terça-feira, 1 de abril de 2008

Judite quer chorar, mas não consegue! dia 08/04 na Escola de Dança


Esta belíssima foto de Judite feita por Alessandra Nohvais (está é chique esse nome!), minha amiga amadíssima, no Teatro Gamboa, quando fiz uma performance numa noite do show de Deco Simões, queridíssimo.
Ai, hoje estou muito "superlativo", mas Judite me traz isso: amadíssimo, queridíssimo, felicíssimo, saudosíssimo, juditíssimo....
Não sei o nome deste artista que fez uma instalação linda com casulos. Coincidência chegar para fazer Judite e o teatro estar cheio de casulos. Coisas que acontecem corriqueiramente com Ju: Paloma Gioli, lidíssima, que fez junto comigo a coreografia de Judite, quando saiu da estréia do espetáculo viu em cima de seu carro um monte de lagartinhas envoltas nas gotas de chuva que caíra nessa noite; Valter, surpelativíssimo, que nunca perdeu Ju no Vila Velha, se ausentou no penultimo dia para uma viagem a Sampa e assistia lá, no mesmo horário em que eu começava aqui, a um espetáculo onde um dos personagens se chamava Judite. Enfim... essa lagarta linda que tanto me dá alegria está presente na vida de todos que se envolveram com este projeto e sou grato a todos por isso.
Há um ano acontecia a estréia de Judite no Mês da Dança do Teatro Vila Velha e depois de andarmos por esse mundo afora voltaremos dia 08/04 (terça-feira), para o Teatro do Movimento na Escola de Dança da UFBA, 19:30h, no Mês da Dança idealizado pelos meninos lindos do D.A. da Faculdade. A convite de meu amigo Lucas Valentim, Judite vem me fazer mais um pouquinho feliz, porque dessa vez quem cantará para ela dançar será minha mãe Dinorah Oliveira, grande inspiradora de Ju. Espero vocês lá e levem quem quiserem.
PS- o valor do ingresso parace até uma mentira: R$1,50.

domingo, 30 de março de 2008

Tudo dá certo

O melhor é saber que o medo ou a vontade de que as coisas dêem certo é uma ilusão, uma fantasia...

O que é dar certo? Medo que o casamento não dê certo, medo que não dê certo meu emprego, vontade que dê certo aquele "rolo".... Dar certo?

Tudo é questão de tempo, até nossa vida uma hora não vai dar mais certo e vamos embora. O casamento sempre dá certo, o que talvez aconteça é o tempo que ele durou que pode ser mais curto ou mais longo do que planejamos. Meu emprego não deu certo? Claro que deu, comecei a trabalhar acreditando que estava no serviço certo e querendo continuar, mas quando não deu mais... tchau, deixa a vaga para quem pode ficar mais feliz, e aquele "rolo" gostoso que encontrei na balada, que me liga, que tenho vontade de encontrar? se não acontecer de ser "sério", não foi gostoso essa parte do frisson? então, deu certo.

Acordei acreditando que meus esforços deram certo, pode ser que não tenham correspondido às minhas expectativas, que tenham durado menos do que eu gostaria, mas que deram certo ahhhhh.......

Continuarei tantando, continuarei fazendo até quando meu tempo esgotar e alguém diga: lá se vai mais uma vida que não deu certo

quarta-feira, 26 de março de 2008

Hollywood



música de Sergio Bardotti - L. Enriquez Bacalov - Chico Buarque


gravada pelos Los Hermanos numa coletânea de vários artistas tocando temas de filmes e seriados infantis,essa música foi gravada originalmente por Lucinha Lins e Os Trapalhões para a trilha do filme Os Saltimbancos Trapalhões de 1981.


PS> Lembrar de nossa criança e saber que ela ainda está viva nos faz ter lindos sonhos.


Ói nós aqui, Ói nós aqui,
Hollywood fica ali bem perto,
só não vê quem tem um olho aberto


Ói nós aqui, Ói nós aqui,
Hollywood é um sonho de cenário,
Vi um pau-de-arara milionário


E eu que nem sonhava conhecer o tal Recife,
Pobre saltimbanco trapalhão.
Hoje sou mocinho, sou vizinho do xerife,
dou rabo-de-arraia em tubarão


Ói nós aqui, Ói nós aqui
Tem de tudo nessa Hollywood,
Vi um índio cheio de saúde


Ói nós aqui, Ói nós aqui,
How do you do?
Caruaru, I wanna see piripipi. Ói nós aqui


Ói nós aqui, Ói nós aqui
Camelôs, malucos e engraxates,
Aproveitem enquanto o sonho é grátis


Quem há de negar que é bom dançar, que a vida é bela,
neste fabuloso Xanadu.
Eu só tenho medo de amanhã cair da tela
e acordar em Nova Iguaçu


Ói nós aqui, Ói nós aqui,
How do you do?
Banabuiú, I wanna buy o Paraguai.

Hollywood and me


Ói nós aqui (vixe!)

