sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Da maior importância


Às vezes um sentimento adolescente retorna em mim. Sabe aquela coisa de pertencer à turma, do menorzinho se sentir o maioral porque está saindo com os bambans? Aquele olho brilhando de admiração e felicidade porque sempre quisemos "fazer parte"? Pois é assim que estou me sentindo por estar ao lado de artistas que eu admiro e tenho curiosidade para saber sobre os trabalhos, como criam, como fazem... Lucas Valentim é uma referência forte, é quem eu fico de butuca observando sua arte, atento... assim como com o outros meninos do Vagapara (Olga Lamas, Jorge Oliveira,Isabela Silveira), Giltanei Amorim Guarani Kaiowá, Paula Carneiro Dias... Me interessam! 

Assim como foi lindo e "tenso" (se é que me entendem) ver a beleza de Pau Brasil, de Aldren Lincoln. Amigos-artistas da maior importância!

Dançar, hoje, no De Solos e Coletivos, na mesma noite com Márcio Nonato e Paula Lice me dá "nervosia" e alegria porque é tanta admiração e querer bem... enfim, minha arte só vale se for feita de encontros. que bom que o encontro de hoje é um encontro com mestres. 

Obrigado pelo convite e por me aceitar na turma.

Hoje (sexta-30/11), "Odete traga meus mortos" de Edu Oliveira (eu mesmo) e Lucas Valentim (com tradução em LIBRAS), o solo cAstigO de luz AcessA - A prOvA - de Márcio Nonato e mais "Isto não é uma mala - versão picnic" (de Paula Lice)... No De Solos e Coletivos- mini-festival, na Escola de Dança da UFBA, a partir das 19:30!

domingo, 18 de novembro de 2012

O avental de Odete


O que eu mais gosto em Odete é ela ser exatamente o que é e ser cuidado. Lembro daquele abraço em silêncio num dia de dor, daquela casa escura de comida deliciosa, café e jornal. Lembro do convite e do grude embolado. Das mãos em L e das lágrimas de Débora.

Hoje, Odete me mandou um presente. Sim, a verdadeira, a francesa.... Para quem não lembra, eu contarei novamente:

Num almoço em casa de uma família tradicional, na hora do café, depois de todo ritual da refeição francesa, a matriarca pede a empregada: “Odete, traga meus mortos!”. Incrédulo, com expressão assustada, fui informado que este pedido tornou-se habitual daquela senhora que lê diariamente o obituário do jornal enquanto toma seu cafezinho. Sua preocupação é saber se algum conhecido faleceu e observar a forma como foram escritas as informações sobre os óbitos, sempre discordando e dizendo que não quer o seu daquele jeito. Então, começa a descrever como gostaria que divulgassem sua morte, a foto que deve ser colocada, a roupa e como as pessoas devem agir no seu funeral... Este momento que poderia ser tenso, triste, acaba se tornando divertidíssimo, com muitas risadas.

Pois bem, hoje, ganhei de presente metade do avental de Odete e uma carta linda. Quase uma confissão.

Odete tem dessas e é tão simbólico ganhar metade de alguma coisa, principalmente no caso de Odete que fala sempre da falta de algo, da ausência, de alguma coisa, pessoa ou lugar que ficou para trás...

Minha querida, nunca se perca de mim!


E não esqueçam que dia 30-11, às 19h, terá Odete, traga meus mortos, na Escola de Dança da UFBA, como parte do Mini-Festival DE SOLOS E COLETIVOS que acontecerá de 29-11 a 02-12.

 foto de Gabriel Guerra

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Palavras des-formatadas

Cada vez mais me convenço de que não nasci para acadêmico, sou poeta mesmo. Poeta sem precisar escrever. Na verdade são meus olhos que fazem poesia e lacrimejam. Estou o dia todo tentando escrever um artigo para um Seminário. Vejo o tempo passar, o prazo de entrega chegar, os dias acumulando trabalho e o que me atrai são os videos que aparecem na pesquisa, a dança, os corpos, a saudade e o desejo de estar lá novamente. Estou escrevendo sobre a experiência com o Candoco e é difícil falar na forma engessada da academia sobre algo que é tão sentimento, emoção, alegria... uma escrita passional talvez fosse mais verdadeira do que esta de dados e razão. O tempo passou tão rápido! Quando iniciamos lá em 2010 parecia que era muito tempo até 2012, que nada, voou.

