconhecido labirinto das emoções vagas e difusas. Mas também vi o "me reconhecer no outro" e me pertubar com isso. "Porque o inferno são os outros." E quando a gente se vê no outro de uma maneira que não nos agrada, e é obrigado a perceber que o outro também somos nós... isso perturba, enfraquece, desestabiliza. É como estar diante de uma esfinge, que te diz: -Decifra-me E te devoro! E ninguém quer ser devorado... então ficamos perambulando por estradas escuras onde não se sabe quem somos e nem pra onde vamos.

Tive vontade de chorar lendo o que Lorena escrevera. Nesse meu "momento" meio louco, já pertubada por emoções (des)conhecidas, foi desconcertante (assim como rever um grande amor rsrsrs...) "assistir" ao Corpo. Aumentou o meu desejo de ver essa criança nascer... eu, que de algum modo, ajudei a concebê-la. Mas a vontade de chorar também é de orgulho de ser tua... que torna o mundo mais bonito com sua poesia erótica e visceral. Você que torna tudo mais... quando se mostra ao mundo assim escancarado, verdadeiro, pura essência. És essencial pra mim.

Ah... o teu olhar melhora o meu."

Cléa Ferreira (http://epifaniasealumbramentos.blogspot.com/)

O Corpo Perturbador http://ocorpoperturbador.blogspot.com/ estréia quinta-feira, 09/12, as 17h:30min, no pátio do ICBA, ENTRADA FRANCA

Foto de Marcos (Miniusina de Criação)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Sweet amor




A viagem mais bonita e mais demorada que vivi até hoje foi/está sendo em sua companhia. Tudo começou com o sim dos olhares num canto escuro de música alta e gente bebendo. A faísca acendeu e nos aproximamos para nunca mais largar. Com ele aprendi a delicadeza e companheirismo e uma coisa que eu podia imaginar o que era, mas nunca tinha vivido de verdade. E hoje sei que o que eu imaginava não é nem uma fagulha do real. Ess coisa de beleza, de admiração, compreender o outro, mesmo que seja o contrário do que pensamos ou queremos, de querer mesmo assim, e ser isso o que encanta. É sorrir quando imagina que está pensando em nós. É essa coisa que me faz chorar só num dia ter tido a possibilidade de não ter mais comigo.

Essa coisa sem posse que não é o ter para mim, ser meu, não... o que descobri nesse "sweet amor" é a doçura de simplesmente ser ele o que é e eu ser o que sou e viajamos juntos de mãos dadas, nas costas e bem dentro. Aqui, nessa casa que ele fez seu abrigo e que pulsa em disparada esperando a noite chegar.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Um corpo urrando dentro de mim

Foto de Diane Portella

Às vésperas da estréia d'O Corpo Perturbador estou mergulhado e me afogando neste processo. Por isso, o post de hoje aqui dos meus Monólogos está lá. Quero compartilhar com meus e-amigos daqui o que tem se passado por aquelas bandas.

Um corpo de bicho. Sendo bicho, transformando em não sei o que.


terça-feira, 30 de novembro de 2010

Alguns porques ou respostas a mim mesmo

Porque as vezes é bom acordar de manhã e não ter nada para fazer

Porque é uma delicia beijo na boca, Bis e cafezinho de mainha

Porque eu adoro encontrar os amigos e hoje será um dia de muitos encontros (Lançamento do livro de Judite)

Porque o que eu mais gosto de fazer é criar

Porque sem a arte eu não sei o que seria

Porque eu choro, estresso e piro sempre quando se aproxima estréias e talvez seja assim para sempre e seja esse o lance (O Corpo perturbador estréia semana que vem)

Porque vir aqui no Monólogos é como beber água quando se está morrendo de sede

Porque o melhor lugar do mundo é este meu cantinho bagunçado

Porque hoje eu estou mais feliz do que ontem

domingo, 28 de novembro de 2010

Porque a chave ficou aqui

Depois que ele deixou a chave naquela mesa e meu coração estralou, estraçalhou, morreu, nunca mais tive alegrias com antes. Aquela chave ficou grudada no vidro em meio a sala. O pó, a sujeira, as roupas na cama, os pratos na pia, as panelas no fogão, os cabelos crescidos na cara e as lágrimas não secavam na boca.

O silêncio de televisões ligadas, de campanhias e telefones e ninguém do outro lado e ninguém aqui dentro.

Aos poucos fui ouvindo passos no corredor, subindo escadas, embrulhos e barulhos de presente. Corri para arrumar a cara, colocar música no quarto, desenhar flores no lençol, guardar as lágrimas, limpar os pratos, as mãos, jogar a chave embaixo da porta e esperar no sofá sem pó.

Uma lágrima caía de alegria em câmera lenta e a chave rodando na maçaneta. Meu peito não sabia o que sentia e meus olhos não acreditavam que ele voltava cheio de alegria, novo corte, nova cara, bagagem cheia do amor desperdiçado e a chave na mão, como quem saiu para comprar cigarros e voltou.

Minha boca aberta esperando o beijo não dado, a língua destrancando meus medos.