Novidade boa

Hoje era para escrever sobre coisas boas
coisas alegres, que me fizessem rir
Parei, pensei
pensei...
chorei

terça-feira, 25 de março de 2008

segunda-feira, 24 de março de 2008

Amor "in vitro"

É como se de repente eu estivesse grávida de alguém que já nasceu
Um estranho que se alojou no meu interior e cada vez mais vai crescendo,
Regendo a minha respiração,
Tomando conta de minha insegurança, preocupação
O amor me penetrou
Meu amor me penetrou ontem à noite
E hoje estou grávida dele
A insegurança inicial, o medo do desconhecido ainda me acompanham
Afinal, amar é uma responsabilidade assim como parir
E’ alguém que a gente não conhece e que muda o rumo das nossas vidas
Nos primeiros meses é tão frágil!
Tenho medo de rejeitar ou de meu amor não se adaptar ao meu corpo e cair fora
Cuido dele com carinho
Farei exames de praxes
Um eletrocardiograma para ver se vai tudo bem
Outras mães fariam uma ultra-sonografia,
Mas é que eu estou grávida de amor, é diferente!
Fico ansiosa, enjoada de tenta espera
Tenho desejo que ele venha logo, com aquele rostinho,
Se chegando para mim com a cara de choro de quem está com fome
Então oferecerei meus seios, meu corpo enfim,
Para saciar a sua vontade.
Esta atitude é como parir
É aí que me entrego por completo ao meu amor

Meu orgasmo é um parto
Um parto inverso
Ao invés de expelir, expulsar,
Eu acolho, acomodo, aceito todas as suas sementes em mim
Gozar e parir são atos de doação
De entrega, de sublimação
Eu estava grávida de você
Ansiosa por mais um parto
Mas, de repente, você, meu afeto, se abortou de minha vida
E não foi aborto natural
Primeiro veio com um chá, para conversarmos
Depois de umas palavras que me partiram como ferro
Você partiu
Parecia que uma mão entrava e te arrancava de dentro de mim
Assim eu via você saindo, sem olhar para trás
Como uma criança abandonada pelos pais,
Passa por eles e não os reconhece
Eu não te reconheço mais
Tua imagem ficou deformada em minha lembrança
Como um feto no formol
Como um embrião desfigurado
Minha ilusão de mãe acabou
Agora espero um amor “in vitro”
Uma inseminação artificial
Farei laqueadura das veias do meu coração
Este não pulsará por mais ninguém
Não quero nem mais adoção
Estou no controle de natalidade
Tomara que você não se arrependa
Pois você é o culpado de minha esterilidade

Breu

Última luz
A iluminar o breu
De um coração
Que deveria ser meu

quinta-feira, 20 de março de 2008

Mar na boca

Boca, sua, minha
Água de boca
Água na boca santa
Na boca do estômago, a espera
De desfazer o nó da garganta

quarta-feira, 19 de março de 2008

Aos nossos filhos

Ivan Lins/Vitor Martins

Perdoem a cara amarrada,
Perdoem a falta de abraço,
Perdoem a falta de espaço,
Os dias eram assim...

Perdoem por tantos perigos,
Perdoem a falta de abrigo,
Perdoem a falta de amigos,
Os dias eram assim...

Perdoem a falta de folhas,
Perdoem a falta de ar
Perdoem a falta de escolha,
Os dias eram assim...

E quando passarem a limpo,
E quando cortarem os laços,
E quando soltarem os cintos,
Façam a festa por mim...

E quando lavarem a mágoa,
E quando lavarem a alma
E quando lavarem a água,
Lavem os olhos por mim...

Quando brotarem as flores,
Quando crescerem as matas,
Quando colherem os frutos,
Digam o gosto pra mim...

Digam o gosto pra mim...

Belo gosto de lágrima

Volta e meia "estou" Judite, isso quer dizer: quero chorar e não consigo. Tenho sentido isso inúmeras vezes e a lágrima até beira a borda dos olhos, mas não cai. Talvez porque saiba que caindo é o fim. Fim do nó na garganta. Fim desse gosto dela na boca. Fim de algo que pretende transbordar há anos e não transborda. O Chico secando e eu aguando. O Sena me secou e meu Subaé transbordou em 1989 e eu nem sabia que eu mesmo iria vazar tantas vezes.

Hoje assistindo à minissérie Queridos Amigos, que se passa no ano de 89, vazei, chovisquei um pouco.

Tenho andado muito sensível, eu acho. Tenho ficado muito reflexivo e uma amiga costumava me dizer, "pra que pensa, filho?". Deveria levar mais a sério essa brincadeira dela. Deveria lembrar que era advertência de amiga e não pensar tanto. Vazei com a minissérie como tenho querido vazar na vida. Existem muitas emoções contidas, reprimidas e meu corpo não está acostumado a isso. Logo eu que sempre fui trovoada, tempestade de lágrimas, ando pingando como a pia quebrada da cozinha. Há que se consertar as torneiras. Há que se dar nós em pingos d'água.

Minha água passeia em mim como que fervesse e embrulhasse tudo aqui dentro. Não é só tristeza que me causa isso, tenho estado emocionado também pela vida, pelas conquistas, pelo amor.

Pela vida que está chegando e tem um pouquinho de mim, porque minha irmã que é uma vida tão grande está carregando outra vida que ainda está pequena e certamente florescerá como uma linda árvore. Isso tem me sensibilizado em particular. Me pego pensando no processo belo e alucinante da vida que se transforma até o envelhecimento. Penso numa pessoa velha que nem nasceu ainda e choro imaginando as expressões, os sonhos, as demonstrações de afeto, os sorrisos... ahhh, os sorrisos!!! que sejam muitos, que venham aos milhões!!!

ao mesmo tempo que penso na morte, na dor, na solidão... e acho bárbaro estar vivo. acho um belo gosto para manter na boca.