Ahhhh, meus dedos bem que podiam ser racionais e transformar este batuque que está em meu peito em palavras formatadas!

sábado, 10 de novembro de 2012

A Cena do Ódio

Almada Negreiros, (7.4.1893-15.6.1970), Portugal. 

Ergo-me Pederasta, vaiado por imbecis, 
Divinizo-me Meretriz, ex-libris do pecado, 
Sou raiva de Medusa e danação do Sol. 
Ladram-me a vida por vivê-la e só me deram uma, 
Uma, agora, quero vivê-la, Narciso do meu ódio, 
Ódio de um último instante de condenado inocente.

E tu, tu que te dizes Homem, 
que inventaste as ciências e as filosofias, 
as políticas, as artes e as leis, 
e que aperfeiçoas a arte de matar, 
Tu, que descobriste o Cabo da Boa Esperança, 
o caminho marítimo para as Índias
e as duas grandes Américas e que levaste a chatice a estas terras
e que trouxeste de lá mais chatos praqui
e que ainda por cima cantaste esses feitos, 
Tu, que inventaste a chatice e o balão
e que farto de te chateares no chão te foste chatear no ar
e que ainda foste inventar submarinos
pra te chateares também debaixo d'água. 
Tu, que tens a mania das invenções e das descobertas 
e que nunca descobriste que eras bruto (chato)
e que nunca inventaste a maneira de não o ser. 
Tu consegues ser cada vez mais besta, besta
e a este progresso chamas de civilização. 

Tu e eu, eu aqui, sepultado vivo, Mendigo de mim próprio, 
sem condições de fazer fortuna porque Deus, por escárnio, 
me deu inteligência, irmãs feias e uma mãe que jamais se venderá
por mim. 

Pois bem, pústula, obeso e rotundo sanguessuga, 
quanto mais penso em ti, mais creio que Deus 
perdeu de vista o Adão de barro
e, com pena, fez outro de bosta por lhe faltar barro e 
inspiração. 
Enquanto esse Adão dormia, os ratos roeram-lhe os miolos
e de suas fezes, nasceu a Eva burguesa. 

Deles, nasceste tu, e em toda parte teu papel é admirar
mas nunca acertas numa admiração feliz
porque teus desejos são avaros como as tuas unhas sujas e ratadas
e os homens são na proporção dos seus desejos. 
Não te cora ser grande o teu avô
e tu, apenas o teu neto, e tu, apenas o seu esperma? 
Não te dói Adão mais que tu? 
Não te envergonha o teres antes de ti outros maiores que tu? 
Jamais eu quereria vir a ser um dia o que o maior de todos já o 
tivesse sido, 
eu quero sempre muito mais
e mais ainda, muito pra além desse infinito. 
Tu não sabes, meu bruto, que nós vivemos tão pouco
que ficamos sempre a meio caminho do Desejo? 

A terra vive desde que um dia deixou de ser bola do ar
pra ser solar de burgueses. 
Existiram homens de talento, gênios e imperadores. 
Cansou-se o mundo de estudar e os sábios morreram velhos, 
fartos de procurar remédios e nunca acharam o remédio de parar. 
E à beira do século XXI, eu vivo farto de ver desfilar burgueses
trezentos e sessenta e cinco vezes ao ano, 
vinte e quatro horas de chatice, 
sessenta minutos de tédio, 
sessenta segundos de mediocridade...

Merda para os homens de todos os tempos
merda para a civilização e para a cultura, 
merda para a arte e a ciência! 

