sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Gracias a la vida





Gracias a la vida
Que me ha dado tanto,
Me ha dado la risa
Y me ha dado el llanto,
Así yo distingo dicha
De quebrantos,
Los dos materiales
Que forman mi canto
Y el canto de todos
Que es mi propio canto.

Violeta Parra


Dia 30/11 no TCA vendo Mercedes Sosa e voltarei para casa transformado, tenho certeza. Clicando no título do post, ouve-se a lindeza de Mercedes.
Fotos:
Alessandra Nohvais
- Os 3 Audíveis - Ana, Judite e Priscila (espetáculo do grupo X de Improvisação em Dança vencedor do prêmio FUNARTE Klauss Vianna de Dança 2007 e recém selecionado pela Caixa Cultural para apresentações em Curitiba em Junho de 2009)
- Judite quer chorar, mas não consegue! (espetáculo solo, vencedor do Edital Quarta que Dança 2007 da FUNCEB e que me fez viajar muito por aí. Ontem terminamos a mais linda temporada de Ju no Museu Rodin)
Maíra Soares
- Joy lab Research (espetáculo do coreógrafo americano Alito Alessi, no SESC Santana - SP)

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Meu bloco

Fantasia Marriete Menezes vencedora do carnaval 2006
(com Pá, Fau, Zupa, Pri e Mário)


Pensei que hoje voltaria ao trabalho. Dormi com a expectativa do reencontro com os alunos, colegas, da curiosidade pelo espaço novo e desconhecido, da ansiedade em rever meus meninos e saber como estão. Uns casaram, outros tiveram outros filhos, os pequenos devem ter crescido e alguns não participam mais do projeto. Seria um recomeço!
Esperei, esperei, esperei....

Pensei, pensei, pensei....

Tive outra relação com a espera. Menos agonia e mais reflexão. Me vieram tantas imagens!

Imaginei as relações de amizade como um bloco de carnaval. Estamos todos próximos, uma só massa, às vezes nos desprendemos de um amigo porque o fluxo nos leva e segue quem está mais antenado, não pára para amarrar sapatos. Outras vezes estamos ligados a outro pela corda e mesmo distantes temos esta relação, esta certeza de que o outro está ali. Alguns se perdem na multidão e restam as lembranças da melhor coisa da vida que é a amizade. A pior imagem que tive foi dos amigos mascarados, esses que quando tiram a fantasia não sobra nada além da ilusão, é uma face desconhecida, é uma verdade que dói.

Cansado de esperar, subi o elevador, entrei em casa e tive a sensação, a maravilhosa sensação de estar entre os meus maiores amigos, esses que não são de bloco, não são de carnaval, esses que representam uma coisa só: minha família. Minha mãe estrela maior do meu carnaval e minha irmã, companheira de folia.


E o sorriso do pequeno grande mais novo amigo, meu sobrinho Rudá

domingo, 16 de novembro de 2008

A Roda

Foto do espetáculo Amor e Loucura do grupo A Roda

"Nenhuma presença é mais real do que a falta"
Miriam Fraga

Desde quinta-feira eu não escrevo aqui. Não consegui chegar e escrever nada, porque só me chegavam palavras tristes que a falta nos traz.
Quinta-feira perdi uma pessoa querida, uma amiga, e eu fiquei muito triste, sem combinar tristeza com ela, sem ter sentido não sorrir de gargalhar.
Quinta-feira ela deixou um aquário na mesa, sem tomar um gole da redondinha que combinamos tomar. Me embriaguei sozinho à espera da companhia. Chorei, chorei, chorei... mas tive que dançar. A dança limpa a dor, mas não preenche espaços. ahhhhhh estou voltando à tristeza e não quero.
Hoje fui ao Festival de Teatro de Bonecos. Que evento lindo!!! Eu quis vivenciar as coisas lá para ter algo de bom para falar dessa cidade d'Oxum, para me alegrar em estar numa cidade cultural, para alegrar minha criança chorosa.
Assisti ao espetáculo do grupo A Roda, que engrandece esta cidade, intitulado Amor e Loucura. Os bonecos de madeira lindamente manipulados num contexto poético e onírico. Estava em outro mundo, quando escutei a voz de Miriam Fraga dizer "Nenhuma presença é mais real do que a falta".
É verdade! Terça-feira volto a trabalhar e a falta dela estará lá PRESENTE.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Saudade retada


Em dia de saudade meu coração improvisa um suspiro

e eu piro com a ausência dos amores.

Encontrei esta foto fuçando minhas coisas no computador. Dei de cara com a falta que esse povo me faz lá de longe, do Velho Mundo.... Meus amores Artmacadam, meus mestres de arte e vida!

Essa foto é da nossa experiência de 2007 lá na França. Foi Fabienne Frossart quem fez e tem gente daqui também, hein.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ser um Mirabel molhado

Que delícia ser um Mirabel!

O queridíssimo Zéu me convidou para uma participação em seus ensaios de carnaval.
Pois bem, convite feito, convite aceito. Zéu é um artista incrível! Sensível, leve, com uma arte pura, uma música bem feita, com letras deliciosas de narrativas bem feitas.