Eu queria poder, como tu, sentir a beleza de um almoço pontual
e a felicidade de um jantar com as bestas da família. 
Eu queria, como tu, sentir o bem-estar que a imbecilidade dá, 
Eu queria, como tu, viver enganado da vida e da mulher, 
sem o prazer doloroso de ser inteligente. 
Eu queria, como tu, ignorar que os outros não valem nada
para poder admirá-los, como tu. 
Eu queria que a vida fosse tão divina quanto tu garantes que é. 
Eu te invejo, pedaço de cortiça a boiar na superfície
sem nem desconfiar da profundidade do mar.

Olha para ti, olha, 
se não consegues te ver, concentra-te, procura-te, 
encontrarás primeiro o alfinete do terno, 
então, espeta-te nele para não te perderes de novo, 
e agora, observa-te. 
Quieto, 
não te odeies ainda, que ainda nem começaste. 
Vês? É o horror! É o horror! 

Mas, talvez tenhas saída. Sim, talvez tenhas. 
Larga a cidade e foge! 
Larga a cidade. 
Larga a casa, foge dela, larga tudo! 
Nem te prendas com lágrimas que lágrimas são cadeias. 
Larga a casa e verás: Vai-se o pesadelo! 
Mas larga tudo, tudo, 
os outros, os sentimentos, os instintos
e larga-te a ti também, a ti principalmente!
Larga tudo e vai para o campo, 
e larga o campo também, larga tudo! 
Põe-te a nascer outra vez! Não queiras ter pai nem mãe, 
não queiras ter outros, nem inteligência. 
Já h inteligência demais (não vês?), pode parar por aqui. 
Depois, põe-te a viver sem cabeça, 
v só o que os olhos virem, 
cheira os cheiros da terra, come o que a terra der, bebe dos rios 
e dos mares, lambuza-te de natureza. 

Pústula! Tens medo! Nem vives, nem deixas os outros viverem, 
crápula... Hás de pagar-me! 
Hei de ser a cigana de tua sina, hei de ser a bruxa do teu
remorso, 
e mais que isto, verme, hei de ser a mulher que desejas, hei de 
ser ela sem te dar atenção.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

As férias de Marilyn

Euphorico é aquele que acolhe, que permite, que compartilha. Euphorico é quem encontra. E desta vez o Euphorico encontrou com Marilyn que encontrou com outras Marilyns numas férias na França.

Tomamos nosso "petit déjeuner". Rimos. Cantamos Happy Birthday ao Mr. President. Curtimos o dia. Brindamos com champagne. Celebramos os encontros.

Até 2013, amigos!!!! Obrigado! Merci beaucoup!!!

Foto Helene Charles

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Se você estivesse aqui

Se você tivesse ido
Se você tivesse visto
Se você tivesse ouvido
Se você tivesse falado
Se você tivesse vindo
Se você tivesse lindo
Se você tivesse comido
Se você tivesse dançado
Se você tivesse comigo
Se você tivesse bebido

Se você tivesse vindo
Se você tivesse dito
Se você tivesse andado
Se você tivesse corrido
Se você tivesse comido
Se você tivesse comigo
Se você tivesse gritado
Se você tivesse cantado
Se você tivesse chorado
Se você tivesse lindo

Se você tivesse fechado
Se você tivesse visto
Se você tivesse vivido
Se você tivesse amado
Se você tivesse dito
Se você tivesse lindo
Se você tivesse mentido
Se você tivesse acabado

Se você tivesse dito
Se você tivesse lindo
Se você tivesse vindo
Se você tivesse comigo

Se você estivesse aqui

Amanhã (03-11), estarei com o Grupo X e a Cia Artmacadam apresentando o Euphorico: Je t'aime là, em La Distillerie-Aubagne. Duas semanas que voaram.... Não sei o que faz o tempo correr assim. Talvez a vontade da presença constante, talvez o amor, os nossos "je t'aimes". O certo é que não será o fim, pois não acaba. Continua, continua, continua... Como água no mar, como ondas. 

E mais uma vez caimos n'água todos juntos.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012