Estar ao lado de um criador como este é enriquecer nosso repertório e nossas possibilidades, é ver a arte pelo prisma do prazer e de forma grandiosa. Que honra ser seu Mirabel Molhado!
Que bom estar cercado de tantos biscoitos gostosos! "Me amarro em biscoito..."

E eu nem falei nas entrevistas carnavalescas que Zéu Brito me fazia, todo ano, nos concursos de fantasia do bloco Os Mascarados quando não tinha para ninguém... Já dá para imaginar o que saía nas entrevistas, né?

EVOÉ, Zéu Brito!!!!!!!

* hoje estou cheio de exclamação, né?
** clicando no título dá para ver o vídeo da música numa versão diferente da original.


segunda-feira, 10 de novembro de 2008

A criatura

Foto de Edu O.
Sem uma bela história para essa distinta senhora, deixo para vocês criarem o que quiserem sobre ela. Só sei que estava em Paris, numa tarde fria, sendo personagem de minha imaginação fotográfica.

domingo, 9 de novembro de 2008

Se esta rua fosse minha

Foto de Edu O.

"Se esta rua
se esta rua
fosse minha
eu mandava
eu mandava
ladrilhar
com pedrinhas
com pedrinhas
de brilhante
só pro meu
só pro meu
amor
passar"



O Vale do Capão é um dos lugares mais importantes na minha vida. Em meio à natureza que me impede de desbravá-la com a cadeira de rodas e apesar de não fazer trilha alguma por isso, sempre que estou nesse lugar, vivencio experiências e emoções que em nenhum outro fui capaz de sentir.

Esta foto é à beira da fogueira de São João, ouvindo violão em companhia dos hippies que estavam no Capão nesta época.

Bem no fundo de mim eu tinha a vontade de ser hippie, mas não deu nesta encarnação.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Yes, we can!


É incrível a certeza de se viver a História.
Presenciar este momento...
A emoção me tomou desde ontem á noite e eu, que não sei rezar, só tenho em meu coração a sensação de uma oração.
Quero guardar tudo para quando Rudá crescer ouvir essa história de vitória.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Há algo dessa cidade em mim

Foto de Nei Lima



Há algo de cidade em mim.
Há algo de todas as cidades dentro de mim que forma o que eu sou.
Passarelas de percepção, mensageiras de sua gente.
Das ruas, prédios, edificações, pontes, túneis, torres e postes são os cheiros, cores, vibrações, ruídos e ares o que as determina.
O que há de diferente na massa que pula carnaval da Barra à Ondina, Campo Grande à Praça Castro Alves, da massa que percorre frenética a Avenida Paulista ou que grita pelo Impeachment ou da massa que doura ao sol de Ipanema? São “as gentes” de seu lugar, é o povo ocupando um lugar que lhe pertence e que é feito desse mesmo povo.
E se andássemos na contramão do convencional, se parássemos no meio da rua para um banho de chuva às 18 horas, se vagássemos pelos “buracos” perigosos da cidade que é nossa? O perigo não somos nós? O ermo quem determina é a ausência de gente. Terrenos baldios, pessoas vazias, valores dispersos.
Há algo bem longe que também é nosso e há tanta coisa nossa que é de lá. O mundo é um ovo de codorna, uma azeitona pequena ou uma bola de gude. Está tudo ao mesmo tempo agora em todo lugar e cada um com sua peculiaridade.
Muita coisa se apropria. O turista se apropria e recria a cidade que não é sua de origem, mas que acaba voltando na mala e ficando em seu corpo como tatuagem. Toda experiência é riqueza, é troca. O que eu trago de uma viagem é também o que deixo por lá e às vezes sou tão estrangeiro no meu lugar...
Sou feliz em ser massa.
Massa corpórea
Indivíduo
Massa de gente
Coletivo
Cidade
Coletividade
Bela rima!!!!


São Paulo me representa pela complexidade, por ser múltipla, por eu ser assim. Adoro o horizonte de São Paulo. O inverso do daqui. Ir ao Porto ver o mar, pensar na vida, pôr-do-sol... tudo lindo e tão distante! Sampa me traz o útero, me leva para dentro num horizonte concreto, perto, quase a bater na cabeça. Sempre choro quando estou lá. Desaguo tudo que o mar me sufoca. Amo a noite, a multidão, a correria... Amo os amores de lá, o daqui que se transformou em lá, as artes, o nada, a parede vermelha, a família Herculano, os brinquedos de madeira, as ladeiras, as escadas, os taxistas, o metrô...

Janaína Amado pediu para que eu escrevesse sobre meu amor por São Paulo. Um pouquinho do que consegui traduzir.
* clicando no título encontra-se o blog labcorpocidade, fonte de minhas pesquisas em Estéticas Urbanas, matéria que curso como Aluno Especial do Mestrado em Dança da UFBA.

domingo, 2 de novembro de 2008

Versinho para um amor longinho

Foto da Família Jaubert, outros amores de longe


Oh Rua do Capelão,
Juncada de rosmaninhos,
Se o meu amor vier cedinho
Eu beijo as pedras do chão
que ele pisar no caminho.